Vendas das incorporadoras abaixo das expectativas

A alta do juro junto da inflação vem reduzindo o poder de compra da população e isso vai afetar o consumo de diversas áreas.

A construção civil vinha aquecida e agora pode enfrentar problemas, principalmente com a alta do juro.

Influência do juro alto no financiamento.

Com a alta da Selic, o financiamento residencial vem ficando mais caro. Além do impacto do juro no financiamento, ainda existe a pressão inflacionária.

Como o ferro e demais itens que são matéria prima para a construção civil ficaram mais caros ao longo do ano, os empreendimentos registraram alta nos preços.

A combinação de preço maior com o juro maior pode estrangular o setor da construção civil em um futuro próximo.

Na verdade, os impactos da inflação e do juro já vêm acontecendo. No caso da incorporadora Cyrela, os resultados são bons, mas as vendas contratadas e a velocidade de vendas caíram.

Com menos vendas contratadas e com menos velocidade nas vendas, o cenário de queda pode ser evidenciado no próximo resultado da empresa.

Querendo ou não, a construção civil é um dos ramos que mais emprega no Brasil. Sendo que a queda do resultado das empresas com uma possível dificuldade em conseguir vender unidades, vai gerar redução nas construções e no investimento do setor.

Enfim, um dos motores da economia pode estar sofrendo os impactos da alta inflação e do juro.

Ibovespa descolado do S&P 500

Além dos resultados preliminares das construtoras, o Ibovespa registrou queda de 0,24%, enquanto outros índices, como é o caso do S&P 500 registraram alta de 1,71%.

O USD/BRL ficou estável, terminando o dia cotado a R$ 5,51. O EUR/USD também ficou estável cotado a 1,16 dólares.

Por outro lado, outro ativo que ganhou hoje foi o ouro. A Onça Troy se valorizou, chegando ao valor de R$ 9.900,71.

Com a inflação ganhando atenção nos mercados, o ouro começou a se valorizar. Não faz muito tempo, a Onça Troy estava cotada abaixo dos nove mil reais e agora já está se aproximando dos dez mil.

Além da inflação, outros fatores vêm gerando medo no mercado. A situação da economia chinesa, com as incorporadoras em risco aliado à questão energética, vem influenciando no humor das bolsas.

Caso o petróleo e o gás continuem subindo, mais inflação e mais dificuldades vão aparecer no curto e médio prazo.

Por isso, é importante observar o dólar e o ouro. Ambos os ativos são considerados defensivos e de proteção, sendo que o investimento nos mesmos pode ajudar na redução das oscilações junto à carteira.

Dólar caindo lá fora e subindo aqui é tudo o que o Banco central não quer!

O dólar já vem se valorizando em relação ao real desde julho, conforme já foi explicado no artigo “Dólar alcançando novas máximas perante o real”. Mas, o mesmo comportamento é observado também com relação a outras moedas.

O Euro vem caindo perante a moeda americana a várias semanas, enquanto o DXY vem alcançando novos patamares, conforme explicado no artigo “Com o euro caindo, o dólar ganha força perante outras moedas”.

A atuação do Banco Central.

O aumento excessivo do dólar não é bom para o Brasil. Por esse motivo, o Banco Central brasileiro (BC) trabalha basicamente de duas formas para controlar a taxa de câmbio.

A forma passiva trata-se da utilização de swaps cambiais. Os Swaps cambiais são usados pelo BC como uma ferramenta para aumentar a oferta da moeda americana. Estes swaps são realizados em datas e horários pré-agendados, por isso são considerados aqui como uma forma passiva.

A forma ativa, por sua vez, trata-se da intervenção direta do BC no mercado de câmbio. Ao realizar a venda direta de um grande número de contratos de dólar, o preço do ativo cai, devido a lei da oferta e demanda.

Apesar da alta do dólar nos últimos dias, o BC permanecia trabalhando apenas de forma passiva, pois a moeda americana continuava subindo no restante do mundo.

Porém hoje, a situação foi diferente. Apesar de o dólar futuro abrir em baixa, o ativo vinha fazendo movimentos de alta e violou a máxima, chegando próximo dos R$5,60.

O que causou preocupação, é que o DXY vinha caindo bastante ao longo do dia. Do mesmo modo, o euro fazia um forte movimento de alta, enfraquecendo a moeda americana.

Com isso o BC precisa intervir.

