Dólar cai com ajuda do BC

O dólar volátil provavelmente será uma realidade ainda no último mês de 2021 e no ano de 2022.

Com as eleições e os receios com relação à política fiscal do país, o dólar vai ter muita volatilidade.

Outros pontos também vão influenciar na cotação da moeda norte-americana, como é o caso do crescimento global, elevação dos juros nos países ricos e os preços das commodities. Tudo isso pode influenciar o dólar e trazer mais volatilidade.

Como se defender da volatilidade do dólar?

Uma forma efetiva de se defender das oscilações do dólar, é adquirindo dólares. Investir em fundos de investimento cambiais é uma forma bem interessante.

Existem diversas instituições que oferecem tal produto, inclusive, com valores acessíveis, abaixo dos R$ 1.000,00.

Por mais que uma posição em dólares não traga rendimentos por meio do juro, ou da inflação (de forma direta), a moeda norte-americana pode equilibrar a sua carteira, caso haja oscilações relevantes no mercado.

Uma crise interna ou externa, normalmente influencia bastante na cotação do dólar. Visto isso, é interessante manter uma parcela do patrimônio dolarizada.

Além do investimento em dólares por meio de fundos, o investidor também pode adquirir produtos que sofrem influência direta do dólar, como é o caso de alguns ETFs.

Um ótimo exemplo são os ETFs que seguem o índice S&P 500, como é o caso de IVVB11. O ETF, somente em 2021, vem se valorizando em mais de 37,74%.

Outro ETF que segue estratégia similar é o SPXI11, que vem alcançando rentabilidade de 37,01%. Para muitos investidores, os valores da cota de cada um desses ETFs podem ser meio elevados, ficando acima dos R$ 280,00 a cota.

Mas também existem outros ETFs que possuem valor de cota menor, como é o caso do SPXI11. O ETF também segue o S&P 500 e sofre com influência do dólar.

Por ser um ETF lançado em setembro de 2021, o rendimento do mesmo está abaixo dos demais ETFs citados, sendo que até o momento, SPXB11 vem rendendo pouco mais de 11%.

Outras formas de investir “dolarizado”.

O próprio ouro e o Bitcoin também sofrem certa influência do dólar. Mesmo com a alta do Bitcoin, ou do ouro no mercado exterior, caso o real se valorize frente ao dólar, é possível que tanto o ouro quanto o Bitcoin registrem perdas no Brasil.

O contrário também pode acontecer. Mais recentemente foi lançado um novo ETF, ALUG11, fundo de índice que acompanha o índice: MSCI US IMI Real Estate 25/50 Index, dos Estados Unidos. Esse índice cobra o mercado de “Real Estate” que seria algo próximo aos nossos fundos imobiliários, mas dos Estados Unidos.

Para aqueles que procuram investimentos dolarizados e com exposição em mercados diferentes, como é o caso do imobiliário, ALUG11 é uma opção interessante.

O que fazer com a Selic em 9,25% ao ano?

Com um juro maior, a renda fixa chama mais atenção, porém, é importante que a inflação ceda. Sem uma queda da inflação, o juro real não acontece e ao invés de ganhos, o investidor não vai conseguir nem corrigir o valor aplicado pela inflação.

Se a inflação permanecer no atual nível, acima dos 10% ao ano, mesmo a taxa Selic em 9,25%, não terá forças para conseguir cobrir a inflação e muito menos pagar a perda do poder aquisitivo.

Portanto, a Selic maior, só terá seus benefícios, caso a inflação esteja mais controlada.

Mais um dia de mercados no verde

O Ibovespa teve mais um dia de saldo positivo, terminando com alta de 0,50%. Já o S&P 500 valorizou mais 0,31%, enquanto o dólar registrou forte queda.

O USD/BRL caiu mais de 1,43%, enquanto o ouro (OZ1D) registrou queda de 1,66%, uma das maiores quedas dos últimos dias.

Com essa movimentação no mercado, fica claro que existem boas expectativas para o futuro. Porém, o momento ainda é de tensão.

A Evergrande dá sinais de problemas e o sistema imobiliário chinês, como um todo, também não parece estar bem.

