Mato Grosso começa colheita da maior safra de soja da história do Brasil

Por Ana Mano e Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – Produtores de soja em Mato Grosso começaram a colher os primeiros campos do Estado nesta semana, mas com os trabalhos ainda muito localizados, poucos se arriscam a prever a produtividade das lavouras ou estimar o percentual colhido no maior fornecedor da oleaginosa no país.

Ainda assim, o início da colheita logo após o Natal representa um avanço de cerca de 20 dias em relação ao ciclo anterior, quando os produtores semearam a soja mais tarde por causa de problemas climáticos.

Menos de 1% da soja estava colhida em meados de janeiro de 2021, quando a safra atrasou, segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), panorama que não deve se repetir neste ano.

“O início está regular”, disse Matheus Pereira, diretor da consultoria Pátria AgroNegócios. “Nosso levantamento estima que no dia 4 de janeiro já tenhamos percentuais relevantes (colhidos)”, disse ele, em referência ao Estado que dá início aos trabalhos de colheita no país.

O Mato Grosso deverá colher um recorde de 38,14 milhões de toneladas, alta de 5,8% na comparação anual, segundo a última estimativa do Imea, que indica que o Estado responderá por mais de um quarto da safra do Brasil, maior produtor e exportador global.

Fernando Cadore, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) no Estado, afirma que a colheita começou em poucas áreas, notadamente as irrigadas. Nessas regiões, os produtores plantaram cedo para semear a segunda safra de algodão e milho dentro da janela ideal.

O conglomerado Amaggi, que nesta safra plantou cerca de 176 mil hectares com soja, começa hoje a colheita em Campo Novo do Parecis, segundo comunicado. A empresa, que costuma plantar vastas áreas com algodão, estima produtividade média de 60 sacas por hectare em seus campos de soja.

Em Brasnorte, também no oeste do Estado, as colheitadeiras do produtor Jorge Pires entraram em ação na segunda-feira, segundo um vídeo visto pela Reuters.

Mas as máquinas devem mesmo circular com força a partir de 15 de janeiro no Estado. Segundo Cadore, até 20 de fevereiro, grande parte da soja de Mato Grosso terá sido retirada dos campos, garantindo maior oferta da safra nova para exportação.

PRODUTIVIDADE

No leste do Estado, o produtor Marcos da Rosa disse que o clima favorável deve permitir uma produtividade maior em sua área em relação a 2021.

“É uma micro região onde não está chovendo em excesso e a gente consegue dias de sol”, disse. “Se eu andar 30 quilômetros para o lado da cidade, que é Canarana, já é outro clima.”

O produtor afirmou que colheu em média 65 sacas por hectare em 2021, enquanto a média do município foi de 57 sacas.

Devido à sua extensão, o rendimento das lavouras pode variar nas macro regiões de Mato Grosso.

Entre Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, por exemplo, o excesso de chuvas fez algumas variedades brotarem na vagem, ocasionado perdas importantes, segundo produtores.

O problema também ocorre na região de Sorriso, capital mundial da soja, onde algumas áreas tiveram muitos dias nublados, disse Rosa.

Enquanto isto, no Sul do Brasil, as lavouras sofrem com a falta de chuva e a colheita deve ganhar ritmo mais tarde.

Antônio Galvan, que preside a Aprosoja nacional, afirmou que é cedo para fazer previsões precisas sobre a safra, em meio à seca ao Sul do país.

Ele esteve no Mato Grosso do Sul e passou na terça-feira pelo Paraná, onde viu áreas em situação lastimável.

“Aqui está feio”, disse ele após inspecionar o início pontual dos trabalhos no oeste paranaense, no Estado que pode perder a segunda posição no ranking nacional de produção para o Rio Grande do Sul, após perdas registradas pela seca.

O Brasil caminha para produzir um recorde de mais de 140 milhões de toneladas na safra 2021/22, segundo pesquisa da Reuters divulgada em meados do mês, a despeito do fenômeno La Niña que provoca perdas no Sul.

Governo melhora previsão de déficit primário em 2021 para R$ 89,8 bi, menor rombo em sete anos

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) -Em um ano marcado por forte crescimento na arrecadação tributária, o Ministério da Economia revisou suas estimativas e passou a prever que o governo federal encerrará 2021 com um déficit primário de 89,8 bilhões de reais, o melhor resultado em sete anos.

