Empresas já usam o metaverso para a contratação e interação de funcionários

Quando o Facebook anunciou que havia mudado o nome de sua empresa para Meta, o mundo virtual conhecido como metaverso de repente chamou muita atenção.

A Meta tem como objetivo construir uma experiência digital onde várias pessoas possam interagir em um ambiente 3D, com o CEO Mark Zuckerberg delineando seu plano para deixar de ser uma rede social e se tornar uma empresa metaversa.

De acordo com a Reuters, a Meta começou a testar seu aplicativo de trabalho remoto Horizon Workrooms em agosto, com as pessoas usando avatares próprios, óculos e fones de ouvido de realidade aumentada da empresa (Oculus Quest 2) para realizar reuniões.

Enquanto a Meta pode falar sobre mundos virtuais como experiências novas e imersivas, outros veem o metaverso como já existente por meio de plataformas como Discord, que começou como um lugar para os jogadores de videogame se encontrarem online.

Além destes, essa empreitada também tem sido verificada em iniciativas de outras empresas de tecnologia, como a Journee e Roblox.

Para Thomas Johann Lorenz, co-fundador da Journee, que se descreve como uma empresa metaversa, trabalhar em casa durante a pandemia do coronavírus nos últimos 18 meses acelerou a demanda por mundos virtuais. 

“Quando se trata de reter talentos em sua empresa ou manter uma cultura corporativa na era remota, você precisa de ferramentas que sejam mais fortes do que apenas e-mail e Zoom”, disse ele à CNBC. 

Lorenz também argumentou que “a internet como a conhecemos tem sido até agora uma troca altamente eficiente de dados e informações”, e que o metaverso será capaz de acessar a comunicação humana sobre “relacionamentos, emoções e experiências”.

Iniciativas atuais com o metaverso

Várias marcas e empresas já estão procurando criar ambientes envolventes onde as pessoas possam trabalhar e se divertir. 

Uma das maneiras pelas quais as empresas estão planejando usar o metaverso é para contratação e gestão de pessoas. 

A Hyundai já está usando o aplicativo de mundo virtual Zepeto para a introdução de novos funcionários.

Em setembro, a Samsung realizou uma feira de recrutamento virtual por meio de uma plataforma chamada Gather.

Recentemente, a Journee criou um metaverso para a Siemens, onde realizou uma conferência virtual. Neste espaço, os funcionários que estavam se conectando pela primeira vez puderam se encontrar em uma praia virtual para assistir a fogos de artifício e tirar selfies em grupo.

O mesmo conceito foi trabalhado em experiências de metaverso para BMW e Adidas

As expectativas dos desenvolvedores é que o metaverso funcione em hardwares existentes, como smartphones e notebooks, sem que seja exigido o uso de óculos e fones de ouvido de realidade virtual para tais experiências.

Alguns limites para o metaverso

Apesar da animação e dos recentes avanços, nem todo mundo está convencido do potencial do metaverso.

Kubi Springer, fundadora da consultoria SheBuildsBrands, disse que há uma barreira geracional que impede a extensão do metaverso para todas as experiências da vida humana.

“Nós simplesmente não temos controle suficiente sobre essa tecnologia”, disse ela à CNBC.

“A tecnologia é incrível. Ela avançou nossas vidas de muitas maneiras diferentes, mas acho que há também muitas coisas que estamos vendo – como a dark web, a realidade aumentada e a inteligência artificial – que mostram que precisamos ter um forte domínio sobre ela, ou ela terá um forte domínio sobre nós ”, completou Springer.

A princípio, a expectativa é que o metaverso seja aplicado para que as empresas façam contratações. Porém, há dúvidas se o ambiente virtual pode realmente substituir com eficácia o mundo real.

“Você não contrata pessoas apenas com base em habilidades e talentos. Você os contrata com base na sensação que tem quando se conecta com um ser humano para descobrir se eles são ou não alguém que pode ser uma ótima opção para a equipe. E como você avalia isso no metaverso?”, concluiu Springer.