A China vem tomando algumas iniciativas para tentar mitigar qualquer eventualidade, mas, ainda sim, é preciso ter atenção.

Investir tudo em bolsa, não é uma opção. Observando o contexto nacional, as expectativas para o PIB não são das melhores e o juro está elevado.

A inflação também está alta e a inflação de novembro será conhecida na sexta-feira. Uma queda na inflação pode mostrar que o juro alto já vem surtindo efeito e que as expectativas para a inflação em 2022 e nos demais anos podem cair.

Por outro lado, uma inflação maior, mostra que o cenário é mais complicado do que vem se mostrando.

Por isso, é importante ficar atento às oportunidades do mercado. Sendo que a renda fixa, ainda vem se mostrando muito interessante.

Onde investir na renda fixa?

Há vários produtos que podem ser adquiridos pelos investidores. A renda fixa está repleta de opções.

Uma das melhores opções são as letras do tesouro Direto, como o Tesouro Selic. O Tesouro Selic é a letra que segue de perto as oscilações da taxa Selic.

Então, em um momento como o atual, o Tesouro Selic acaba se consolidando como uma ótima alternativa de investimento, sem falar na segurança da letra.

As letras do Tesouro Direto contam com a segurança do Tesouro Nacional e tem liquidez diária.

Mercado aposta em Selic a 9,25%

Depois, em 2022, o mercado espera uma manutenção dos aumentos, culminando para uma Selic em 11,25% ou até 12% ao ano.

Chegando a tal patamar mais elevado, é provável que a Selic permaneça em tal nível por um bom período, até que as expectativas para a inflação voltem aos níveis normais, dentro da meta.

Poupança vai voltar a render 6,17% ao ano

Com o aumento da Selic, a taxa vai ultrapassar a barreira de 8,5% ao ano, sendo assim, as regras para a poupança serão alteradas e a rentabilidade muda.

Ao invés de pegar 70% do CDI, a poupança passa a pagar 6,17% fixos. Existe ainda a correção pela TR (Taxa referencial), porém, a TR há anos não vem registrando valor considerável, portanto, dificilmente haverá impactos por meio da TR.

Como a poupança é um dos investimentos mais utilizados pelos brasileiros para manter pequenas e até elevadas reservas financeiras, conhecer melhor sobre o produto é interessante.

Para aqueles que têm valores na poupança antes da alta da Selic (que provavelmente vai jogar o juro para 9,25% ao ano) a rentabilidade permanece-nos 70% do CDI, fato que é mais interessante.

Considerando que a Selic possa alcançar os 11%, aqueles que estão posicionados na poupança vão ter uma remuneração de 7,7% aproximadamente.

É claro que havendo a retração da Selic, com eventuais cortes do BC, depois que a inflação esteja controlada, a melhor opção é sacar os recursos da poupança e investir logo em seguida, para conseguir travar a remuneração em 6% ao ano.

Vale destacar ainda que existem inúmeros investimentos que podem entregar mais do que poupança e são tão seguros quanto.

CDBs, LCI e LCAs são algumas das opções. Ainda existe o Tesouro Direto e os fundos de investimento.

Mercado reage bem no dia

O dia de hoje foi marcado pelo bom desempenho dos mercados. O Ibovespa fechou o dia em alta de 0,65%, já o S&P 500 valorizou mais de 2%.

O dólar registrou queda frente ao real, desvalorização de 1,33%, já o ouro (OZ1D) caiu mais 0,25%.

Aparentemente, a variante Ômicron parece ser menos letal, fato que vem se consolidando, mas ainda não há informação definitiva sobre a variante.

Por outro lado, os ruídos da Evergrande começam a ecoar novamente. O sistema imobiliário chinês parece não estar se recuperando, e a Evergrande pode estar enfrentando problemas ainda maiores.

Existe inclusive a expectativa que a incorporadora chinesa não consiga quitar uma de suas obrigações, prestes a vencer.

Mais inflação para 2022.

Ou seja, se isso realmente acontecer, a meta estabelecida para a inflação também será quebrada em 2022.