Em um cenário como esse, o BC entra em ação, acreditando que a alta do dólar é reflexo, principalmente, de especulação.

Com a intervenção do BC, o dólar futuro entra em leilão e se ajusta a um novo nível de preços quando o leilão é finalizado. Quem está comprado apenas por especulação, fica preso em uma posição perdedora até que o ativo saia do leilão.

Quando o ativo volta a ser negociado, os compradores que precisam zerar suas posições, vendem seus contratos. Isto faz com que, nesta situação, o dólar continue caindo após a intervenção do BC.

Conforme mostrado no gráfico, às 15 horas o BC fez uma atuação, derrubando o dólar futuro em cerca de 30 pontos, ou 3 centavos. Na sequência o ativo continuou caindo e acabou fechando o dia com 0,35% de queda.

Assim sendo, para quem opera o dólar futuro, é importante acompanhar também outros pares de moedas, ou mesmo o desempenho do DXY, para evitar ser pego pelo BC, conforme ocorreu ontem.

Relatório Focus mostra mais inflação em 2021

Com mais pressão dos preços, outros indicadores sofreram correções. O dólar subiu dos R$ 5,20 para R$ 5,25 enquanto a Selic para 2022 registrou alta de 8,5% para 8,75% ao ano.

Os preços vêm subindo

A inflação medida pelo IPCA vem sofrendo bastante com a alta dos preços. Se por um lado o ferro registrou grande depreciação, do outro os combustíveis vêm influenciando bastante os preços.

Semana passada a Petrobras passou mais um aumento referente à gasolina e o gás de cozinha. Ambos os produtos sofreram com um aumento de 7,2% da Petrobras junto às refinarias.

Com isso toda a economia recebe o impacto e repassa à alta dos preços para aqueles que fazem parte da cadeia, como é o caso das empresas de transporte, restaurantes, autônomos, prestadores de serviços e demais.

O que fazer com os investimentos?

Com mais expectativas sobre a inflação e o juro, o negócio é ficar atento sobre a Selic. Investir em produtos atrelados ao CDI e a própria Selic são boas alternativas.

O Tesouro Selic e os CDBs com liquidez diária são boas opções de investimentos. Além da liquidez, a rentabilidade estará atraente.

Desse modo os recursos aplicados rendem bons ganhos e ainda estão prontos para serem utilizados em outras oportunidades.

Como há expectativa para um dólar maior, o USD/BRL também é interessante. Na segunda-feira o dólar registrou alta de 0,45% cotado a R$ 5,54.

Já o EUR/USD teve queda de 0,12%, cotado a 1,16 dólares, enquanto o USD/CNY marcou ligeira alta de 0,14% cotado a 6,45 Yuan.

Diferente do Euro ou do Yuan, o Real é uma moeda muito volátil. Questões políticas e até de contexto nacional, como nossa própria economia influenciam na sensibilidade maior do Real, além, do cenário de inflação no mundo.

Com a alta dos combustíveis e sinais relevantes de crise na China, por exemplo, o Real vem enfrentando bastante volatilidade.

Mas ainda sim, é importante pontuar que outras divisas da América do Sul também bem experimentando certa volatilidade e vem performando pior do que o Real, como é o caso do USD/ARS que vem se valorizando em mais de 17% em 2021 e o USD/CHI que vem ganhando quase 16% em 2021.

Comparado a moedas mais estáveis, o Real vem obtendo uma performance pior, mas comprado a pares regionais, o Real vem conseguindo se manter mais estável.

De qualquer forma, fundos cambiais em dólar podem ser uma boa solução para parcela menor do patrimônio, ainda mais quando há possibilidade de alta do juro nos Estados Unidos no médio a curto prazo.

A redução de liquidez norte-americana possivelmente vai impactar o mundo como um todo.

IPCA abaixo das expectativas.

Mesmo registrando uma inflação menor, o IPCA dos últimos 12 meses alcançou os 10,25%. A expectativa do BC é que em setembro, o IPCA tenha alcançado o seu pico. Será que isso realmente aconteceu?

Agora o IPCA vai cair?

Com mais inflação e mais juro, o consumo normalmente contrai. Isso acontece porque os preços estão subindo e o juro também.

Se uma empresa pensa em incrementar seus investimentos, captando recursos com bancos, por exemplo, o momento talvez não seja o mais oportuno.