Ideia de ensinar sobre criptos em NY precisa ser emulada no Brasil

Adams prepara NY para os criptoativos

Eric Adams, prefeito recém-eleito da cidade de Nova Iorque, vai se consolidando com uma das lideranças mais pró-criptos de todo o mundo. Na semana passada já havia anunciado a intenção de receber seu salário em Bitcoin (BTC), enquanto nessa terça-feira (9) externou seu desejo de colocar estudos sobre criptomoedas e blockchains no currículo escolar da cidade.

“Criptos são um novo meio de pagar por produtos e serviços em alcance mundial”, disse Adams durante a justificativa de sua ideia para a educação financeira. “É um novo jeito de pensar e entender as coisas. Quero manda um sinal para o mundo. NY é um centro de inovação tecnológica e mesmo assim, quando falo de criptoativos, até jovens tem muitas dúvidas”, justificou.

Não se limitando somente à Nova Iorque, toda a nação estadunidense vem assumindo ainda mais protagonismo no mercado mundial de criptos. Após a debandada chinesa, tomou a frente do volume de mineração mundial e recebeu boa parte das empresas e projetos que giravam em torno das blockchains na China.

Mas o crescimento da potência norte-americana no cenário vai além da questão estrutural e leva a “novidade” já para o debate social.

Foi encaminhada nos últimos dias ao presidente Joe Biden a primeira versão (que aliás, gerou muita discordância) do projeto de lei que visa a regulamentação do uso de criptomoedas no país.

Mais cedo, ainda em outubro, foi a própria bolsa de Nova Iorque (NYSE) a primeira intercontinental a operar com ETF de futuros em Bitcoin, enquanto grandes empresas como Walmart se preparam para receber pagamentos em BTC e o antigo Facebook Inc, agora Meta Platforms, dá seus primeiros passos rumo ao metaverso.

Brasil pode ser destaque, mas precisa se preparar

Com todos estes aspectos em vista, não é absurdo imaginar Nova Iorque e os Estados Unidos na linha de frente da nova era tecnológica que inevitavelmente virá. Contudo, é muito importante destacar a importância de um projeto de educação como este em todo o mundo, com ênfase ainda maior para a América Latina e enfoque especial no Brasil.

Ocupando o 12º lugar no ranking das principais economias mundiais em março, o maior e mais rico país da AL apresentou em setembro os números mais positivos das Américas do Sul e Central em pesquisas que buscavam os povos com maior receptividade aos criptoativos, com somente 9% dos entrevistados se opondo diretamente à um cenário de adesão oficial ao Bitcoin e seus similares.

Em contrapartida, o país amarga a 74ª colocação no ranking mundial de educação financeira geral, enquanto em recortes mais específicos que focam no conhecimento sobre criptoativos, 99% dos brasileiros que responderam ao questionário feito pela plataforma CryptoLegacy não responderam corretamente perguntas básicas sobre blockchains, criptoativos e afins.

Com a economia nacional vivendo queda brusca, batendo recordes negativos históricos de quedas no PIB nos últimos 2 anos, o povo brasileiro não pode se dar ao luxo de perder uma oportunidade real de revitalizar desde sua economia popular até os mais altos modelos econômicos.

A modesta El Salvador não tinha metade do potencial que o Brasil possuía, e em pouco tempo colhe frutos da adesão aos criptoativos em sua realidade. Salvadorenhos agora desfrutam desde grandes obras inteiramente financiadas por parte dos lucros obtidos com o Bitcoin em pouco mais de dois meses, até o combate à baixa bancarização rumo ao crescimento exponencial de transações livres de taxas e o aumento geral de conhecimento econômico.

Obviamente, é muito mais fácil sentir logo de cara os impactos da novidade em um país de população e economia consideravelmente menores. Mas o importante para governo, economia e até educação brasileira, é tomar conhecimento de que os criptoativos invariavelmente virão e que geralmente são extremamente positivos para aqueles preparados a lidar com eles.

Em um cenário de crise que deve ainda se arrastar por algum tempo, o Brasil não pode se dar ao luxo de perder uma oportunidade como essa. A melhor ferramenta que temos para garantir a integração dos brasileiros nessa nova época econômica e tecnológica – com protagonismo, vale ressaltar –  é justamente a educação.

