O que esperar de 2022?

Até junho, o Ibovespa alcançava os 130 mil pontos, maior marca para o índice desde sua criação.

Mas, de lá para cá, o índice caiu e agora está próximo dos 105 mil pontos. O que esperar de 2022?

Juros maiores e inflação em queda

Se o juro em 9,25% ao ano, já está elevado, em 2022, é provável que a Selic alcance níveis ainda maiores.

Na próxima reunião do COPOM, já está praticamente certo que haverá mais um aumento de 1,5% na taxa de juro, havendo a possibilidade de mais aumentos nas próximas reuniões.

Tudo vai depender da resposta da inflação. Se o IPCA se manter comportado e em queda, é provável que mais um aumento pequeno seja feito e assim, o juro fique nivelado por um bom tempo, quem sabe por 2022 todo.

O dólar tinha grandes chances de terminar 2021 próximo dos R$ 5,00, mas não foi isso que aconteceu. Com mais juros e uma inflação menor, é provável que o dólar caia em 2022.

Mas tudo isso vai depender de alguns fatores, como a inflação. Por outro lado, as contas públicas e o crescimento do PIB podem acabar influenciando a inflação.

Caso haja mais despesas e o equilíbrio das contas públicas seja afetado em 2022, a inflação pode pressionar mais ainda a economia. Com um crescimento baixo, a inflação perde força e isso pode gerar estabilidade nos preços.

Enfim, são muitos indicadores que devem ser acompanhados daqui para frente, para conseguir determinar qual será a rota da bolsa e dos mercados.

Quais são as oportunidades em 2022?

A renda fixa será um dos principais focos dos investidores para 2022. Títulos atrelados ao CDI e a Selic são aqueles mais interessantes.

Depois existem os títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA e os CDB, LCI e LCA atrelados à inflação mais juros prefixados.

Acompanhados desses papéis de renda fixa, o investidor também deve olhar para ativos atrelados ao exterior, como é o caso dos ETFs que seguem o índice S&P 500.

Só em 2021, o S&P 500 subiu quase 30%, portanto, manter uma parcela do patrimônio alocado em tal índice é importante. Na bolsa de valores já há outras alternativas atreladas a outros índices de outros mercados, como é o caso do ETF EURP11 que segue um índice europeu.

Outro investimento atraente são as criptomoedas e ativos virtuais, como é o caso das NFTs. A melhor forma de investir neles é por meio de fundos de investimento. Uma vez que tais ativos são novos e possuem certa complexidade, tanto na negociação, manutenção, quanto na análise.

Por fim, nós temos as ações, ETF e BDR. Esses ativos devem ser analisados com bastante cuidado, uma vez que 2022 podemos ser muito voláteis para os mesmos. Mas, é possível que boas oportunidades apareçam e o investidor deve estar preparado para reconhecer esses momentos.

Bradesco voltando a cair, oportunidade à vista!

Após cair mais de 50% entre fevereiro e março de 2020, as ações do Bradesco (BBDC3) entraram em um canal de alta. O papel ficou até junho trabalhando em movimentações de alta, quando fez topo e começou a cair.

Apesar de subir mais de 90% entre a mínima e a máxima, o papel continuava trabalhando mais de 15% abaixo do preço alcançado no início de 2020.

Quando o Ibovespa começou a recuar em junho, as ações do Bradesco também passaram a trabalhar em queda. Após perder a linha de tendência de alta, o ativo caiu até o fundo anterior e começou a trabalhar em uma tendência lateral.

Conforme mostrado no gráfico semanal, após perder a média móvel de 200 períodos, o ativo fez um forte movimento de queda.

Essa movimentação afastou o preço do papel da média móvel de 20 períodos. Em seguida o preço passou a andar de lado e agora que a média chegou no preço, o ativo inicia uma nova queda.

Este padrão é conhecido como Power Breakout e é um poderoso padrão de continuação de tendência.

Na semana passada o ativo chegou a romper o fundo do retângulo, o que acionou o padrão de baixa. No gráfico são apresentados os alvos projetados pelo Power Breakout.