Por mais que o aumento seja pouco acima do teto, existe a preocupação que o “descontrole” possa influenciar em mais aumento da inflação e isso contamine ainda mais os preços.

Em outras palavras, o Banco Central, pode estar abrindo mão de algo que deveria ser visto com mais atenção.

Dólar sobe e ouro cai

O dia na bolsa de valores foi bom. O Ibovespa manteve o seu ritmo de recuperação, subindo mais 1,70%.

Já o S & P 500 subiu mais de 1,17%. O dólar ficou mais caro no Brasil, a moeda norte-americana registrou valorização de 0,63%, enquanto o ouro (OZ1D) registrou leve queda de 0,06%.

Por mais que o dólar esteja em alta no Brasil, o ouro vem caindo. Uma das causas para a queda do ouro, pode estar vinculada às notícias menos alarmantes referentes a variante Ômicron.

Como ainda não há dados contundentes da relação das vacinas e da nova variante, o mercado ainda fica na expectativa, mas, a princípio, parece que a nova variante não é tão letal, ou tão perigosa quanto às demais variantes e até o próprio COVID-19 original.

Vale destacar que em dezembro, o Ibovespa vem se recuperando bem, chegando a valorização de 4,85%.

Inflação mais alta, o que fazer?

Como as expectativas são para mais inflação, a tendência é de juros maiores e de uma manutenção de tal patamar, por mais tempo.

Portanto, é bem provável que o Brasil conviva em 2022 com uma taxa de juro alta e uma inflação alta.

Como a tendência é de ver um juro real atraente, com bons ganhos para a renda fixa convencional, o negócio é dar foco na renda fixa.

Tesouro Direto e demais títulos, como os CDBs, LCI e LCA, são ótimas opções. Buscar alternativas de renda fixa atreladas ao CDI ou ao IPCA são as melhores opções.

Não esquecendo que o investidor precisa dar atenção a qualidade da instituição onde o planeja investir, além dos prazos dos títulos. O melhor é buscar títulos com vencimento curto.

Como o mundo ainda não está totalmente recuperado, é bom manter na carteira posição em ativos considerados defensivos, como é o caso do dólar e do ouro.

Por outro lado, fique atento à renda variável. A bolsa de valores vem dando sinais de recuperação e as coisas podem melhorar no futuro, por isso, é bom aproveitar oportunidades e investir.

Ouro avança com dados ruins de emprego nos EUA

Os preços do ouro subiram nesta sexta-feira (03/12), com o mercado tentando avaliar o impacto potencial de um fraco relatório de empregos dos EUA sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed), uma vez que a nova variante do coronavírus continua gerando incerteza na economia.

O ouro já estava se mantendo estável à frente do relatório de empregos e, desde então, aumentou sua reação inicial aos números de emprego mais fracos do que o esperado.

Já o dólar americano, à princípio, enfraqueceu após a divulgação dos dados, antes de se firmar novamente, tornando a commodity metálica mais cara para os detentores de outras moedas.

Com isso, o ouro à vista subiu 0,8% para US$ 1.783,03/onça às 16h30, evitando o que teria sido uma terceira perda semanal consecutiva. Os contratos futuros de ouro dos EUA subiram 1,22%, sendo negociados a $ 1.784,20/onça em Nova York.

Já o dólar se valorizava frente ao real, com a cotação subindo 0,50%, a R$ 5,6750.

Criação de empregos nos EUA

O Bureau of Labor Statistics informou hoje que 210.000 empregos foram criados durante o mês de novembro.

O valor foi bem abaixo das projeções feitas por economistas de mercado, que esperavam a criação de 535.000 empregos.

O número mostrou uma aceleração dos números revisados de outubro, quando foram criadas 546 mil vagas – inicialmente o dado era de 531 mil conforme divulgado em novembro.

A taxa de desemprego caiu para 4,2% da força de trabalho, abaixo dos 4,6% de outubro. Os analistas esperavam uma taxa de 4,5%.

Já o salário médio por hora no mês passado teve uma alta anual de 4,8%, abaixo da projeção de 5% do mercado, mas igual aos 4,8% do mês anterior.

