Rússia entre tapas e beijos com as criptomoedas

O aceno de Vladmir Putin

Em meio a seu discurso na “Semana da Energia na Rússia”, Putin disse que as criptomoedas “possuem valor e têm direito de existir”, podendo serem usadas “como forma de pagamento e no nicho de acumulo de valor”.

Em contrapartida, rechaçou a possibilidade de sua utilização em negociações de petróleo e demais recursos energéticos: “ainda é cedo para colocarmos (os criptoativos) nessas negociações. Ainda não é suportado. ” A fala surgiu a partir das críticas feitas ao uso do dólar americano (US$) por parte dos Estados Unidos em sanções e questões referentes à compra de petróleo (BCO).

O “morde e assopra” de Putin serviu como um dos principais indicadores para que o preço do Bitcoin (BTC) subisse em 5% (por volta das 9h no horário de Brasília), chegando perto da casa dos US$ 58 mil, com outros ativos também subindo e demonstrando uma reação positiva quase que coletiva no mercado. Mas nem mesmo o impulso presidencial é capaz de apontar qual será o próximo passo russo referente à coins e tokens.

Nem lá, nem cá

Isso porque apesar da fala favorável de Putin aos usos dos criptos como forma de pagamento, o Banco Central da Rússia e de demais órgãos econômicos do país já se movimentaram na última quinta (7) para “proteger” o povo russo dos riscos de investimentos em criptomoedas, já tendo instruído bolsas a não trabalharem junto ativos digitais, impedindo a entrada de novos perfis de investidores neste setor.

Vale ressaltar que, desde o início de 2021, criptoativos foram legalizados no país, desde que não utilizados para comprar itens e serviços, contrariando o potencial destacado pelo presidente.

Portanto, era de se esperar que gradativamente, a Rússia fosse se aproximando de medidas mais restritivas, não fosse o anúncio feito ontem (13) justamente pelo vice-ministro de finanças Alexei Moiseev de que não há nenhuma intenção em seguir rumo ao banimento, como fez a China: “As coisas continuarão as mesmas por enquanto. ”

Mais uma prova de que os russos ficarão em cima do muro ao menos no curto prazo foi a postura com os mineradores banidos da China que imigraram para a Rússia. Ao invés de impedir efetivamente as atividades, preferiu subir as taxas do uso de energia como resposta, mas ainda mantendo as portas abertas para a aproximação e posterior regulação da atividades.

Ou seja, em diversos episódios inseridos na temática de criptomoedas, a Rússia flertou consideravelmente com o apoio e a aversão aos criptos num espaço de duas semanas.

Mas mesmo em meio às contradições internas e postura evasiva quanto à um posicionamento efetivo agora, os russos e o mercado de criptoativos têm muito mais a ganhar juntos do que separados. De um lado, os criptos abraçariam um gigantesco mercado que se encontra em terras de abundante produção energética, enquanto do outro, Putin e companhia teriam a tão desejada resposta ao domínio do dólar americano.

Na parceria entre redes sociais e criptos, quem ganha é o mercado

Proximidades naturais entre os dois mundos

Nas últimas décadas, testemunhamos a ascensão meteórica das famigeradas redes sociais nos mais diversos cantos do mundo.

Indo além da já revolucionária possibilidade de se comunicar “instantaneamente” internet à fora, as ideias de ter uma plataforma exclusiva para manifestar opinião, compartilhar postagens de maneira livre e consumir o tipo de conteúdo que bem entender, acabaram por estabelecer parte das novas bases da comunicação moderna.

É possível traçar, então, paralelos destes preceitos – que envolvem dinamismo, individualidade, troca de dados “diretas” com outros usuários – com conceitos críticos sobre quais os criptoativos e suas estruturas caminham.

Some estes aspectos, a explosão dos ativos nos últimos anos e o próprio mercado criado em torno destas redes, em que usuários de destaque conseguem efetivamente gerar com as plataformas, e temos um processo natural de atração entre as mídias sociais e as coins/tokens.

Abertura de mercado sem precedentes

O Facebook, que conta com 2,85 bilhões de usuários ativos em 2021, corre para lançar, mesmo que em estágio inicial, a sua coin chamada Facebook Diem. O projeto sofreu críticas no passado (quando ainda se chamava libra) e recentemente perdeu dois de seus principais programadores, mas Mark Zuckenberg e seus comandados ainda seguem com os trabalhos em blockchain.

