Programa da Petrobras Mais Valor alcança R$9 bi em operações realizadas

RIO DE JANEIRO (Reuters) – O programa de fomento ao desenvolvimento da cadeia produtiva de óleo e gás da Petrobras chamado Mais Valor alcançou 9 bilhões de reais em operações realizadas, após um ano do seu lançamento, informou a companhia em comunicado à imprensa nesta quinta-feira.

Com a iniciativa, os fornecedores da companhia têm acesso facilitado, junto aos bancos parceiros, ao recebimento antecipado do valor de notas fiscais de bens e serviços entregues.

Segundo a companhia, durante um ano, mais de 55 mil faturas foram antecipadas, com mais de 1,7 mil fornecedores cadastrados e habilitados no programa.

Uma das vantagens do programa é que as instituições financeiras verificam a capacidade e o risco de crédito da Petrobras, não do fornecedor.

Conforme o programa, o fornecedor cadastrado na ferramenta recebe um e-mail sempre que tiver faturas disponíveis para antecipação. As transações ocorrem por meio de um leilão reverso, vencido pela instituição financeira que fizer o lance com a menor taxa de juros.

“O mecanismo resulta em taxas de desconto mais atrativas para os fornecedores”, disse a petroleira.

O valor mínimo das faturas a serem adiantadas é de 1 mil reais e não há valor máximo. Empresas de qualquer porte podem aderir ao programa e não há qualquer limitação de nicho, apenas que sejam fornecedores diretos da Petrobras.

A dinâmica do Mais Valor é 100% digital, por meio da plataforma da Monkey, startup parceira do programa.

 

(Por Marta Nogueira)

Petrobras renova ‘Registro de Prateleira’ junto à SEC

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Petrobras renovou seu Registro de Prateleira (shelf registration) na Securities and Exchange Commission (SEC, na sigla em inglês, órgão que regula o mercado de capitais dos EUA), informou a companhia em comunicado ao mercado nesta quarta-feira.

A medida, segundo a petroleira, permite que a empresa oferte valores mobiliários no mercado de capitais norte-americano de forma ágil e abrangente, aproveitando as oportunidades de mercado, com objetivo de reduzir custos e facilitar a gestão de sua dívida.

A renovação, segundo a Petrobras, ocorre após a conclusão de obrigações previstas em acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), em outubro, e a qual permite à Petrobras o retorno ao status de emissor frequente, denominado Well-Known Seasoned Issuer (WKSI).

O shelf registration tem validade de três anos.

Petrobras assina termos que permitem acesso de outros agentes aos dutos da TAG

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Petrobras assinou com a Transportadora Associada de Gás (TAG) instrumentos que possibilitam o acesso de outros agentes ao sistema de transporte da TAG a partir de 2022, informou a petroleira em comunicado nesta quarta-feira.

Segundo a empresa, foram assinados um Acordo de Redução de Flexibilidade de uso pela Petrobras e aditivos aos Contratos de Transporte de Gás Natural Malha Nordeste, Gasene e Pilar-Ipojuca.

A celebração do acordo e dos aditivos, disse a Petrobras, foi realizada após a aprovação da reguladora ANP e está em consonância com compromisso assumido pela companhia junto ao órgão antitruste Cade em 2019.

 

(Por Marta Nogueira)

Queda do petróleo foi exagerada, segundo analista do Goldman Sachs

Para o estrategista do banco Goldman Sachs, Damien Courvalin, a recente queda dos preços do petróleo foi muito maior do que deveria quando se leva em conta os efeitos potenciais da nova variante do coronavírus, a ômicron.

Desde a sexta-feira da semana passada (24/11) o Brent e o WTI caíram cerca de 13%, devido às preocupações de que a nova variante prejudique a demanda global.

Esse movimento foi considerado exagerado, conforme cálculos feitos por Courvalin.

“A falta de atividade de compra discricionária em face de uma nova variante COVID incerta, portanto, deixou os preços em queda livre e precificação em uma perspectiva de demanda terrível. Estimamos com base em nosso modelo de precificação, que o mercado agora precificou uma queda na demanda de 0,7 mb/d [milhões de barris por dia] nos próximos três meses, sem nenhuma resposta compensatória da OPEP+”. 

Queda foi incoerente com a realidade

Para Courvalin, a precificação do petróleo pelo mercado em geral é compatível com três cenários radicalmente incoerentes com qualquer estimativa sobre possíveis efeitos do novo evento sobre a demanda futura.

