Petróleo cai com expectativas de liberação de reservas estratégicas

Os preços do petróleo caíram nos últimos dias em meio às expectativas de que os EUA poderiam anunciar em breve uma liberação de sua Reserva Estratégica de Petróleo (SPR).

Há também a possibilidade de que outras grandes nações consumidoras sigam o exemplo com lançamentos de petróleo.

A queda dos preços se estenderam hoje (19/11), com o barril do Brent caindo mais de 2%, cotado a US$ 79,30, e o WTI caindo 2,57%, ao preço de US$ 76,89o barril.

Esforço coordenado para aumento de oferta

Um impasse entre o presidente Joe Biden e os produtores de petróleo e gás na Bacia do Permian está se desenvolvendo à medida que os preços continuam subindo.

O presidente Biden acusou a indústria de petróleo e gás de adotarem uma “conduta ilegal”, já que os executivos do petróleo enriquecem com a alta dos preços do petróleo e pediu uma investigação federal sobre o assunto.

Os perfuradores ainda estão adiando o aumento da produção em outras bacias, uma vez que continuam a desfrutar de lucros altíssimos, enquanto procuram evitar outro ciclo de “expansão e queda” que paralisou a indústria no passado. 

Para contornar essa situação, os EUA poderiam agir em direção de liberar sua Reserva Estratégica de Petróleo, aumentando a oferta e diminuindo os preços até que a produção seja retomada.

As expectativas são de que essa estratégia seja implementada em conjunto com outros países.

Os EUA supostamente pediram à China e a outros grandes consumidores, como Índia, Coréia do Sul e Japão, que liberassem petróleo de seus estoques estratégicos também, em um esforço coordenado para reduzir os preços do petróleo.

A China já está trabalhando na liberação de petróleo bruto, disse um porta-voz da Administração Nacional de Alimentos e Reservas Estratégicas à Bloomberg na quinta-feira.

Oferta será maior em 2022

No início desta semana, a Agência Internacional de Energia (EIA) disse que os primeiros sinais mostravam que os estoques de petróleo da OCDE já haviam começado a aumentar em outubro.

Depois de atingir uma baixa de seis anos em setembro, os estoques de petróleo comercial nos países da OCDE evidenciaram um aumento marginal em outubro, disse a AIE na terça-feira em seu Relatório do Mercado de Petróleo de novembro.

Com isso, a EIA avalia que os preços do petróleo bruto devem cair no próximo ano dos níveis atuais de cerca de US$ 80,00 o barril para US$ 72,00.

A previsão é que os estoques globais começarão a se acumular novamente com a oferta crescendo mais do que a demanda. O superávit esperado no mercado é devido ao aumento da produção dos Estados Unidos e do grupo OPEP+.

Bank of América vê ibovespa a 125 mil pontos até 2022

Em relatório assinado pelo economista David Beker, o Bank of America (BofA) projeta que o Ibovespa pode retomar os 125 mil pontos até o fim de 2022.

O resultado estimado é quase 4% menor do que o pico de 130 mil pontos que a bolsa brasileira alcançou em 2021.

A justificativa da revisão mais baixa é a perspectiva de juros mais altos, crescimento do risco global e um cenário eleitoral incerto e desafiador.

Com os juros maiores, o custo de capital também aumenta, o que afeta a precificação dos ativos financeiros através dos modelos de fluxo de caixa descontados.

Além disso, o ciclo de alta da taxa Selic torna o custo de oportunidade maior. Como consequência, há a tendência de uma migração de capital da renda variável para a renda fixa.

Para Beker, muitos setores da Bolsa brasileira estão com valuations semelhantes aos observados no fim de 2014, quando as taxas de juros de 10 anos também estavam no patamar de 12% ao ano.

Setores promissores

Entre as ações brasileiras, há algumas que podem se destacar da média geral.

O BofA avalia que os bancos e as empresas do setor de energia, em especial as companhias petrolíferas, devem ser os destaques positivos em 2022. 

Tanto a Petrobras (PETR4) quanto às demais empresas do setor de petróleo tendem a ser favorecidas pelo preço mais alto da commodity no mercado internacional.

Os bancos, por sua vez, devem se beneficiar das taxas de juros mais altas, que permitem um aumento do spread bancário, e da maior demanda por crédito com a reabertura econômica.