Seu objetivo é justamente de inserir no mercado mais uma alternativa para transações rápidas e mais facilitadas por meio de uma plataforma já extremamente difundida e que não exigirá permissões, verificações e cobrança de taxas por parte de terceiros.

O Twitter, por sua vez, com seus “modestos” 335 milhões de usuários ativos mensalmente, entra na dança com duas funcionalidades distintas. Na primeira, iniciada já no dia 23 de setembro, foi adicionada a transferência de Bitcoins (BTC) às possibilidades de doações e gorjetas na plataforma, o “Bonificações”.

De quebra, ainda sem data prevista para lançamento (e ainda mais profunda no conceito de criptoativos) está o sistema integrado que implementará a possibilidade validação de tokens não fungíveis, os NFTs, também por meio da plataforma, abrindo a possibilidade para que tweets e vídeos icônicos postados no Twitter possam se tornar itens exclusivos para serem negociados entre seguidores.

Somando as duas redes sociais, estamos falando de mais de 3 bilhões de conta ativas que serão aptas à movimentar criptomoedas. É óbvio pelo menos uma parcela considerável de usuários de Twitter ainda usam o Facebook, mas de qualquer forma já se tratará do sistema os sistemas de negociação de criptoativos mais difundidos do planeta.

O que mais importa de toda essa movimentação é que a proximidade de uma parte grande de usuários ativos de internet com transações de criptos terá, talvez, o maior de seus impulsos.

As plataformas que já tanto impactam socialmente, agora poderão ser ponte importante na ligação do mundo com novas possibilidades econômicas. Caso os projetos sejam realmente bem sucedido, torna-se até possível vermos as redes sociais sendo diretamente integrada as blockchains, liberando talvez o máximo de seus potenciais.

 

O que é: Token (e sua diferença para coins)

A rede que origina as coins é base para o nascimento dos tokens

Quando falamos especificamente das moedas digitais – as coins, no inglês – o correto é idealizar os ativos originais de suas próprias blockchains, cumprindo as funções e ideais “originais” de todo o ecossistema de criptos: descentralização, liberdade e segurança em transações.

Economicamente, coins agem como moeda fiduciária para pagamentos e reservas, fora seu funcionamento que permite sua integração também no âmbito de investimento em meio à expansão do mercado de criptoativos.

Por sua vez, os tokens são derivados justamente das blockchains existentes e já estabelecidas, como por exemplo a Ethereum – que tem, como coin da rede, o Ether (ETH).

Abertura para novas possibilidades

Ao contrário das moedas virtuais, que de certa forma podem funcionar como substituto do dinheiro como conhecemos, o token pode ser interpretado como a representação digital de um ativo que tem seu valor dentro de um contexto e, a partir daí, pode passar por valorização ou desvalorização de preço.

Vale destacar outra diferença, que se trata justamente dessa função representativa. Pois as tradicionais coins, apesar de serem originadas de projetos diferentes, limitam sua funcionalidade ao âmbito financeiro, enquanto enquanto os tokens abrem portas para atuarem em diversas funcionalidades, como de segurança de capital, representação de patrimônio ou até mesmo com utilidade prática por meio dos dApps (Aplicativos descentralizados desenvolvidos em blockchain).

Dentro destes contextos, a digitalização de ativos em meio às redes descentralizadas facilita a distribuição (podendo até fragmenta-la no caso de alguns ativos de títulos, ações, metais preciosos e fundos de investimento), enquanto abre uma nova possibilidade de capitalização, por exemplo, com tokens não fungíveis exclusivos – os famigerados NFTs – capazes abraçar e comercializar até obras de propriedade intelectual.

Em suma, os tokens representam o passo seguinte do mundo dos criptoativos. Uma vez capazes de estabelecerem seus conceitos e possibilidades ao público consumidor mais amplo, tendem a ser a ponte que aproximará essa parcela da população de um novo jeito de enxergar o mercado.

Bonds americanos seguem subindo, levando o dólar com eles.

Os bonds americanos de 10 anos são usados como ativo de referência para os títulos do tesouro dos Estados Unidos. Desta forma, é interessante acompanhar a cotação deste ativo, para estimar a taxa média de juros paga pelo governo americano.

O gráfico diário mostra que os bonds de 10 anos vêm trabalhando em um canal de alta desde meados de julho. Porém, na semana passada, o ativo fez um forte movimento de alta e acionou um pivô rompendo o canal para cima.

