O que esperar de 2022?

Até junho, o Ibovespa alcançava os 130 mil pontos, maior marca para o índice desde sua criação.

Mas, de lá para cá, o índice caiu e agora está próximo dos 105 mil pontos. O que esperar de 2022?

Juros maiores e inflação em queda

Se o juro em 9,25% ao ano, já está elevado, em 2022, é provável que a Selic alcance níveis ainda maiores.

Na próxima reunião do COPOM, já está praticamente certo que haverá mais um aumento de 1,5% na taxa de juro, havendo a possibilidade de mais aumentos nas próximas reuniões.

Tudo vai depender da resposta da inflação. Se o IPCA se manter comportado e em queda, é provável que mais um aumento pequeno seja feito e assim, o juro fique nivelado por um bom tempo, quem sabe por 2022 todo.

O dólar tinha grandes chances de terminar 2021 próximo dos R$ 5,00, mas não foi isso que aconteceu. Com mais juros e uma inflação menor, é provável que o dólar caia em 2022.

Mas tudo isso vai depender de alguns fatores, como a inflação. Por outro lado, as contas públicas e o crescimento do PIB podem acabar influenciando a inflação.

Caso haja mais despesas e o equilíbrio das contas públicas seja afetado em 2022, a inflação pode pressionar mais ainda a economia. Com um crescimento baixo, a inflação perde força e isso pode gerar estabilidade nos preços.

Enfim, são muitos indicadores que devem ser acompanhados daqui para frente, para conseguir determinar qual será a rota da bolsa e dos mercados.

Quais são as oportunidades em 2022?

A renda fixa será um dos principais focos dos investidores para 2022. Títulos atrelados ao CDI e a Selic são aqueles mais interessantes.

Depois existem os títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA e os CDB, LCI e LCA atrelados à inflação mais juros prefixados.

Acompanhados desses papéis de renda fixa, o investidor também deve olhar para ativos atrelados ao exterior, como é o caso dos ETFs que seguem o índice S&P 500.

Só em 2021, o S&P 500 subiu quase 30%, portanto, manter uma parcela do patrimônio alocado em tal índice é importante. Na bolsa de valores já há outras alternativas atreladas a outros índices de outros mercados, como é o caso do ETF EURP11 que segue um índice europeu.

Outro investimento atraente são as criptomoedas e ativos virtuais, como é o caso das NFTs. A melhor forma de investir neles é por meio de fundos de investimento. Uma vez que tais ativos são novos e possuem certa complexidade, tanto na negociação, manutenção, quanto na análise.

Por fim, nós temos as ações, ETF e BDR. Esses ativos devem ser analisados com bastante cuidado, uma vez que 2022 podemos ser muito voláteis para os mesmos. Mas, é possível que boas oportunidades apareçam e o investidor deve estar preparado para reconhecer esses momentos.

Brasil pode ter superávit primário em 2021.

O Brasil não consegue fechar as contas públicas no positivo desde 2013. Se conseguir tal feito, o que podemos esperar do Brasil em 2022?

2022 será um ano mais complicado

Aparentemente muitos indicadores relevantes sobre a economia vem dando sinais positivos. O desemprego está em queda, o Brasil terá crescimento substancial do PIB em 2021 e as contas públicas podem fechar no positivo, mas, as expectativas e alguns sinais, dão a entender que tal cenário, positivo, pode não perpetuar em 2022.

Com a inflação e o juro em alta, a atividade econômica pode diminuir. Essa redução, normalmente, é acompanhada de desemprego e queda do PIB.

Dentre todos os indicadores, o crescimento do PIB é aquele que sugere a possibilidade de uma estagnação em 2022.

No decorrer de 2021, o PIB dava sinais de crescimento, podendo chegar aos 5% ou mais, porém,  no meio de 2021 para frente, as expectativas mudaram e os indicadores referentes ao PIB mostraram que o crescimento, provavelmente, não alcançará os 5%.

Mesmo que haja crescimento no PIB, ele já vem perdendo força em 2021 e provavelmente ficará mais fraco em 2022. Isso sugere dificuldades no ano que vem.