“Para colocar em contexto, isso representaria qualquer um destes resultados extremos: (1) nenhum avião voando ao redor do mundo por três meses, ou (2) metade da intensidade do bloqueio global do 2T20, ou (3) um mundo ainda pior do que antes das vacinações.”

Apesar de contra intuitivo, Courvalin entende que o motivo da queda está relacionado ao conjunto de incertezas que permeiam o ambiente econômico internacional.

“Vemos o movimento de queda nos preços como excessivo, mas compreensível no contexto de baixa liquidez de fim de ano e apetite pelo risco. Dadas as grandes incertezas neste momento, aguardamos mais notícias sobre o desenvolvimento da variante e restrições adicionais impostas antes de renovar nossa oferta e balanços de demanda e previsões do preço do petróleo, embora mais uma vez reiteramos nossa visão de que o mercado ultrapassou em muito o provável impacto da última variante sobre a demanda de petróleo com a reprecificação estrutural mais alta devido à mudança dramática na função de reação da oferta de petróleo ainda à nossa frente”.

Cotações

As ações das principais petrolíferas Exxon Mobil e BP caíram 7,2% e 9,8%, respectivamente, nas últimas cinco sessões. 

Já a Petrobras foi na contramão, subindo cerca de 9% desde o dia 24/11, com eventos internos direcionando as expectativas dos investidores.

Até às 12h de hoje (01/12), o Brent segue em alta de 1,38%, cotado a US$ 71,807 o barril, enquanto o WTI subia 1,51%, ao preço de US$ 68,403.

Petrobras desiste de vender o campo de Marlim, na Bacia de Campos

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Petrobras desistiu de vender o campo de Marlim, na Bacia de Campos, ao entender que é um projeto resiliente a baixos preços do petróleo e que adiciona valor à companhia, afirmaram executivos nesta quinta-feira, em teleconferência com analistas de mercado.

“É um ativo que já conseguimos extensão, é um ativo resiliente, que captura valor e está alinhado ao nosso portfólio”, disse o diretor executivo Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Rodrigo Araujo.

“A gente está trazendo o ativo (de Marlim) de volta para a carteira, tirando do processo de desinvestimento, isso é natural para o processo de gestão do nosso portfólio, que é contínuo.”

 

(Por Marta Nogueira)

Petrobras retoma construção de 2ª unidade de refino da Rnest, que permanece à venda

Por Marta Nogueira e Roberto Samora

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Petrobras voltou a prever a construção de uma segunda unidade de refino na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), além de planos para ampliação da primeira, com investimentos de 1 bilhão de dólares entre 2022-2026, segundo seu mais novo plano estratégico.

A decisão, que ocorre enquanto o mercado doméstico tem apresentado crescimento do consumo de combustíveis e dependência de importações, prevê adicionar 145 mil barris por dia de capacidade de processamento à refinaria, para a qual a petroleira busca um comprador.

O diretor-executivo de Refino e Gás Natural da petroleira estatal, Rodrigo Costa, reiterou que a Petrobras reiniciará o processo para a venda da Rnest, após ele ter sido encerrado em agosto, sem ofertas dos interessados.

“O nosso raciocínio, o nosso entendimento é que damos prosseguimento a esse projeto que adiciona valor que nós podemos capturar no processo de desinvestimento”, disse Costa.

O diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores da companhia, Rodrigo Araujo, adicionou que uma indefinição sobre a segunda unidade de refino foi um dos fatores que teriam pesado na ausência de interessados da Rnest. Para ele, a construção poderá ser um mitigador de riscos para o desinvestimento.

A decisão do investimento também acontece enquanto a Petrobras vem sendo pressionada por políticos para controlar preços de combustíveis no mercado doméstico, diante de reflexos de uma escalada das cotações internacionais nos valores apresentados aos consumidores brasileiros, nos postos.

A petroleira não tem hoje capacidade para atender toda a demanda doméstica por combustíveis.

A Rnest entrou em operação em 2014 e é a mais recente refinaria da Petrobras, que foi envolvida em escândalos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato. No último plano estratégico da Petrobras, a companhia apenas citava a unidade no portfólio de desinvestimentos.

Com os novos investimentos, a Rnest terá sua produção ampliada de 115 mil para 260 mil barris por dia (bpd) em 2027, segundo nota da Petrobras.

Questionados por analistas, os executivos não deram mais detalhes sobre os resultados esperados com os investimentos na Rnest, incluindo o retorno do capital a ser empregado. Eles pontuaram, no entanto, que tais aportes são resilientes a todos os cenários da companhia, o que garante robustez ao projeto.