Ontem o ativo subiu novamente, alcançando assim o primeiro alvo projetado do pivô. Apesar de hoje estar corrigindo um pouco, a tendência de alta continua forte e a expectativa é que nos próximos dias os demais alvos sejam alcançados.

Tendência de alta no gráfico semanal.

O gráfico semanal mostra a força da tendência. Após fazer um forte movimento de alta, o ativo corrigiu até a retração de 50%, de onde passou novamente a subir em busca do topo.

Conforme mostrado, o terceiro alvo do pivô do gráfico diário, coincide com a região de topo. Isto reforça ainda mais a hipótese de que os títulos americanos continuarão subindo pelos próximos dias.

Bonds sobem e dólar vai junto!

Com os bonds americanos subindo, o dólar se fortalece perante as outras moedas.

O maior destaque fica para a moeda japonesa. O gráfico diário do dólar/yen mostra que após acionar o pivô de alta, a moeda americana subiu com força alcançando em apenas um dia o alvo de 100%. Hoje o dólar segue subindo, rumo ao terceiro alvo.

O euro também vem caindo perante a moeda americana, conforme já foi explicado no artigo “Com o euro caindo, o dólar ganha força perante outras moedas”.

E o real…

Com o real não é diferente. A moeda brasileira vem perdendo valor perante o dólar nas últimas seis semanas. Neste período o dólar já subiu mais de 8%, e ontem a moeda americana subiu novamente, chegando a romper a máxima da semana passada.

Com os bonds americanos subindo e o dólar ganhando força perante outras moedas, é provável que o real continue se desvalorizando. Isso pode fazer o dólar continuar subindo, em busca do topo histórico próximo aos R$6,00.

Crypto Weekend: 8 à 10 de outubro

Mais uma semana em pauta no Brasil

Durante o Projeto de Lei (PL) 2303/15, referente aos primeiros passos regulatórios de negociação dos criptoativos no Brasil, segue tramitando no legislativo brasileiro, a ideia começa a sofrer críticas por parte do próprio poder legislativo.

O deputado federal Gilson Marques (Novo – SC) puxa o coro da primeira onda de criticismo mais forte de alguns parlamentares. De acordo com Marques, o projeto na verdade viria para “aumentar a burocracia e diminuir a liberdade”, indo contra os princípios básicos das transações em blockchains, ao invés de aproximar os ativos do alcance de mais brasileiros.

O posicionamento firme pode indicar debates mais intensos no andar do projeto, o que pode vir a causar demora ou até seu impedimento. De qualquer forma, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a reafirmar seu posicionamento contrário ao Bitcoin (BTC) como método de pagamento no Brasil, mas elogiou o potencial do setor de DeFi.

De acordo com Campos Neto, enquanto o Bitcoin é usado muito mais no país como um ativo especulativo, “o setor de DeFi é promissor com uso da tecnologia blockchain e nós temos que participar deste setor para construir o dinheiro programável.”

O mandatário do Banco Central ainda destacou os projetos feitos para a integração dos criptos com o Real Digital, CBDC brasileira, e também comentou sobre o PL regulatório que, por parte do BC, deve se iniciar focando nas normas dos novos ativos primeiramente como investimentos, para depois evoluir para o uso como meio de pagamentos.

Giro no resto do mundo

Em meio ao combate firme da China contra toda e qualquer atividade que envolva criptoativos, Hong Kong receberá uma subsidiária da engenharia de software em blockchains Powerbridge Technologies, que focará na mineração de Bitcoins e Ether (ETH). De acordo com as primeiras informações, a empresa pretende iniciar o projeto com 2600 equipamentos de mineração (600 para BTC, 2000 em ETH) com cerca de 1000 Gh/s.

O objetivo da PowerBridge é de reforçar a oferta dos dois principais criptoativos do mundo no mercado asiático e norte-americano. Vale ressaltar que Hong Kong é anexado ao território chinês e, apesar de ter sua liberdade econômica (abertamente capitalista e com moeda própria), o território ainda responde ao governo da China.

Na contramão da rede de blockchains, a Bitmain, maior fabricante de componentes eletrônicos com enfoque em mineração do mundo e que era sediada em Pequim, anunciou sua saída completa do território chinês ao oficializar durante o domingo (10) que não fará mais nenhum tipo de trabalho ou entrega no país, com exceção de Taiwan e da própria Hong Kong.

