Dólar tem movimentação tímida ante real em sessão esvaziada; mercado foca Ômicron e Ptax

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar era negociado entre estabilidade e leve alta contra o real na manhã desta quarta-feira, penúltimo pregão de 2021, com agentes do mercado chamando a atenção para a baixa liquidez em meio a noticiário sem grandes catalisadores.

No exterior, o foco de investidores continuava sobre a disseminação da variante Ômicron do coronavírus e suas possíveis consequências econômicas, enquanto, no Brasil, a briga pela formação da Ptax de fim de ano pode inverter o sinal da moeda norte-americana durante a sessão.

Às 10:01 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,09%, a 5,6441 reais na venda.

Na B3, às 10:01 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,28%, a 5,6440 reais.

Essa movimentação acompanhava o desempenho de alguns pares arriscados do real, como peso mexicano, peso chileno e dólar australiano, que oscilavam entre estabilidade e leve alta nesta quarta-feira.

O índice do dólar contra uma cesta de pares fortes subia 0,1%, enquanto o índice acionário de referência da Europa rondava a estabilidade e os futuros de Wall Street [.NPT] subiam.

“Continua o cenário natural de fim de ano de volume muito baixo, fechamentos de datas múltiplos e agenda econômica relativamente restrita”, disse em relatório Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Ele disse que, embora os investidores continuem acompanhando com cautela as notícias sobre a disseminação da variante Ômicron do coronavírus, há sinais encorajadores de que a cepa pode não ser tão letal quanto o temido inicialmente, o que poderia levar a restrições econômicas menos rígidas de combate à doença.

Pesquisas feitas por cientistas sul-africanos sugeriram que a infecção pela Ômicron aumenta a imunidade à variante Delta, enquanto, nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) encurtou o tempo de isolamento recomendado para norte-americanos com casos assintomáticos de Covid-19 para cinco dias, ante orientação anterior de dez dias.

“A Ômicron pode, sim, ser o sinal do ‘início do fim’ da pandemia, algo que pode ser muito positivo para a economia mundial a partir do próximo ano”, disse Vieira.

Enquanto isso, no Brasil, investidores alertavam para a aproximação da formação da Ptax de fim de ano, que acontecerá na quinta-feira, o que poderia levar a oscilações no sinal do dólar no mercado de câmbio local, segundo nota de Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora.

A Ptax é uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central que serve de referência para liquidação de derivativos. No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la para níveis mais convenientes a suas posições.

Na terça-feira, o dólar à vista teve variação negativa de 0,01%, a 5,6390 reais na venda.

Dólar avança ante real com receios fiscais domésticos ofuscando humor externo

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar devolveu completamente as perdas registradas no início da sessão e tinha alta contra o real nesta terça-feira, apesar do clima otimista nos mercados internacionais, conforme investidores locais avaliavam as perspectivas da saúde fiscal do Brasil.

Em semana de liquidez reduzida devido à aproximação do fim do ano, participantes do mercado não descartavam a possibilidade de oscilações na direção da divisa norte-americana ao longo do pregão.

Às 10:13 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,16%, a 5,6484 reais na venda. A moeda já oscilou entre 5,6210 reais na mínima do dia (-0,32% ) e 5,6629 reais na máxima (+0,41%).

Na B3, às 10:13 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,32%, a 5,6505 reais.

Receios fiscais seguiam sob os holofotes, com agentes locais monitorando a situação dos auditores da Receita Federal que entregaram seus cargos em ato contra cortes orçamentários.

Segundo nota de Victor Guglielmi, economista da Guide Investimentos, a greve dos funcionários da Receita, bem como as negociações em torno reajustes do funcionalismo público, deve “sustentar cautela no início de 2022”.

Temores sobre despesas adicionais no próximo ano vêm depois de o governo ter conseguido, por meio da PEC dos Precatórios, alterar a regra do teto de gastos para abrir o espaço fiscal necessário para financiar auxílio à população no valor de 400 reais por família.