Expectativas de reação do Fed

Os dados fracos de emprego e renda geraram uma incerteza adicional sobre o que esperar da decisão do Fed referente à sua política monetária.

Até o momento, o banco central norte-americano vem gerando estímulos com compras de ativos para promover a queda dos juros e o aumento da liquidez na economia.

Com a inflação persistente, as expectativas dos agentes de mercado eram de que o Fed iria acelerar o ritmo de retirada destes estímulos e, até o meio de 2022, começar a aumentar os juros.

Porém, se a economia mostrar sinais de que ainda não se recuperou da crise da pandemia, o Fed poderá recuar na sua decisão de aperto monetário e manter os estímulos por mais algum tempo.

O ouro é tradicionalmente visto como uma proteção contra o aumento dos níveis de preços, porém, o aumento dos juros é negativo para o metal, que não tem rendimentos.

Diante disso, o salto do ouro no dia de hoje sugeriu que o mercado começa a trabalhar com a suspeita de que o Fed manterá a precaução na próxima reunião do Fomc (Comitê de política monetária dos Fed), que acontece nos dias 14 e 15 de dezembro.

PIB do Brasil caiu 0,1% no terceiro trimestre.

Considerando o período anterior (terceiro trimestre de 2020) o Brasil vem alcançando alta de 4%.

Porém, a segunda queda do PIB consecutiva vem mostrando que as coisas não andam tão bem, ou que existem riscos com relação ao PIB. Do jeito que está dificilmente o Brasil vai conseguir alcançar um PIB de 5% ainda em 2021.

Vale destacar que o IBGE também fez a revisão do PIB referente ao segundo trimestre de 2021, e constatou que houve uma queda de 0,4% e não de 0,1%.

Apesar da queda do PIB, o mercado reagiu.

Mesmo com a divulgação do resultado negativo do PIB, o Ibovespa alcançou alta de 3,66%, sendo que o dólar caiu 0,82% chegando aos R$ 5,65.

Com essa valorização, o Ibovespa consegue recuperar parte de suas perdas. Mas o principal índice brasileiro ainda está longe de alcançar os 120 mil pontos, por exemplo.

No momento, o Ibovespa vem amargando perdas de 12,11% em 2021. Ao contrário do Ibovespa, o S&P 500 acumula alta de 23,68%.

Observando isso, fica claro que o investidor precisa ter parte do patrimônio alocada em ativos com referência no exterior, como é o caso do IVVB11 (ETF que segue o S&P 500).

Existem outros ETF que seguem o índice norte-americano, e inclusive fundos de investimento. Com uma diversificação bem calibrada, o investidor consegue reduzir eventuais volatilidades do mercado interno.

Uma pessoa com uma carteira dividida entre o S&P 500 e outra parte em Ibovespa, estaria registrando ganhos, uma vez que as perdas do Ibovespa não seriam suficientes para reduzir todos os ganhos auferidos como o S&P 500.

É claro que as proporções e a estratégia empregada vai de investidor para investidor, mas é importante pensar bem sobre alocar recursos em diferentes mercados, principalmente nos de origem norte-americana.

Junto do dólar, o ouro também caiu.

O ouro (OZ1D) caiu 1,53%. Mesmo com uma leve valorização do ouro (XAU) nos Estados Unidos, o ouro no Brasil ainda performou abaixo. Isso provavelmente aconteceu devido à queda do dólar.

Como o ouro no Brasil é influenciado pela cotação do dólar, quando a moeda norte-americana cai, o ouro também pode acabar seguindo o mesmo rumo.

Se de um lado nós temos os produtos de renda variável bem voláteis, do outro há a renda fixa. A renda fixa ainda vem performando muito bem e com boas expectativas para 2022.

Caso a situação com relação à inflação se mantenha ruim, é provável que a Selic permaneça em níveis elevados. Isso vai gerar retornos melhores em diversos produtos de renda fixa, como os CDBs, LCI e LCA, além das letras do Tesouro Direto.

