Campos Neto segue à risca manual e desconsidera desaceleração econômica

Em apresentação do Relatório Trimestral de Inflação, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse ontem (16/12) que a autoridade monetária não vai criar metas para a criação de empregos ou crescimento econômico.

Isso justifica o aperto monetário implacável feito pela instituição desde março deste ano, mesmo sobre o contexto de fraco crescimento e risco de desaceleração da recuperação econômica.

Para Campos Neto o combate inflacionário é pré-requisito para a criação de empregos e o aumento dos investimentos e da produção.

“Eu acho que é sempre importante enfatizar que nós entendemos que a meta de emprego e de suavização de ciclos está muito relacionada com a meta de inflação para um país como o Brasil”, afirmou. 

Dessa forma, de acordo com a autoridade principal do BC, é preciso criar um choque recessivo para colocar a inflação no lugar e, no longo prazo, permitir a economia retomar o seu lugar.

“Os exemplos brasileiros mostram que você tem que colocar o país em recessão para recuperar a credibilidade”, afirmou Campos Neto.

Caso queira saber mais sobre o que o Banco Central tem levado em conta nas decisões sobre sua política de juros, fiz uma análise do Relatório Trimestral de Inflação, que pode ser lido neste link.

O que diz a literatura econômica?

Roberto Campos Neto é reconhecido por ser um economista mainstream, seguidor dos manuais ortodoxos da ciência. 

Como bom economista tradicional que é, tem aplicado sem ressalvas o receituário fornecido pela literatura monetarista e novo-clássica.

Esse grupo de economistas acredita que a inflação é um fenômeno essencial monetário, isto é, que a taxa de inflação é proporcional à taxa de variação da quantidade de moeda da economia. 

Por isso, sugerem que a inflação deve ser eliminada por intermédio da redução da taxa de crescimento do estoque monetário. 

Contudo, uma redução da taxa de expansão da quantidade de moeda resulta em aumento da taxa de desemprego.

Portanto, o dilema enfrentado pelas autoridades monetárias é que quanto maior a contração monetária, visando a uma redução drástica da inflação, maior será o desemprego.

Caso as autoridades desejem combater a inflação com menores custos sociais, terão que reduzir a inflação gradualmente, porém, não é este o intuito de Campos Neto.

O papel as expectativas

A partir da análise de seus discursos, é possível inferir que o presidente do BC quer resolver o problema inflacionário o quanto antes e restaurar a credibilidade da instituição de uma vez por todas.

A literatura afirma que a credibilidade é uma importante ferramenta de política monetária. Se a política implementada não for crível pelos agentes, o mercado irá manter suas expectativas de inflação alta e continuar elevando os preços como forma de antecipar o futuro previsto.

Portanto, Campos Neto tem defendido que é preciso pressionar os juros para criar um ajuste recessivo, em que o aumento do desemprego é um custo necessário para aumentar a credibilidade da instituição e, com isso, diminuir a pressão sobre os preços.

Essa ideia está presente no discurso do presidente do BC, quando admitiu a necessidade de continuar elevando os juros para conter as expectativas.

“Tudo está muito relacionado em um país como o Brasil com herança inflacionária recente. E entendemos que, para assegurar a inflação no centro da meta, é muito bom avançar nesse processo de normalização e passar a mensagem de que vamos seguir a meta. O processo vai se estender até quando as expectativas fiquem ancoradas”, afirmou.

Críticas ao modelo

Um dos pontos de crítica ao modelo ortodoxo é que o arcabouço considera a inflação como um fenômeno exclusivamente derivado de fatores de demanda.

Porém, no cenário atual, vários economistas no mundo todo têm afirmado que a inflação resultante da crise da pandemia vem de problemas ocasionados por desequilíbrios de oferta. 

Inclusive os Bancos Centrais das principais economias têm considerado isso na formulação de suas políticas.

Dessa forma, ao aumentar os juros, o BC brasileiro pouco contribui para diminuir a inflação, pois a queda da demanda em nada interfere no ajuste dos preços, que têm sido realizados devido ao aumento dos custos de produção.

Outra crítica à condução atual da política monetária do Brasil é que o ajuste recessivo somente faz sentido quando a taxa de desemprego se encontra desalinhada da sua “taxa natural”, o que não é o caso atual.

A taxa natural é uma taxa que considera apenas o desemprego friccional (quando uma pessoa está em processo de mudança de emprego) e o desemprego voluntário (quando alguém opta por ficar desempregado).