Crypto Radar: Solana capitaneia alta do mercado rumo ao metaverso

O excelente momento vivido no geral pelas criptomoedas em outubro segue, ao que tudo indica, também para novembro. Como os principais ativos do mercado, Bitcoin (BTC) e Ether (ETH) seguem com saldo positivo e aspirando voos ainda maiores, enquanto a explosiva Shiba Inu (SHIB) e outras moedas mais alternativas vão ganhando espaço e amadurecendo público e projeto.

Entretanto, considerando aspectos práticos junto aos valores atingidos, o principal destaque da virada de mês que impulsionou o Market Cap total a passar dos US$ 3 trilhões foi, sem dúvidas, a Solana (SOL).

Ao lado da rede Cardano (ADA), seu projeto surge como candidata à “assassina da Ethereum”. Mas enquanto sua rival passa por um momento de estagnação, apesar de seguir prometendo, a Solana cresce exponencialmente como um sistema versátil e resistente o suficiente para atender as necessidades dos aplicativos descentralizados e o cumprimento dos contratos inteligentes.

O projeto opera em camadas alternativas, geralmente da segunda ou terceira em diante, buscando encontrar alternativas para tornar os métodos operacionais em blockchains, geralmente encontradas nas camadas principais de redes – que já são extremamente exigidas.

Seu método de validação também é outro diferencial. O Proof of History se aproxima do Proof of Share (uma das principais armas da Cardano) ao consumir menos energia enquanto adiciona mais uma ferramenta de segurança aos seus processos ao utilizar o tempo médio de resposta da rede em movimentações para averiguar a legalidade de uso e da geração de SOL.

No domingo (7), o ativo bateu os US$ 260,06 e estabeleceu seu novo all-time high, sendo o ponto alto de uma forte tendência de alta que já vinha se desenhando nas últimas semanas. Vale ressaltar, portanto, dois motivos que impulsionaram Solana aos números históricos.

O primeiro é referente ao seu bom e constante desempenho. Enquanto Cardano patina, a rede em alta atrai cada vez mais usuários por contar com taxas transacionais consideravelmente baixas.

Além disso, inúmeros relatos de programadores que trabalharam com a Solana apontam que o sistema apresentou nos últimos dias respostas mais rápidas e satisfatórias, sobretudo em projetos de DeFi (Finanças Descentralizadas) e NFTs (Tokens Não-Fungíveis), do que a própria Ethereum.

O segundo, mas não menos importante motivo, junta os satisfatórios resultados da SOL ao primeiro grande passo da tecnologia atual rumo ao metaverso no anúncio feito por Mark Zuckenberg e o (agora) grupo Meta Platforms.

Como reflexo imediato, diversos criptoativos ligados à próxima grande era da tecnologia tiveram alta agressiva. Aspectos que envolvem justamente finanças descentralizadas e ferramentas de tokenização para uso de diversos itens dentro da novidade estão intrinsecamente ligados ao que se idealiza no metaverso.

Logo, a rede que vem se destacando pôde aproveitar as boas novas como um impulso. A junção desses fatores levou Solana a outro patamar, ultrapassando Tether e a rival Cardano em capital total de mercado ao chegar nos US$ 76 bilhões e tornar-se o quarto cripto do momento no mercado.

O ideal de ser a nova Ethereum ainda está distante, uma vez que Ether ocupa a segunda colocação no ranking com US$ 540 bi por si só, com a diferença aumentando ao somarmos os criptos que derivam de sua rede (o que bateria os US$ 829 bi, mais de 27% do mercado).

Mas por hora, Solana vai cumprindo com maestria a função de alternativa confiável, encontrando excelente posição no universo dos criptos enquanto ainda só arranha a superfície de seu enorme potencial.

O que é: Metaverso (e como os criptos entram em cena)

Primeiro passo público dado rumo ao futuro

Gostando ou não de Mark Zuckenberg, fato é que o criador do Facebook colocou o “metaverso” em pauta de uma vez por todas após a apresentação do dia 28 outubro referente ao nascimento da Meta Platforms – novo nome do grupo Facebook Inc.