Isso gerou entre parte dos mercados a percepção de que as regras fiscais do Brasil poderiam estar sujeitas a mais alterações no futuro de forma a comportar mais gastos, o que minaria a confiança de investidores estrangeiros no país.

“A pressão por reajustes salariais e mais gastos públicos segue intensa (e assim deve continuar), mantendo um pano de fundo de incerteza e fragilidade”, comentou em blog Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos.

Enquanto isso, no exterior, o índice do dólar contra uma cesta de seis rivais fortes tinha variação negativa de 0,05% nesta terça-feira, em meio à redução de temores sobre os efeitos econômicos da variante Ômicron do coronavírus.

Já as bolsas europeias e os futuros de Wall Street registravam ganhos nesta manhã, evidenciando o maior apetite por risco nos mercados internacionais. [.EUPT] [.NPT]

“Os ativos de risco estão dando continuidade aos movimentos positivos verificados desde o final da semana passada”, disse Kawa.

“A pandemia está sendo lida como mais uma ‘onda’ pontual disse ele, afirmando exergar “cenário de curto prazo mais construtivo, mas com riscos ainda elevados e crescentes de longo prazo”. Entre os pontos de cautela, ele citou a inflação global e a redução dos estímulos de grandes bancos centrais.

Com o desempenho deste pregão, o dólar fica a caminho de encerrar 2021 em alta de cerca de 9% contra o real.

O dólar fechou a última sessão a 5,6393 reais na venda.

(Edição de Isabel Versiani)

Dólar emenda 4ª queda e vai a mínima em mais de 2 semanas com otimismo externo

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar emendou a quarta queda ante o real nesta segunda-feira, fechando na mínima em mais de duas semanas, com investidores captando o dia otimista nos mercados externos após dados nos EUA sugerirem força da economia a despeito da variante Ômicron da Covid-19.

O dólar negociado no mercado à vista caiu 0,43%, a 5,6393 reais na venda, menor patamar desde o último dia 10 (5,6136 reais).

A cotação, assim, reverteu alta de mais cedo, quando chegou a subir 0,78%, a 5,7073 reais, ficando acima da linha psicológica de 5,70 reais.

Nesse mesmo momento as commodities estavam em queda mais firme –o petróleo Brent, por exemplo, chegou a recuar 0,51%. Mas posteriormente o barril ingressou num rali, com investidores esperançosos de que os casos de Covid-19 pela cepa Ômicron não esfriarão a economia global –que, assim, continuaria a demandar energia.

Por ser exportador de produtos básicos, o Brasil tem seus mercados financeiros sensíveis aos movimentos desses ativos. No fechamento, o Brent, referência para a Petrobras, saltou 3,23%, a 78,60 dólares por barril. As ações preferenciais da petrolífera brasileira subiam 1,2% às 17h18 (de Brasília) na B3.

De toda forma, receios sobre a variante Ômicron do coronavírus continuam a ocupar lugar de destaque na lista de preocupações de investidores globais, cujo temor também inclui riscos de inflação mais alta e consequente aperto mais acelerado das políticas monetárias.

No Brasil, a última semana do ano reserva dados fiscais, que na margem devem vir melhor que o esperado.

“Os números fiscais do ano devem vir acima (melhores) do que os projetados no começo do ano, mas ao mesmo tempo com uma perspectiva fiscal muito ruim para o futuro”, ponderou Jason Vieira, economista-chefe e sócio da Infinity Asset, alertando que ainda há risco de a volatilidade atingir os mercados nestes últimos dias do ano.

O real, aliás, segue como a moeda emergente relevante mais volátil fora a lira turca, esta envolvida em uma profunda crise de confiança.

Em quatro quedas até esta segunda, o dólar perdeu 1,84% ante o real. A moeda norte-americana não cedia por quatro pregões seguidos desde as mesmas quatro quedas entre 20 e 25 de agosto. Além da recuperação do humor externo, a presença mais firme do Banco Central no mercado de câmbio, com ofertas de liquidez, também fez preço.

