Dólar supera R$5,70 em novo dia de pressão no câmbio e nos juros

O dólar futuro bateu 5,7135 reais na máxima. Às 9h26, subia 0,71%, a 5,7065 reais. No mercado à vista, a moeda ganhava 0,54%, a 5,6990 reais, após pico de 5,7080 reais (+0,47%).

A exemplo da véspera, o Banco Central não anunciou ofertas líquidas de dólar para esta sessão.

Os juros futuros mantinham-se sob intensa onda de compra, com as taxas disparando mais 51 pontos-base em alguns vencimentos, aumentando a pressão para o Bacen acelerar o ritmo de aumentos da taxa Selic.

Na noite de quinta, assim que os mercados fecharam, o Ministério da Economia comunicou que o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, pediram exoneração de seus cargos ao chefe da pasta, Paulo Guedes, marcando nova rodada de baixas na equipe econômica em meio à sinalização do governo de que irá contornar a regra do teto de gastos para colocar de pé um novo Bolsa Família mais robusto.

“Há muita incerteza no curto prazo que pode empurrar o dólar para cima ante o real. Por outro lado, os players acham que o real está gravemente desvalorizado, o BCB provavelmente aumentará seu ritmo de alta dos juros e intervenções (cambiais) ainda são possíveis. Portanto, a estabilidade nesses níveis não parece ser o cenário-base”, disse o Citi em nota.

(Por José de Castro)

Silêncio da China sobre rápidos ganhos do iuan deixa mercados inquietos

Pequim até agora não interveio direta ou verbalmente durante a ascensão do iuan desde o início de setembro, que levou a moeda a uma máxima em 4 meses e acima de 6,4 por dólar nesta semana. O órgão regulador cambial da China, a Administração Estatal de Câmbio (Safe, na sigla em inglês), disse na quarta-feira que as autoridades manterão o iuan estável.

Esse silêncio, em meio a sinais crescentes de fraqueza na economia, fez os analistas suporem que o Banco do Povo da China está cumprindo sua palavra sobre deixar as forças do mercado ditarem a trajetória do iuan.

Uma teoria popular é de que a moeda tem ficado de lado enquanto as autoridades se concentram em redefinir as regras e as opções de financiamento para propriedades, tecnologia e uma série de outros setores. A outra é de que o banco está esperando que o Federal Reserve comece a apertar sua política monetária, o que poderia reduzir o fluxo de dinheiro estrangeiro que tem pressionado o iuan para cima. “Manter o par dólar-iuan estável pode ser o ponto ideal neste momento”, disseram analistas do Maybank, observando que o iuan mais forte está, no momento, controlando o custo crescente das escassas matérias-primas e energia para os importadores. O banco central chinês e a Safe não responderam de imediato a pedidos de comentários da Reuters. A escassez de energia, o controle do setor imobiliário e os lockdowns da Covid-19 causaram uma grande desaceleração na segunda maior economia do mundo no terceiro trimestre, mas o banco central manteve os juros estáveis ​​e as rédeas apertadas sobre a oferta de dinheiro.

(Por Redação de Xangai; reportagem adicional de Tom Westbrook em Cingapura)

Dólar futuro vai a R$5,68 e DIs saltam com temor de descontrole fiscal

Por José de Castro

O dólar spot subia 1,33%, a 5,6364 reais, às 9h46, após máxima de 5,6753 reais (+2,03%). Os juros futuros tinham forte aumento nos prêmios, com o DI janeiro 2025 voando 45 pontos-base, a 11,35% ao ano, após ganhar mais de 60 pontos-base no pior momento.

“Cenário global estável. S&P 500 em volta dos 4.500 (pontos) há alguns dias. O protagonismo é completamente voltado ao cenário local. A caixa de pandora foi aberta. Teto de gastos será rompido com aval dos ‘liberais’. 400 reais de auxílio é apenas o começo”, disse a LAATUS em comentário.

A péssima reação dos preços vem depois de na véspera o ministro da Economia, Paulo Guedes, indicar derrota na batalha contra planos de romper o teto de gastos.

Guedes disse que o governo avalia se o benefício temporário que irá vitaminar o novo Bolsa Família será pago fora do teto, o que demandaria uma licença para um gasto de cerca de 30 bilhões de reais, ou se haverá opção por uma mudança na regra constitucional do teto de gastos para acomodá-lo.

O chefe da Economia afirmou ainda que caberá ao relator da PEC dos Precatórios, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), viabilizar uma fórmula que garanta o pagamento de um benefício social de 400 reais em 2022 respeitando o arcabouço fiscal do país.

O ministro deve participar de evento no fim desta quinta-feira.

Para piorar, o Banco Central não anunciou venda líquida de dólares –seja na forma de swap cambial, seja de moeda física– para esta quinta, mas dada a disparada do dólar agentes financeiros não descartam que o Bacen intervenha de surpresa no mercado.

E o exterior tampouco ajuda, em dia de queda das bolsas de valores e de moedas emergentes, em meio a renovados temores relacionados ao mercado imobiliário chinês. E dados de auxílio-desemprego nos EUA vieram melhores que o esperado, corroborando expectativas de corte de estímulos nos EUA, o que teoricamente prejudicaria ativos de mercados emergentes, caso do real.