Enquanto isso, em El Salvador, o primeiro dos grandes frutos do Bitcoin como moeda oficial do país será colhido. Isso porquê de acordo com o presidente Nayib Bukele, o governo nacional investirá parte dos US$ 4 milhões de lucros obtidos até o momento com a alta do BTC na construção de um hospital veterinário em San Salvador, capital do país.

Segundo Bukele, a estrutura contará com 4 salas de operações, 4 clínicas de emergências, 19 salas de atendimento e uma área de reabilitação. O objetivo é de que, em uma média diária, o hospital teria capacidade de realizar 64 cirurgias, cerca de 130 emergências e quase 400 atendimentos gerais.

A cripto-revolução da Índia como resposta à China

Lacuna extensa prejudica mercado

Venhamos e convenhamos, é impossível substituir o impacto chinês em quase qualquer aspecto sócio-cultural. Se tratando então de questões econômicas, seja do presente posto de segunda economia mundial, ou na experiência milenar em comércio no passado, a troca fica ainda mais inviável.

No mundo dos criptoativos, portanto, a brusca saída chinesa foi sentida. De polo mundial em mineração (que já chegou a ser responsável por 90% dos criptos no mercado) e centro de desenvolvimento de novos projetos, o país se torna principal nação inimiga da iniciativa, causando queda considerável em todo o mercado no mês de setembro quando anunciou o banimento e a criminalização de atividades relacionadas aos criptoativos.

Mas o mundo reagiu bem ao baque, com investidores mantendo a confiança para comprar nas baixas aos líderes de governos nacionais se movimentando mais positivamente (na maioria dos casos) frente às coins e tokens.

Ascenção notável da Índia – Sucessora ideal?

E enquanto tudo isso ocorria nos últimos 30 dias, movimentações ocorridas na Índia começaram a colocar o país como um dos protagonistas na retomada dos criptos na Ásia. Uma movimentação que pode ser muito mais impactante do que se imagina para o futuro, caso se concretize.

Isso porquê se a missão de substituir os chineses é árdua, talvez os indianos sejam a única nação, sobretudo no continente asiático, a suprir sua carência.

A China conta com a maior população do mundo, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, o que sob o olhar mais “frio” da economia, indica grande público consumidor e abundância de mão de obra mais barata.

Estas possibilidades também se aplicam à Índia, segunda maior população do mundo com 1,38 bilhão. De quebra, trata-se do país líder em redes móveis no planeta, se colocando entre as nações com o maior número de usuários ativos da internet mundial.

E apesar da China contar com o triplo da extensão territorial, melhor estrutura no geral e economia mais forte, quando o assunto é TI a Índia também é uma das referências mundiais.

A revolução tecnológica iniciada a mais de duas décadas atrás trouxe avanço econômico nunca antes visto pelo país, que se tornou potência em produção e desenvolvimento de softwares e afins, com as quase 1000 empresas de tecnologia existentes no país podendo ser avaliadas em US$ 1 trilhão até 2030, de acordo com o relatório do grupo McKinsey & Co. e SaaSBoomi.

A junção de todas estas características é o que promove a ascensão indiana no cenário de criptomoedas. O “solo propício” para o desenvolvimento em grande escala do mercado, aliás, já vai sendo agressivamente fertilizado. Um dos primeiros sinais recentes dados pelo país veio da própria população, que com números expressivos, demonstra abraçar os criptos.

Exchanges e carteiras virtuais que abriram seus serviços em território indiano não param de quebrar recordes de adesão, com destaque para a CoinSwitch Kuber, que no mês de setembro alcançou 10 milhões de usuários em menos de um ano e meio de existência.

Pesquisas ainda indicam que 1 a cada 5 indianos pretende investir em criptoativos nos próximos 6 meses. E tudo indica que a popularização do modelo de investimento deve acelerar em breve, com o anúncio de que a rede social Chingari, líder do segmento no país, vai lançar sua própria criptomoeda após captar US$ 19 milhões para o projeto. Sua Blockchain, aliás, funcionará na rede Solana (SOL).