Portanto, fica o questionamento: com uma taxa de desemprego de 13,2%, será coerente dizer que o desemprego atual está abaixo de sua “taxa natural”?

O Banco Central acertou em elevar a Selic para 9,25%?

Ontem, na quarta-feira (09/12), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu repetir a decisão da última reunião de elevar a taxa Selic para 9,25% a.a.

Em seu comunicado, o Copom justificou sua decisão de elevar os juros da seguinte forma: “diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista.” 

Para a próxima reunião, é esperado que se mantenha a mesma estratégia de aperto, com outro ajuste de mesma magnitude, ao menos até que “se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”.

Críticas ao aperto monetário

Embora o Banco Central (BC) esteja lutando contra a persistência da inflação, o fato é que o descontrole do nível de preços é um fenômeno global, verificado em praticamente todos os países dos quatro cantos do globo.

A principal crítica de alguns economistas é que os juros é um instrumento usado para combater a inflação quando esta é derivada de fatores de demanda e não de oferta, como é o caso de agora. 

As restrições de mobilidade para o combate da pandemia desequilibrou as cadeias globais de produção e interrompeu o fornecimento de commodities e componentes industriais.

Com isso, os 7,25 pontos percentuais de aumento nos juros pouco afetaram a subida dos preços e do câmbio.

Atividade mais lenta pesa contra aumento no futuro

Outro ponto de crítica ao forte aperto monetário se refere aos efeitos do patamar atual da Selic sobre a atividade econômica.

Inclusive, vários analistas e instituições financeiras têm estimado uma recessão para o Brasil em 2022. 

Para Rafaela Vitória, economista do Banco Inter, esse fator pode mudar os rumos do aumento da Selic já na próxima reunião do Copom.

“Copom subiu a Selic como esperado em 1,5 p.p. e foi mais hawkish no comunicado, mais preocupado com as expectativas de inflação, e assim espera +1,5 de novo em fevereiro. Porém, a atividade está bem mais fraca, o que foi pouco comentado. Bem provável vir menos na próxima”, disse a economista em sua conta no Twitter.

“9,25% já é uma taxa bem alta, e o aperto monetário que já foi dado, +7,25 p.p., muito elevado e que ainda não fez efeito. Até fevereiro podemos ver impactos nas revisões de expectativa, com hiato maior, matérias primas e outros custos acomodando, e risco fiscal mais controlado”, completou.

Dominância fiscal

Outros economistas têm aliviado as críticas sobre o BC e concentrado o foco no que, para eles, é o principal vilão: a política fiscal do governo federal.

Para estes, a reação do BC de elevar a Selic é apenas um subproduto da condução irresponsável da política de gastos por parte do governo federal e do congresso, cuja aprovação da PEC dos Precatórios colocou um fim simbólico à regra do teto de gastos

Com o descontrole fiscal, sobrou para o BC o papel de compensar o conjunto de estímulos, com uma contração monetária, para tentar manter o nível de preços sob controle.

“No limite o Banco Central é o RI do Governo Federal. Isso para não dizer que é a ‘conta erro’ da política fiscal”, afirmou André Perfeito, economista da corretora Necton, no seu Twitter.

Outra crítica importante sobre a situação da política econômica como um todo é que o aumento da Selic praticamente eliminaria os efeitos da própria PEC dos Precatórios. Isso porque a subida dos juros pressionará os gastos com serviço da dívida, o que diminuirá, consequentemente, o espaço fiscal aberto pela própria PEC.

“O comunicado do BC indica continuidade da alta do juro. É o resultado de jogar para o alto a política fiscal e as regras do jogo. A dívida, sob uma taxa que poderá chegar a 12%, vai subir fortemente. O espaço fiscal da PEC 23, como tudo que é líquido, sumirá no ar.” comentou Felipe Salto, economista do Instituto Federal Independente.

Ações asiáticas sobem com manutenção do bom humor dos mercados

Os ativos de risco estão se recuperando bem nos últimos dias após um surto de turbulência desencadeado pelo surgimento da nova variante da Covid-19. 

O alívio veio após constatações de que os casos da ômicron não sobrecarregaram os hospitais e nem requereram medidas de restrições consideráveis. 

Com isso, o Nikkei 225 fechou com alta de 1,42% no Japão. Já o índice coreano Kospi subiu 0,34%. O australiano ASX 200 ganhou 1,25%. Na China, o Shanghai Composite variou 1,18%.

Vacina da Pfizer

A última boa notícia revelada foi que a vacina da Pfizer mostrou fornecer proteção parcial contra a variante ômicron em um estudo sul-africano.