É interessante observar que o terceiro alvo coincide com o suporte gerado em março de 2020.

Caso as ações do Bradesco façam um forte movimento de baixa, pode ser que o papel caia até a região de preços em que estava no início da pandemia.

BBDC4 ainda não perdeu fundo!

É importante destacar que as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) ainda não perderam o fundo do retângulo.

Como se trata da mesma empresa, os gráficos dos dois papéis são muito parecidos. Entretanto, em certas ocasiões, existem algumas divergências, como esta que está acontecendo agora.

A liquidez das ações ordinárias (BBDC3) é muito menor do que a das ações preferenciais (BBDC4). Deste modo, seria interessante esperar até que BBDC4 também perca o fundo e acione o padrão de venda.

Esta seria uma ótima oportunidade para realizar uma operação de swing trade.

Oportunidade de compra

Investidores que buscam boas oportunidades para entrar em um papel que paga bons dividendos devem ficar atentos em Bradesco.

O papel já está em um nível de preço muito interessante, e caso venha a cair mais, ficará ainda melhor.

E isto pode ser notado observando alguns múltiplos atuais, como o Dividend Yield (D.Y), o Lucro por ação (LPA) e o Preço sobre Valor Patrimonial (P/VP).

O D.Y já está em 5,7% e caso o ativo se valorize nos próximos anos, o dividendo sobre o custo (dividend on cost) ficará ainda melhor.

O P/VP está em 1,06, ou seja, o mercado está pagando apenas 6% a mais do que o patrimônio da empresa vale. Este é o menor valor dos últimos 10 anos.

Já o LPA de 2,49 está próximo da média, que é de 2,85 e provavelmente nos próximos anos ficará maior, a medida que o banco for crescendo.

Sendo assim, o Bradesco está dando oportunidades para quem busca fazer uma operação rápida, de alguns dias ou semanas, e também para quem deseja construir renda passiva.

Brasil registra superávit em Novembro

Em novembro, o Tesouro Nacional registrou superávit de 3,8 bilhões de reais. O governo federal vem esperando um déficit de 0,4% em 2021, valor próximo dos 40 bilhões de reais, considerando o PIB de 2020 mais um crescimento de 5%.

Ao somar os resultados de janeiro até novembro, o déficit está em 49,3 bilhões de reais. Como podemos ver, o governo espera por mais um superávit em dezembro para conseguir fechar o déficit com 0,4% do PIB, ou um PIB maior.

Contas públicas estão, ou não sob controle?

Por um lado nós temos aumento dos gastos públicos, por meio de novos programas sociais e liberação de emendas, do outro há sinais claros que a arrecadação está aumentando.

Com dados e expectativas inversas, fica difícil determinar o que está ocorrendo e o que pode acontecer.

O déficit de 2021 provavelmente vai ficar abaixo das expectativas do início do ano. Lá no início de 2021, o governo acreditava que o déficit poderia ficar em 1,1% do PIB, número que provavelmente será menor.

O desemprego também vem caindo. Porém, o PIB não está se desenvolvendo. O mercado e o governo esperavam alta do PIB acima dos 5%, porém é provável que o PIB cresça abaixo desse patamar.

Outro ponto que vem perturbando o mercado é a inflação alta e o juro alto. Os dois indicadores, provavelmente, vão permanecer elevados em 2022 também.

Coisa que pode prejudicar as contas públicas e o desenvolvimento do PIB. Portanto, os dados de hoje provavelmente serão piores em 2022.

O que precisamos identificar é se essas expectativas, de um cenário pior, vão se concretizar, ou não.

Se não, é provável que a renda variável comece a reagir e volte aos patamares mais elevados, como os 130 mil pontos que o Ibovespa alcançou em junho de 2021.

Mas, se o mercado cumprir com as expectativas negativas, então o momento deverá ser da renda fixa, com olho na renda variável para capturar oportunidades.

Ibovespa em queda S&P 500 em alta

Hoje foi mais um dia de queda do Ibovespa. O principal índice da bolsa brasileira caiu 0,72%, sendo que o S&P 500 subiu 0,14%. O dólar por sua vez terminou o dia cotado a R$ 5,70, alta de 1,33% frente ao real.