Estes são apenas os últimos reflexos do crescimento de 40% na cripto-indústria indiana ocorrido nos últimos 5 anos, mas já foram suficientes para abrirem os olhos do mundo. Tanto que a gigante dos investimentos de risco Andreessen Horowitz, em parceria com o Coinbase Ventures, aportou US$ 260 milhões à CoinSwitch Kuber. A sociedade estabelecida catapultou o valor da ainda jovem Exchange para US$ 1,9 bilhão, indicando que a plataforma deve se tornar em breve a referência de toda essa revolução não só na própria Índia, mas em toda Ásia.

A China continuará sendo a China. Não vai falir caso mantenha a política extremamente anti-criptos para o resto dos tempos (o que duvido que ocorra), enquanto o mercado de criptoativos ainda terá todo o interesse do mundo em retornar às carteiras chinesas.

Mas fato é que alguns dos principais pilares dos criptoativos, a descentralização, seu dinamismo e a liberdade promovida, permitiram que as portas fechadas doessem menos. O resto do mundo se virou para suprir a carência chinesa, enquanto, de quebra, parece que desponta no horizonte um candidato digno à preencher a lacuna deixada no tão importante mercado asiático.

Um mês de Bitcoin em El Salvador

Início turbulento

O aporte base feito pelo governo para a revolução custou cerca de US$ 20 milhões (Cerca de R$ 103 milhões à época), além de outros US$ 130 milhões para apoiar toda a operação, como por exemplo os investimentos feitos nos 200 caixas eletrônicos preparados para as transações entre dólares americanos e Bitcoin (BTC).

O presidente e principal idealizador de todo o projeto, Nayib Bukele, foi à público algumas vezes para tentar esclarecer questões referentes à Bitcoin e seu plano de uso no país, mas as pesquisas indicavam que o povo de El Salvador ainda se sentia muito distante tanto da compreensão de como funciona efetivamente a moeda digital, quanto da aceitação dessa novidade como um todo. 

Isso porque de acordo com pesquisa feita pela Universidade Centro-Americana (UCA), praticamente 90% dos salvadorenhos declaravam saber “nada ou pouco” sobre a criptomoeda, enquanto de cada 10 entrevistados, 7 se opuseram à sua adoção. 

Muitas outras críticas e receios surgiram de dentro e de fora das fronteiras de El Salvador. Primeiramente, por conta da volatilidade da moeda, que num espaço de dois meses – entre maio e abril – viu seu valor despencar de US$ 64 mil para quase US$ 30 mil. Pela primeira vez em dois anos e meio de mandato, o presidente latino-americano com o maior índice de aprovação foi alvo de duras críticas e até mesmo manifestações.

Em meio à prós e contras, o primeiro dia do Bitcoin em El Salvador não foi necessariamente fácil. Além dos problemas de superlotação dos servidores da Chivo – carteira digital oficial do país – terem tirado a plataforma do ar em muitos momentos, o dia foi de queda na cotação do ativo, que chegou a bater U$57 mil com a euforia da novidade, mas se desvalorizou em cerca de US$ 10 mil ao fechar na casa dos US$ 47 mil, com a resistência se mantendo nesse patamar similar pelos dias subsequentes.

A prova de fogo veio mesmo a partir do dia 18, quando se iniciou um movimento brusco de queda no mercado, que perdurou até o dia 28 do mês de setembro. Nesse espaço de tempo, o Bitcoin chegou a desvalorizar mais de 10% em no espaço de 1 dia (entre os dias 19 e 20), além flutuar abaixo dos US$ 41 mil nos dias 21 e 28.

A baixa, no fim das contas, foi causada por fatores inerentes à economia salvadorenha, com investidores do mundo todo mudaram seus posicionamentos no mercado de BTC e de criptos como um todo frente aos aos problemas ocorridos na China (banimento de mineração e negociação de criptomoedas e crise interna no mercado imobiliário). Só que de qualquer forma, o temor tomou conta da população, enquanto os críticos ao ambicioso plano usaram do momento para embasar suas teses.

Ponto de virada

Enquanto uma “micro” crise econômica se instaurava, Bukele seguiu os protocolos de um investidor que acredita no ativo: “They can never beat you if you buy in the deep”, tweetou o presidente enquanto anunciava a compra de mais 150 Bitcoins para o país. A postura se manteve durante os períodos de baixa, para que que das 400 unidades originais, o total de moedas em posse do governo de El Salvador saltasse para 700.