Um laboratório do Instituto de Pesquisa em Saúde da África, na África do Sul, testou o sangue de 12 pessoas que haviam sido vacinadas com a vacina da Pfizer/BioNTech.

Os resultados mostraram uma queda muito alta na neutralização da variante ômicron em relação a uma cepa anterior da Covid.

Porém, os dados preliminares no manuscrito ainda não foram revisados por pares, o que requer cuidado na conclusão.

“Essa evidência anedótica parece ter acalmado os mercados financeiros, por enquanto, como evidenciado pela recuperação dos ativos de risco”, disse Carol Kong, estrategista do Commonwealth Bank of Australia, em uma nota. 

“Mas alertamos contra tirar conclusões desses primeiros relatórios.” A menos que a variante se mostre resistente às vacinas, “esperamos que a economia global continue em grande parte com seu caminho de recuperação pré-omicron”, disse a analista.

Fatores de risco no radar

Apesar da calmaria estar levando os mercados para cima nesta semana, os investidores podem não estar livres de novas turbulências.

Isso porque ainda persistem as preocupações sobre as respostas dos bancos centrais às elevadas pressões de preços, novas restrições para conter a disseminação do ômicron e aumento das tensões geopolíticas. 

Política monetária

Sobre a política monetária, Jeffrey Gundlach, sócio fundador da DoubleLine Capital LP, vê “águas turbulentas” à frente para os mercados financeiros, já que o Federal Reserve está prestes a acelerar o fim da flexibilização quantitativa e, em seguida, voltar-se para o aumento das taxas de juros. 

O Goldman Sachs Group Inc. está alertando os compradores de queda para proceder com cautela em meio à inclinação do Fed em intensificar suas ações em direção ao aperto monetário.

EUA e Rússia 

No cenário geopolítico, o destaque é para o acirramento do embate entre EUA e Rússia sobre as ações deste último na Ucrânia.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, mencionou na quarta-feira (01/12), durante reunião da OTAN, a existência de “evidências” de que a Rússia poderia estar planejando uma invasão à Ucrânia e ameaçou Moscou com sanções econômicas significativas em caso de ataque.

Ontem (07/12), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, tiveram uma conversa virtual de duas horas sobre a Ucrânia e outras disputas, em meio aos temores ocidentais de que a Rússia esteja prestes a invadir sua vizinha do sul.

O Kremlin disse esperar que os dois líderes consigam realizar uma cúpula presencial para debater o que descreve como o estado lamentável das relações EUA-Rússia, que estão em seu pior momento desde o fim da Guerra Fria. 

Em tom apaziguador, Dimitry Peskov, porta-voz do Kremlin, disse que os dois líderes procurarão encontrar uma solução conjunta para a questão, porém, manteve a guarda levantada ao afirmar que a Rússia buscará garantir seus interesses.

“Estamos buscando relações boas, previsíveis com os Estados Unidos. A Rússia nunca pretendeu atacar ninguém, mas temos nossas preocupações e temos nossas linhas vermelhas”, disse Peskov.

Antes da videoconferência, autoridades norte-americanas disseram que Biden diria a Putin que a Rússia e seus bancos poderiam ser atingidos pelas piores sanções econômicas até hoje se invadir a Ucrânia.

Saiba quais os eventos da semana deverão agitar os mercados

O avanço dos preços ao consumidor é motivo de preocupação por parte dos dirigentes dos Bancos Centrais dos quatro cantos do mundo. As expectativas dos investidores é que isso pode culminar em um avanço dos juros antes do esperado. 

No Brasil, a Selic deve subir 1,50 pontos percentuais na próxima reunião do Copom na quarta-feira e chegar à casa de 9,25%.

Porém, há projeções que já esperam os juros básicos da economia acima de 10% até o final de 2021. Na sexta-feira, o IPCA de novembro deve dar o tom dos negócios. 

Já nos Estados Unidos, o mercado está de olho nos dados do payroll e do relatório Jolts de emprego e de auxílio-desemprego desta semana. Estes dados devem direcionar os rumos da política monetária do Fed nas próximas reuniões.

Os dados inflacionários dos EUA, medidos pelo CPI, também devem movimentar o último pregão da semana.

Outro fator que deverá movimentar bem os mercados são as notícias sobre a nova variante da Covid-19, chamada de ômicron. 

O receio é que uma nova onda de contaminação abra margem para a retomada das políticas de restrição de viagens e comércio no mundo, o que derrubaria fortemente a atividade econômica global que ainda não se recuperou do baque inicial da pandemia.