Setores para se ter cautela

Já entre as ações que os investidores devem ter atenção estão aquelas que têm seus principais negócios com a China.

Diante da desaceleração do crescimento econômico chinês, com destaque para a crise das incorporadoras imobiliárias daquele país, David Beker acredita que companhias que têm a China como principal cliente devem ser prejudicadas. 

Dentre essas, a mineradora Vale (VALE3) pode ser afetada pela política chinesa de restrição de emissões de carbono e controle da produção de aço. Isso deve diminuir consideravelmente a demanda por minério de ferro na China.

O BofA também chamou atenção para os setores com empresas que tendem a operar com maior alavancagem, como transportes e aluguel de carros. Estas devem apresentar um desempenho mais fraco devido ao aumento do custo do crédito.

Cenário fiscal

As expectativas em relação ao Brasil têm sido fortemente afetadas pelo cenário político e fiscal. O risco de queda do teto dos gastos públicos causaria a percepção no mercado de que o cuidado com o equilíbrio fiscal ficará em segundo plano nos próximos governos.

Para Beker, a recuperação da economia brasileira depende do fortalecimento da credibilidade fiscal do país, que passa pela implementação de reformas que permitam a redução dos gastos obrigatórios do governo federal.

O economista observa que surpresas positivas podem vir da aprovação rápida das reformas, evolução do controle da pandemia, crescimento do PIB mais forte do que o esperado e aceleração da consolidação fiscal.

Entretanto, as condições políticas podem direcionar o cenário para outro lado, como alterações na política de preços de combustíveis e a postergação dos esforços para a aprovação das reformas econômicas.

Combinação de fatores internos e externos pressionam o dólar nesta quarta

O mau humor se instalou entre os investidores do mercado nesta quarta-feira (17/11). Enquanto o Ibovespa caía 1,54%, chegando aos 102.735 pontos, o dólar avançava para R$ 5,53, com variação de 0,41%.

Os destaques do noticiário são as movimentações sobre o futuro das contas públicas brasileiras, o avanço da Covid-19 na Europa e as pressões de demanda sobre a inflação e os juros norte-americanos.

Cenário doméstico

O mercado não reagiu bem às declarações do presidente Jair Bolsonaro de que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios pelo Congresso irá abrir espaço para a concessão de reajuste aos servidores públicos federais.

Sua fala foi no sentido de justificar o eventual aumento como resposta a um congelamento dos salários e à inflação.

Os comentários endossam receios de investidores sobre uma política fiscal ainda mais expansionista por parte do governo e temores ainda maiores quanto às possibilidades de descontrole nas contas públicas

A pressão pelo Auxílio Brasil impôs derrota à agenda de austeridade fiscal do ministro da Economia, Paulo Guedes, e provocou forte deterioração nos ativos domésticos ao longo de outubro.

Mais cedo, o Ministério da Economia divulgou uma piora nas previsões para a inflação no Brasil, projetando agora uma alta de 9,7% no final do ano.

Cenário externo

As vendas no varejo dos EUA aumentaram mais do que o esperado em outubro, conforme dados mostrados em relatório do Departamento de Comércio, na terça-feira. 

Os dados reacendem a preocupação com os efeitos da demanda sobre a inflação e, consequentemente, nas expectativas de aperto monetário a ser implementado pelo Fed.

O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, disse ontem que o banco central deveria “seguir uma direção mais agressiva” nas próximas reuniões para se preparar caso a inflação não comece a diminuir.

Com isso, o mercado segue analisando as chances do Federal Reserve (Fed) aumentar as taxas de juros mais rápido do que o esperado. 

Já o Euro estagnou perto de sua baixa de 16 meses para o dólar, enquanto a Europa sofria de preocupações com o crescimento em meio a um novo aumento nos casos de COVID-19.

Na última semana do mês de outubro, a Europa e a Ásia Central foram responsáveis por 59% de todos os novos casos da doença e 48% dos óbitos. 

Em números, foram quase 1,8 milhão de novos casos e 24 mil novas mortes relatadas em decorrência do coronavírus.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), se a tendência de alta se manter, essas regiões poderão registrar mais meio milhão de óbitos por covid-19 até fevereiro de 2022.