Com um mercado tão volátil, a renda fixa vem se consolidando como uma das melhores alternativas para 2022.

Ibovespa recua com volume reduzido e Ômicron, fiscal no radar

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) – O Ibovespa caía na tarde desta quarta-feira, caminhando para sua segunda queda seguida, em sessão volátil por conta da baixa liquidez e diante de desempenho misto das bolsas no exterior.

Às 16:01, o Ibovespa caía 0,65 % , a 104.178,37 pontos. O volume financeiro era de 10,1 bilhões de reais, em novo pregão de volume abaixo da média por conta da proximidade do feriado de Ano Novo.

Petrobras era a principal contribuição negativa para o índice, enquanto Vale estava na ponta oposta.

Investidores seguem atentos à propagação da variante Ômicron da Covid-19, em meio a números recordes de casos diários confirmados de coronavírus em várias partes do mundo incluindo Estados Unidos e países da Europa .

Os principais índices de ações norte-americanos operavam em sentidos distintos nesta tarde, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,11%.

Na cena doméstica, o mercado mantém no radar o movimento de categorias do funcionalismo público federal no Brasil que pressionam o governo por reajustes salariais, após os policiais federais e rodoviários federais serem contemplados com uma previsão de reajuste no Orçamento de 2022.

É possível fazer operações rápidas (scalp) olhando o gráfico?

Para fazer scalp, procure por momentum.

Na física a palavra “Momentum” é usada para relacionar a quantidade de movimento de um corpo. Essa grandeza é calculada através da multiplicação da velocidade pela massa do corpo. Em termos práticos pode ser entendida simplesmente como “impulso”, pois também representa a força pelo tempo.

Um exemplo simples da utilização dessa grandeza é o cálculo do peso que um corpo em movimento tem ao se chocar contra outro corpo que esteja parado. Por exemplo, uma maçã que tem o peso aproximado de 130 gramas, pode ter uma força de impacto de 10 kg se cair de um galho que esteja a 4 metros do chão.

Outro exemplo que poderia ser dado, é com relação a força que um jogador de futebol precisa chutar a bola para que ela alcance a velocidade de 108 km/h. Considerando que a bola tenha 400 gramas, seria preciso chutar a bola com uma força de 1200 Newtons.

Mas essa explicação toda foi apenas para ilustrar de onde vem o conceito de Momentum, visto que esse termo também é usado no mercado financeiro.

Como se trata de algo relacionado a impulso, esse termo foi trazido da física para o mercado financeiro, a fim de caracterizar ocasiões em que o preço de um ativo se desloca de forma muito rápida.

Sobre essa ótica, foram desenvolvidas estratégias que buscam capturar situações em que o mercado apresenta Momentum para assim serem realizadas operações. Como se espera que o ativo se mova de forma rápida, se tratam de operações que levam poucos minutos para serem realizadas. Por esse motivo, tais operações recebem o nome de “scalp”.

Neste artigo serão apresentados alguns cenários gráficos em que os ativos costumam oferecer oportunidade de realizar operações de scalp.

Estreitamento da Banda de Bollinger

Um dos contextos onde é mais fácil de serem visualizadas situações de momentum é quando as bandas de Bollinger se estreitam e repentinamente se abrem.

O indicador conhecido como bandas de Bollinger foi desenvolvido com base na estatística de modo que as bandas englobam aproximadamente 96% dos candles. Para isso, o indicador conta com uma média móvel de 20 períodos e duas bandas que ficam afastadas da média em dois sigmas. Cada sigma representa um desvio padrão baseado nos últimos 20 candles.

Como as Bandas de Bollinger estão diretamente ligadas à volatilidade do ativo, elas se abrem ou fecham de acordo com a oscilação dos preços. Se os preços fazem movimentos fortes, as bandas permanecem mais abertas. Por outro lado, quando os preços ficam próximos à média, as bandas se fecham.

É justamente nesta situação que o ativo pode apresentar uma situação de momentum.