Selic e IPCA

Na quarta-feira (08/12) sairá a decisão de política monetária do Banco Central. A princípio, é esperado que o BC mantenha a decisão anterior de elevar a Selic em 150 pontos-base.

Porém, há expectativas que sugerem que o avanço da inflação pode alterar este rumo e levar o BC a subir a taxa de juros acima dos 1,50% esperados pelo mercado.

Por outro lado, os dados mais fracos do PIB podem aliviar as pressões inflacionárias do lado da demanda.

Já na sexta-feira (10/12), o IBGE divulgará o IPCA de novembro, que deve trazer um novo avanço, pressionado pelos combustíveis e energia elétrica.

Dados dos EUA

Também na quarta-feira (08/12), teremos o relatório de empregos Jolts dos Estados Unidos que trará novos dados sobre o panorama de emprego no país. 

Em seguida, na quinta-feira (09/12), serão apresentados os pedidos de auxílio-desemprego.

E para finalizar a semana, na sexta-feira (10/12) será a vez dos dados de inflação ao consumidor (CPI, em inglês) e ao produtor (PPI) na sexta-feira.

Esses dados são importantes pois servem de indicativos para o mercado calcular o que deve ser esperado pelo Fed na sua última reunião do ano, em 14 e 15 de dezembro.

Os EUA já enfrentam a maior inflação em 30 anos, porém, os dados de produção e emprego também estão no radar da autoridade monetária, que afirmou no início da pandemia que só voltaria a subir os juros após a atividade econômica retomar ao seu nível normal..

Jerome Powell, presidente do BC americano, já assumiu o caráter não temporário da alta de preços, o que chama ainda mais a atenção para qualquer dado inflacionário dos EUA. 

No geral, é esperado que o Fed eleve os juros no primeiro semestre de 2022, o que pode acontecer até mesmo antes, dependendo dos próximos dados de inflação e emprego.

Covid-19 e sua nova variante

Por fim, o investidor deve ficar de olho nas novas informações sobre a variante ômicron. Qualquer indicativo sobre sua gravidade deve impactar fortemente os mercados, tanto para cima quanto para baixo.

Os novos dados indicam que as infecções pela cepa mais recente do coronavírus causam quadros leves e pouco graves, como informou  Anthony Fauci, infectologista e conselheiro da Casa Branca. 

A informação deu espaço para as bolsas iniciarem a semana em terreno positivo, mas os próximos dias devem ser agitados para os investidores.

Fala de Powell abre margem para manutenção de flexibilização monetária

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, disse hoje (29/11) que o surgimento de uma nova variante do COVID-19 pode desacelerar a economia e a recuperação das contratações, ao mesmo tempo que aumenta a incerteza sobre a inflação.

“O recente aumento nos casos de delta e o surgimento da variante ômicron representam riscos de baixa para o emprego e a atividade econômica e aumentam a incerteza para a inflação”, disse Powell na segunda-feira em declaração para o Comitê Bancário do Senado, que se reúne nesta terça-feira (29/11). 

Além das possibilidades de piora na demanda e oferta de empregos, a nova variante também pode intensificar as interrupções na cadeia de abastecimento, disse o presidente do banco central norte-americano.

Os comentários de Powell foram feitos depois que outras autoridades do Fed disseram nas últimas semanas que o banco central deveria considerar o encerramento de suas políticas de compras de ativos e taxas de juros zero mais rápido do que o planejado previamente.

Eles citaram preocupações com a inflação, que atingiu seu  pico de três décadas.

Powell prega cautela com política monetária

Apesar das falas dos membros do Fed e das expectativas de analistas do mercado, as observações de Powell sugerem que a incerteza adicional levantada pela variante ômicron pode complicar os próximos passos do Fed.

“Uma preocupação maior com o vírus poderia reduzir a disposição das pessoas para trabalhar presencialmente, o que desaceleraria o progresso no mercado de trabalho e intensificaria as interrupções na cadeia de suprimentos”, disse Powell.

Ainda se sabe pouco sobre os reais efeitos da variante ômicron na saúde das pessoas.  Entretanto, se a nova cepa do vírus fizer os americanos recuarem nos gastos e desacelerar a economia, por conseguinte, isso poderia aliviar as pressões inflacionárias nos próximos meses.

Como consequência, o Fed poderia ser levado a prorrogar a flexibilização monetária sem que a inflação seja afetada.

No entanto, se a nova variante causar outra onda de fechamentos de fábricas na China, Vietnã ou outros países asiáticos, este cenário poderia piorar os problemas da cadeia de suprimentos, especialmente se os americanos continuarem comprando mais móveis, eletrodomésticos e outros bens. 