A previsão faz parte de relatório de receitas e despesas extemporâneo publicado pelo Tesouro Nacional em seus sistemas no dia 20 de dezembro sem que houvesse divulgação à imprensa. A reestimativa permitirá uma ampliação de gastos de ministérios no fechamento do ano.

Na nova projeção, a pasta reduziu em 6 bilhões de reais o rombo previsto para o ano, se comparado com o cálculo apresentado em novembro, quando a conta apontava para um déficit de 95,8 bilhões de reais.

O resultado reflete uma elevação de 10,3 bilhões de reais na receita líquida prevista para o ano, enquanto as despesas foram reestimadas para cima em 4,3 bilhões de reais.

Os números dizem respeito ao governo central, que reúne as contas de Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social.

Com a retomada da atividade econômica após o arrefecimento da pandemia do coronavírus, os dados da arrecadação tributária tiveram forte elevação ao longo do ano, com registros recordes mensais. As receitas também foram favorecidas pela aceleração da inflação e pelo aumento do preço do petróleo no mercado internacional, que impactou o recolhimento de royalties.

Para o fechamento do ano, o Ministério da Economia espera uma receita líquida de 1,565 trilhão de reais, ante 1,555 trilhão de reais estimado cerca de um mês antes e 1,302 trilhão de reais previsto na lei orçamentária aprovada no início deste ano.

A melhora nas receitas foi puxada por ganhos de 2,8 bilhões de reais em Imposto de Renda e 446 milhões de reais em concessões e permissões, na comparação com a previsão de novembro.

Pelo lado das despesas, entre as estimativas de novembro e dezembro, a pasta ampliou em 5,4 bilhões de reais a conta das despesas discricionárias e cortou em 1,1 bilhão a previsão de gastos obrigatórios.

Foram revistos para baixo, por exemplo, gastos com benefícios de prestação continuada (-424 milhões de reais), folha de pagamento de servidores (-339 milhões) e compensação pela desoneração da folha (-221 milhões).

De acordo com a secretaria especial do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, a publicação do relatório extemporâneo foi feita para fins de fechamento do exercício, permitindo uma melhor estimativa das despesas e melhor gestão dos gastos sujeitos à regra do teto, que limita o crescimento dos gastos federais.

Ainda segundo o órgão, a medida permitirá uma redução do empoçamento de recursos, quando os ministérios têm verba disponível, mas não conseguem executá-las em razão de restrições legais ou travas burocráticas.

Após a redução de despesas obrigatórias e aumento nas discricionárias, o governo agora prevê que o teto de gastos será cumprido em 2021, mas com uma margem um pouco mais apertada.

Pela nova projeção, a sobra em relação ao limite de gastos para o ano será de 3 bilhões de reais, ante 6 bilhões da previsão anterior.

(Edição de Isabel Versiani e Luana Maria Benedito)

IGP-M de dezembro veio acima do esperado e derruba Ibovespa

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou hoje (29/12) o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). O índice subiu 0,87% em dezembro, ante alta de 0,02% verificada em novembro.

O índice é normalmente utilizado para reajustes de contratos de aluguel e acumulou alta de 17,78% no ano. Em 2020 a alta dos preços medida pelo IGP-M foi de 23,14%.

O resultado veio maior do que o esperado para o mês de dezembro, enquanto as expectativas apontavam para um índice de 0,65%, de acordo com o site Investing.

Entre os responsáveis pela alta estão os preços da carne bovina e algumas commodities agrícolas.

“O resultado deste mês foi influenciado pela aceleração dos preços de bovinos, reflexo da demanda doméstica e da retomada das exportações e, pela aceleração dos preços de safras afetadas por geadas e seca, como café e cana-de-açúcar”, afirma André Braz, coordenador dos Índices de Preços.

Decomposição do IGP-M

O IGP-M é composto pela ponderação de 3 outros índices: IPA 60%, IPC 30% e INCC 10%.

Para Braz, a alta do IGP-M se deve, em grande medida, pelo valor elevado do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que foi de 20,57% no ano.

Os preços da cana-de-açúcar avançaram 57,13% no ano, enquanto o preço do café subiu 152,35%, no mesmo período.

O IPA  subiu 0,95% em dezembro, após queda de 0,29% em novembro. A principal contribuição para este resultado partiu do subgrupo combustíveis para o consumo, cuja taxa passou de 8,60% para 0,25%, no mesmo período.