Quando o preço fica em torno da média e as bandas fecham, pode ocorrer um forte movimento direcional na sequência.

O ativo apresentava uma grande volatilidade, o que pode ser visto pela largura das bandas ao lado esquerdo do gráfico. Conforme a volatilidade foi diminuindo, as bandas foram se fechando. Quando as bandas já estavam bem próximas, o ativo formou um candle de força e as bandas voltaram a abrir.

Esta é uma operação de momentum, pois o ativo saiu de uma consolidação e começou a se deslocar com velocidade. Este tipo de operação é muito interessante, pois em questão de minutos é possível fechá-la com um ótimo resultado.

Zonas de confluência

Uma zona de confluência é caracterizada pela presença de vários suportes ou resistências que tendem a segurar o preço.

Neste tipo de situação, é normal observar fortes movimentações de preço. Para entender melhor o motivo pelo qual isso acontece, é preciso voltar ao conceito de suporte e resistência.

Um dos principais motivos da formação de um suporte ou resistência é o efeito memória. Quando um ativo forma um topo, por exemplo, muitas pessoas realizaram lucros naquela região de preços. De forma similar, muitas pessoas também compraram o ativo na região do topo formado. Se o ativo fizer um movimento de baixa e algum tempo depois voltar a subir, ao se aproximar do topo, este se comportará como uma resistência.

Deste modo, quem já tinha realizado lucros, decide novamente vender para mais uma vez sair da operação com gain. Já quem comprou na região de topo, estava torcendo para o preço voltar e conseguir sair da operação sem prejuízo.

Como a pressão vendedora aumenta, o topo volta a se comportar como uma resistência, empurrando o preço para baixo novamente.

Se uma resistência já tem força para segurar o preço, e até mesmo empurrá-lo para baixo, quando várias resistências coincidem, existe uma grande probabilidade de gerar momentum.

A imagem mostra uma forte zona de confluência. Neste local havia uma linha de tendência de alta do gráfico semanal e também um suporte do gráfico diário. Esses suportes impediam a queda do preço, assim, sempre que os ursos batiam no preço, os touros defendiam. Isso formou também um poderoso suporte no gráfico de 5 minutos. Sempre que o preço tocava o suporte, os touros atacavam e o preço voltava a subir.

Gift

Outro cenário em que é possível observar momentum no preço é quando o mercado faz um rompimento importante e na sequência faz um pequeno “descanço”.

Geralmente quando um ativo rompe um suporte ou resistência importante, o preço continua a se mover na direção do rompimento. No entanto, é comum observar um candle de força fazendo um rompimento e na sequência um candle pequeno, praticamente sem sair do lugar. Este candle recebe o nome de “Gift”, justamente porque se trata de um presente que o mercado está deixando.

Conforme mostrado no gráfico, depois que um candle de força levou o preço abaixo do suporte, o ativo formou um candle pequeno, como se estivesse descansando. Quando finalmente o gift foi perdido, ou seja, foi perdida a mínima, ocorreu um forte movimento de queda.

O gift é um dos melhores padrões para se operar, pois sempre proporciona uma ótima relação risco x retorno e normalmente apresenta momentum.

Para finalizar

Certamente, todos gostam de entrar em uma operação e ver o preço seguir na direção do alvo. Ninguém gosta de comprar um ativo e ver o preço cair, mesmo que depois o ativo vá até o alvo.

Para tentar evitar passar “calor”, ou seja, entrar na operação e logo ver o lucro, busque por momentum. Sempre que um ativo tem momentum, ele fará um forte movimento direcional. O que oferece a possibilidade de realizar uma operação rápida e lucrativa.

Espero que esse artigo tenha contribuído para o seu conhecimento e que o ajude a encontrar as oportunidades com momentum.

Caso queira continuar estudando sobre análise técnica, acompanhe a FX Empire. A cada semana novos artigos como esse serão publicados.

Abaixo você pode conferir alguns dos artigos educacionais mais interessantes já disponíveis.

Entendendo o Price Action.

Retrações e projeções de Fibonacci.

Uso das médias móveis no Price Action.

Operando um dos setups mais lucrativos da análise técnica.