A ideia do metaverso, entretanto, não é sua exclusividade. Trata-se de um conceito visionário que já perdura por alguns anos, visando levar o contato e a experiência dos usuários de internet e tecnologias derivadas à níveis ainda não alcançados.

Basicamente, a idealizada renovação ocorrerá por meio da criação de um universo virtual 3D e compartilhado, que irá exigir a elaboração de toda uma nova estrutura tecnológica para garanta seu funcionamento pleno em alta demanda seja em tarefas cotidianas, ou em atividades mais complicadas.

As já existentes, mas ainda limitadas ferramentas de realidade virtual aumentada, serão a ponte entre a imersão completa dos usuários e as revolucionárias interfaces, que exigirão o corpo humano e seus sentidos como ferramenta de interação com os futuros sistemas.

Como é de se imaginar, o custo será alto sobretudo no início. Zuckenberg, aliás, espera investir logo de cara mais de US$ 200 milhões para garantir que sua visão do metaverso comece a sair do imaginário.

Muitos ainda duvidam da real motivação por trás da mudança arrojada seja meramente marketing, haja vista as recentes polêmicas vividas pelo CEO da Meta no caso batizado de “Facebook Papers”, por exemplo.

Mas considerando o poderio do grupo no setor de comunicação, tanto do monopólio dos principais sistemas de mensagens quanto nos campos tecnológicos e financeiros, não é nenhum absurdo enxergar o Facebook e seus pares como ferramentas importantes na ambiciosa transição.

Metaverso de braços abertos para os criptoativos

No recorte específico da Meta Platforms, os criptoativos começam sua caminhada no metaverso envolvidos em polêmicas, uma vez que mesmo com pressão contrária vinda do governo dos Estados Unidos, Zuckenberg manteve os testes da Novi – carteira digital do Facebook – na Guatemala e nos próprios EUA.

Já no contexto geral, estão intrissecamente ligados ao novo universo virtual a necessidade de interações em serviços, transferência de dados e movimentações financeiras. Tudo isso com velocidade e liberdade, sem a dependência de terceiros.

Estas necessidades podem ser sanadas pelos criptoativos. Seus funcionamentos atende as necessidades citadas, enquanto ainda proporcionam um ativo próprio (e independente dos intermediários tradicionais) para ser aceito e transacionado dentro do ambiente virtual.

De quebra, a rastreabilidade das movimentações de ativos deixadas nas blockchains funcionariam como mais uma etapa de validação e segurança neste contexto.

Outra ala dos criptos que já vem ganhando intenso destaque e teria muito mais ainda a revelar no metaverso são os NFTs, ou tokens não-fungíveis.

Já no contexto atual, os tokens são capazes de levar ao âmbito virtual elementos do “mundo real”, sendo eles originalmente tangíveis ou não. Mas os NFTs contemplam também registros de sua posse, o que garantiria aos usuários a proteção do elemento obtido, assim como a garantia exclusiva de seu uso dentro do metaverso.

Com tanta proximidade, era natural que os reflexos já fossem sentidos positivamente nos preços de criptoativos que giram em torno destas necessidades da realidade virtual.

Capitaneadas por moedas dos projetos Decentraland (MANA)The Sandbox (SAND)Illuvium (ILUV),  e Axie Infinity (AXS), a alta coletiva dos inovadores sistemas  – cujas funções variam de descentralização financeira/informacional à jogos e entretenimento – valorizaram coletivamente quase 14%.

E esse é só o começo da promissora relação entre criptoativos e o metaverso. Daqui em diante, acostumem-se a ver moedas digitais dessa natureza ganhando espaço considerável em carteiras e portifólios mundo à fora.

 

América Latina e as criptomoedas combinam mais do que se imagina

Aproximação natural dos latinos

Para muitos, os criptoativos só farão sentido em existência e valor quando chegarem de vez ao mundo off-chain, se estabilizando de maneira funcional enquanto atende as necessidades econômicas exigidas pela sociedade moderna.

O primeiro dos grandes desafios vividos pelo Bitcoin (BTC), o maior dos representantes da classe no momento, vem se mostrando um grande sucesso em El Salvador.

