CPI Sinaliza Convocar Auditor que Fez Documento Sobre Mortes por Covid Citado por Bolsonaro

Por Ricardo Brito

Mesmo sem qualquer tipo de evidência, Bolsonaro chegou a contestar no ano passado os números de mortes pela doença causada pelo coronavírus no país, insinuando que Estados e municípios teriam interesses em inflar dados de mortes a fim de garantir mais recursos federais no enfrentamento à pandemia.

O Brasil registrou nesta terça 2.378 novos óbitos em decorrência da Covid-19, o que eleva o total de vítimas fatais da doença no país a 476.792, segundo dados do Ministério da Saúde. O país tem o segundo maior número de mortes pela doença no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Esse debate provocado pelo presidente voltou à tona na segunda quando ele disse que teria “em primeira mão” o que seria um relatório do TCU sobre o assunto que comprovaria a sua tese.

“Em primeira mão, não é meu, é do tal TCU. Questionando o número de óbitos ano passado por Covid. E aí o relatório final, não é conclusivo, mas em torno de 50% dos óbitos ano passado não foram por Covid”, disse Bolsonaro a apoiadores ao deixar o Palácio da Alvorada na manhã de segunda.

Na tarde de segunda, entretanto, o TCU divulgou uma breve nota onde esclareceu que “não há informações em relatórios do tribunal que apontem que ’em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid’, conforme afirmação do Presidente Jair Bolsonaro divulgada hoje”.

Já na manhã desta terça, Bolsonaro reconheceu o erro de sua declaração na véspera, mas insistiu que sejam verificadas as causas das mortes registradas como relacionadas à Covid-19.

“A questão do equívoco de ontem (segunda): o TCU está certo. Eu errei quando falei da tabela, o certo é acórdão”, disse o presidente também a apoiadores saindo do Palácio da Alvorada.

Ainda assim, Bolsonaro –novamente sem provas– disse que há “indícios enormes” de que houve sim uma supernotificação de mortes por Covid para que governadores conseguissem mais recursos. Ele defendeu uma apuração do assunto.

“A CGU (vai) fazer então um trabalho em cima disso daí. Está mais que … é um indício fortíssimo. Vocês devem ter visto muitos vídeos no WhatsApp de gente falando ‘meu pai meu avô, meu irmão, não morreu de Covid’. Botaram Covid por quê?”, questionou.

QUEBRA DE SIGILO

Na CPI, o senador Humberto Costa (PT-PE) disse ter apresentado um requerimento para convocar o auditor, destacando que ele seria amigo de pessoas próximas ao presidente e que o próprio TCU abriu uma investigação para apurar a conduta do servidor.

“Se é verdade isso aqui, ele fez uma coisa muito grave”, disse o petista.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), chegou a defender a quebra de sigilos telemático e telefônico do auditor para saber com quem ele se comunicou. Disse para fazer logo um “pedido completo” para votar na sessão administrativa da CPI que votará requerimentos na quarta-feira.

Macron Leva Tapa no Rosto Durante Encontro com Público no Sul da França

Por Sudip Kar-Gupta e Michel Rose

Em um vídeo que circula nas redes sociais, Macron estendeu a mão para cumprimentar um homem em um grupo pequeno de observadores atrás de uma barreira de metal por ocasião de uma visita a uma faculdade de treinamento profissional para o setor de hospitalidade.

Foi quando o homem vestido de camiseta cáqui gritou “Abaixo a Macronia” e deu um tapa no lado esquerdo do rosto do presidente.

Também se ouve o agressor gritando “Montjoie Saint Denis”, o grito de guerra do Exército francês quando o país ainda era uma monarquia.

Dois seguranças de Macron avançaram sobre o homem de camiseta e outro afastou o presidente.

Macron ainda ficou perto do público por um período curto, gesticulando a alguém do outro lado da barreira, e depois seus agentes de seguranças o levaram para longe.

Duas pessoas foram presas, disse uma fonte da polícia à Reuters. A identidade do homem que estapeou Macron, e seus motivos, não ficaram claros.

O premiê, Jean Castex, repudiou o incidente.