Ações europeias caem sob pressão de tecnologia e saúde em meio a aumento de casos da Ômicron

Por Anisha Sircar e Shashank Nayar

(Reuters) – As ações europeias recuaram nesta quarta-feira, uma vez que as infecções recordes de coronavírus deixaram investidores cautelosos e quedas em papéis de tecnologia, saúde e viagens lideraram as vendas nas negociações de baixo volume do fim de ano. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,11%, a 487,98 pontos, com as ações de saúde Novo Nordisk, Novartis e Roche entre as principais perdas, enquanto o sub-índice de tecnologia foi o que mais cedeu , 1,1%. As infecções globais por Covid-19 atingiram um recorde nos últimos sete dias, mostraram dados da Reuters nesta quarta-feira, conforme a nova variante Ômicron saiu de controle, o que manteve trabalhadores em casa e sobrecarregou centros de testagem.

“Com a atividade do mercado reduzida para a temporada de fim de ano, investidores continuam a precificar provisoriamente uma recuperação global atingindo um pequeno solavanco, e não um buraco”, disse Jeffrey Halley, analista de mercado sênior da OANDA. No entanto, analistas têm opiniões divergentes em relação a 2022 conforme persistem os temores de inflação, os riscos do coronavírus e uma crise energética. Muitos acreditam que a inflação elevada pressionará bancos centrais a abandonar a política de acomodação mais cedo do que o esperado.

Em LONDRES, o índice Financial Times avançou 0,66%, a 7.420,69 pontos, com os preços mais altos do petróleo e as poucas perspectivas de bloqueios no país até o final do ano.

Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 0,70%, a 15.852,25 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 perdeu 0,27%, a 7.161,52 pontos. Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 0,37%, a 27.344,25 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 0,17%, a 8.673,70 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 valorizou-se 0,25%, a 5.574,50 pontos.

Ibovespa opera entre perdas e ganhos em sessão volátil

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) – O principal índice da bolsa brasileira variava entre perdas e ganhos nesta quarta-feira, em sessão volátil, diante de clima mais ameno nos mercados internacionais, conforme o feriado de Ano Novo se aproxima e a liquidez diminui.

A principal contribuição negativa para o índice era a Petrobras, enquanto do lado oposto estava a Vale.

Às 11:48, o Ibovespa caía 0,13 %, a 104.728,14 pontos. O volume financeiro era de 3,5 bilhões de reais.

Os principais índices de ações nos Estados Unidos abriram em alta tímida, com o Nasdaq Composite também variando entre os territórios negativo e positivo, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 mostrava pouca variação, com investidores mantendo a variante Ômicron do coronavírus no radar.

O Ibovespa vivia sessão volátil, em meio ao volume baixo das últimas sessões e a falta de catalisadores para o mercado doméstico.

No cenário macroeconômico, o mercado digeria avanço acima da expectativa do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) em dezembro. O dado subiu 0,87% no mês ante projeção de analistas em pesquisa da Reuters de 0,65%.

O tema fiscal também se mantinha no radar do mercado, dada a pressão de algumas categorias de servidores públicos por reajustes salariais, após os policiais federais e rodoviários federais serem contemplados com uma previsão de reajuste no Orçamento de 2022 aprovado pelo Congresso.

Pela manhã, a B3 divulgou a última prévia para carteira teórica do Ibovespa, com inclusão de três ações e retirada de outras duas.

DESTAQUES

– BR MALLS ON subia 3,3% e ALIANSCE SONAE, que não está no Ibovespa, avançava 4,1%, após empresas revelarem conversas iniciais para uma fusão, ainda que ressaltando que nenhuma proposta tenha sido feita oficialmente.

– PETROBRAS PN caía 0,6% e ON e recuava 0,4%. Petróleo Brent tinha leve queda. Também no radar dos investidores, a Petrobras disse que vai recorrer a liminares judiciais que suspenderam reajustes do preço do gás natural acertados com distribuidoras em alguns Estados.

– VALE ON subia 0,9% e ações de empresas de siderurgia também avançavam.