(Por José de Castro)

China intensificará monitoramento do mercado de câmbio em 2022, diz órgão regulador

HONG KONG (Reuters) – A China fortalecerá o monitoramento do mercado de câmbio estrangeiro e aumentará a prevenção e controle de risco em 2022, disse o órgão regulador de câmbio do país em comunicado nesta segunda-feira.

Em 2022, a China também promoverá o investimento transfronteiriço de fundos de investimento de capital privado, disse a Administração Estatal de Câmbio do país no comunicado.

(Por Meg Shen)

Lira turca cai quase 8% após rali ajudado por intervenções

Por Daren Butler

ISTAMBUL (Reuters) – A lira caía quase 8% contra o dólar nesta segunda-feira em meio à persistente preocupação do investidor com a política monetária da Turquia, depois de saltar mais de 50% na semana passada com bilhões de dólares em intervenções estatais no mercado.

A moeda turca também recebeu suporte na semana passada de uma medida do governo para cobrir as perdas cambiais em certos depósitos.

A lira chegou a enfraquecer nesta segunda-feira a 11,6 por dólar, reduzindo as perdas em seguida para 11,35.

“A maior resistência está em 11,45 e 12,0, com níveis de suporte de 10,57 e 10,25,” disse a QNB Invest em boletim diário.

O rali da semana passada levou a moeda turca de volta a níveis vistos em meados de novembro.

Na segunda-feira passada, ela despencou para uma mínima recorde de 18,4 por dólar, depois de um mês de perdas devido a temores com a inflação em meio a uma sucessão de cortes dos juros concebidos pelo presidente Tayyip Erdogan.

No nível atual, a moeda ainda está 35% mais fraco em comparação com o final do ano passado.

Erdogan apresentou na segunda-feira passada um esquema segundo o qual o Tesouro e o banco central vão reembolsar perdas em depósitos convertidos em lira conta moedas estrangeiras, provocando o maior rali intradiário da moeda turca.

(Reportagem adicional de Ebru Tuncay)

Dólar fecha sessão perto da estabilidade contido por BC, mas acumula queda na semana

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar fechou perto da estabilidade nesta quinta-feira, contido por duas intervenções do Banco Central com venda de moeda após a cotação saltar acima de 5,70 reais e a divisa brasileira liderar as perdas no mundo.

Operadores relataram fluxos de saída de recursos, que num período de liquidez menor acabam fazendo mais preço nos negócios.

O dólar spot foi a 5,7202 reais na máxima do pregão, alta de 0,91%, às 11h55 (de Brasília) e se aproximou desse patamar por volta de 13h13, quando o BC anunciou o primeiro leilão de venda de dólar à vista do dia. A segunda operação ocorreu perto de 14h. Nos dois leilões, o Bacen colocou um total de 965 milhões de dólares.

A autoridade monetária, assim, retomou operações extraordinárias no mercado à vista, depois de realizá-las pela última vez na terça-feira. O Banco Central tem recorrido a esse instrumento em dezembro, período típico de redução de liquidez devido ao menor fluxo de negociações e também às remessas de lucros e dividendos.

O mercado analisou ainda ao longo do dia dados da prévia da inflação ao consumidor do Brasil (medida pelo IPCA-15), que em dezembro desacelerou a alta, mas ainda com composição que indicou contínua pressão sobre os preços, complicando a tarefa do BC na política monetária. No ano, o IPCA-15 disparou 10,42%.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos reportaram dados mais firmes de inflação, que endossaram apostas de juros mais altos por lá –condição que em tese prejudica mercados emergentes pelo risco de saída de recursos de países como o Brasil para os EUA.

No fechamento desta quinta-feira, dólar à vista mostrou variação negativa de 0,09%, a 5,6634 reais. Na semana, a moeda caiu 0,37%, reduzindo os ganhos em dezembro para 0,47%. Em 2021, a cotação salta 9,09%.

A volatilidade foi marcada nesta quinta. Na mínima do dia, o dólar caiu 0,74%, a 5,6267 reais, diferença de cerca de 10 centavos de real ante o pico da sessão. A volatilidade implícita das opções de dólar/real para três meses –uma medida da percepção de instabilidade para a taxa de câmbio– está em curva descendente, mas segue acima das de pares emergentes.