(Por José de CastroEdição de Maria Pia Palermo)

Bitcoin bate recorde após estreia de ETF nos EUA

Por Alun John e Tom Westbrook e Elizabeth Howcroft

Às 13h06 (horário de Brasília), a criptomoeda estava em alta de 3,8%, a 66.705,75 dólares, depois de ter cravado recorde de 67.016,50. A máxima anterior tinha sido definida em 14 de abril deste ano, a 64.895,22 dólares.

Terça-feira foi o primeiro dia de negociação para o ProShares Bitcoin Strategy ETF – um desenvolvimento que os participantes do mercado dizem que provavelmente irá impulsionar o investimento no ativo digital.

O ETF fechou em alta de 2,59%, a 41,94 dólares na terça-feira, com volume de negócios e 1 bilhão de dólares na Nyse Arca. Ele estava sendo negociado em alta de 4,4% nesta quarta-feira, a 43,80 dólares.

As negociações pareciam ser dominadas por investidores menores e firmas de negociação de alta frequência, disseram analistas, observando que a ausência de grandes negociações em bloco indicava que as instituições provavelmente estavam ficando à margem.

ETFs de criptomoedas foram lançados neste ano no Canadá e na Europa em meio ao crescente interesse de investidores sobre criptomoedas.

O Ethereum, a segunda criptomoeda mais importante do mundo, subia 5%, a 4.069 dólares, perto do recorde de 4.380 dólares, atingido em 12 de maio.

Necton eleva projeção de dólar a R$5,55 em 2021 após pressão por rompimento de teto de gastos

“Após as turbulências do dia de ontem, está suficientemente claro que o governo deve de fato romper o Teto de Gastos, e esta é uma nova informação que deve ser incorporada às percepções do mercado”, disse o economista-chefe da corretora, André Perfeito, em comentário divulgado nesta quarta-feira.

A Necton ocupa o primeiro lugar do Top 5 de câmbio mensal de curto prazo na pesquisa Focus do Banco Central. O ranking aponta as instituições com maior índice de acerto. A casa manteve prognóstico de dólar a 5,50 reais ao término de 2022.

Na véspera, o dólar à vista chegou a disparar acima de 5,61 reais, fechando um pouco abaixo dessa marca, mas ainda numa máxima desde abril, e o real amargou o pior desempenho global na sessão. Nesta quarta, a moeda norte-americana caía 0,7%, a 5,5547 reais, sem devolver todo o ganho do pregão anterior.

Pela mais recente edição da sondagem Focus do BC, divulgada na última segunda-feira, o mercado vê a taxa de câmbio em 5,25 reais tanto ao fim de 2021 quanto de 2022.

 

(Por José de Castro)

BC vende total de US$1,2 bi em duas ofertas líquidas de swap cambial nesta 4ª

A autarquia vendeu todos os 14 mil contratos de swaps cambiais (700 milhões de dólares) ofertados em leilão que faz parte de medidas anunciadas no fim de setembro relacionadas ao desmonte do “overhedge” por instituições financeiras.

Nessa operação, ocorrida entre 10h30 e 10h40 (de Brasília), foram colocados 3 mil contratos para 1º de junho de 2022 e 11 mil para 1º de setembro de 2022.

Mais cedo, o Bacen já havia negociado 1.700 contratos para 1º de fevereiro de 2022 e 8.300 para 1º de junho de 2022 (total de 500 milhões de dólares) em leilão extraordinário, que não faz parte da “ração” relacionada ao “overhedge” que a autoridade monetária tem oferecido às segundas e quartas.

Somadas, as duas operações irrigaram o mercado com 1,2 bilhão de dólares.

O dia ainda contará, entre 11h30 e 11h40, com oferta de até 15 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento 3 de janeiro de 2022.

O dólar à vista caía 0,52%, a 5,5672 reais na venda, às 11h04. Embora continuasse em baixa, o dólar estava afastado da mínima do dia, alcançada por volta das 10h20, de 5,5518 reais, queda de 0,78%.

 

(Por José de Castro e Luana Maria Benedito)

Dólar vai às mínimas após leilão de swap cambial, mas tensão fiscal permanece

A moeda foi à mínima do dia –de 5,5568 reais, queda de 0,69%– após a divulgação do resultado da primeira oferta líquida de swap cambial tradicional desta sessão, na qual o Banco Central vendeu 500 milhões de dólares nesses derivativos.

O dólar à vista caía 0,67%, a 5,5583 reais na venda, às 10h13 (de Brasília), e chegou a zerar a queda mais cedo. Na B3, o dólar futuro de primeiro vencimento recuava 0,32%, a 5,5800 reais, após bater 5,6040 reais.

Na terça, a cotação no mercado à vista saltou 1,35%, a 5,5956 reais, máxima de fechamento desde 15 de abril (5,6276 reais). O real, mais uma vez, foi a moeda com pior desempenho do mundo.