Ou seja, isso pode elevar ainda mais os preços nos próximos meses.

Powell reconheceu que a inflação “impõe fardos significativos, especialmente para aqueles menos capazes de arcar com os custos mais elevados de itens essenciais como alimentação, moradia e transporte”.

Ele disse que a maioria dos economistas espera que a inflação diminua ao longo do tempo, à medida que as restrições de oferta diminuam, mas acrescentou que “os fatores que empurram a inflação para cima permanecerão no próximo ano”. 

Em entrevista coletiva no mês passado, Powell disse que a alta inflação pode persistir até o final do verão.

Expectativas para a última reunião do Fed em 2021

Em sua última reunião do ano, em 2 e 3 de novembro, os formuladores de políticas do Fed  concordaram em começar a reduzir os US$ 120 bilhões em compras mensais de títulos do banco central em US$ 15 bilhões por mês. Isso encerraria as compras em junho.

Essas compras de títulos, uma medida de emergência iniciada no ano passado, têm como objetivo manter as taxas de juros de longo prazo para encorajar mais empréstimos e gastos. 

O Fed fixou sua taxa de juros de curto prazo em quase zero desde março do ano passado, quando o COVID-19 surgiu pela primeira vez. Essa medida influencia outros custos de empréstimos, como hipotecas e cartões de crédito.

Na semana passada, o Fed  divulgou a ata da reunião de novembro que mostrou que alguns dos 17 formuladores de políticas do Fed apoiaram a redução das compras de títulos mais rapidamente, especialmente se a inflação piorar. 

Isso daria ao Fed a oportunidade de aumentar sua taxa de referência já no primeiro semestre do próximo ano.

Naquela época, os investidores esperavam três aumentos nas taxas no próximo ano, mas as chances de muitos aumentos caíram drasticamente desde o surgimento da nova variante do coronavírus.

Gás Natural: alta na oferta estabiliza cotações nos EUA; na Europa, Putin segue restringindo fluxo

O gás natural segue estável nesta quinta-feira (25/11), com valorização de 0,14%, cotado a US$ 5,075 o contrato de 10.000 MMBTU (um milhão de Unidades Térmicas Britânicas).

Nas últimas semanas, o contrato futuro para dezembro de 2021 vem sendo negociada no intervalo entre os US$ 4,70 e US$ 5,17, após chegar a alcançar os US$ 6,30 no meio de outubro.

A queda e posterior estabilização dos preços vem com notícias referentes ao aumento da oferta disponível nos EUA, ante a expectativa de aumento de demanda proveniente do inverno no hemisfério norte.

EUA

A produção de gás natural dos EUA subiu para mais de 95 Bcf/d (bilhões de pés cúbicos por dia) em 24 de novembro.

Com o aumento, o volume se aproxima dos valores de oferta verificados no período de pré-pandemia.

A nova alta limita uma campanha de quase oito semanas pelos produtores para elevar a produção dos níveis deprimidos em setembro, quando a produção foi em média de apenas 90,1 Bcf/d.

O aumento recente vem de vários campos terrestres. O destaque ficou por conta da produção nos Apalaches, que subiu para um recorde de 34,7 Bcf/d no início neste mês. 

A motivação para o aumento da oferta veio das fortes taxas internas de retorno e a reação dos produtores diante dos preços em máxima histórica. Mesmo com as baixas nos últimos dias, a cotação do gás natural está bem acima da média de um ano atrás, de US$ 2,73/MMBtu.

Com isso, os estoques vêm se recuperando. Em seu nível atual, os estoques dos EUA estão agora apenas 58 Bcf abaixo da média dos últimos cinco anos, conforme dados da , mostraram dados da Energy Information Administration (EIA).

Europa

Na Europa, os mercados podem reagir à interrupção do fornecimento de gás natural da Gazprom para a Moldávia, devido ao não pagamento do país do Leste Europeu pelo fornecimento.

Com isso, os preços do gás natural na Europa podem subir à medida que o presidente russo, Vladimir Putin, continua a exercer pressão sobre o continente com o declínio dos fluxos de gás em meio às vésperas da temporada de inverno no hemisfério norte.

A escassez de gás na Europa continua a colocar uma oferta abaixo dos preços, uma vez que lida com alguns dos níveis mais baixos de armazenamento de gás desde 2013, antes do que se espera ser um inverno rigoroso. 

Por mais que as autoridades europeias se oponham ao gás russo, o continente  precisa desesperadamente da Gazprom para sobreviver neste inverno. 