Além dos empréstimos e financiamentos estarem mais caros, os produtos e serviços vêm sofrendo com a alta da inflação.

Tudo isso vem colaborando para um cenário perigoso para o Brasil. O cenário em questão é a estagflação.

Em uma situação de estagflação o país para de crescer e mesmo assim, ainda convive com a inflação alta.

Normalmente a inflação cresce porque o consumo cresce mais do que a oferta de produtos e isso vai gerar um aumento dos preços. Geralmente, quando há um aumento do consumo a tal nível, o desemprego cai e demais índices, como o próprio PIB, cresce.

O PIB vem crescendo em parte porque em 2020 houve uma queda relevante, devido aos impactos da pandemia. Portanto, o crescimento de 2021 vem sendo influenciado por números ruins de 2020.

Em 2022 as expectativas são para um crescimento próximo dos 1,5%, por exemplo.

O que fazer?

Sem uma certeza, se o IPCA vai continuar subindo ou não, o negócio é manter parte do patrimônio líquido e aplicado em investimentos que rendem o CDI, ou estão atrelados à Selic.

Já uma parte menor, precisa estar alocada em proteção, como é o caso do dólar. O USD/BRL em 2021 vem se valorizando em mais de 6%, com o dólar alcançado a cotação de R$ 5,51.

As expectativas para 2021 eram de queda da moeda norte-americana, uma vez que os Estados Unidos estão investindo pesado na economia e tentando se recuperar da pandemia.

Com isso, há uma grande quantidade de dólares no mercado, mas ainda sim, aqui no Brasil, o dólar não cedeu.

O EUR/USD, por exemplo, vem caindo em mais de 3,7%, cotado a 1,16 dólares. Não é só o real que vem perdendo valor.

Já o USD/CNY vem caindo 1,35% aproximadamente. O Yuan vem conseguindo se valorizar frente ao dólar, mesmo com todos os problemas referentes à Evergrande.

Como o dólar é uma moeda forte e amplamente conhecida por sua estabilidade, manter uma parcela do patrimônio alocado em fundos cambiais é uma ótima opção.

A inflação sai amanhã.

Ao longo das semanas o relatório Focus, do BC, vem mostrando aumento gradativo da inflação. Será que o IPCA vai ficar mais comportado? É isso que o mercado espera identificar mais a frente.

O que esperar do IPCA de setembro?

A inflação do mês de setembro pode vir já sob influência da redução do preço do ferro. O metal vem registrando queda acentuada, uma vez que o mercado chinês, não está mais adquirindo tanto ferro como antes.

Essa redução já influencia a redução do IGPM e pode influenciar no IPCA também. Porém, os preços da energia e do gás vêm influenciados de forma negativa, aumentando os preços.

A mesma coisa ocorre com os combustíveis. Assim, o IPCA de setembro, provavelmente, será o resultado de bastante volatilidade.

Contudo, se a inflação vir maior do que o esperado, acima dos 1,25%, é possível que o presidente do BC reveja sua posição com relação aos aumentos de 1% nas duas próximas reuniões.

Um IPCA muito maior precisa ser mais bem avaliado e o aumento do juro deverá ser calibrado. Agora um IPCA abaixo das expectativas, justificará a permanência do ritmo de alta do juro como já foi divulgado.

O que fazer?

O petróleo vem se valorizando em 2021. O barril do petróleo já chegou a permanecer na casa dos 60 dólares, e hoje navega acima dos 80 dólares o barril.

Já existem discussões para aumentar o fornecimento do petróleo na tentativa de reduzir ou manter os preços como estão.

Esse aumento da oferta de petróleo vai ajudar bastante o mundo, principalmente no que tange a energia e a inflação.

Com o aumento do valor do combustível, os países, indústrias, e empresas em geral, vêm investindo mais para conseguir entregar os seus produtos e serviços. A contrapartida vem dos preços e isso vai gerar inflação.

No Brasil a inflação já vem gerando aumento dos preços em diversas áreas e isso preocupa. Se a inflação ganhar muito força no país, vai se tornar mais difícil investir.

Hoje, o Brasil viveu mais um dia de valorização do dólar. O USD/BRL registrou alta de 0,47%, terminando o dia cotado em R$ 5,52.