Já sobre o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), os itens que tiveram maior influência positiva foram a carne bovina (11,69%), café em grãos (12,52%), cana de açúcar (2,83%), adubos e fertilizantes.

Em contrapartida, os produtos que ficaram mais baratos no período foram batata-inglesa (-29,67%), milho em grão (-2,68%), aves (-5,08%), soja em grão (-1,03%) e leite in natura (-3,48%).

Por fim, o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) variou 0,30% em dezembro, percentual inferior ao apurado no mês anterior, quando o índice registrou taxa de 0,71%. 

Com este resultado, o índice acumula alta de 14,03% no ano, ante 8,66% em 2020. 

A taxa do índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços passou de 1,11% em novembro para 0,49% em dezembro. O índice referente à Mão de Obra variou 0,10% em dezembro, contra 0,28%, em novembro.

Efeito na bolsa de valores

O aumento maior do que o esperado no IGP-M afetou negativamente a bolsa brasileira. O resultado frustrou os agentes de mercado, que estimavam o arrefecimento dos preços neste mês de dezembro.

O receio dos analistas é de que a inflação não caia como o projetado pelo Banco Central e, consequentemente, atue como combustível para o movimento do aumento dos juros (Selic).

Por volta das 12h40 o Ibovespa caía 0,66%, aos 104.215 pontos. Já o dólar subia 0,81%, cotado a R$ 5,67.

Déficit comercial de bens dos EUA bate recorde em novembro

(Reuters) – O déficit comercial de bens dos Estados Unidos disparou a um recorde em novembro, conforme as importações aumentaram e exportações caíram.

O déficit comercial de bens aumentou 17,5%, para 97,8 bilhões de dólares, no mês passado, ante 83,2 bilhões de dólares em outubro, informou o Departamento do Comércio nesta quarta-feira. A leitura ultrapassa o recorde anterior de 97 bilhões dólares, atingido em setembro.

Exportações de bens recuaram 2,1%, enquanto importações subiram 4,7%.

O relatório também mostrou que os estoques no atacado tiveram alta de 1,2% no mês passado, enquanto, no varejo, avançaram 2,0%. Os estoques varejistas excluindo automóveis, que entram no cálculo do PIB, tiveram alta de 1,3%

A economia norte-americana cresceu a uma taxa anualizada de 2,3% no terceiro trimestre, uma queda em relação aos três meses anteriores, mas a atividade se recuperou no quarto trimestre.

(Por Dan Burns)

Hapvida perde fundo e pode iniciar um forte movimento de queda.

Observando o gráfico semanal da Hapvida (HAPV3), é notado que apesar da queda ocorrida com o início da pandemia, o papel logo se recuperou e superou o topo de 2020.

Porém, após fazer topo, o preço recuou e passou a trabalhar em uma tendência lateral.

Após praticamente ficar seis meses andando de lado, o retângulo foi rompido para baixo e o ativo deu início a um forte movimento de queda.

Conforme mostrado, o preço seguiu caindo até o terceiro alvo projetado pelo retângulo. Depois de alcançar este alvo, o ativo tentou subir. Mas, ao se aproximar da média móvel de 20 períodos, encontrou uma resistência e voltou a cair.

Com o forte movimento de queda, o papel chegou a romper o suporte oferecido pelo terceiro alvo do retângulo. Contudo, o papel conseguiu subir e fechou a semana acima do suporte.

Cenário baixista no gráfico diário

Traçando as retrações de Fibonacci sobre essa movimentação de baixa no gráfico diário, é notado que o ativo subiu até a retração de 61,8% e voltou a cair na sequência.

Contudo, o candle que tocou a retração de 61,8% e superou a média móvel de 20 períodos é nitidamente um movimento de exaustão.

Como o ativo estava subindo após fazer fundo, testou várias vezes a resistência gerada pela retração de 38,2%, sem conseguir rompê-la. Então, quando a média de 20 tocou no preço, o ativo abriu com um grande gap de alta, praticamente sobre a retração de 61,8%. No mesmo dia fez um forte movimento de queda, fechando abaixo da resistência.

Após o candle de exaustão, o preço foi sendo guiado pela média de 20. Ontem o ativo chegou a perder o suporte gerado pelo fundo anterior, mas fechou sobre ele.

Hoje o ativo vem caindo novamente, indicando que irá acionar o pivô de baixa. Isso pode levar o papel a um novo movimento de queda que tem como terceiro alvo o suporte deixado em março de 2020.