O país de tamanho e PIB modestos se colocou no centro dos holofotes ao anunciar o BTC como moeda oficial do país, passando por turbulências nos momentos iniciais, mas já colhendo frutos consideráveis em tão pouco tempo de adesão à moeda virtual.

Em menos de dois meses a adesão aos ativos cresceu consideravelmente, proporcionando que mais salvadorenhos desfrutassem da alta vivida em outubro, além de resolver por tabelas problemas históricos de baixa bancarização e de altas taxas em remessas financeiras

Os vizinhos habitantes da Guatemala, de maneira mais discreta também estão fazendo parte das novidades. O Novi, terceira tentativa de Mark Zuckenberg (do antingo Facebook Inc., agora grupo Meta Platform) no setor de criptos, escolheu justamente os Guatemaltecos para fazerem parte dos testes exclusivos da nova carteira virtual das suas plataformas.

Parte da escolha se deve à proteção de parte dos resultados do governo americano, que ainda não vê com bons olhos a novidade. Mas a decisão considera não somente as consideráveis proximidades física, econômicas e semelhança populacional entre Guatemala e El Salvador, ao levar em conta o sucesso dos criptoativos ao sul dos Estados Unidos.

Uma via de mão dupla

Quando El Salvador decidiu pela oficialização do BTC, uma pesquisa encomendada pelo Sherlock Communications em parceria com a plataforma Toluna para descobrir os países mais favoráveis às criptomoedas na América Latina.

Os resultados  indicaram que 48% dos brasileiros aceitariam a adoção do Bitcoin como moeda oficial do Brasil no futuro. Vale ressaltar que apesar dos 52% restantes representarem maioria, 30% destes foram indiferentes enquanto somente 9% diretamente contrários à ideia.

Estes números colocam o posicionamento brasileiro entre os mais receptivos dentre os dois continentes, ficando à frente de Colômbia, Argentina (ambos com 44%) e México (43%) – que também apresentaram razões similares entre indecisos e explicitamente contrários.

O mais interessante dado do levantamento está justamente no top 4 em questão: ao contrário dos casos de El Salvador e da Guatemala, Brasil, Colômbia, Argentina e México estão entre as 5 maiores economias latinas.

Isso significa, pelo menos em tese, que existe um público consideravelmente receptivo à testar a “novidade” em economias efetivamente relevantes. Considerando o cenário de recuperação econômica estabelecido pelo cenário pós-pandêmico junto à já latente necessidade de evolução do cenário de países emergentes, as principais referências continentais podem se tornar o cenário ideal para que as criptomoedas deem seu próximo grande passo.

Contudo, é nítida a necessidade de preparar o terreno. O processo de ajustes não se trata somente das ferramentas e estruturas necessárias para o estabelecimento de um criptoativo como moeda corrente em uma potência latina.

É prudente levar a experiência de El Salvador como aprendizado, mas não somente com os pontos positivos. O maior problema encarado, e que gerou forte queda no 7 de setembro que marcou o início do BTC pelo país, foi causado pela desinformação.

Desconfiança e pouca adesão inicial (ao lado de um problema temporário com a carteira digital do governo) acabaram gerando instabilidade não só no começo de projeto, mas no mercado como um todo.

E os n´umeros levantados pela plataforma Cryptoliteracy.org indicam que, apesar do cenário aprazível para a recepção dos criptos, 99% dos brasileiros e mexicanos cientes da existência dos ativos reprovaram em testes de conhecimentos básicos de seu funcionamento.

Em todo o tipo de recorte, o principal desafio das moedas virtuais é se aproximar do mundo real efetivamente. A falta de informação sobre seu funcionamento, reflexos e afins, pode colocar a perder uma janela de oportunidade que seria promissora. No caso de fracasso tanto no México quanto no Brasil, os dois líderes das pesquisas e de PIB na América Latina, os danos para a confiabilidade de todo o mundo nos criptoativos poderia ser desmanchada, causando um dano que poderia ser irreversível para todo o mercado.

É mais do que necessário iniciar trabalhos referentes à educação deste novo contexto, que aliás vai muito além do âmbito econômico (justamente o que torna sua chegada inevitável). A América Latina não pode se dar ao luxo de perder a oportunidade de acompanhar o resto do mundo rumo ao futuro.