E a instabilidade que marcou 2021 pelos indicativos recentes deve seguir em 2022. Além da virada na política monetária global, o mercado vai ter de lidar ainda com os ânimos pré-eleição no Brasil.

“Desde o surgimento de Lula como um potencial candidato presidencial, a polarização aumentou. Catalisadores para um rali (dos mercados domésticos) estariam associados ao surgimento de uma terceira via ou a Lula voltando-se para uma retórica mais favorável ao mercado, bem como uma solução clara para as pressões de gastos”, disse o Bank of America em nota.

O BofA calcula que o dólar chegará a 5,80 reais ao fim de setembro, mês que antecede as eleições, antes de fechar o ano em 5,70 reais.

Dólar tem maior queda em 2 semanas e fica abaixo de R$5,70 com trégua externa

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar registrou a maior queda percentual diária em duas semanas nesta quarta-feira, com o real dividindo a dianteira nos mercados globais de câmbio conforme investidores realizavam lucros depois da forte alta recente do dólar.

O clima mais ameno no exterior, onde os ativos financeiros ganharam terreno na parte da tarde, foi decisivo para que o dólar aprofundasse as quedas por aqui. A menor liquidez, típica de fim de ano, exacerbou os movimentos.

O dólar à vista fechou em baixa de 1,24%, a 5,6684 reais na venda. É a maior baixa percentual desde o último dia 8 (-1,49%).

Na B3, às 17:27 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 1,46%, a 5,6715 reais. As operações com dólar futuro na bolsa brasileira se encerram às 18h30.

A moeda brasileira dividiu com o peso chileno o posto de divisa com melhor desempenho nesta sessão.

Pela manhã, a cotação hesitou e chegou a subir 0,08%, para 5,7442 reais, logo depois da abertura. A moeda alterou momentos de fôlego e depreciação posteriormente, mas já perto da abertura dos mercados em Nova York, quase no fim da manhã, firmou queda, até pouco antes das 16h30 marcar 5,6617 reais, baixa de 1,35% e mínima do dia.

Ao mesmo tempo, o dólar intensificou as perdas contra uma cesta de moedas no exterior e caía 0,38% no fim desta tarde, para perto das mínimas do dia. As moedas emergentes subiam 0,8%.

“Não estamos tendo uma pressão no número de fatalidades por causa da Ômicron, então isso tira uma parte do peso do mercado”, disse Marco Caruso, economista-chefe do Banco Original.

Os receios sobre a nova cepa do coronavírus, considerada mais transmissível, derrubaram os mercados globais em sessões recentes e catapultaram o dólar em todo o mundo. Aqui, a moeda contabilizou recentemente seis altas em oito sessões, período em que rompeu a barreira dos 5,70 reais e acumulou um salto de 3,77%.

O alívio no dólar em todo o mundo nesta sessão pode ter sido também exacerbado pela menor liquidez, conforme investidores reduzem o ritmo antes do Natal e do Ano Novo. No Brasil, o volume de contratos de dólar futuro negociados na B3 mal superava 170 mil às 17h22, 28% abaixo da média de 21 sessões (cerca de um mês) e 33% aquém da média de 42 pregões.

Em meio à menor liquidez, o Banco Central proveu dólares ao mercado. A autoridade monetária vendeu o lote integral ofertado de 700 milhões de dólares em swaps cambiais “novos” e, posteriormente, adiou o vencimento de 731 milhões de dólares nesses derivativos.

Na seara fiscal doméstica –um dos principais guias da taxa de câmbio neste ano–, os agentes financeiros se debruçaram sobre o Orçamento de 2022, aprovado na véspera pelo Congresso. O parecer aprovado prevê que, após a aprovação das emendas constitucionais que alteraram a forma de pagamento dos precatórios, será criada uma margem fiscal para o próximo ano de 113,1 bilhões de reais, valor superior à estimativa do governo federal de 106 bilhões de reais.