Caso o movimento de queda tenha força para romper os suportes intermediários e alcançar o terceiro alvo projetado pelo pivô, o preço das ações da Hapvida poderá voltar ao fundo deixado em março de 2020.

Receio com queda da bolsa faz demanda por opções aumentar nos EUA

Nos EUA, os investidores estão cada vez mais se voltando para a ferramenta das opções para se protegerem caso o mercado de ações caia nas próximas semanas.

Os traders estão aumentando as compras de contratos de opções de venda (chamadas de puts), na esperança de que os derivativos ofereçam uma proteção caso as ações caiam do território recorde. 

Vários são os fatores para justificar uma possível queda.

Primeiramente, o fato do S&P 500 está constantemente renovando seu topo histórico, sem uma alta correspondente nos lucros das empresas, é um indicativo de que as ações podem estar caras.

Além disso, há o receio de uma nova onda de disseminação da variante do coronavírus, chamada de Ômicron. 

Outro fator que tem causado apreensão entre os investidores é a política monetária mais rígida do Federal Reserve (Fed), que deve aumentar os juros em meados de 2022.

Tudo isso tem levado tanto os comerciantes de varejo quanto os institucionais a adotarem medidas para se proteger contra uma eventual reviravolta dos mercados.

O que são opções?

Opções são contratos negociados no mercado financeiro que dão ao seu detentor o direito de comprar ou de vender um determinado ativo por um valor estabelecido em uma data específica do futuro. 

Um contrato de opção estabelece um preço predefinido (preço de exercício, também chamado de strike) e uma data de vencimento em que a negociação poderá ou não ocorrer, a depender da situação.

Basicamente, há dois tipos de contratos de opções:

  1. Opções de venda (chamadas de put);
  2. Opções de compra (chamadas de call).

Dessa forma, a pessoa que comprou uma opção de compra (call) de uma ação terá o direito de exercer a compra do ativo a um preço determinado em uma data futura (data de vencimento).

Enquanto que, do outro lado, a pessoa que vendeu a call terá a obrigação de comprar o ativo ao preço estabelecido na data acordada.

O contrário ocorre em contratos de puts (opções de venda). Ou seja, o comprador terá o direito de vender a ação pelo preço estipulado, enquanto que o vendedor da opção terá que fazer a compra caso o titular exerça seu direito.

Em termos gerais, todo direito é acompanhado de um dever. Caso eu queira ter o direito de negociar um ativo a um determinado preço específico, outra pessoa terá que assumir um dever com essa negociação.

Para adquirir uma opção é preciso pagar um certo preço (prêmio da opção). Esse valor irá para o agente que aceitar incorrer na obrigação estipulada no contrato.

O que o aumento da procura de opções significa?

A mudança de comportamento dos investidores nos EUA é uma mudança digna de nota. Isso porque indica que a sensação de incerteza e o medo vem aumentando entre os agentes de mercado, o que pode gerar uma fuga das bolsas a partir de pequenos ruídos negativos.

“Quando você tem inflação, registra altos preços de ativos e taxas de juros em alta, isso cria uma tempestade perfeita para pessoas que desejam comprar um pouco de proteção extra”, disse Tom Sosnoff, cofundador da corretora Tastyworks. 

“Sempre que você consegue recordes de alta, as pessoas pensam ‘quando é que o sapato vai cair?’.”

Vishal Vivek, estrategista do Goldman Sachs, observou que as negociações de opções de venda de ações atingiram um recorde de US$ 353 bilhões em 3 de dezembro e que os volumes diários médios de negociação de US$ 233 bilhões em novembro foram um recorde histórico. 

Vivek acrescentou que a média de volume de venda diária de US$ 217 bilhões em dezembro permaneceu elevada “apesar de um declínio nas opções de compra de ações individuais”. 

Há sinais de que parte dessa compra está vindo de traders varejistas. Jason Goepfert, da SentimenTrader, estima que cerca de 23% dos novos contratos de opções de varejo abertos na semana encerrada em 17 de dezembro foram para opções de venda, ante 16% no início de novembro.

Van Dooijeweert acrescentou que não foram simplesmente os comerciantes de varejo se voltando para as opções. Os grandes gestores de dinheiro também estão se movimentando em torno de contratos de opções, usando-os para proteger suas carteiras em vez de títulos do Tesouro.