O juro alto e a inflação acima da meta também vão influenciar no recrudescimento econômico. Por mais que haja mais pessoas empregadas, a renda das pessoas diminuiu boa parte, por conta da inflação.

A correção de salários e os aumentos que vão ocorrer no ano que vem, provavelmente vão alimentar ainda mais a inflação. Tudo isso, tende a conturbar mais ainda o ano de 2022.

Ibovespa em alta

No último pregão do ano, o Ibovespa conseguiu alcançar valorização de 0,69%. No ano de 2021, a queda foi de 11,81%.

Já o S&P 500 caiu no último pregão. A retração do índice foi de 0,30%, mas com valorização de 29,13% em 2021.

O dólar registrou forte queda frente ao real. A desvalorização do USD/BRL chegou a 2,31%. Com a bolsa mais volátil, o investimento em ações, ou em outros ativos negociados em bolsa pode ser mais difícil em 2022.

Observando essa volatilidade, a renda fixa aparece como ótima alternativa de investimento. O juro provavelmente vai subir mais 1,5% ainda na primeira reunião do COPOM em 2022 e há expectativas que mais aumentos possam ocorrer.

Sendo assim, papéis atrelados ao CDI, ou à Selic, são alternativas interessantes, tanto devido à rentabilidade quanto pela segurança e liquidez.

Brasil registra superávit em Novembro

Em novembro, o Tesouro Nacional registrou superávit de 3,8 bilhões de reais. O governo federal vem esperando um déficit de 0,4% em 2021, valor próximo dos 40 bilhões de reais, considerando o PIB de 2020 mais um crescimento de 5%.

Ao somar os resultados de janeiro até novembro, o déficit está em 49,3 bilhões de reais. Como podemos ver, o governo espera por mais um superávit em dezembro para conseguir fechar o déficit com 0,4% do PIB, ou um PIB maior.

Contas públicas estão, ou não sob controle?

Por um lado nós temos aumento dos gastos públicos, por meio de novos programas sociais e liberação de emendas, do outro há sinais claros que a arrecadação está aumentando.

Com dados e expectativas inversas, fica difícil determinar o que está ocorrendo e o que pode acontecer.

O déficit de 2021 provavelmente vai ficar abaixo das expectativas do início do ano. Lá no início de 2021, o governo acreditava que o déficit poderia ficar em 1,1% do PIB, número que provavelmente será menor.

O desemprego também vem caindo. Porém, o PIB não está se desenvolvendo. O mercado e o governo esperavam alta do PIB acima dos 5%, porém é provável que o PIB cresça abaixo desse patamar.

Outro ponto que vem perturbando o mercado é a inflação alta e o juro alto. Os dois indicadores, provavelmente, vão permanecer elevados em 2022 também.

Coisa que pode prejudicar as contas públicas e o desenvolvimento do PIB. Portanto, os dados de hoje provavelmente serão piores em 2022.

O que precisamos identificar é se essas expectativas, de um cenário pior, vão se concretizar, ou não.

Se não, é provável que a renda variável comece a reagir e volte aos patamares mais elevados, como os 130 mil pontos que o Ibovespa alcançou em junho de 2021.

Mas, se o mercado cumprir com as expectativas negativas, então o momento deverá ser da renda fixa, com olho na renda variável para capturar oportunidades.

Ibovespa em queda S&P 500 em alta

Hoje foi mais um dia de queda do Ibovespa. O principal índice da bolsa brasileira caiu 0,72%, sendo que o S&P 500 subiu 0,14%. O dólar por sua vez terminou o dia cotado a R$ 5,70, alta de 1,33% frente ao real.

Com um mercado tão volátil, a renda fixa vem se consolidando como uma das melhores alternativas para 2022.

Desemprego em queda

Taxa inferior em comparação ao mesmo trimestre móvel de 2020, quando o desemprego estava em 14,6%.

Mas, mesmo com mais empregos no mercado, a renda da população vem caindo. Realizando a mesma comparação entre os trimestres móveis de 2020 e 2021, a queda na renda foi de 11,1%.