 

Meta abraça criptos, mas nasce entre a cruz e a espada

Entrada para uma nova era

O anúncio feito por Mark Zuckenberg talvez represente o primeiro e mais agressivo passo rumo ao futuro. Abraçar o chamado metaverso tecnológico, ao explorar o real potencial da realidade virtual em uso e em dinamismo de interação, estava no imaginário de muitos, mas ao alcance de poucos.

A proposta do grupo Meta Plataforms (ex- Facebook Inc.), independentemente do apoio ou não à Zuckenberg e seu império, tem importância inegável em diversos sentidos, incluindo até a evolução da economia – que não curiosamente passa pelo universo dos criptoativos.

Entretanto, nem mesmo seu posicionamento crucial está imune à problemas.

Começando pela nova identidade, três empresas diferentes promoveram contestações contra a nova “cara” do conglomerado. Os destaques ficam para o MileniumGroup, agência de marketing americana que já abriu processo minutos após a revelação da marca, e para a montadora de computadores Meta PC, que move ação com pedido inicial de US$ 20 milhões.

Outras críticas recaem em, por hora, o anúncio ser somente uma jogada de marketing que atenderia diversos propósitos.

Em um ponto de vista mais superficial, pode se entender como um golpe publicitário capaz de levantar o preço de ações, uma vez que até por conta da baixa disponibilidade de estruturas capazes de suportar a integração tecnológica idealizada pelo grupo em grande escala.

Por outro lado, a brusca mudança serviria também para deixar a recente confusão, batizada de Facebook Papers, em segundo plano.

O vazamento de documentos é constantemente rebatido por Zuckenberg e seus representantes. Entretanto os levantamentos apresentados para imprensa e autoridades por Frances Haugen (ex-gerente de produtos da rede social) iam de problemas técnicos básicos, como dúvidas sobre o real número de usuários, até questões mais graves, como a promoção de algoritmos em incitações de ódio, negligência em possíveis crimes e até mesmo vista grossa para conteúdos extremistas.

Criptoativos como ponto de partida

O impacto da novidade foi sentido também no mercado de criptoativos. Os primeiros reflexos são positivos, uma vez que apesar das polêmicas e suspeitas mencionadas, trata-se de um impulso considerável à ativos que agem em áreas do metaverso destacadas pelo anúncio de Mark Zuckenberg.

Capitaneadas por moedas dos projetos Decentraland (MANA), The Sandbox (SAND), Illuvium (ILUV),  e Axie Infinity (AXS), a alta coletiva dos inovadores projetos que variam de descentralização financeira/informacional à jogos e entretenimento valorizaram coletivamente quase 14%. A alta no setor representa sinal positivo de apoio do mercado às teconologias em blockchains como protagonistas no futuro vislumbrado por Zuckenberg.

A aproximação é ainda mais clara ao levar em conta o desejo da agora Meta Platforms em disponibilizar seus próprios serviços prover e movimentar uma criptomoeda própria, indicando até que será um dos primeiros passos das mudanças esperadas.

Antes “Libra” e “Diem”, a moeda digital Novi foi lançada na reta final do mês de outubro ainda em sua versão piloto, apoiada na stablecoin Paxus Dollar, contando com a custódia da bolsa de criptomoedas Coinbase. Os testes iniciais foram promovidos nos Estados Unidos e na Guatemala.

A nação centro-americana não foi escolhida à toa. Além da proximidade física com a vizinha El Salvador – nação que oficializou o Bitcoin (BTC) como moeda corrente e está obtendo sucesso – as populações apresentam muitas semelhanças em uso de eletrônicos (apesar dos problemas econômicos, cerca de 98% dos habitantes possuem smartphones) e na baixa bancarização.

Contudo, a investida na direção dos criptos já está na mira do governo dos Estados Unidos desde seu início. No mesmo dia de lançamento dos testes da Novi em outubro (20), 5 senadores americanos alertaram o criador do Facebook do compromisso firmado junto aos reguladores de não abrir o uso de criptoativos antes de alinhar as regulações junto ao governo.