Já o EUR/USD registrou valorização de 0,01%, chegando a 1,16 dólares. Aqueles que não possuem posição em dólar, essa é a hora de começar avaliar a possibilidade de investir em dólar, por meio de fundos, ou de investir em ativos que tenham relação com o dólar, como é o caso dos fundos de índices, como o IVVB11, por exemplo.

Outro bom ativo para ficar de olho é o ouro. Há inúmeros fundos que investem no metal e podem ser ótimas soluções de investimento.

Com o euro caindo, o dólar ganha força perante outras moedas.

Observando o gráfico semanal do euro/dólar, pode ser entendida a dinâmica de preços. No final de 2020 o euro subiu com força, no início de 2021 fez um movimento de correção e na sequência voltou a subir. Entretanto, o movimento de alta não conseguiu superar o topo deixado em janeiro e na sequência voltou a cair, formando assim um topo duplo.

Após os movimentos que formaram um “M”, o ativo tentou subir, mas não conseguiu superar a retração de 38,2%. Na sequência o euro voltou a cair, perdendo uma região de suporte importante e acionando um pivô de baixa.

No gráfico diário é observado que após perder a região de suporte, indicada pela linha tracejada em amarelo, o euro tentou se recuperar, mas acabou perdendo força voltando a cair na sequência, acionando um pivô de baixa no gráfico diário também.

Hoje o euro permanece se segurando na região do fundo anterior, mas, como o pivô de baixa já foi acionado, existe uma grande probabilidade de o ativo voltar a cair nos próximos dias, buscando os alvos do pivô.

Com o euro caindo, o dólar ganha força.

O índice DXY é uma comparação entre o dólar e uma cesta de moedas países desenvolvidos. O ativo vinha trabalhando em um retângulo abaixo da média móvel de 200 períodos do gráfico semanal desde novembro do ano passado. Contudo, com o euro perdendo força, o dólar superou o retângulo e indica que poderá superar a média de 200 caso busque os alvos do pivô de pré-rompimento que foi acionado.

No gráfico diário o índice armou um pivô acima do retângulo, o que daria força ao ativo, caso o pivô fosse acionado. Essa movimentação sugere que o ativo pode iniciar um movimento mais forte de alta.

Hoje o dólar segue caindo, mas a média móvel de 8 períodos dá suporte ao ativo. Caso nos próximos dias o movimento de alta continue, é muito provável que o pivô será acionado e que o DXY busque os alvos projetados.

Além da Evergrande, agora temos a Fantasia

Segundo a mídia especializada, a incorporadora Fantasia acusou o não pagamento de obrigações que venceram na última segunda-feira.

Com isso, Fantasia tem 30 dias para tentar resolver o imbróglio para evitar o calote. Com a crise em mais uma incorporadora, as coisas podem começar a ganhar um contexto dramático na economia chinesa e mundial.

Crise sistêmica na China

Com mais uma incorporadora acusando problemas em conseguir quitar suas obrigações, fica evidente que o problema da Evergrande não é único.

Na verdade, a crise parece estar entrelaçada nas entranhas da China. Um efeito dominó não pode ser descartado.

Em uma crise sistemática com um potencial de efeito dominó, a quebra da Evergrande, ou até da própria Fantasia, podem desencadear a quebra de diversas outras empresas em pouco tempo.

Isso acontece porque tais incorporadoras possuem diversos credores e contra partes por toda a China e no mundo.

A falta de pagamento, ou a simples falta de credibilidade de tais instituições pode gerar um efeito catastrófico na economia.

Entre os efeitos que podem vir a ocorrer, nós temos a busca por dinheiro nos bancos (o que reduz a liquidez das instituições financeiras), a redução de investimentos e de compras por parte da população e das empresas (redução dos gastos).

Todo esse choque pode levar a China a enfrentar uma crise mais pesada do que a Covid-19 foi ou está sendo.

Como enfrentar uma crise sistêmica?

Observando crises passadas, existem alguns investimentos que podem ser feitos para tentar reduzir a volatilidade da carteira.

Dentre eles a aquisição de dólares. É importante manter parcela considerável do capital em dinheiro, ou seja, em títulos de liquidez diária atrelados ao juro (principalmente agora, onde o juro está em alta e tem a expectativa de terminar 2021, em no mínimo 8,25% ao ano).

Além disso, títulos de curto prazo atrelados ao IPCA podem ser uma alternativa interessante. Existem bons bancos oferecendo CDB, LCI ou LCA atrelados ao IPCA, com vencimentos curtos e pagando juros de até 4% ao ano.