Boa parte dessa queda está vinculada à inflação. Querendo ou não, em 2021, o IPCA vem crescendo e até o momento está em 10,74% nos últimos 12 meses.

Inflação e poder de compra

Com mais pessoas empregadas, é possível que mais pessoas venham a se tornar ativas no mercado, consumindo, porém, com a inflação alta, o poder de compra fica reduzido, fato que vai contribuir para um consumo mais tímido.

Mesmo aqueles que já estavam empregados, podem enfrentar problemas em manter o poder de compra e o padrão de vida.

Na verdade, tudo isso gera dúvidas para 2022. Com o novo ano, muitos trabalhadores vão sofrer correções em seus salários.

O aumento vai proporcionar mais pressão sobre os resultados das empresas, fato que pode exigir maior repasse nos preços, coisa que funciona como um combustível para a inflação. Se 2021 já foi um ano difícil, 2022 pode ser ainda mais complexo.

Mercados em baixa

Hoje foi um dia negativo para as bolsas. No início do dia, até houve um movimento de valorização, mas até o final do dia, as bolsas caíram.

O Ibovespa fechou o dia em queda de 0,6% enquanto o S&P 500 fechou com retração de 0,10%. O dólar ficou estável, cotado a R$ 5,63.

A volatilidade do mercado nacional provavelmente vai permanecer em 2022. Observando isso, o investidor precisa analisar melhor as oportunidades na renda fixa e em investimentos no exterior.

Com a crescente entrada de ETF e formação de fundos de índices, há diversas oportunidades de investimento.

Enquanto ETFs que acompanham os mercados brasileiros, como é o caso de BOVA11 e SMAL11 amargaram queda de 11,42% e 16% em 2021, IVVB11, ETF que segue o S&P 500, vem alcançando valorização de 39,48%.

Além do IVVB11 e de outros ETF que seguem o mercado norte americano, há também opções focados em outros mercados, como é o caso de EURP11 (que segue o índice MSCI Europe).

Só em 2021, o ETF vem ganhando mais de 18%. Ao diversificar a carteira com investimentos de outras regiões os riscos diminuem e cresce a oportunidade de conseguir ganhos mais consistentes e com menos volatilidade.

Último Boletim Focus do ano

A redução foi pequena, mas ao considerar a elevada inflação que existe, mais uma semana de retração nas expectativas traz mais tranquilidade ao mercado.

Com relação ao juro, o mercado ainda espera a Selic por volta dos 11,5% em 2022, sendo que para 2023 é esperado Selic em 8% e 7% em 2024.

Mercados em alta

Hoje foi um bom dia para os mercados. O S&P 500 registrou alta de 1,38% enquanto o Ibovespa fechou o dia em alta de 0,63%.

O dólar fechou o dia em queda de 0,82%, cotado a R$ 5,63. A expectativa é que os mercados continuem bem até o final de semana.

Normalmente, os últimos dias do ano são marcados por um bom desempenho dos mercados, devido ao fechamento do ano.

Na tentativa de rentabilizar fundos e carteiras, muitos gestores e investidores veem o final do ano como uma oportunidade de incrementar os desempenhos da carteira.

Bom humor continua em 2022?

Há muitas dúvidas com relação ao bom humor dos mercados para 2022. O ano de 2021 não foi livre da pandemia e além da COVID-19, o mundo enfrentou diversos outros problemas, como é o caso da crise imobiliária na China, as variantes da COVID-19, além da alta inflação.

Mas ainda sim, mesmo com tantos problemas, os mercados reagiram e entregaram ótimos resultados. Só o S&P 500 vem registrando valorização de 29,47%.

Já com relação ao Brasil, a inflação aconteceu mais rápido e com mais força do que o esperado.

Com receio da influência da inflação, o Banco Central subiu o juro. Se antes havia uma Selic de 2% ao ano, agora a taxa de juro está em 9,25%, sendo esperado um juro ainda maior para 2022.

Como o juro está elevado e a inflação também, a renda fixa ganhou notoriedade em 2021 e tem tudo para iniciar 2022 no centro das atenções.