Hoje, os casos graves da doença têm se concentrado entre grupos não vacinados, especialmente em países com baixa cobertura vacinal.

Estaria a Rússia planejando controlar o mercado europeu de gás natural?

A narrativa de que a Rússia, um dos maiores fornecedores de gás natural da Europa, vem se organizando para tomar conta de vez do mercado europeu está cada vez mais forte.

Há cerca de cinco semanas, o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu abrir as torneiras em uma tentativa de estabilizar os crescentes preços globais de energia.

Porém, a promessa não se cumpriu e desde então Putin tem sido acusado de reter os suprimentos intencionalmente.

Para os negociantes de gás natural, a Rússia tem limitado seu fornecimento aos níveis dos contratos de longo prazo e permitiu que as instalações de armazenamento da Gazprom no continente caíssem para patamares muito baixos. 

A Gazprom é a maior empresa de energia da Rússia, também a maior exportadora de gás natural do mundo.

Como resultado, os preços do gás na Europa começaram a subir novamente, já que os traders veem poucas evidências de que a Rússia esteja disposta a cumprir a promessa de aumento nas exportações.

Movimento no Irã

Outro evento que corrobora para a tese de um projeto deliberado da Rússia para controlar o mercado europeu de gás são os recentes movimentos em relação ao Irã.

A Rússia conseguiu garantir a maior parte da enorme descoberta de gás no campo de Chalous, no Irã. Este movimento pode ter enormes consequências econômicas e geopolíticas

A manobra de Putin ocorreu através de um acordo finalizado na semana passada para desenvolver a nova descoberta de gás de vários trilhões de dólares do Irã. 

Isso fará com que as empresas russas detenham a maior participação no gasoduto, seguidas por empresas chinesas, e somente depois pelas iranianas.

As informações são de fontes próximas ao negócio, que deram entrevista exclusiva ao portal Oil Price

Conforme com um dos altos funcionários russos envolvidos na negociação do acordo, “este é o ato final para garantir o controle do mercado europeu de energia”.

Uma visão alternativa

Por outro lado, há informações que asseguram que as restrições à oferta de gás natural por parte da Rússia nada mais é do que o resultado de questões conjunturais. 

De acordo com Vitaly Yermakov, especialista do National Research University Higher School of Economics, há várias razões pelas quais a Rússia não foi capaz de atender ao pedido de aumento da produção de gás ou de reabastecer totalmente o armazenamento de gás na Rússia e na Europa. 

Em primeiro lugar, os preços do gás muito baixos em 2020 forçaram retiradas extremamente altas de gás do armazenamento pelos produtores em uma tentativa de minimizar os custos de transporte e reduzir as perdas. 

Em segundo lugar, os efeitos combinados de uma demanda robusta de gás, padrões climáticos extremos e disponibilidade limitada de gás natural na Europa resultaram em aperto extremo do mercado e preços altos. 

Na verdade, a Gazprom teve um bom desempenho ao cumprir todas as suas obrigações contratuais e aumentar as entregas para a Europa, mas não conseguiu resolver sozinha a insegurança energética da Europa.

Yermakov diz que as reservas russas permitem que o país atenda a uma demanda geral muito maior. No entanto, colocar uma produção adicional é algo que não pode ser feito com o apertar de um botão. 

A Rússia é totalmente capaz de produzir muito mais gás a longo prazo, mas precisa garantir essa produção assinando novos contratos de fornecimento com os compradores. 

Em outras palavras, a Rússia não está pronta para gastar bilhões de dólares apenas para manter a capacidade produtiva ociosa e atender aos picos de demanda na Europa e em outros lugares.

Por fim, há ainda fortes dúvidas se realmente existe a capacidade do país de controlar o mercado europeu é limitada.

Na semana passada, a Rússia desligou completamente os fluxos do gasoduto Yamal-Europa de 2.607 milhas de comprimento que atravessa a Bielo-Rússia, Polônia e Alemanha, com uma capacidade de 33 bilhões de metros cúbicos de gás por ano, mas os mercados mal notaram com os preços restantes gravemente deprimido.

Mercado asiático: bolsas fecham em sentido misto nesta terça

Nesta terça, várias bolsas da Ásia fecharam com variações diversas. 