Brasil reduz o desemprego no último trimestre

Com menos pessoas ociosas existe a expectativa que o consumo aumente. Querendo ou não,  mais pessoas empregadas vão consumir, e todo esse consumo vai girar ainda mais a economia.

Ao menos essa é a expectativa, é importante acompanhar os próximos indicadores para conseguir reconhecer se haverá ou não melhora.

Vale destacar que mesmo com uma melhora do emprego, a renda do trabalhador está caindo. Observando os últimos quatro trimestres, a renda média do trabalhador vem caindo e chegando a níveis próximos de 2012.

Isso somado à inflação alta e o juro alto podem acabar comprometendo a recuperação.

Quais são as expectativas?

Se o ano de 2021 terminar com menos desemprego, é possível que as coisas melhorem sim. Dependendo da situação, mesmo que a renda média esteja baixa, um aumento do emprego pode compensar e favorecer o mercado.

Mas o caminho para conseguir mais empregos e um crescimento estável é difícil. Há diversos riscos à frente. Dentre eles nós temos a nova variante da COVID-19, atritos políticos, inflação alta e o juro.

Todos esses itens podem de alguma forma frear o avanço econômico. Por isso, o futuro no Brasil ainda é uma incógnita.

O Ibovespa hoje fechou na casa dos 100 mil pontos, registrando queda de 1,12%. Já o S&P 500 caiu mais 1,18%.

Já o dólar se valorizou em mais de 1,2%, chegando aos R$ 5,70. O ouro (OZ1D) fechou o dia com alta de 0,06%.

Mesmo com queda do XAU (gold index) de 3,27%, o ouro no Brasil se valorizou devido a valorização do dólar.

É importante salientar que o ouro no Brasil sofre influência tanto do próprio metal quanto do dólar. Coisa similar ocorre com as criptomoedas, como é o caso do Bitcoin.

O que fazer para aproveitar o momento?

Olhando a longo prazo, a bolsa tem grandes chances de entregar bons resultados aos seus investidores.

Porém, no momento a bolsa não está performando, por isso é importante focar na renda fixa. Produtos de renda fixa como CDBs, LCIs e LCAs são muito interessantes.

Além é claro do Tesouro Direto. Letras como o Tesouro Selic podem trazer boa remuneração e com liquidez diária.

Desse modo, quando a bolsa cair mais, o investidor tem como resgatar parte de seus recursos e investir na renda variável.

Por fim, é importante dar atenção ao dólar e ao ouro também. Ambos os ativos podem suavizar a volatilidade do mercado caso as coisas se tornem mais turbulentas.

Ouro se recupera após queda na terça, mas segue sem tendência definida

O preço do ouro se recuperou de uma baixa de três semanas, com os investidores continuando a pesar a propagação da nova variante do coronavírus, ômicron, contra os últimos comentários do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre a necessidade de conter a inflação.

Nesta quarta-feira (01/12), até às 16h, os futuros de ouro subiam 0,47% para US$ 1.784,30/onça. Já o ouro à vista estava sendo negociado em alta de 0,31%, cotado a US$ 1.780,62/onça.

O resultado permitiu a recuperação da maior parte das perdas de ontem após as observações de Powell de que o Fed pode considerar encerrar o suporte à pandemia em um ritmo mais rápido do que o esperado. 

A movimentação da commodity vem junto com uma forte recuperação nos mercados de ações, com os investidores usando a queda nos preços para apostar que a última variante covid-19 não atrapalhará a recuperação econômica. 

Isso sugere que a fuga para a segurança do ouro podem não ser tão fortes quanto o antecipado. 

Como consequência, no curto prazo o ouro segue sem tendência nos mercados, com os investidores indecisos sobre os rumos do futuro da economia.

Cenário atual

O ouro registrou uma perda marginal no mês passado, com os investidores avaliando as perspectivas de que o Fed deverá desacelerar a retirada dos estímulos monetários, em meio à insistência da inflação de permanecer em patamares elevados.

As expectativas indicam que o banco central dos EUA está programado para concluir seu programa de compra de ativos em meados de 2022.