E a decisão se pagou. A reação do mercado de criptos foi mais forte do que se imaginava junto aos investidores que também compraram na baixa, enquanto os ativos ganharam cada vez mais visibilidade em setores diversos, com destaque para as falas de Jerome Powell, (presidente do Banco Central dos Estados Unidos) negando qualquer chance de impedimento às criptomoedas e – pelo menos por hora –  indicando uma aproximação mais amistosa para novas possibilidades.

Do patamar de US$ 41 mil ainda no dia 28 de setembro, o Bitcoin voltou aos US$ 44 mil dois dias depois, em um movimento de crescimento que explodiu no começo de outubro, fechando o dia 1º acima dos US$ 48 mil (indicando crescimento acima dos 10%), e abrindo justamente o dia de hoje, 7, em US$ 55.345,85 – crescimento de mais de 35% desde a compra feita na baixa pelo governo Salvadorenho.

Enfim, otimismo

Com isso, os ventos de mudança começam a soprar em El Salvador. O primeiro e mais importante dos pilares estabelecidos por Bukele já mostra sinais de sucesso, com os números baixos de bancarização populacional, com somente 30% dos residentes (1,8 milhão) tinham contas em banco para movimentar seus recursos) já sendo superado em um mês pelo número de carteiras Chivo abertas com documentos locais (2,1) ainda no dia 27.

Os números indicam que, agora, mais salvadorenhos poderão transacionar Bitcoins nacional e internacionalmente sem pagar taxas, fator importante para um PIB que tem como maior fatia a recepção de remessas vindas dos Estados Unidos (22%). Outra aposta de Bukele e sua equipe que já se torna realidade em pouco espaço de tempo.

No dia 1º de outubro foram anunciados os primeiros Bitcoin minerados a partir da energia geotérmica produzida por vulcões, considerada renovável. A mineração ainda está em seus primeiros passos, mas além de caminhar junto à estrutura local sem promover muitos mais gastos (23% da energia em El Salvador já é geotérmica), torna-se uma solução satisfatória para o problema tradicional de altos custos energéticos no processo de mineração e seus posteriores danos ao meio ambiente.

Por fim, talvez o mais esperado. Cresce exponencialmente o número de relatos que envolvam a Chivo e o Bitcoin no dia-a-dia do povo de El Salvador, indo de seu uso no comércio à aproximação de conceitos de investimento do setor. Pouco a pouco, a fronteira do que antes era abstrato e desconhecido vai se revelando como uma tentativa válida de acender, em definitivo, a economia do país.

Ainda há muita coisa para acontecer na caminhada do Bitcoin em El Salvador. Mas por mais que haja quem torça o nariz, os números que abriram o mercado deste também importante 7 de outubro não indicam nada além de sucesso.

Com o euro caindo, o dólar ganha força perante outras moedas.

Observando o gráfico semanal do euro/dólar, pode ser entendida a dinâmica de preços. No final de 2020 o euro subiu com força, no início de 2021 fez um movimento de correção e na sequência voltou a subir. Entretanto, o movimento de alta não conseguiu superar o topo deixado em janeiro e na sequência voltou a cair, formando assim um topo duplo.

Após os movimentos que formaram um “M”, o ativo tentou subir, mas não conseguiu superar a retração de 38,2%. Na sequência o euro voltou a cair, perdendo uma região de suporte importante e acionando um pivô de baixa.

No gráfico diário é observado que após perder a região de suporte, indicada pela linha tracejada em amarelo, o euro tentou se recuperar, mas acabou perdendo força voltando a cair na sequência, acionando um pivô de baixa no gráfico diário também.

Hoje o euro permanece se segurando na região do fundo anterior, mas, como o pivô de baixa já foi acionado, existe uma grande probabilidade de o ativo voltar a cair nos próximos dias, buscando os alvos do pivô.

Com o euro caindo, o dólar ganha força.

O índice DXY é uma comparação entre o dólar e uma cesta de moedas países desenvolvidos. O ativo vinha trabalhando em um retângulo abaixo da média móvel de 200 períodos do gráfico semanal desde novembro do ano passado. Contudo, com o euro perdendo força, o dólar superou o retângulo e indica que poderá superar a média de 200 caso busque os alvos do pivô de pré-rompimento que foi acionado.

No gráfico diário o índice armou um pivô acima do retângulo, o que daria força ao ativo, caso o pivô fosse acionado. Essa movimentação sugere que o ativo pode iniciar um movimento mais forte de alta.