Quanto à Moldávia, se o gás for interrompido, o país pode declarar estado de emergência.

Guerra do petróleo à vista: Biden libera reservas estratégias e retaliação da OPEP é esperada

A principal notícia do dia envolvendo o petróleo é a de que o presidente dos EUA, Joe Biden, efetivamente ordenou a liberação de 50 milhões de barris de petróleo das Reservas Estratégicas de Petróleo (SPR na sigla em inglês).

A ação deverá ser implementada junto com vários outros países demandantes de petróleo, como a China, Índia, Japão, República da Coreia e Reino Unido.

Porém, expectativas e relatos apontam para uma possível retaliação por parte da OPEP+ (Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados) caso a estratégia dos países demandantes seja concretizada. 

Como resultado, o petróleo disparou fortemente agora pela manhã. Até às 11h45, o Brent subia 2,74% e o WTI 12,67%.

Biden e aliados anunciam liberação de reservas

O presidente Joe Biden anunciou hoje que ordenou a liberação de 50 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas.

Essa é uma tentativa coordenada com outros países para reduzir o crescente aumento dos preços dos combustíveis.

Segundo informação da Casa Branca, “esta decisão será tomada em paralelo com outras nações que têm um consumo importante de energia, como China, Índia, Japão, República da Coreia e Reino Unido”.

A iniciativa é apresentada como inédita pelos americanos. O objetivo é fazer os preços caírem através do aumento da oferta. 

Segundo um funcionário de alto escalão do governo americano, a liberação começará entre meados e final de dezembro. 

É possível que novas intervenções para estabilizar o mercado sejam feitas. De acordo com a CNN, quase uma dúzia de congressistas democratas estão pedindo ao presidente não apenas a liberação dos barris da SPR, mas também a proibição das exportações de petróleo dos EUA.

Retaliação da OPEP+

Frente à guerra declarada pelos países demandantes, a OPEP + emitiu um grave aviso aos Estados Unidos, Japão, China, Índia e Coréia do Sul. Caso haja a liberação de petróleo das reservas estratégicas, é de se esperar que uma resposta seja tomada por parte do cartel internacional. 

Essa resposta, embora a OPEP+ não tenha mencionado números específicos, provavelmente mudaria seus planos para aumentar a produção mais lentamente para compensar os barris extras liberados.

Os delegados da OPEP +, de acordo com a Bloomberg, disseram esta semana que a liberação de milhões de barris de SPRs dos principais consumidores de petróleo não é suportada pelas condições de mercado.

A OPEP + vem dizendo há mais de um mês que o mercado logo entrará em superávit, alertando os mercados globais de petróleo contra serem precipitados e agressivos quando se trata de aumentar a produção.

Histórico de disputas envolvendo o petróleo

A história mostra que os membros da OPEP+ estão dispostos a fazer o que for preciso para manter sua participação no mercado e os preços dentro de uma faixa ideal. 

A organização internacional foi criada em 1960 na Conferência de Bagdad que visa coordenar e centralizar a política petrolífera dos seus estados-membros.

Desde então, a OPEP agiu em vários momentos para restringir a produção de petróleo para fins políticos e econômicos.

Os casos mais emblemáticos foram os choques do petróleo em 1973 e 1979. Na primeira ocasião, a commodity disparou mais de 400%, enquanto que na segunda o aumento foi de cerca de 200%.

Em ambos os casos, o mundo sofreu um forte baque econômico, que derrubou o crescimento e elevou a inflação em diversos países.

Mais recentemente, em 2020, pouco antes da pandemia, a Rússia e a Arábia Saudita se engajaram em um acordo envolvendo produção e exportação de petróleo.

O acordo veio após uma forte disputa pela participação do mercado, e incluiu os EUA. O resultado foi devastador para os mercados, que logo depois disso tiveram que lutar contra a severa destruição da demanda de petróleo causada pela pandemia da Covid-19.

Petróleo em queda: Esforço de Biden para liberar reservas segue pressionando preços

Após atingir a máxima desde outubro de 2018, o petróleo vem caindo e sendo negociado abaixo da barreira psicológica dos US$ 80.

Nesta segunda-feira (22/11), o Brent caía 0,51%, cotado a US$ 78,34, enquanto o WTI declinava 0,32%, custando US$ 76,15.

A principal justificativa é o movimento do presidente dos EUA, Joe Biden, para que os países demandantes da commodity liberassem suas reservas estratégicas para tentar diminuir os preços.