Tanto letras do Tesouro quanto títulos, como os CDBs, LCIs e LCAs são ativos interessantes para se manter na carteira.

Dentre as opções de CDB, LCI, LCA e letras do Tesouro, aquelas mais vantajosas no momento, são as pós fixadas e atreladas ao IPCA.

As prefixadas, que possuem a rentabilidade atrelada à taxa de juro prefixada, ainda não são tão interessantes, devido a probabilidade de a Selic subir ainda mais.

Quando a Selic estabilizar e a inflação mostrar sinais de queda, aí as prefixadas entram no radar para serem adquiridas.

2021, um ano de mudança de estratégia.

Ainda em 2021, em meados de junho, o Ibovespa alcançava os 130 mil pontos, enquanto o dólar chegava à casa dos R$ 5,00. Ainda no final do mês de junho, o dólar beirou os R$ 4,90.

Momento onde as coisas pareciam se estabilizar e havia uma expectativa de melhora da economia. Mas a inflação começou a ficar mais forte, o PIB não cresceu de forma esperada e os juros começaram a subir.

Da renda variável para renda fixa

A mudança de estratégia ocorreu a partir do momento em que a inflação se tornou forte o suficiente para puxar a alta da Selic.

Com a alta da inflação e a alta do juro, ativos de menor risco, como as letras do Tesouro, CDB, LCI e LCA se tornaram muito mais atraentes.

Tanto os títulos pós fixados quanto os pré-fixados começaram a render mais. Conforme o a inflação medida pelo IPCA foi subindo, as expectativas com relação ao aperto monetário foram sendo corrigidas, havendo mais aumentos.

Desse modo, as expectativas sobre o juro futuro também foram corrigidas. Se antes era difícil ver uma letra do tesouro IPCA pagando 5% mais inflação, agora tal rentabilidade é fácil de ser vista, inclusive, houve um momento onde a taxa chegou a ultrapassar os 5,5% mais IPCA.

Já as letras prefixadas que só possuem a taxa prefixada como rendimentos chegaram a ultrapassar os 12% ao ano.

O Tesouro Selic, que possui rendimento atrelado a própria taxa de juro, estava pagando 2% ao ano, mas até o final de 2021, passou aos 9,25%, conforme alta da taxa Selic.

Tudo isso vem colaborando para atrair a atenção dos investidores que preferem menos riscos e ganhos mais estáveis.

A renda variável morreu?

Não, mas os ganhos com a renda variável serão mais difíceis. As expectativas são de tempos mais difíceis para a renda variável, principalmente considerando as eleições do ano que vem.

A cada pesquisa, o mercado pode reagir de forma diferente. Ao analisar as eleições que ocorreram nos últimos anos, ao menos nas duas últimas eleições presidenciais, os mercados ficaram muito voláteis e isso não trouxe bons rendimentos para aqueles que investem no longo prazo.

Mas, existe sim a possibilidade de aproveitar oportunidades pontuais. Em momentos de forte queda, investimentos, como os ETF e fundos passivos de índices, podem ser ótimas alternativas.

Previa da inflação termina 2021 com alta de 10,42%.

Mesmo com uma alta expressiva, de 0,78% em dezembro, o IPCA-15 ainda terminou abaixo dos 1,02% registrados em dezembro de 2020 ou dos 1,17% em novembro. A inflação ainda persiste, mas a força aparenta estar menor e mais controlada.

Inflação mais fraca beneficia juros futuros?

Sim, de certa forma sim. O juro futuro pode sofrer correções com uma inflação mais fraca, ou ficando abaixo das expectativas do mercado.

Isso acontece porque a percepção que os preços vão permanecer subindo, cai e a necessidade de juros maiores no sistema, também reduz.

Portanto, aquelas letras do Tesouro Direto, que possuem rentabilidade prefixada (como as letras do tesouro IPCA e Prefixados) vão se beneficiar no curto e médio prazo.

Em 2021, tais letras chegaram a registar alta substancial em suas taxas e redução drástica no valor do principal.