Mais recentemente, as notícias sobre a variante ômicron e as especulações sobre sua capacidade de contágio e mortalidade vem dando pitadas adicionais nas incertezas quanto à recuperação global. 

Juntos, estes dois fatores têm dividido a atenção dos investidores nos últimos dias e anulando seus respectivos efeitos sobre as cotações do ouro.

Isso porque, de um lado, o aumento dos juros tende a causar uma fuga para os títulos públicos, visto que a commodity metálica não possui rendimentos. 

Por outro lado, períodos de pânicos generalizados, ocasionados por eventos como o surgimento da nova variante da Covid-19, tendem a causar uma fuga para a segurança, empurrando investidores globais para ativos mais líquidos, como o ouro e dólar.

Apostas no futuro

Alguns analistas acreditam que a força vendedora poderá ganhar força à medida que as notícias sobre a variante ômicron evidenciarem efeitos mais amenos do que as cepas anteriores, como a Delta.

Neste caso, a intensidade das quedas será balizada pelos dados sobre a atividade econômica dos EUA e da reação do Fed sobre a política monetária.

A narrativa principal permanece focada no que o Fed fará, e o ouro pode enfrentar pressão se os dados de emprego dos EUA de sexta-feira confirmarem o fortalecimento do mercado de trabalho.

Entretanto, vale ficar atento para as chances de uma nova onda de contaminação ganhar força e, consequentemente, ressuscitar as medidas de restrição da circulação de pessoas e mercadorias.

Estados Unidos podem antecipar a redução dos estímulos

Com uma redução mais rápida, provavelmente a economia dos Estados Unidos sofrerá algum impacto e consequentemente o mundo.

Vale destacar que a redução dos estímulos pode de certa forma, ajudar no controle da inflação no mundo. No Brasil os efeitos podem ser benéficos, porém, provavelmente haverá repercussões negativas com relação ao câmbio.

Mercados reagem

Com tais notícias, os mercados não reagiram bem. O Ibovespa fechou o dia em queda de 0,87%, enquanto o S&P 500 caiu 1,90%.

Por outro lado, o dólar se valorizou em 0,39% e o ouro (OZ1D) ficou 0,63% mais caro. Apesar da nova variante Ômicron, o FED não parece disposto a ceder e deve reduzir os estímulos.

Querendo ou não, a economia norte-americana está bem e o desemprego está baixo, quase alcançando o nível de “pleno emprego”.

Dentro desses níveis não há mais tanta necessidade de estímulos. Sem falar que o governo dos Estados Unidos vai injetar muito dinheiro na economia por meio das obras de infraestrutura e dos pacotes de ajuda.

Desse modo, a retirada dos estímulos se vê necessária, inclusive com um aumento dos juros mais a frente. É claro, tudo isso depende se a nova variante da COVID-19 exigir novos lockdowns e restrições.

As bolsas vão cair mais?

A retirada dos estímulos traz sensação de menor liquidez no mundo e isso pode trazer efeitos negativos para a bolsa.

Porém, tais efeitos se encerram quando as empresas e o mercado dão bons sinais. Caso a economia dos Estados Unidos continue crescendo, as coisas vão continuar progredindo.

Com relação ao mercado nacional, o cenário depende muito mais de outras variáveis, como a própria política.

Infelizmente a alta da inflação no Brasil não está ligada somente à alta dos preços referentes a energia e combustíveis, mas está ligado a vários outros fatores, como o “descontrole” com as contas públicas.

Portanto, mesmo com uma estabilização dos preços no exterior, a economia no Brasil pode continuar andando de lado.

Com um cenário tão volátil e imprevisível, há boas oportunidades aparecendo. O ETF BOVA11 chegou aos R$ 96,71, depois no final do pregão, terminou em R$ 98,35, mesmo assim as perdas em 2021 chegam aos 13,80%.

Já o ETF SMAL11, fundo de índice referente às empresas de pequeno porte, vem acumulando perdas em 2021 de 18,81%.

Ambos os ETF vêm se mostrando muito interessantes. Caso no futuro a economia se recupere, os dois ETFs provavelmente vão oferecer excelentes ganhos aos seus cotistas.