Ainda na área de refino, gás e energia, a Petrobras informou que investirá 7,1 bilhões de dólares nos próximos cinco anos, sendo 1,5 bilhão de dólares na integração entre a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e o GasLub Itaboraí, para a produção de derivados de alta qualidade e óleos básicos, a fim de aproveitar a crescente demanda do mercado de lubrificantes.

No plano anterior, a Petrobras havia estimado investimentos de 3,7 bilhões de dólares na área de refino.

Atualmente, a empresa busca vender oito refinarias e manter apenas as cinco que têm nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, perto dos principais mercados consumidores.

O diretor de refino reiterou que a empresa também retomará o processo de investimento Refap e Repar, que também foram interrompidos após a empresa não conseguir negociá-las.

Para as refinarias do eixo Rio-São Paulo, a empresa prevê investir para atingir 100% da produção de diesel S-10 até 2026.

Petrobras anuncia o início da fabricação de módulos de produção da plataforma P-78

SÃO PAULO (Reuters) – A Petrobras informou nesta quarta-feira o início da fabricação dos módulos de produção da plataforma P-78, no estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis (RJ).

A unidade irá operar no módulo 6 do campo de Búzios, maior ativo de águas profundas do mundo, na Bacia de Santos.

“A P-78 é a primeira da nova geração de FPSOs da Petrobras, fruto de mais de dez anos de aprendizado nos ciclos de projeto, construção, partida e operação de plataformas de produção no pré-sal”, disse o diretor de Desenvolvimento da Produção da Petrobras, João Henrique Rittershaussen, em nota.

A plataforma P-78 foi projetada para ter capacidade de processamento diário de 180 mil barris de óleo e de 7,2 milhões de metros cúbicos de gás.

Os módulos são unidades responsáveis pelo processamento de óleo, gás e água e compõem, junto com o casco, as utilidades e o “flare”, toda a estrutura de uma plataforma flutuante desse tipo.

Segundo a Petrobras, essa etapa da obra prevê a fabricação simultânea de dez módulos, dos 21 previstos para a P-78, e deve ser concluída em cerca de 20 meses.

A construção dos demais módulos, do casco e a integração serão realizados na China, Coreia do Sul e Cingapura.

A empresa espera que a plataforma seja entregue em 2024 para ter início da produção em 2025.

 

(Por Laís Morais)

Bank of América vê ibovespa a 125 mil pontos até 2022

Em relatório assinado pelo economista David Beker, o Bank of America (BofA) projeta que o Ibovespa pode retomar os 125 mil pontos até o fim de 2022.

O resultado estimado é quase 4% menor do que o pico de 130 mil pontos que a bolsa brasileira alcançou em 2021.

A justificativa da revisão mais baixa é a perspectiva de juros mais altos, crescimento do risco global e um cenário eleitoral incerto e desafiador.

Com os juros maiores, o custo de capital também aumenta, o que afeta a precificação dos ativos financeiros através dos modelos de fluxo de caixa descontados.

Além disso, o ciclo de alta da taxa Selic torna o custo de oportunidade maior. Como consequência, há a tendência de uma migração de capital da renda variável para a renda fixa.

Para Beker, muitos setores da Bolsa brasileira estão com valuations semelhantes aos observados no fim de 2014, quando as taxas de juros de 10 anos também estavam no patamar de 12% ao ano.

Setores promissores

Entre as ações brasileiras, há algumas que podem se destacar da média geral.

O BofA avalia que os bancos e as empresas do setor de energia, em especial as companhias petrolíferas, devem ser os destaques positivos em 2022. 

Tanto a Petrobras (PETR4) quanto às demais empresas do setor de petróleo tendem a ser favorecidas pelo preço mais alto da commodity no mercado internacional.

Os bancos, por sua vez, devem se beneficiar das taxas de juros mais altas, que permitem um aumento do spread bancário, e da maior demanda por crédito com a reabertura econômica.

Setores para se ter cautela

Já entre as ações que os investidores devem ter atenção estão aquelas que têm seus principais negócios com a China.

Diante da desaceleração do crescimento econômico chinês, com destaque para a crise das incorporadoras imobiliárias daquele país, David Beker acredita que companhias que têm a China como principal cliente devem ser prejudicadas. 

Dentre essas, a mineradora Vale (VALE3) pode ser afetada pela política chinesa de restrição de emissões de carbono e controle da produção de aço. Isso deve diminuir consideravelmente a demanda por minério de ferro na China.