Zuckenberg já foi barrado nos dois projetos anteriores apresentados ao governo americano, fora o fato da legislação em torno do uso de criptoativos em geral ainda estar em desenvolvimento no país.

Para os agentes do legislativo, o revolucionário anúncio do Meta levanta ainda mais suspeitas de um possível ato de “rebeldia” por parte do magnata das redes sociais – os testes não foram interrompidos mesmo após a pressão governamental – e pode vir à gerar atritos no caminho da regulamentação tanto deste projeto em específico, como nos demais que ainda estão em desenvolvimento junto à SEC (Comissão de Valores Mobiliários) e demais órgão reguladores.

Facebook planeja adotar novo nome para renovar imagem, diz The Verge

Por Shivam Patel e Shubham Kalia e Supantha Mukherjee

O presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, tem falado sobre o metaverso desde julho, e o grupo tem investido fortemente em realidade virtual e realidade aumentada, desenvolvendo hardwares como óculos de realidade aumentada e tecnologias de pulseira.

A mudança deve posicionar o negócio como carro-chefe dos muitos produtos de uma empresa que supervisiona marcas como Instagram e WhatsApp, segundo a reportagem. O Google adotou essa estrutura quando se reorganizou em uma holding chamada Alphabet, em 2015.

O Facebook disse que não comenta “boatos ou especulações”.

Se for verdade, a reformulação faria sentido, já que a marca Facebook se torna menos importante para o grupo que busca renovar a imagem manchada pela investigação regulatória e legal de como lida com a segurança do usuário e com discursos de ódio.

“Isso reflete a expansão dos negócios do Facebook. E acho que a marca Facebook provavelmente não é a maior, considerando todos os eventos dos últimos anos”, disse o analista de internet James Cordwell, da Atlantic Equities.

O Facebook está sob ampla investigação global sobre suas práticas de moderação de conteúdo e danos vinculados às suas plataformas, com documentos internos vazados por um denunciante formando a base para uma audiência no Senado dos Estados Unidos.

No mês passado, o Facebook nomeou Andrew Bosworth, que chefia os esforços de realidade aumentada e realidade virtual da empresa de mídia social, incluindo produtos como o fone de ouvido Oculus Quest VR, como diretor de tecnologia.

Zuckerberg planeja falar sobre a mudança de nome na conferência anual Connect da empresa em 28 de outubro, mas pode ser revelado antes, disse a Verge.

Na parceria entre redes sociais e criptos, quem ganha é o mercado

Proximidades naturais entre os dois mundos

Nas últimas décadas, testemunhamos a ascensão meteórica das famigeradas redes sociais nos mais diversos cantos do mundo.

Indo além da já revolucionária possibilidade de se comunicar “instantaneamente” internet à fora, as ideias de ter uma plataforma exclusiva para manifestar opinião, compartilhar postagens de maneira livre e consumir o tipo de conteúdo que bem entender, acabaram por estabelecer parte das novas bases da comunicação moderna.

É possível traçar, então, paralelos destes preceitos – que envolvem dinamismo, individualidade, troca de dados “diretas” com outros usuários – com conceitos críticos sobre quais os criptoativos e suas estruturas caminham.

Some estes aspectos, a explosão dos ativos nos últimos anos e o próprio mercado criado em torno destas redes, em que usuários de destaque conseguem efetivamente gerar com as plataformas, e temos um processo natural de atração entre as mídias sociais e as coins/tokens.

Abertura de mercado sem precedentes

O Facebook, que conta com 2,85 bilhões de usuários ativos em 2021, corre para lançar, mesmo que em estágio inicial, a sua coin chamada Facebook Diem. O projeto sofreu críticas no passado (quando ainda se chamava libra) e recentemente perdeu dois de seus principais programadores, mas Mark Zuckenberg e seus comandados ainda seguem com os trabalhos em blockchain.

Seu objetivo é justamente de inserir no mercado mais uma alternativa para transações rápidas e mais facilitadas por meio de uma plataforma já extremamente difundida e que não exigirá permissões, verificações e cobrança de taxas por parte de terceiros.