“Após o alargamento do teto de gastos e o não pagamento de precatórios, o Orçamento de 2022 parece crível, mas não será executado sem desafios”, disse a XP em nota.

“O fiscal ainda vai ser uma faca no pescoço em 2022. Temos que entender qual tipo de regra fiscal vai prevalecer no país, e essa resposta vamos ter com as eleições”, disse Caruso, do Banco Original.

Impulsionado pelo esperado aperto da política monetária dos EUA em 2022 e pela expectativa de diferencial de crescimento econômico a favor dos norte-americanos, Caruso projeta dólar de 6,15 reais ao fim do ano que vem, valorização nominal de 8,50% ante o fechamento desta quarta.

Em dezembro, o dólar acumula alta de 0,45%, elevando os ganhos em 2021 a 9,07%.

Dólar vai abaixo de R$5,70 com ânimo externo

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar aprofundou as perdas na tarde desta quarta-feira, indo abaixo da marca psicológica de 5,70 reais, conforme a moeda norte-americana acelerou a queda no exterior em meio a uma tomada de fôlego do apetite global por risco.

Às 15:26 (de Brasília), o dólar à vista recuava 1,00%, a 5,6818 reais na venda. Na mínima, atingida agora à tarde, a cotação foi a 5,675 reais (-1,12%), depois de na máxima bater 5,7442 reais (+0,08%).

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 1,13%, a 5,6905 reais.

A intensificação das perdas do dólar aqui coincidiu com o fortalecimento dos mercados de ações em Wall Street, que subiam entre 0,6% e 0,8% depois de uma manhã morna. Ao mesmo tempo, o dólar caía 0,3% ante uma cesta de moedas. As moedas emergentes aceleraram os ganhos para 0,75%.

No campo doméstico e na seara fiscal –um dos principais guias da taxa de câmbio neste ano–, os agentes financeiros se debruçavam sobre o Orçamento de 2022, aprovado na véspera pelo Congresso. O parecer prevê que, após a aprovação das emendas constitucionais que alteraram a forma de pagamento dos precatórios, será criada uma margem fiscal para o próximo ano de 113,1 bilhões de reais, valor superior à estimativa do governo federal de 106 bilhões de reais.

“Após o alargamento do teto de gastos e o não pagamento de precatórios, o Orçamento de 2022 parece crível, mas não será executado sem desafios”, disse a XP em nota.

Em meio à menor liquidez típica de fim de ano, o Banco Central proveu dólares ao mercado. A autoridade monetária vendeu o lote integral ofertado de 700 milhões de dólares em swaps cambiais “novos” e, posteriormente, adiou o vencimento de 731 milhões de dólares nesses derivativos.

(Por José de Castro)

Dólar recua ante real com interferência do BC, mas riscos globais e domésticos seguem no radar

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar caía ante o real nesta terça-feira, após o Banco Central voltar a entrar em cena nos mercados com a realização neste pregão de leilão de moeda à vista, embora investidores não descartassem possibilidade de reversão no comportamento cambial durante a sessão em meio a riscos tanto internacionais quanto locais.

Na operação desta terça, a quinta do tipo nos últimos oito pregões, o BC vendeu o total da oferta de até 500 milhões de dólares. O leilão à vista teve a “intenção de prover liquidez ao mercado cambial brasileiro” e explicaria a abertura em baixa da divisa norte-americana, disse em nota Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora.

Às 10:23 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,34%, a 5,7255 reais na venda.

Na B3, às 10:23 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,33%, a 5,7350 reais.

“Entretanto, (o dólar) poderá retomar o viés de valorização ainda no decorrer do dia, pressionado pela forte demanda.”

Além de fatores sazonais locais que tradicionalmente elevam a busca pela moeda norte-americana –como o pagamento de juros e dividendos por parte de empresas com a chegada do fim do ano–, os últimos dias também têm contado com maior instabilidade nos mercados internacionais, em meio a receios sobre qual será o impacto econômico da variante Ômicron do coronavírus e sinalizações mais duras com a inflação de grandes bancos centrais.