“A democracia nunca pode dizer respeito à violência, à agressão verbal, e ainda menos à agressão física. Peço um despertar republicano, isto envolve todos nós, os fundamentos da democracia estão em jogo”, disse ele ao Parlamento.

(Por Dominique Vidalon, Michel Rose e Sudip Kar-Gupta)

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759)) REUTERS ES

Auxílio Emergencial Deve Ser Renovado Por Mais “2 ou 3 Meses”, Diz Guedes

“Possivelmente vamos estender agora o auxílio emergencial, mais dois ou três meses, porque a pandemia está aí”, afirmou Guedes em participação remota em um evento promovido pela Frente Parlamentar do Setor de Serviços.

“Os governadores estão dizendo que em dois ou três meses a população brasileira adulta vai estar toda vacinada, então nós vamos renovar por dois ou três meses.”

Segundo o ministro, ao fim do pagamento das parcelas do auxílio o governo implementará um novo Bolsa Família, já reformulado.

O governo reeditou em abril o pagamento do auxílio emergencial, com a previsão inicial de pagamento de quatro parcelas de 250 reais. Na segunda-feira a Reuters já havia informado a intenção do governo de estender o auxílio por mais dois meses, até setembro deste ano.

A medida será custeada por um crédito extraordinário de 12 bilhões de reais a ser enviado ao Congresso e outros 7 bilhões de reais que já estão disponíveis no orçamento autorizado para o programa.

“Logo depois, entra, então, o Bolsa Família, o novo Bolsa Família, já reforçado. Então eu diria que o Brasil está encontrando seu caminho”, defendeu Guedes, em alusão ao duplo compromisso do governo com a saúde da população e com o lado fiscal.

CRESCIMENTO ECONÔMICO

Ao tratar da recuperação econômica do país e as recentes revisões de projeções para cima de instituições para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, Guedes afirmou que a pasta ainda mantém cálculo conservador, “entre 4% e 5%” para 2021.

“Nós estamos vendo, na economia brasileira, todas as revisões sendo feitas para cima. O crescimento econômico, que era estimado em torno de 3,2%, 3,3%, já passou de 4%. Já tem gente indo para 5%. Nós continuamos, ainda, conservadoramente, nosso cálculo entre 4% e 5% da taxa de crescimento.”

Guedes também ressaltou que o país tem visto o avanço do processo de consolidação fiscal, e mencionou a trajetória de redução do déficit público neste ano, sem o sacrifício de programas de combate à pandemia.

A atual estimativa oficial do Ministério da Economia aponta para crescimento do PIB de 3,5%, de acordo com o mais recente Boletim MacroFiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica em maio.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Em sua participação, o ministro também afirmou que a proposta de reforma tributária não terá “grande novidade”. Guedes mencionou que, apesar de ter a preferência por um texto mais amplo, o governo fará o que for possível no momento em torno do tema.

“Ela é uma reforma moderada, estamos atentos, eu gostaria de fazer ela um pouco mais ampla, inclusive com desoneração de folha, tudo isso. Não é o momento, ainda, mas nós não vamos desistir, só vamos fazer a coisa em fatias, gradualmente, vamos fazer o que é possível agora, simplificação, redução de alíquota, vamos reduzir impostos para empresas e vamos avançar.”

Ao ser questionado sobre um eventual aumento de imposto para o setor de serviços na proposta, Guedes rechaçou a ideia.

De acordo com o ministro, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45, que trata do tema, abordava um IVA único sob alíquota de 30%, segundo as projeções iniciais do Ministério da Economia.

“Isso seria absolutamente inaceitável para o setor de serviços. Então lutamos bastante, conversamos muito, conseguimos reduzir essas aspirações bastante para um IVA que talvez chegue a 12%”, explicou.

“Mesmo reduzindo bastante em relação aos cálculos iniciais, nós ainda estamos considerando a possibilidade de ter duas alíquotas. Uma para comércio e serviços, mais baixa, e outra para indústria, um pouco mais alta. Então é onde nós estamos hoje, talvez seja a maior simplificação que a gente consiga fazer”, complementou o ministro.

 

(Por Gabriel Ponte)