O Twitter, por sua vez, com seus “modestos” 335 milhões de usuários ativos mensalmente, entra na dança com duas funcionalidades distintas. Na primeira, iniciada já no dia 23 de setembro, foi adicionada a transferência de Bitcoins (BTC) às possibilidades de doações e gorjetas na plataforma, o “Bonificações”.

De quebra, ainda sem data prevista para lançamento (e ainda mais profunda no conceito de criptoativos) está o sistema integrado que implementará a possibilidade validação de tokens não fungíveis, os NFTs, também por meio da plataforma, abrindo a possibilidade para que tweets e vídeos icônicos postados no Twitter possam se tornar itens exclusivos para serem negociados entre seguidores.

Somando as duas redes sociais, estamos falando de mais de 3 bilhões de conta ativas que serão aptas à movimentar criptomoedas. É óbvio pelo menos uma parcela considerável de usuários de Twitter ainda usam o Facebook, mas de qualquer forma já se tratará do sistema os sistemas de negociação de criptoativos mais difundidos do planeta.

O que mais importa de toda essa movimentação é que a proximidade de uma parte grande de usuários ativos de internet com transações de criptos terá, talvez, o maior de seus impulsos.

As plataformas que já tanto impactam socialmente, agora poderão ser ponte importante na ligação do mundo com novas possibilidades econômicas. Caso os projetos sejam realmente bem sucedido, torna-se até possível vermos as redes sociais sendo diretamente integrada as blockchains, liberando talvez o máximo de seus potenciais.

 

REEDIÇÃO-Mega-caps de tecnologia pesam e Nasdaq chega a cair 1%

(Corrige no título para “Mega-caps” no lugar de “Mega-gaps”)

Por Devik Jain

Quatro dos 11 principais setores do S&P caíam no início do pregão, com tecnologia e serviços de comunicação liderando as perdas.

Mega-caps como Alphabet Inc, Microsoft Corp, Amazon.com Inc, Facebook Inc e Apple Inc caíam entre 1,2% e 2,9%.

As fabricantes de chips tinham queda de 1,3% uma vez que a falta de energia na China ameaçava prejudicar a produção.

O aumento dos rendimentos dos Treasuries de dez anos para níveis que não eram vistos desde junho pesavam ainda mais sobre as ações de tecnologia, dado que seus lucros futuros serão descontados em comparação com retornos mais altos de dívida devido ao aumento das taxas de empréstimo.

Por outro lado, as ações de bancos sensíveis a juros subiam 2,2%, enquanto o salto em energia e indústrias sustentava o Dow Jones.

Às 11:28 (horário de Brasília), o índice Dow Jones subia 0,65%, a 35.024 pontos, enquanto o S&P 500 perdia 0,108855%, a 4.451 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuava 0,82%, a 14.924 pontos.

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BOLSA EUA-Nasdaq e S&P 500 renovam máximas recordes em meio a cautela sobre Fed

Por Devik Jain

Os setores de saúde, consumo básico e serviços públicos –geralmente considerados apostas seguras– estavam entre os maiores declínios.

O subíndice financeiro avançava 0,9%, enquanto as ações de Alphabet, Facebook, Tesla e Nvidia –de crescimento– subiam entre 0,2% e 2,8%, proporcionando os maiores impulsos para o Nasdaq.

O índice S&P 500, referência para o mercado acionário norte-americano, registrou seu 50º pico recorde de fechamento deste ano na terça-feira, com notícias positivas sobre uma vacina contra a Covid-19 aumentando esperanças de rápida recuperação econômica, depois que receios sobre um salto nas infecções pela variante Delta do coronavírus causaram volatilidade nos mercados neste mês.

O foco agora estará no simpósio econômico do Fed em Jackson Hole, que começa na quinta-feira. Investidores estarão de olho em pistas sobre quando o banco central começará a reduzir seu programa de compras de ativos. O chair do Fed, Jerome Powell, discursará no evento na sexta-feira.

Às 12:15 (horário de Brasília), o índice Dow Jones subia 0,2%, a 35.439 pontos, enquanto o S&P 500 ganhava 0,122597%, a 4.492 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq avançava 0,08%, a 15.032 pontos.