O ASX caiu 0,67%, liderado pelas quedas das grandes mineradoras Rio Tinto (-1,45%) e BHP (-1,42%).

Já o Nikkei subiu 0,11%, alcançando os 29.808,12 pontos.

O Shanghai Composite teve queda de 0,33%, com o índice batendo os 3.521,79 pontos.

O Hang Seng de Hong Kong disparou 1,27%.

Juros longos sobem nos EUA

Os índices de Wall Street fecharam a sessão desta segunda-feira perto da estabilidade, com o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA afetando o apetite por ações

O rendimento do Tesouro dos EUA de 10 anos aumentou para 1,615% ao ano. Esses títulos são referência para determinar os preços da dívida global. 

Isso inclui as taxas de juros de empréstimos corporativos e hipotecários. Se o rendimento dos títulos aumentar, as empresas enfrentarão custos com dívidas mais elevadas. 

Os rendimentos dos títulos do governo dos EUA dispararam principalmente depois que os números de inflação ficaram acima do esperado. 

O receio do mercado é de que o Federal Reserve (Fed) aumente as taxas de juros mais rapidamente do que o esperado. 

Queda no PIB do Japão

A economia do Japão se contraiu muito mais rápido do que o esperado no terceiro trimestre, após os dois trimestres iniciais de crescimento deste ano.

De acordo com dados preliminares do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados ontem (segunda-feira, 15/11), a economia japonesa encolheu 0,8% no trimestre de julho a setembro em relação ao trimestre anterior.

As exportações, principal motor da economia japonesa, caíram 2,1% no terceiro trimestre, devido ao impacto contínuo na procura global da pandemia e dos problemas da cadeia de abastecimento.

Embora muitos analistas esperem que a terceira maior economia do mundo se recupere no trimestre atual, à medida que as contenções de vírus diminuem, o agravamento dos gargalos de produção global representa riscos crescentes para o Japão, dependente das exportações.

Encontro entre Joe Biden e Xi Jinping

Os mercados também estiveram de olho na videoconferência realizada entre o presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente chinês, Xi Jinping.

A relação China-EUA é crucial para ambos os lados e para o mundo em geral, com Pequim repetidamente pedindo à nova administração em Washington que melhore as relações que se deterioraram com o antecessor de Biden, Donald Trump.

No fim, a reunião foi marcada por um tom positivo.

Biden disse a Xi que seu objetivo deveria ser garantir que a competição “não entre em conflito”.

Xi disse que está pronto para “construir consenso” e disse que os dois lados precisam melhorar a comunicação.

A reunião dos dois líderes ocorreu em meio a várias disputas entre os dois países sobre diversos assuntos. 

Do lado da China, as insatisfações em relação aos EUA atentam à questões como as restrições de comércio e acusações de que o país asiático tem realizado ataques cibernéticos

Outra questão política é a insatisfação da China com o apoio dos EUA a Taiwan. 

Já os Estados Unidos têm se queixado dos abusos contra os direitos humanos na China contra os uigures em Xingjian e a repressão aos manifestantes pró-democracia em Hong Kong.

Esta é a terceira vez que os dois líderes se falam desde a posse de Biden, em janeiro. 

Credit Suisse e Goldman Sachs reduzem estimativas de crescimento brasileiro

As expectativas para o crescimento da economia brasileira estão piores a cada dia. Os relatórios mais recentes do Goldman Sachs e do Credit Suisse vieram para incrementar o tom pessimista do mercado.

Ambos cortaram as estimativas para o PIB do Brasil no ano que vem. Enquanto o Goldman Sachs espera um crescimento de 0,8% (ante previsão de 1,5%), o Credit Suisse antevê uma recessão de 0,5% (antes o esperado era um crescimento de 0,6%.

O cenário de piora é compartilhado pelo mercado em geral. No relatório Focus desta semana, divulgado pelo Banco Central (BC), o crescimento do PIB previsto pelas instituições financeiras para 2022 é de 1%.

Há uma semana, as expectativas giravam em torno de um crescimento de 1,20%, e 1,54% há quatro semanas atrás. 

Goldman Sachs

O Goldman Sachs rebaixou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2022 para 0,8%.