Hoje o dólar segue caindo, mas a média móvel de 8 períodos dá suporte ao ativo. Caso nos próximos dias o movimento de alta continue, é muito provável que o pivô será acionado e que o DXY busque os alvos projetados.

Mesmo com o dólar subindo Suzano e Klabin continuan caindo.

Como o dólar tem correlação inversa ao Ibov, em movimentos de forte queda da bolsa brasileira, o comum é que o dólar se valorize, fazendo com que as ações das empresas de celulose subam também. Deste modo, em uma carteira balanceada com ações da Suzano e/ou Klabin, mesmo em uma forte queda do Ibov, o prejuízo não seria tão grande.

Entretanto, este padrão não é mais observado.

As ações da Suzano vem caindo desde março deste ano e com as projeções de redução no preço da celulose para 2022, feitas em meados de setembro pelo banco Itaú, de 650 dólares a tonelada para 610 dólares a tonelada, as ações da Suzano despencaram, perdendo uma região de fundo importante.

No final de setembro, as ações até subiram um pouco, mas com a forte queda do Ibov nos últimos dias, o preço voltou a cair e hoje foi acionado um pivô de baixa que pode levar as ações até a região dos R$40,00, caso o terceiro alvo for alcançado.

É importante destacar que do início de setembro até agora o dólar já se valorizou cerca de 7% enquanto as ações da Suzano vem perdendo mais de 20% de valor.

Klabin em situação parecida.

As ações da Klabin apresentaram um comportamento similar. O ativo vem trabalhando dentro de um canal de baixa desde maio, mas hoje fez um forte movimento de queda rompendo o canal para baixo.

Caso a empresa continue o movimento de baixa e perca o fundo deixado na região dos R$22,50, estará acionando também um pivô de baixa que poderia acentuar ainda mais o movimento de queda.

Perda de correlação.

Observando esta movimentação de baixa nas ações da Suzano e Klabin, e o dólar subindo, é possível presumir que a correlação entre os ativos deixou de existir, ou pelo menos, está enfraquecida.

Sem dúvida ficaria difícil usar tais papéis como uma proteção de carteira, principalmente porque, quando o dólar cai as ações caem, mas quando o dólar sobe, as ações caem também, ou andam de lado.

Mercados sem correlação geram cenário de dúvidas.

No mundo globalizado em que vivemos, é esperado que os mercados também se conversem. Deste modo, normalmente se observa padrões de comportamento entre um mercado e outro, o que leva a entender que existem correlações entre os ativos, como já foi explicado no artigo “O que são Correlações entre ativos”.

Uma correlação que se espera ocorre entre o dólar e os bonds americanos, pois a negociação destes é feita somente em dólar, de modo que se os bonds sobem, é esperado que o dólar suba também.

Em contrapartida, quando os bonds americanos estão subindo, se deduz que os investidores estão com aversão ao risco, logo, é esperado que as ações, assim como seus respectivos índices, caiam.

Hoje, porém, esta correlação não se mostra verdadeira, pois os bonds americanos seguem sua tendência de alta e sobem cerca de 2,6%, enquanto o S&P 500, recuperando-se da forte queda de ontem, trabalha em alta de 1,3%.

Este cenário de incertezas é gerado, pois os ativos se encontram em situações delicadas. Os bonds americanos de 10 anos, mostrados no primeiro gráfico, seguem a tendência de alta, trabalhando dentro de um canal e se preparando para acionar um pivô, o que poderia levar o ativo a uma alta ainda mais expressiva.

Já o S&P 500, que perdeu o seu canal de alta e acionou um pivô de baixa, vem se segurando buscando permanecer dentro de uma zona de consolidação, evitando assim maiores perdas.

Caso os bonds americanos acionem o pivô de alta e façam um forte movimento ascendente, é esperado que as ações do mercado americano realizem uma correção, levando o índice para baixo.

No Brasil o dia também está confuso.

No mercado brasileiro o cenário também é de incertezas. Enquanto o Ibov se recupera depois da forte queda de ontem subindo 1,14%, considerando a máxima do dia, o dólar também segue subindo, em alta de 0,40% frente ao real.

O cenário brasileiro também é preocupante, pois nos últimos 4 meses o Ibov vem caindo, enquanto o mercado americano continuava subindo. Agora, caso o S&P 500 realize um movimento de correção mais forte, é possível que o Ibov acompanhe levando assim o mercado brasileiro para baixo.