– AZUL PN caía 3,3%, GOL PN recuava 2,9% e CVC BRASIL ON cedia 1,3%.

– MAGAZINE LUIZA ON tinha sessão volátil e caía 0,7%, enquanto VIA ON avançava 1%. As duas ações registraram performances positivas nos últimos dias. AMERICANAS ON tinha alta de 0,4%.

– POSITIVO ON disparava 8,2%, CSN MINERAÇÃO ON operava estável e 3R PETROLEUM tinha alta de 2,7%. Ações foram incluídas ou tiveram adição mantida na terceira prévia da carteira teórica do Ibovespa para o período entre janeiro e abril de 2022. INTER PN e GETNET UNIT, que foram retiradas, caíam 0,1% e 1,3%, respectivamente.

Wall St tem 5° pregão de alta; S&P 500 toca máxima recorde

Por Medha Singh e Bansari Mayur Kamdar

(Reuters) – O S&P 500 rondava máximas recordes nesta terça-feira, com a confiança na economia dos Estados Unidos ajudando investidores a afastar preocupações sobre interrupções de viagens e fechamentos de lojas causados pela variante Ômicron do coronavírus, com Wall Street estendendo um rali de quatro dias em meio a baixos volumes de negociação.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA encurtou o tempo de isolamento recomendado para norte-americanos com casos assintomáticos de Covid-19 para cinco dias, ante orientação anterior de dez dias.

A atualização da orientação do CDC, associada às aprovações de novos comprimidos e mais vacinas contra a Covid-19, ajudou o mercado a olhar além dos milhares de cancelamentos de voos e do fechamento das lojas da Apple em Nova York devido ao aumento de casos da doença, deixando os três principais índices de Wall Street a caminho de ganhos mensais.

“Esta mudança de política está enviando a mensagem de que (a Covid) está se tornando mais parecida com a gripe e menos com as variantes que vimos no início, quando não tínhamos tratamentos, nem vacinas e era muito mais mortal”, disse Thomas Hayes, membro gerente da Great Hill Capital, em Nova York.

O S&P 500 e o Nasdaq registraram na segunda-feira sua melhor sequência de quatro dias desde novembro de 2020, com o S&P 500 fechando em pico histórico.

Entre os 11 principais setores do S&P 500, oito eram negociados em alta nesta terça-feira, com o índice financeiro liderando os ganhos.

Às 12:45 (de Brasília), o índice Dow Jones subia 0,48%, a 36.476,78 pontos, enquanto o S&P 500 ganhava 0,15%, a 4.798,30 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq Composite recuava 0,05%, a 15.863,71 pontos.

(Por Medha Singh em Bengaluru)

Índice cai com peso de Vale e fiscal no radar

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) – O principal índice da bolsa brasileira cai nesta terça-feira, sob influência negativa das ações de Vale e de empresas siderúrgicas, ainda que o humor siga favorável aos ativos de risco no exterior.

Às 11:30, o Ibovespa caía 0,72%, a 104.791,65 pontos. O volume financeiro era de 3,5 bilhões de reais. A liquidez segue baixa por causa dos feriados de final de ano — o volume financeiro tem se mostrado cerca de metade do que era nos pregões no início de dezembro.

A Vale era principal contribuição negativa para o índice, enquanto Petrobras estava na ponta oposta.

A diminuição dos receios com a variante Ômicron da Covid-19, aliada a um otimismo de final de ano, seguia dando suporte às bolsas na Europa, enquanto os índices ligados à renda variável nos EUA reduziram os ganhos de mais cedo.

O Ibovespa não vem seguindo cegamente o bom humor do mercados internacionais e somou apenas uma alta nos último três pregões completos. Analistas destacam questões internas como o ciclo de alta de juros em andamento no Brasil e as incertezas políticas e fiscais como fatores que limitam o índice.

Na cena fiscal, está no radar do mercado a entrega de cargos por auditores da Receita Federal, na esteira de aprovação no Congresso de Orçamento de 2022 com uma reserva de 1,7 bilhão de reais para reajustar salários de policiais. Segundo o Sindifisco, a liberação desses recursos foi possível por meio de cortes nas verbas da Receita em 2022.