A justificativa é a piora do cenário de inflação, condições monetárias mais apertadas e crescentes riscos políticos e fiscais.

Anteriormente, o banco norte-americano projetava avanço de 1,5% do PIB no ano que vem. Para 2021, o Goldman Sachs manteve a estimativa de crescimento de 4,9%.

Em relatório sobre as perspectivas econômicas para a América Latina, o banco citou “pano de fundo de inflação muito alta” e consequente “mudança para uma posição de política monetária significativamente restritiva até o final de 2021” como justificativas para sua projeção.

A expectativa do Goldman Sachs é de que o Banco Central eleve a taxa Selic para 11% ao ano ao final de seu atual ciclo de aperto monetário. 

Atualmente, os juros básicos estão em 7,75%, após a autarquia promover aumento de 150 pontos-base no último encontro do Copom.

O relatório concluiu com um alerta em relação a pioras dos indicadores de confiança, deterioração das condições de governabilidade e crescentes prêmios de risco político e fiscal como empecilhos para o crescimento econômico.

Credit Suisse

O Credit Suisse cortou suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano e no próximo.

A estimativa para 2021 é que o ano feche com crescimento de 4,8%, ante 5% na última estimativa. Para 2022, o cenário esperado é de contração econômica de 0,5%, com a inflação devendo continuar em patamares elevados.

A revisão da instituição veio após dados desta sexta-feira (12/11) mostrarem que o setor de serviços brasileiro registrou queda inesperada de 0,6% no volume em setembro, após cinco meses de crescimento.

“O resultado de hoje reforça o cenário de piora da atividade econômica que tem sido visto nos últimos meses”, escreveram em relatório os economistas do banco no Brasil, Solange Srour e Lucas Vilela.

Expectativas de aperto monetário mais agressivo faz dólar cair abaixo de R$ 5,40

Com isso, a moeda brasileira vem apresentando o melhor desempenho entre as principais divisas globais em meio a expectativas crescentes de que o Banco Central endurecerá o ritmo de seu aperto monetário.

Às 16h27, o dólar recuava 1,63%, a 5,4014, depois de chegar a tocar 5,319 reais na mínima do dia.

A queda do dólar frente ao real vai na contramão de outras moedas internacionais. Apesar dos dados de inflação mais fortes do que o esperado dos Estados Unidos, o dólar segue subindo frente a outros pares internacionais.

Uma das exceções tem sido o real, que vem apresentando desempenho muito superior ao de alguns de seus principais pares emergentes.

Política monetária

A subida do real reflete as expectativas de que o Banco Central pode intensificar seu atual ritmo de elevação de juros, uma vez que dados domésticos sobre os preços ao produtor continuam a surpreender para cima.

Na quarta-feira, o IBGE informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,25% em outubro, após alta de 1,16% no mês anterior, alcançando a maior variação para o mês desde 2002 (1,31%). Em 12 meses, a alta foi de 10,67%, resultado mais forte desde janeiro de 2016 (+10,71%).

A meta de inflação para o ano que vem é de 3,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. 

Atualmente a taxa Selic está em 7,75% ao ano, após o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC promover alta de 150 pontos-base em seu último encontro.

Com os juros mais altos, a tendência é de que os títulos de renda fixa fiquem mais atraentes, o que contribui para aumentar a demanda por real e, consequentemente, diminuir a pressão sobre a moeda nacional.

PEC dos Precatórios

Investidores também estão atentos aos trâmites em torno da PEC dos Precatórios. 

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que ficará a cargo da relatoria da proposta na Casa, afirmou que há chances dos senadores manterem o texto aprovado pela Câmara. Ele não descartou, no entanto, que o projeto possa ser aprimorado.

Aprovada em segundo turno na terça-feira pela Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) modifica a regra de pagamento dos precatórios – dívidas do governo cujo pagamento foi determinado pela Justiça – e altera o prazo de correção do teto de gastos pelo IPCA.

Em relatório desta quinta-feira (11/11), o Bradesco disse que “a aprovação da PEC dos Precatórios na Câmara removeu parte das incertezas do cenário fiscal, mesmo com o prosseguimento da proposta no Senado, o que ajuda a explicar também a dinâmica dos mercados locais, especialmente a curva de juros e taxa de câmbio.”