Fala de Powell abre margem para manutenção de flexibilização monetária

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, disse hoje (29/11) que o surgimento de uma nova variante do COVID-19 pode desacelerar a economia e a recuperação das contratações, ao mesmo tempo que aumenta a incerteza sobre a inflação.

“O recente aumento nos casos de delta e o surgimento da variante ômicron representam riscos de baixa para o emprego e a atividade econômica e aumentam a incerteza para a inflação”, disse Powell na segunda-feira em declaração para o Comitê Bancário do Senado, que se reúne nesta terça-feira (29/11). 

Além das possibilidades de piora na demanda e oferta de empregos, a nova variante também pode intensificar as interrupções na cadeia de abastecimento, disse o presidente do banco central norte-americano.

Os comentários de Powell foram feitos depois que outras autoridades do Fed disseram nas últimas semanas que o banco central deveria considerar o encerramento de suas políticas de compras de ativos e taxas de juros zero mais rápido do que o planejado previamente.

Eles citaram preocupações com a inflação, que atingiu seu  pico de três décadas.

Powell prega cautela com política monetária

Apesar das falas dos membros do Fed e das expectativas de analistas do mercado, as observações de Powell sugerem que a incerteza adicional levantada pela variante ômicron pode complicar os próximos passos do Fed.

“Uma preocupação maior com o vírus poderia reduzir a disposição das pessoas para trabalhar presencialmente, o que desaceleraria o progresso no mercado de trabalho e intensificaria as interrupções na cadeia de suprimentos”, disse Powell.

Ainda se sabe pouco sobre os reais efeitos da variante ômicron na saúde das pessoas.  Entretanto, se a nova cepa do vírus fizer os americanos recuarem nos gastos e desacelerar a economia, por conseguinte, isso poderia aliviar as pressões inflacionárias nos próximos meses.

Como consequência, o Fed poderia ser levado a prorrogar a flexibilização monetária sem que a inflação seja afetada.

No entanto, se a nova variante causar outra onda de fechamentos de fábricas na China, Vietnã ou outros países asiáticos, este cenário poderia piorar os problemas da cadeia de suprimentos, especialmente se os americanos continuarem comprando mais móveis, eletrodomésticos e outros bens. 

Ou seja, isso pode elevar ainda mais os preços nos próximos meses.

Powell reconheceu que a inflação “impõe fardos significativos, especialmente para aqueles menos capazes de arcar com os custos mais elevados de itens essenciais como alimentação, moradia e transporte”.

Ele disse que a maioria dos economistas espera que a inflação diminua ao longo do tempo, à medida que as restrições de oferta diminuam, mas acrescentou que “os fatores que empurram a inflação para cima permanecerão no próximo ano”. 

Em entrevista coletiva no mês passado, Powell disse que a alta inflação pode persistir até o final do verão.

Expectativas para a última reunião do Fed em 2021

Em sua última reunião do ano, em 2 e 3 de novembro, os formuladores de políticas do Fed  concordaram em começar a reduzir os US$ 120 bilhões em compras mensais de títulos do banco central em US$ 15 bilhões por mês. Isso encerraria as compras em junho.

Essas compras de títulos, uma medida de emergência iniciada no ano passado, têm como objetivo manter as taxas de juros de longo prazo para encorajar mais empréstimos e gastos. 

O Fed fixou sua taxa de juros de curto prazo em quase zero desde março do ano passado, quando o COVID-19 surgiu pela primeira vez. Essa medida influencia outros custos de empréstimos, como hipotecas e cartões de crédito.

Na semana passada, o Fed  divulgou a ata da reunião de novembro que mostrou que alguns dos 17 formuladores de políticas do Fed apoiaram a redução das compras de títulos mais rapidamente, especialmente se a inflação piorar. 

Isso daria ao Fed a oportunidade de aumentar sua taxa de referência já no primeiro semestre do próximo ano.

Naquela época, os investidores esperavam três aumentos nas taxas no próximo ano, mas as chances de muitos aumentos caíram drasticamente desde o surgimento da nova variante do coronavírus.