Contrapõem-se ao cenário de mais cautela a queda na taxa de desemprego no Brasil para 12,1% no trimestre encerrado em outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ante expectativa de taxa a 12,3% em pesquisa Reuters com analistas.

DESTAQUES

– VALE ON caía 2%, CSN ON cedia 0,9%, USIMINAS PN recuava 1,9% e GERDAU PN tinha queda de 1,3%, após contratos futuros do minério cederem 3,4% em Dalian, devido a preocupações com excesso de oferta, já que as usinas retomarão a produção nos próximos meses. No caso da Vale, ainda houve contratempo nas negociações envolvendo sua joint venture Samarco — em conjunto com o grupo anglo-australiano BHP — com credores em conversas para um acordo de recuperação judicial.

– PETROBRAS PN tinha alta de 0,3% e ON operava estável. Petróleo Brent subia 0,7% no mercado internacional.

– ITAÚ UNIBANCO PN caía 0,5% e BRADESCO PN cedia 0,6%, após à divulgação de estatísticas mensais de crédito pelo Banco Central. O estoque total de crédito no Brasil subiu 1,8% em novembro sobre outubro, enquanto a inadimplência no segmento de recursos livres teve leve alta, e o spread bancário no mesmo segmento subiu a 23,4 pontos percentuais.

– VIA ON subia 0,2% e MAGAZINE LUIZA ON caía 0,8%, após ações dispararem na véspera com otimismo dos investidores com o setor de varejo.

– ASSAÍ ON caía 3,3%, quarta sessão consecutiva de baixa.

Ecorodovias pode iniciar queda livre!

As ações da Ecorodovias realizaram um belo movimento de alta entre abril de 2019 e janeiro de 2020. Infelizmente com a pandemia a empresa perdeu mais de 50% do valor de mercado e depois da queda entrou em uma grande consolidação.

Conforme mostrado, a figura formada foi um triângulo simétrico. Geralmente essa é uma figura de reversão, mas a mesma foi rompida para baixo, o que deu impulso para uma nova queda.

As linhas tracejadas representam importantes suportes que o ativo criou em anos anteriores. Com a crise econômica gerada pela pandemia, as ações da Ecorodovias caíram até a região do suporte, que segurou o preço duas vezes. Com o movimento de queda após o rompimento do triângulo, o suporte foi testado novamente.

O suporte segurou o preço por várias semanas, mas em um forte movimento de baixa, o suporte foi rompido, abrindo caminho para a continuidade da queda.

Com a forte queda das últimas duas semanas, o ativo alcançou o primeiro alvo da consolidação formada sobre o suporte.

Observando o gráfico diário, é notado que o alvo vem se comportando como um suporte, segurando o preço por diversos dias. No entanto, a força vendedora continua pressionando o preço para baixo e hoje o suporte está sendo rompido.

Papel vai entra em queda livre?

Conforme mostrado no gráfico, o segundo alvo projetado pelo retângulo está justamente sobre o outro suporte que foi destacado pela linha tracejada.

Caso o suporte segure o preço, e um padrão de reversão seja formado, é provável que o ativo consiga fazer um movimento de alta para se afastar do fundo. Entretanto, se o suporte for perdido, o caminho estará livre para um novo movimento de queda.

Observando o gráfico mensal para verificar onde se encontra o próximo suporte, é visto que o fundo formado em janeiro de 2016 é a região de suporte mais evidente.

Caso o suporte da região dos R$6,70 seja perdido, o ativo terá caminho livre até a região dos R$2,90, que é onde se encontra o suporte de 2016.

No entanto, traçando os alvos do triângulo que foi rompido, é visto que o alvo de 100% está na região dos R$5,50. Normalmente o alvo de uma figura se comporta como um suporte para movimentos de queda. Assim, também é possível que o ativo caia até essa região de preços e consiga subir na sequência.

De qualquer forma, o cenário não está propício para a empresa. A menos que algo muito bom aconteça, como um ótimo resultado do quarto trimestre, por exemplo, é esperado que o preço das ações continue caindo.