O BofA também chamou atenção para os setores com empresas que tendem a operar com maior alavancagem, como transportes e aluguel de carros. Estas devem apresentar um desempenho mais fraco devido ao aumento do custo do crédito.

Cenário fiscal

As expectativas em relação ao Brasil têm sido fortemente afetadas pelo cenário político e fiscal. O risco de queda do teto dos gastos públicos causaria a percepção no mercado de que o cuidado com o equilíbrio fiscal ficará em segundo plano nos próximos governos.

Para Beker, a recuperação da economia brasileira depende do fortalecimento da credibilidade fiscal do país, que passa pela implementação de reformas que permitam a redução dos gastos obrigatórios do governo federal.

O economista observa que surpresas positivas podem vir da aprovação rápida das reformas, evolução do controle da pandemia, crescimento do PIB mais forte do que o esperado e aceleração da consolidação fiscal.

Entretanto, as condições políticas podem direcionar o cenário para outro lado, como alterações na política de preços de combustíveis e a postergação dos esforços para a aprovação das reformas econômicas.

Investimento em petróleo ficou mais barato em 2021

De acordo com a Rystad Energy, empresa de consultoria de petróleo e gás natural, o preço médio de equilíbrio para novos projetos de petróleo está em cerca de US$ 47 por barril. 

Esse valor representa uma queda de cerca de 8% em relação ao ano passado e 40% desde 2014, com o petróleo em águas profundas permanecendo uma das fontes menos caras de novo abastecimento.

O preço médio de equilíbrio para novos projetos indica o valor por barril que é suficiente para pagar 100% dos custos e despesas dos novos empreendimentos. Nesta conta inclui custos operacionais, de afretamento das plataformas, manutenção do ativo e pagamentos de participações governamentais.

Dizer que o preço de equilíbrio é de US$ 47 por barril significa que só vale a pena investir em novos projetos de exploração de petróleo se o preço por barril estiver, no mínimo, neste patamar.

Segundo a Rystad Energy, o preço de equilíbrio para novos projetos caiu fortemente nos últimos anos.

“Nossa curva de custo de oferta para líquidos indica que, em 2014, um preço do petróleo de cerca de US $ 100 por barril era necessário para produzir 100 milhões de barris por dia (bpd) em 2030. Em 2018, o preço do petróleo exigido estava perto de US $ 55 por barril e, em 2020, caiu para US $ 45 por barril. Nossa última estimativa permanece inalterada este ano em US $ 45 por barril para 100 milhões de bpd de produção em 2030.” disse a empresa de consultoria em análise divulgada ontem (17/10).

Custo médio da Petrobrás

Vale mencionar que este é o preço de equilíbrio para novos projetos. Para os projetos já existentes, que contam com infraestrutura já instalada, os preços de equilíbrio são menores.

A Petrobrás, por exemplo, conta custos operacionais estimados da ordem de US$ 28 por barril, na média do 3T21.

Esse valor foi de cerca de 39% do preço médio do Brent para o mesmo período (US$ 73 por barril).

Após a extração, a Petrobras tem duas opções quanto a destinação dada ao petróleo. Pode refiná-lo e transformá-lo em combustíveis (diesel, gasolina, gás liquefeito de petróleo, etc.) ou exportá-lo para o mercado externo. 

Essa proporção depende da capacidade produtiva e tecnológica das refinarias; dos preços dos derivados e do petróleo exportado e dos custos de Exploração e Produção (E&PO e refino. 

Para cada uma dessas opções, a Petrobras possui custos e preços diferenciados a fim de garantir uma determinada margem tanto para o petróleo refinado, como para aquele cujo destino é a exportação. 

Petróleo hoje

O cenário atual para o petróleo é de incerteza, o que tem gerado forte volatilidade nos mercados. A commodity vem de queda nos últimos dias, após alcançar o nível mais alto desde agosto de 2014.

Os preços atingiram altas de sete anos em outubro, enquanto o mercado se concentrava na rápida recuperação da demanda que veio com o fim dos bloqueios para conter a disseminação do coronavírus.

A alta foi alimentada em parte pela estratégia da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, chamados OPEP+, de aumentar a produção apenas lentamente.

A Agência Internacional de Energia e a OPEP disseram nas últimas semanas que haverá mais oferta disponível nos próximos meses.

Até às 12h23 desta quinta-feira o petróleo Brent caia 0,14%. Já o WTI caia 0,17%, a US$ 78,15 o barril.

Ficará o petróleo inútil no futuro?