Dólar recua em dia de votação da PEC dos precatórios e receio de inflação nos EUA

Nesta terça-feira (09/11), o dólar segue a trajetória de queda deste início de novembro, com declínio de 1,19% no dia, sendo cotado a R$ 5,48.

A movimentação ocorre em dia de votação da PEC dos Precatórios e às vésperas da divulgação da inflação dos EUA, que ocorrerá amanhã (quarta-feira, 10/11).

O desfecho da PEC dos Precatórios é aguardado pelo mercado para pôr fim às incertezas em relação ao orçamento de 2022.

Já os dados sobre inflação dos EUA é importante pois revelará ao mercado o cenário base para a tomada de decisão do Fed (Federal Reserve) em relação à política monetária dos próximos períodos.

PEC dos Precatórios

A suspensão dos pagamentos feitos via “orçamento secreto” coloca em risco a vitória esperada do governo e aliados para viabilizar o Auxilio Brasil. 

A decisão da ministra do STF Rosa Weber de conceder liminar suspendendo o pagamento das emendas do relator, usadas para negociar votos para a PEC, vai a julgamento em plenário virtual do Supremo, em sessão extraordinária marcada para hoje e amanhã. 

A judicialização da PEC aumenta as chances do governo abrir mão do plano B de prorrogar o auxílio emergencial.

Após a aprovação do texto-base da PEC em primeiro turno na semana passada, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pretende concluir a análise da proposta em primeiro turno e aprová-la em segundo turno nesta terça para que a medida seja encaminhada ao Senado.

A proposta é encarada como prioritária pelo governo por permitir a abertura de espaço fiscal de mais de R$ 80 bilhões e bancar o financiamento do Auxílio Brasil no valor mínimo de R$ 400 por família.

Inflação nos EUA

No cenário externo, os investidores seguem à espera dos dados de inflação nos EUA, atrás de pistas sobre quando o Federal Reserve elevará os juros. 

O índice de preços ao produtor para a demanda final subiu 0,6% em outubro, após alta de 0,5% em setembro.

O banco central dos EUA já anunciou a redução de suas compras de títulos de 120 bilhões de dólares por mês, mas disse em sua última reunião de política monetária que terá paciência em relação à elevação dos custos dos empréstimos. 

A manutenção de juros baixos na maior economia do mundo é vista como favorável a ativos arriscados, como moedas e títulos de países emergentes.

Nos Estados Unidos, as Bolsas devolvem ganhos após dias seguidos de alta. O Dow Jones cai 0,63%; o S&P 500 opera com queda de 0,49%; e a Nasdaq recua 0,64%.

Aqui no Brasil, o Ibovespa segue em alta de 0,83%, acima dos 105.600 pontos.

Biden enfrenta críticas em relação ao preço do petróleo

A disparada do preço do petróleo não tem isentado de culpa os principais governantes mundiais, mesmo diante de fatores externos às políticas nacionais.

Aqui no Brasil, Bolsonaro tem sido o principal culpado por permitir a manutenção da política de preços da Petrobras. 

Já nos EUA, o presidente Joe Biden tem enfrentado críticas em relação às ações passadas.

A primeira é que, apesar dos efeitos externos, a decisão de cortar a produção nacional de petróleo em 3 milhões de barris por dia no verão passado contribuiu para fortalecer a pressão sobre a commodity.

Essa política de energia gerou falta de abastecimento nos Estados Unidos, obrigando o país a importar mais petróleo do que nos anos anteriores.

Outra crítica mencionada é sobre a dificuldade de Biden em influenciar as decisões da OPEP+. 

A lista de possíveis incentivos e retaliações para pressionar o cartel a elevar a produção vai desde o aumento de fornecimento a partir da liberação de reserva estratégica, até mesmo a ameaça de imposição de embargos contra os países, embora esta seja considerada uma alternativa mais radical.

EUA pode usar Reserva Estratégica

Em reunião por videoconferência, membros da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) decidiram por não alterar os planos de expansão de fornecimento de petróleo.

A decisão do grupo foi de reiterar os planos de aumentar a produção nos meses seguintes em 400 mil barris por dia.