“Na minha visão, uma parte da pressão de curto-prazo pode ser explicada pela nova onda pandêmica”, disse em blog Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos. “Todavia, a inflação elevada e a necessidade de normalização monetária no mundo devem ser vetores de duração mais longa e fontes mais persistentes de instabilidade aos ativos de risco.”

Na semana passada, o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, anunciou a aceleração da redução de seus estímulos e passou a prever três altas de juros para o ano que vem, o que é amplamente visto como positivo para o dólar.

No Brasil, outros desafios ofuscam as perspectivas do real.

“Continuamos em um pano de fundo de incerteza fiscal, com a continuidade de pressões para mais gastos às vésperas de um ano eleitoral”, disse Kawa.

Depois de o governo ter conseguido alterar a regra do teto de gastos –importante âncora fiscal do país– por meio da PEC dos Precatórios, abrindo espaço fiscal para financiamento do programa Auxílio Brasil, o Ministério da Economia fez pedido na semana passada para remanejar quase 2,9 bilhões de reais no Orçamento de 2022 com a finalidade de reajustar salários de algumas carreiras de servidores públicos.

Investidores devem ficar atentos à votação do relatório final do Orçamento pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), que foi adiada na véspera.

Além da pauta fiscal, os mercados ficavam receosos com a aproximação da corrida eleitoral do ano que vem, que já promete elevar a incerteza política e, consequentemente, aumentar a busca pela segurança do dólar.

Além do leilão à vista de mais cedo, o BC também disponibilizará nesta sessão até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1° de fevereiro de 2022.

Na segunda-feira, a moeda norte-americana spot teve alta de 1,06%, a 5,745 reais na venda, maior patamar desde 30 de março (5,7588 reais).

Lira turca se recupera de mínimas em dia volátil após ações de Erdogan para proteger poupanças

Por Tuvan Gumrukcu e Nevzat Devranoglu

ANCARA (Reuters) – A lira turca se recuperava de mínimas recordes em negociações voláteis nesta terça-feira depois que o presidente Tayyip Erdogan propôs medidas para proteger as poupanças em moeda local contra essas variações.

Erdogan adotou uma série de medidas na segunda-feira que segundo ele vão aliviar o peso do enfraquecimento da moeda sobre os turcos e encorajá-los a deter liras em vez em dólares.

Segundo o plano de Erdogan, seu governo prometeu garantir depósitos em lira, levando a divisa a disparar cerca de 25%, maior rali intradia já registrado, na segunda-feira.

A moeda turca, que perdeu 44% de seu valor contra a divisa norte-americana este ano, inicialmente se fortaleceu nesta terça-feira para uma máxima diária de 11,0935 contra o dólar, enfraquecendo depois a 14,3885 e se recuperando a 12,6.

O governo prometeu pagar a diferença entre o valor das poupanças em lira e o equivalente a depósitos em dólares.

Mais da metade das poupanças locais é em moedas estrangeiras e ouro, segundo dados do banco central, devido à perda de confiança na lira após anos de depreciação.

A lira despencou a mínimas recordes este ano por temores em relação a uma espiral inflacionária provocada pela pressão de Erdogan por afrouxamento monetário. No ponto mais fraco, a moeda chegou a acumular queda de 60% no ano.

Alpaslan Cakar, chefe da Associação Turca de Bancos, disse que o Tesouro vai atender aos custos das medidas, o que pode acabar sendo uma iniciativa cara e inflacionária.

Uma fonte com conhecimento do assunto disse que as medidas foram decididas após a taxa de câmbio ter atingido níveis “problemáticos”, acrescentando que o governo vai lidar cuidadosamente com o período que se aproxima.

Os credit default swaps de cinco anos da Turquia, o custo da garantia contra default soberano, saltou a 613 pontos básicos, nível mais alto desde maio de 2020, de acordo com a IHS Markit.

Já a volatilidade implícita de um mês da lira turca saltou a 63%, máxima já registrada.

(Reportagem adicional de nOrha Coseu in Ancara, Ebru Tuncay em Istambul e Davide Barbuscia em Dubai)