Tal movimento ocorre meses depois de Biden ter seu pedido pegado para a OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) aumentar a produção a fim de domar a alta do preço do petróleo.

A estratégia é motivada pela disparada dos preços da gasolina nos Estados Unidos, que subiram 60% desde o início do ano, e dos seus impactos na inflação do país.

Pedido de ajuda de Biden

De acordo com a Reuters, o governo Biden estendeu a mão para vários países, incluindo China, Índia, Coreia do Sul e Japão, instando-os a sincronizar a liberação de petróleo bruto de suas Reservas Estratégicas de Petróleo (SPRs) em uma tentativa de reduzir os preços globais da energia.

Biden e seus principais assessores discutiram a possibilidade de uma liberação coordenada de óleo armazenado com aliados próximos, incluindo Japão, Coréia do Sul e Índia, bem como com a China, nas últimas semanas, disseram as fontes.

Um funcionário do ministério da indústria japonês disse que os Estados Unidos solicitaram a cooperação de Tóquio para lidar com a alta dos preços do petróleo, mas ele não pôde confirmar se o pedido incluía liberações coordenadas de estoques. 

Por lei, o Japão não pode usar as liberações de reserva para reduzir os preços, disse o funcionário.

O escritório de reservas estaduais da China disse que está trabalhando na liberação das reservas de petróleo bruto, embora se negue a comentar o pedido dos EUA.

Na Coreia do Sul, um oficial confirmou que os Estados Unidos pediram a Seul que liberasse algumas reservas de petróleo.

A última vez que os EUA e seus aliados coordenaram a liberação de reservas estratégicas de petróleo foi em 2011, durante uma guerra na Líbia, membro da OPEP.

Restrição da OPEP+

Desde julho deste ano, o acordo dos membros da OPEP+ vêm aumentando a produção de petróleo em 400 mil barris por dia. As últimas decisões preveem que este aumento continue até pelo menos abril de 2022.

Esse aumento é insuficiente para a retomada do nível de produção anterior à crise da pandemia da Covid-19, quando o cartel decidiu por realizar uma forte restrição na oferta.

Em abril de 2020, com a forte queda da demanda, a OPEP+ decidiu por fazer um grande corte na produção, na faixa de 10 milhões de barris por dia.

Três fatores responsáveis pela desaceleração da economia chinesa

No início de 2021, a previsão dos principais agentes institucionais do mundo para o crescimento do PIB chinês no ano era de 8,3%. 

Mais recentemente, os bancos internacionais revisaram para baixo suas projeções de crescimento para o ano inteiro para a China, à medida que a expansão da economia desacelerou. 

O crescimento no terceiro trimestre foi de apenas 4,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto que os dois primeiros trimestres tiveram crescimento de 18,3% e 7,9%, respectivamente. 

O alto crescimento do primeiro trimestre ocorreu em grande parte devido ao crescimento negativo no primeiro trimestre de 2020 devido aos bloqueios induzidos pela pandemia. 

Já o baixo crescimento no terceiro trimestre tem gerado preocupações sobre as perspectivas de crescimento no quarto trimestre e no próximo ano.

Entre as várias justificativas para a desaceleração chinesa, há três principais que são praticamente um consenso entre analistas: 1) a política de controle de emissões de dióxido de carbono; 2) a regulamentação mais rígida do setor imobiliário; 3) a política de tolerância zero da China em relação ao COVID-19.

Política de controle de emissões de carbono

A China emitiu um plano de ação para diminuir o crescimento das emissões de dióxido de carbono. O objetivo é interromper o aumento das emissões antes de 2030 e atingir o zero líquido até 2060.

Para isso, o governo reduziu de forma abrupta e vigorosa a geração de eletricidade em usinas movidas a carvão. Em algumas, a queda chegou a 20%. 

O governo chinês também tem instado a indústria do aço a cortar a capacidade de produção, melhorar as taxas de reciclagem de sucata de aço e promover tecnologias de fornos elétricos a arco.

Consequentemente, as restrições na produção impactam fortemente a demanda por minério de ferro, cuja commodity é o insumo principal da produção de ligas metálicas.

Regulamentação no setor imobiliário

A política de “três linhas vermelhas”, iniciada em agosto de 2020 e intensificada este ano, estabelece tetos para o endividamento das incorporadoras imobiliárias.

Ao todo, a política estabelece tetos para três índices de endividamento para as empresas do ramo: 1) dívida/ativos totais; 2) dívida/patrimônio líquido; 3) dívida/caixa. 