Por último, o investimento em ouro deve ser cogitado. Se uma quebra realmente ocorrer na China, o mundo inteiro vai mergulhar em uma crise e isso vai despertar o investimento em ouro.

Esse investimento pode ser conduzido por meio de fundos de investimentos que possuem o ouro como benchmark e principal ativo da carteira.

Só para ter uma ideia, hoje, o USD/BRL fechou em R$ 5,48, alta de 0,40%. O EUR/USD fechou em 1,16 dólares, ou desvalorização de 0,14%.

Já o ouro vem sendo negociado em 1.758,00 dólares a onça, registrando queda de 0,55% no dia.

Banco Central e a inflação.

A relação entre a inflação e o juro é bem estreita. Normalmente, quando o juro sobe a inflação cai, quando o juro cai, a inflação tende a subir. Mas além da relação do juro e inflação, existe a parte fiscal.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, até o presente momento não vem se manifestando a favor de subir ainda mais o juro.

Em outros tempos, seria difícil enxergar a inflação chegando aos 10%, ou mais, sem que a taxa de juro estivesse no mesmo patamar ou superior.

Caso o percurso do juro se mantenha inalterado, chegando aos 8,25% em dezembro, é provável que o ano termine com um juro real negativo e com a inflação em alta.

Relação da parte fiscal com o juro

Quando o país possui a parte fiscal bem controlada, com a dívida regulada, normalmente a inflação não oferece riscos à nação. Mas quando há um descontrole na parte fiscal, as coisas podem desandar de forma rápida.

O Brasil, até o presente momento, convive com a redução da dívida. A relação dívida/PIB tem tudo para terminar 2021 próxima dos 80%. Vale destacar que ainda em fevereiro de 2021, a dívida/PIB alcançou patamar acima dos 90%.

Boa parte dessa redução vem ocorrendo devido a alta inflação. Ou seja, com a desvalorização do real, o governo vem conseguindo contornar a própria dívida.

O problema da inflação alta fica na conta da população que vê o dinheiro se desvalorizar, perdendo o poder de compra.

Outro problema está baseado no juro “baixo”. O governo brasileiro vem trabalhando com a ideia de incrementar alguns programas sociais e isso vai gerar mais custos e despesas.

Sendo que o Brasil já tomou várias medidas que aumentaram os gastos da nação. Observando que a parte fiscal vem sofrendo bastante e o juro ainda não está em um nível restritivo, é possível que o IPCA se mantenha elevado por mais tempo, inclusive em 2022.

Vale destacar que o juro maior, também serve de forma restritiva para o governo federal, uma vez que o juro da dívida aumenta junto da Selic.

De qualquer forma, o BC vem sinalizando que a inflação não está tão desregulada e que a alta da Selic, da forma que está, tem tudo para surtir o efeito necessário. Agora é aguardar e torcer para tudo dar certo.

Indicadores do dia

O Brasil ainda vem sofrendo com a volatilidade do dólar e hoje o USD/BRL terminou com valorização de 1,59%, cotado a R$ 5,46.

Já o EUR/USD teve alta de 0,11%, cotado a 1,16 dólares e por fim o USD/CNY cotado a 6,45 Yuan.

Inflação no mundo

A inflação vai afetar todos os países, mas aqueles que estão em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, podem sofrer um impacto ainda maior.

Inflação alta no Brasil

O Brasil já vem vivendo a alta da inflação de forma recorrente em 2021. Segundo dados do próprio IBGE, o IPCA nos últimos 12 meses está em 9,68%, número que já está acima da meta e da faixa superior.

A meta para a inflação em 2021 é de 3,75%, sendo que a banda é de 1,5% para cima ou para baixo. Portanto, quando o IPCA chegou em 5,25%, ele já estava superando até a banda.

Se a China realmente reduzir sua produção isso vai gerar ainda mais impactos em nossa economia e na inflação.

Sendo assim, os investimentos precisam ser melhor avaliados no curto prazo a fim de reduzir eventual volatilidade.

O Ibovespa em 2021 já vem performando abaixo de outros índices, como é o caso do S&P 500. Já o real vem se depreciando frente ao dólar.

Em 2021, o USD/BRL vem se valorizando em 3,35%. Já outras divisas, como é o caso do USD/CNY, vem registrando desvalorização de 1,3% e o EUR/USD está em queda de 1,95%.