Até que haja uma correção dos valores, principalmente das letras de longo prazo, levando o valor das mesmas para algum patamar mais próximo, ou similar ao do início de 2021, pode demorar.

Ibovespa cai e dólar fica praticamente estável.

Com mais um dia de queda no mercado nacional, o Ibovespa fechou o dia com queda de 0,37%. O S&P 500 por sua vez subiu 0,75%.

O ETF que segue o S&P 500 aqui no Brasil, conhecido como IVVB11, registrou alta de 0,65% hoje, terminando cotado a R$ 292,12.

Só em 2021, o ETF IVVB11 vem se valorizando em mais de 38%, enquanto o Ibovespa amarga queda de 11,78%.

O dólar por sua vez terminou o dia com ligeira alta de 0,2%. No momento a bolsa brasileira está bem volátil.

Outros ativos que compõem a bolsa, como os fundos imobiliários, também não vem tendo um bom ano.

O IFIX, principal índice da bolsa de valores do Brasil, vem registrando depreciação de 5,2%. Mas, mesmo com a queda do índice, há muitas oportunidades interessantes dentro do mercado de FII.

Como os fundos são ótimas alternativas para a construção de renda no curto e longo prazo, o investidor pode ter acesso a fundos que vem entregando distribuições mensais superiores a ordem de 1%.

Ou seja, é o equivalente a investir R$ 100,00, e receber mensalmente R$ 1,00. Observando a queda nos valores das cotas, há diversas oportunidades dentro do mercado de FII, para construir uma boa carteira com pouco valor e ter um bom nível de renda.

Havendo ainda a possibilidade de lucrar com a valorização, caso as coisas se arrumem no Brasil e no mundo.

IPCA-15 fecha ano a 10,42%, maior taxa em 6 anos

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) – O IPCA-15 indicou que a inflação “oficial” no Brasil deve encerrar 2021 no patamar mais elevado em seis anos, bem acima de 10%, mantendo os temores no país sobre pressões de preços e perspectiva de contínuo aperto da política monetária.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,78% em dezembro, de uma alta de 1,17% no mês anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os resultados ficaram praticamente em linha com as expectativas em pesquisa da Reuters com economistas, de alta de 0,80% na comparação mensal e de 10,45% na base anual.

O IPCA-15 é considerado uma prévia do IPCA, este referência para o regime de metas de inflação perseguido pelo Banco Central.

Apesar da desaceleração na taxa mensal, o IPCA-15 encerrou o ano de 2021 com avanço acumulado de 10,42% nos 12 meses até dezembro, muito acima da meta oficial –de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA.

Essa é a maior taxa acumulada até o mês de dezembro desde 2015, quando o IPCA-15 fechou em 10,71%, e mostra uma forte disparada em relação à alta de 4,23% registrada nos 12 meses até o último mês de 2020.

Confirmando-se que o IPCA fechará bem acima do teto da meta, o Banco Central terá que divulgar uma carta explicando os motivos de o objetivo não ter sido cumprido, o que aconteceu pela última vez em 2017. Naquela ocasião, porém, a carta teve de explicar por que a inflação terminou o ano abaixo do piso da meta, e não acima, como acontecerá em 2021.

O ano ainda foi marcado pela pandemia de Covid-19, que afetou a cadeia de oferta global e provocou alta dos preços em todo o mundo.

A economia brasileira também teve pela frente alta de commodities e desvalorização da taxa de câmbio.

Diante da forte pressão inflacionária, o Banco Central intensificou o aperto monetário, e a Selic fecha o ano a 9,25%, taxa determinada no início de dezembro, depois de ter começado 2021 na mínima histórica de 2,0%.

GASOLINA

O maior aumento de custo dentro do IPCA-15 veio do grupo Transportes, uma vez que os preços desse grupo dispararam 21,35% em 2021.

Ele também exerceu a maior influência em dezembro, com alta de 2,31%, diante do salto de 3,40% dos combustíveis. A gasolina contribuiu com o maior impacto individual do mês ao subir 3,28%, com etanol (4,54%) e óleo diesel (2,22%) também em alta.