Como muitas dessas empresas não conseguiram atender a uma ou mais das linhas vermelhas, os bancos e mercados de capitais relutam em fornecer novos financiamentos. 

Para resolver os problemas com o elevado nível de alavancagem, muitas empresas imobiliárias tiveram que vender ativos, reduzir as operações ou as duas coisas.

A Evergrande foi a incorporadora imobiliária chinesa mais proeminente a ter problemas financeiros, mas não é a única. 

Política contra a COVID-19

Uma onda de surtos locais de COVID no verão gerou bloqueios ou restrições de viagem em várias cidades chinesas. 

Isso não apenas reduziu a produção industrial, mas também afetou severamente muitos empregos no setor de serviços, justamente quando o turismo estava começando a crescer.

A política de tolerância zero da China com a pandemia é marcada por bloqueios mais fortes e frequentes do que na maioria dos outros países. 

Embora este tenha sido um dos pontos elogiados entre os epidemiologistas no início da crise, muitos agora têm argumentado que talvez não seja mais adequado adotar atualmente as mesmas práticas utilizadas no estágio de pré-vacina da pandemia.

Todos os países acabarão tendo que aprender a conviver com o coronavírus à medida que novas variantes continuam a surgir. Felizmente, o custo de fazer isso está se tornando mais administrável à medida que as taxas de vacinação e a imunidade natural aumentam.

Política monetária: Dólar segue firme após falas de membros do Fed

As declarações de hoje do vice-chairman do Federal Reserve (Fed) Richard Clarida e do diretor Christopher Waller fortaleceram as expectativas de uma provável aceleração na política monetária contracionista nas próximas reuniões.

Com isso, os investidores correram para o dólar, o que contribuiu para que a moeda americana ultrapassasse os R$ 5,60, chegando a valorizar 0,83% às 16h35 de hoje (19/11).

O Dollar Index, índice que avalia o dólar dos Estados Unidos em comparação com uma cesta com as principais moedas do mundo, também subiu, ultrapassando os 96 mil pontos, com valorização de 0,49% no dia.

Waller e Clarida defendem dobrar velocidade de redução de compra de títulos

O diretor do Federal Reserve Christopher Waller disse nesta sexta-feira que o banco central dos EUA poderia dobrar o ritmo de redução de suas compras de títulos em janeiro.

Isso levaria a instituição a encerrar a política de quantitative easing até abril e dar início ao processo de aumento de juros. 

“Se você dobrar o ritmo de redução de estímulos em janeiro, poderá terminar no início de abril e isso lhe trará espaço de política monetária, se necessário. Não estou dizendo que precisamos disso, mas se você concluir a redução de estímulos, poderia ter um aumento de juros já no segundo trimestre”, disse Waller após discurso no Centro para Estabilidade Financeira, em Nova York.

A mesma análise fez o vice-chair do Fed, Richard Clarida. 

Segundo ele, em discurso feito nesta sexta-feira na Conferência de Política Econômica da Ásia de 2021 do Fed de San Francisco, “pode ​​muito bem ser apropriado” discutir a aceleração da redução das compras de ativos pelo banco central dos Estados Unidos em sua próxima reunião, em dezembro.

A justificativa para o comportamento hawkish é que há risco de alta para a inflação e a economia está “em uma posição muito forte” para suportar o aumento dos juros.

Venda de dólares pelo BC brasileiro

No Brasil, o destaque ficou por conta da fala de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central do Brasil (BC), em sua participação no evento Meeting News, organizado pelo Grupo Parlatório nesta sexta-feira.

Na ocasião, Campos Neto respondeu às críticas sobre a falta de intervenção do BC no mercado cambial. Para ele, a atual gestão é a que mais vendeu câmbio, com as intervenções já feitas somando mais de US$ 80 bilhões, sem contar as operações já anunciadas relacionadas à demanda do overhedge

“Já vendemos US$ 80 bilhões em reservas. Até o fim do ano deve chegar a US$ 90 ou US$ 100 bilhões”, disse Campos Neto.

Para o presidente do BC as intervenções seguem regras bem definidas, devendo a instituição agir apenas quando há disfuncionalidade ou falta de liquidez no mercado. 

“Intervenção do câmbio atenua movimentos, mas não muda a trajetória. À medida que geramos credibilidade, a volatilidade do câmbio tende a cair. Câmbio é flutuante, o que é importante para absorver choques.”

Campos Neto finalizou dizendo que “o câmbio é um preço que avalia equação de risco e retorno” e que será preciso que o país volte a ser atraente para os investidores estrangeiros para o real se valorizar.