Vários analistas e pesquisadores têm trabalhado com a hipótese de que os combustíveis fósseis se tornarão inúteis nas próximas décadas para a construção de cenários. 

Com isso, as questões mais levantadas são: será que é realmente possível? Se sim, o que isso significaria para a economia global? 

Uma nova pesquisa, publicada na revista Nature Energy, sugere que se a transição para a energia verde prosseguir no ritmo projetado pela COP26, teríamos que até metade dos ativos de combustíveis fósseis do mundo podem se tornar inúteis até 2036.

Se esses ativos perderem todo o valor, poderemos enfrentar um crash tão grande quanto a crise financeira de 2008.

No entanto, esse efeito seria compensado pelos usuários de infraestrutura e tecnologia renováveis, que ​​poderiam lucrar com a nova economia, apoiando a criação de novas oportunidades de emprego e construindo uma nova indústria de energia.

Mensurando as perdas 

Na atual taxa de produção projetada, entre US$ 11 e US $14 trilhões podem ser perdidos em ativos retidos. 

Poderíamos estar presenciando uma experiência semelhante à da queda da demanda por petróleo em abril de 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando os preços da commodity despencaram para números negativos. 

A exceção, neste caso, fica por conta do fato de que a demanda não aumentará novamente. Isso significa que as empresas de petróleo e as economias que dependem do setor passarão por dificuldades econômicas significativas. 

Para que a transição tecnológica seja feita sem grandes percalços, os governos precisam planejar a produção do setor, garantindo que as operações de energia de combustíveis fósseis atendam às necessidades de energia durante a transição, mas que o fornecimento não supere a eventual redução da demanda internacional.

Esta previsão segue uma queda nos preços das ações de várias grandes empresas do setor nos últimos cinco anos, incluindo Exxon Mobil, BP e Royal Dutch Shell

No início deste ano, após um período de restrições à pandemia, a ExxonMobil anunciou uma perda de mais de US$ 20 bilhões no último trimestre de 2020. 

A história é semelhante para muitas empresas de petróleo em todo o mundo. Aquelas que sobreviveram à falência durante a pandemia tiveram que lutar para voltar a ficar de pé.  

Avanço das energias renováveis é tendência mundial

No início deste ano, um relatório do think-tank Carbon Tracker afirmou que as ações de combustíveis fósseis e empresas relacionadas perderam US $ 123 bilhões ao longo da última década.

O relatório assinado por Henrik Jeppesen, mostrou que o valor das ofertas de ações em empresas de combustíveis fósseis caiu quase 20% desde 2012, enquanto que as empresas de baixo carbono ganharam terreno na mudança para a energia limpa.

Isso foi observado tanto nos países desenvolvidos quanto nas economias emergentes, sugerindo que se trata de um fenômeno global.   

Henrik Jeppesen ainda afirmou que “o risco climático é real e não pode ser ignorado. Os estoques de energia limpa estão substituindo rapidamente a velha ordem na medida em que os investimentos priorizam o mundo em transação”. 

A mesma previsão é compartilhada pelo Morgan Stanley. Para o banco norte-americano, a indústria do carvão pode desaparecer já em 2033, com estados desenvolvidos como o Reino Unido se comprometendo a encerrar toda a produção de carvão nos próximos cinco anos. Uma vez que o carvão acabar, é apenas uma questão de tempo até que o petróleo e o gás natural surjam como próximas vítimas.

Adaptação

Apesar do cenário nebuloso pela frente, é possível esperar que haja uma luz no fim do túnel para as empresas de combustíveis fósseis.

Não devemos ignorar o fato de que muitas delas têm se concentrado na expansão do portfólio à medida que o investimento em energia renovável se tornou uma obrigação para as empresas de energia.

Isso significa que muitas grandes empresas petrolíferas internacionais continuarão com projetos de energia em larga escala graças à sua experiência e capacidade de investimento. 

Várias delas já investiram significativamente na tecnologia de captura e armazenamento de carbono como um meio de tornar sua produção de petróleo menos intensiva em carbono. Há também investimentos em projetos renováveis, como hidrogênio, vento, energia solar e geotérmica. 

Portanto, é improvável que as grandes petrolíferas se tornem inúteis e desapareçam. No entanto, governos e empresas em todo o mundo devem considerar a taxa na qual essa transição ocorrerá para evitar uma reserva inútil de petróleo, que provavelmente se acumulará à medida que a demanda diminui gradualmente. Isso sim poderia levar a uma crise financeira global.