Ainda em 2021, os custos de Habitação dispararam 14,67%, enquanto os de Artigos de residência tiveram alta acumulada de 12,18%. Já Alimentação e Bebidas, com importante peso sobre o bolso dos consumidores, subiu 8,68%.

Em dezembro, Habitação teve alta de 0,90%, com a inflação da energia elétrica em 0,96% em meio à bandeira Escassez Hídrica. Alimentação e bebidas subiu 0,35%, e Artigos de residência avançou 1,19%.

Para 2022, a meta de inflação cai a 3,50%, também com margem de 1,5 ponto para mais ou menos. O mercado calcula que o IPCA terminará o próximo ano com alta de 5,03%, segundo a mais recente pesquisa Focus do BC, com a Selic a 11,50%.

Dívida Pública aumentou 2,34% em Novembro.

Com o aumento da dívida e a queda das expectativas com relação ao PIB, o percentual da dívida vai aumentar.

Mais despesas com menos receitas não é bom para as contas públicas, isso influencia negativamente na confiança do investidor junto ao Brasil.

PIB menor e dívida maior em 2022

Mesmo com a reforma previdenciária, a dívida brasileira tende a crescer em 2022. Se o PIB aumentasse junto da dívida, ou com força superior às despesas, a relação dívida/PIB poderia ser mais favorável, mesmo em um ano onde o déficit fiscal é certo.

Porém, o mercado espera um PIB menor em 2022, fato que vai contribuir ainda mais para a deterioração da parte fiscal. Em outras palavras, 2022 será um ano complexo para as contas públicas.

Se o PIB subir menos de 1% e a dívida continuar aumentando, como vem crescendo em 2021, as coisas em 2022 e para os próximos anos serão difíceis.

Aumento da arrecadação em novembro

Em paralelo às más notícias referentes à dívida pública há também boas notícias. A receita federal publicou dados nessa semana referente à arrecadação de novembro.

No mês de novembro a receita arrecada valor recorde para o mesmo (desde 1995, início da série histórica). O valor total arrecadado foi de mais de 157 bilhões de reais, havendo um aumento de 1,41% sobre o valor arrecadado referente ao mês anterior.

Esse percentual de aumento já compreende a correção pelo IPCA também, portanto estamos falando de ganhos reais.

Mas ainda sim, mesmo com um recorde de arrecadação, o governo federal gastou mais e conseguiu aumentar a dívida no mês de novembro.

Sem dúvidas, o momento é de análise e cuidado nos investimentos. Enquanto os dados são divulgados pelos órgãos competentes, os mercados vão andando, hoje o Ibovespa terminou o dia em queda de 0,24%, enquanto do S&P 500 registrou alta de 1,02%.

Mesmo com a queda do principal índice da bolsa brasileira, o dólar também caiu frente ao real. A cotação do dólar terminou o dia em R$ 5,65, queda de 1,6%.

A forte queda do dólar mostra como há muita volatilidade em nosso câmbio. Com tanta oscilação, inclusive na bolsa, o negócio no momento, é focar as atenções na renda fixa (a fim de conseguir bons ganhos no curto prazo) e capturar oportunidades na renda variável, visando o longo prazo.

Schnabel, do BCE, diz que ritmo e magnitude da queda da inflação são incertos, segundo jornal

FRANKFURT (Reuters) – O Banco Central Europeu está confiante de que a inflação irá cair no próximo ano, mas o ritmo e a magnitude da queda são mais incertos, disse Isabel Schnabel, membro do Conselho do BCE, ao jornal francês Le Monde.

Na semana passada o BCE projetou que o aumento dos preços ao consumidor voltará a ficar abaixo de sua meta de 2% até o quarto trimestre de 2022, mas as declarações de Schnabel indicam alguma incerteza em torno dessa projeção.

“Sabemos que a inflação ficará elevada por um certo período de tempo, mas também que ela irá cair ao longo do próximo ano”, disse Schnabel, chefe de operações de mercado do BCE.

“Temos menos certeza em relação à velocidade e força da queda.”

(Reportagem de Balazs Koranyi)