Dois dias antes da reunião, o presidente dos EUA acusou o grupo de agir para manter os preços elevados.

“Se você der uma olhada nos preços do gás e nos preços do petróleo, isso é uma consequência da recusa da Rússia ou das nações da OPEP em bombear mais petróleo”, afirmou Biden. 

Em resposta à última decisão dos membros da OPEP+, a secretária de Energia dos EUA, Jennifer Granholm, disse que o governo está considerando uma liberação da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) como uma possível medida para reduzir os preços da gasolina nos Estados Unidos.

“O SPR certamente está na mesa como uma opção. O presidente terá mais a dizer sobre isso”, disse a secretária em entrevista ao site Bloomberg.

“O governo Biden está muito preocupado com o preço na bomba”, acrescentou Granholm.

O SPR é o maior suprimento mundial de petróleo bruto de emergência e atualmente detém cerca de 600 milhões de barris de petróleo bruto.

PEC dos Precatórios abre espaço para populismo econômico

A PEC dos Precatórios foi votada no início da madrugada desta quinta-feira e contou com intensas negociações e manobras comandadas pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

No final da votação, os deputados aprovaram por 312 votos a 144, em primeiro turno. Na prática, a proposta permite ao Executivo adiar o pagamento de dívidas transitadas em julgado. 

Os precatórios são títulos de dívidas que o governo tem que pagar a pessoas físicas e empresas por conta de decisões judiciais definitivas. 

O Orçamento de 2021 prevê o pagamento de R$ 54,7 bilhões em Precatórios, e o de 2022, sem a aprovação da PEC, de R$ 89 bilhões.

Com a aprovação da PEC, esse pagamento de R$ 89 bilhões será liberado para financiar o Auxílio Brasil de R$ 400 com o qual o governo quer substituir o Bolsa Família. 

Enquanto isso, outros gastos terão que ser parcelados, como, por exemplo, os R$ 16 bilhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) que estavam previstos para o ano que vem, e que boa parte iria para abono a professores. 

PEC abre margem para populismo

O governo Bolsonaro tenta há meses reunir maioria na Câmara para aprovar a proposta da PEC dos Precatórios e, com isso, ampliar gastos sociais e melhorar sua popularidade às vésperas das eleições.

Por outro lado, os deputados também têm os seus motivos individuais para aprovar a proposta.

Isso porque, de acordo com analistas e membros da oposição, a aprovação da PEC dará abertura de espaço no orçamento para possibilitar a liberação de novas emendas parlamentares, além das previstas na lei orçamentária para o ano que vem.

Mais especificamente, as mudanças promovidas pela proposta abrem espaço para o uso do dinheiro para as chamadas “emendas de relator“.

Esse tipo de emenda passou a vigorar no ano passado e dá poder ao relator de definir quanto e onde os recursos serão aplicados.

Leonardo Albernaz, Secretário Geral de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (TCU), explica que não há um critério objetivo que norteie a distribuição dessas emendas. 

Isso significa que é um dinheiro público cujo uso e distribuição é determinado sem transparência e sem regras, e que acaba servindo como moeda de troca pelo governo para garantir apoio de parlamentares.

Já para Gil Castelo Branco, da associação Contas Abertas, esse tipo de emenda também facilita a corrupção – e o espaço no orçamento aberto pela PEC na prática vai acabar sendo usado para financiá-la.

“Parte do valor para o Auxílio Brasil já está prevista na lei orçamentária. Dos R$ 91 bilhões que o governo anunciou, R$ 50 bi iria para o auxílio”, diz Castelo Branco à BBC News Brasil. 

“O resto o governo diz que é para poder corrigir os parâmetros do orçamento, mas a gente sabe que na prática ele vai para as emendas.”

Mercado reage mal à aprovação da PEC dos Precatórios

A notícia da aprovação da PEC dos Precatórios, logo no início do dia, não agradou em nada os investidores, embora já fosse esperada.

O receio é de que o populismo assuma as rédeas da política econômica e atrapalhe de vez o ajuste fiscal implementado pelo governo nos últimos anos.

Agora à tarde, às 17h06, o Ibovespa segue caindo 2,03%, aos 103.351 pontos, enquanto o dólar subia 1,02%, cotado a 5,61.