Mesmo com a crise energética provocada pela Evergrande, a China vem conseguindo se valorizar frente ao dólar.

Querendo ou não, isso mostra certa resiliência da economia e dos indicadores chineses frente a todas as adversidades.

O que fazer para se proteger?

Com a crescente alta da taxa de juro, Selic, um dos investimentos mais interessantes no Brasil são os CDBs e a letra do tesouro Selic.

Além disso, ainda há os fundos DI. Existem alguns fundos que possuem isenção da taxa administrativa e conseguem entregar resultados melhores, mais atraentes aos seus cotistas.

O investimento em dólar pode ser uma boa também. Ainda mais quando colocamos nessa análise a expectativa política do país.

O Brasil terá eleições presidenciais ano que vem e isso pode gerar ainda mais oscilações no mercado. Provavelmente, 2022, não será um ano bom para a bolsa.

Por último ainda existe uma menção ao ouro. Até o momento o ouro não vem performando de forma interessante, mas é notório que o metal se torna refúgio dos investidores quando as coisas pioram.

Principalmente quando algo sistêmico ocorre. Se a crise energética e uma eventual quebra da Evergrande ocorrerem simultaneamente, um pouco em ouro pode ser algo substancial, na hora de suavizar a volatilidade dos mercados.

Desemprego e expectativa do PIB.

Segundo dados do IBGE, o desemprego, dentro do período de maio a julho de 2021, ficou em 13,7%. A expectativa era de 13,9%, portanto o indicador surpreendeu positivamente.

Já o Banco Central divulgou suas expectativas para o PIB, segundo o BC o Brasil deve terminar 2021 com PIB de 4,7% e em 2022 de 2,1%. O BC previa uma alta do PIB de 4,6% anteriormente, agora a expectativa já é maior.

Com a melhora do mercado de trabalho e com as expectativas do BC convergindo para um PIB de 5% em 2021, as coisas parecem estar melhorando.

Boas notícias, mas o contexto ainda é preocupante.

Com mais pessoas empregadas e a redução gradual do desemprego ocorrendo, o consumo interno vai aumentar e isso pode impulsionar os negócios dentro do Brasil.

Por outro lado, há muitos ruídos do lado de fora do país, além da instabilidade política. A crise da Evergrande ainda não foi encerrada e os problemas de energia na China vêm preocupando os mercados.

Com eventuais apagões na China, a produção da segunda maior economia do mundo vai ser afetada e pode puxar para baixo todos os mercados do globo.

Por isso, o momento é de muita atenção. Mesmo com as boas notícias vindo de nossa economia, o dólar terminou o dia em alta.

Só em Setembro, a moeda norte-americana registrou alta de 5,17%. O USD/BRL valorizou em 0,51% hoje, cotado a R$ 5,44.

Em comparação com outras divisas, como é o caso do Euro, o Real registrou bastante volatilidade.

O EUR/USD desvalorizou em Setembro, perdendo 1,74% do seu valor. O Euro terminou cotado a 1,16 dólares.

Por fim nós temos o Yuan. A divisa chinesa registrou em Setembro valorização de 0,17% frente ao dólar. O USD/CNY ficou em 6,45 Yuan.

Mesmo com toda crise provocada pela Evergrande e o receio que a construtora possa mesmo dar um calote em seus credores, o Yuan se manteve frente ao dólar.

O que esperar de Outubro?

Se Setembro já foi turbulento, Outubro pode ser ainda mais. A Evergrande vai continuar tendo vencimentos de juros referentes às suas dívidas.

Esses vencimentos terão que ser pagos pela construtora a fim de evitar um abalo sistêmico em toda a economia mundial. A crise energética na China pode ganhar novos capítulos dramáticos além da crise hídrica brasileira.

Com as reservas de água caindo mais e mais, o sistema energético brasileiro pode ser comprometido, gerando ainda mais transtornos à nossa economia.

A inflação é outro ponto preocupante. O IPCA de Setembro será divulgado em Outubro. Com um IPCA mais controlado, o plano de “voo” do BC será mantido, mas, havendo aumento além do esperado, é possível que o BC seja obrigado a corrigir o seu plano.

Para o mercado interno, todos esses pontos vão fazer a diferença nos investimentos para o mês de Outubro e nos meses seguintes.

O negócio é ficar atento e começar analisar investimentos que possam gerar mais segurança à carteira.