Os juros futuros, que dispararam mais de 50 pontos-base na véspera, se estabilizavam, depois de mais cedo voltarem a subir cerca de 10 pontos-base.

O mercado segue em estado de tensão depois da liquidação dos ativos locais na véspera, quando o Ibovespa afundou mais de 3% após notícias de que o governo proporia bancar parte do novo Bolsa Família (Auxílio Brasil) com recursos fora do teto de gastos até o fim de 2022. Analistas disseram que seria a desmoralização do instrumento, visto como âncora fiscal do país.

O noticiário mais recente aponta que o Executivo poderia recorrer a um ajuste na PEC dos precatórios para viabilizar o Auxílio Brasil –a PEC pode ser votada em comissão especial nesta quarta.

Dificultando ainda mais a vida do ministro da Economia, Paulo Guedes, há quem diga que a reforma do Imposto de Renda –aposta inicial do ministro para financiar o Auxílio Brasil– não deve avançar no Senado até pelo menos o fim do governo atual.

A temperatura no mercado e em Brasília, assim, permanece elevada.

“De fato, a despeito das altas da Selic nos últimos meses, o fiscal parece que é o principal responsável pela contínua trajetória altista do dólar frente ao real”, disse Rafael Gabriel Pacheco, da Guide Investimentos.

(Por José de Castro; edição de Luana Maria Benedito)

Não vamos mudar nossa forma de atuar no câmbio, nível não importa, diz Kanczuk

“Intervenção não motivada pela perspectiva para a inflação. Intervenção é sempre motivada pelo mau funcionamento do mercado. Algumas vezes, é óbvio que há mau funcionamento e todo mundo pode ver, algumas vezes o BC tem informação melhor e vê que há algo acontecendo”, disse ele em evento promovido pelo JP Morgan.

Sobre a intervenção dos últimos dias, Kanczuk disse que o contexto foi mais confuso, pois foi tomada decisão de quanto o BC venderia, mas em um desses dias o real abriu mais forte, o BC vendeu dólares e isso pressionou o mercado “muito mais”, levando os agentes a questionar a atuação.

“Isso não teve nada a ver, novamente, com o nível e com o preço, isso teve a ver com o mau funcionamento (do mercado)”, defendeu ele, acrescentando que a política de intervenção do BC não vai mudar “de jeito nenhum”.

 

(Por Marcela Ayres)

BC vende US$500 mi em dólar à vista, mas moeda segue em firme alta

A divulgação do edital do leilão ocorreu na noite de segunda-feira. O uso desse instrumento vem depois de nos últimos dias o BC recorrer à venda de contratos de swap cambial tradicional (um derivativo) para suprir demanda do mercado por dólares.

O Bacen realizou a oferta de dólar à vista nesta terça depois de a cotação superar 5,57 reais na máxima da sessão. Essa marca havia sido alcançada pela última vez na quarta-feira passada, quando o BC deu início a uma série de intervenções no mercado de câmbio via swaps.

Apenas na véspera, o BC injetou no mercado 1,2 bilhão de dólares em dinheiro “novo” via swaps.

O dólar seguia em firme alta. Às 9h46, a moeda norte-americana subia 0,68%, a 5,5579 reais. O real tinha o pior desempenho entre as principais moedas nesta sessão.

 

(Por José de Castro)

BC irriga mercado com US$1,2 bi em dois leilões de swap cambial tradicional

Ainda assim, o dólar à vista mostrava forte alta de mais de 1,4%, que empurrava a cotação acima de 5,53 reais nesta segunda. O retorno do BC na semana passada com intervenções mais pesadas ocorreu num dia em que o real estava visivelmente descolado de seus pares, que operavam em alta na ocasião. Nesta segunda, as moedas emergentes recuavam, mas o real caía mais.

O BC vendeu todos os 14 mil contratos de swaps cambiais –o equivalente a 700 milhões de dólares– ofertados em leilão que faz parte de medidas anunciadas no fim de setembro para aliviar a maior pressão compradora na virada do ano devido ao desmonte do “overhedge” por instituições financeiras.

O “overhedge” é uma proteção cambial adicional adotada por bancos que deixou de ser interessante depois de mudanças em regras tributárias. Desfazê-lo implica compra de dólares.

No leilão de swap voltado para o “overhedge” –que faz parte de uma “ração” às segundas e quartas que o BC tem oferecido–, a autarquia vendeu 5.500 contratos para 1º de junho de 2022 e 8.500 para 1º de setembro de 2022.

Mais cedo, o Banco Central já havia colocado o equivalente a 500 milhões de dólares, ou 10 mil contratos, em leilão extraordinário de swap cambial tradicional, com 4.200 contratos para 1º de fevereiro de 2022 e 5.800 para 1º de junho de 2022.

Essa operação, que não faz parte das medidas anunciadas no mês passado mirando o “overhedge”, é da mesma natureza das realizadas pelo BC na semana passada, quando o dólar estava em forte alta, embora o lote tenha sido reduzido pela metade em comparação aos 20 mil contratos ofertados diariamente entre quarta e sexta-feira.

 

(Por José de Castro e Luana Maria Benedito)