De acordo com dados da Cboe Global Markets e Option Metrics, no geral, o número de contratos de venda em aberto aumentou mais de 25% desde o final de 2019.

Taxa de desemprego cai mais do que o esperado e derruba Ibovespa

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 12,1% no trimestre encerrado em outubro, de acordo com dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados foram melhores do que as expectativas dos agentes de mercado, que esperavam uma queda da taxa de desemprego para 12,3%.

A população desocupada caiu 10,4% na comparação com o trimestre anterior – de 14,4 milhões de pessoas para 12,9 milhões. 

Na comparação anual, a queda foi de 11,3% – eram 14,6 milhões de desempregados no trimestre encerrado em outubro de 2020.

Apesar da queda do desemprego, o rendimento médio da população ocupada encolheu 11,1% em 12 meses, para R$ 2.449,00, sendo o menor nível desde o início da série histórica, em 2012.

Outro fator negativo foi o recorde no número de trabalhadores por conta própria, o que significa aumento da informalidade.

A taxa de informalidade manteve a trajetória de alta, atingindo 40,7% da população ocupada, ou 38,2 milhões de trabalhadores. No trimestre anterior, a taxa havia sido 40,2% e, no mesmo trimestre de 2020 estava em 38,4%.

Desemprego em baixa pressiona bolsa de valores

Se, de um lado, a melhora dos dados de desemprego é um sinal positivo para a retomada da economia, de outro, isso tem efeito negativo sobre a renda variável.

Isso porque a sinalização de uma recuperação econômica mais rápida do que a esperada gera uma pressão adicional sobre os índices de inflação

Consequentemente, as expectativas de que o Banco Central manterá sua política de aumento dos juros ganham força frente à tese de que uma provável desaceleração arrefeceria a elevação dos preços.

De acordo com o relatório Focus, os economistas de mercado estimam uma Selic de 11,50% em 2021, embora as previsões de juros acima dos 12% estejam no radar de muitos analistas.

Com isso, o Ibovespa operou em queda de 0,83% na primeira parte do pregão de hoje, indo na contramão dos principais mercados mundiais, que sobem nesta terça-feira (28/12).

Queda da Vale

Outro fator que explica a queda do Ibovespa no dia de hoje é o desempenho negativo das ações da Vale (VALE3).

Até às 13h26 as ações da mineradora caíam 2,76%. Entre os motivos estão a queda de mais de 3% dos contratos futuros do minério negociados em Dalian, devido a preocupações com excesso de oferta, já que as usinas retomarão a produção nos próximos meses.

Soma-se a isso o contratempo nas negociações envolvendo a joint venture Samarco – que pertence à Vale e BHP – com credores em conversas para um acordo de recuperação judicial.

Wall St tem 5° pregão de alta; S&P 500 toca máxima recorde

Por Medha Singh e Bansari Mayur Kamdar

(Reuters) – O S&P 500 rondava máximas recordes nesta terça-feira, com a confiança na economia dos Estados Unidos ajudando investidores a afastar preocupações sobre interrupções de viagens e fechamentos de lojas causados pela variante Ômicron do coronavírus, com Wall Street estendendo um rali de quatro dias em meio a baixos volumes de negociação.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA encurtou o tempo de isolamento recomendado para norte-americanos com casos assintomáticos de Covid-19 para cinco dias, ante orientação anterior de dez dias.

A atualização da orientação do CDC, associada às aprovações de novos comprimidos e mais vacinas contra a Covid-19, ajudou o mercado a olhar além dos milhares de cancelamentos de voos e do fechamento das lojas da Apple em Nova York devido ao aumento de casos da doença, deixando os três principais índices de Wall Street a caminho de ganhos mensais.

“Esta mudança de política está enviando a mensagem de que (a Covid) está se tornando mais parecida com a gripe e menos com as variantes que vimos no início, quando não tínhamos tratamentos, nem vacinas e era muito mais mortal”, disse Thomas Hayes, membro gerente da Great Hill Capital, em Nova York.

O S&P 500 e o Nasdaq registraram na segunda-feira sua melhor sequência de quatro dias desde novembro de 2020, com o S&P 500 fechando em pico histórico.

Entre os 11 principais setores do S&P 500, oito eram negociados em alta nesta terça-feira, com o índice financeiro liderando os ganhos.

Às 12:45 (de Brasília), o índice Dow Jones subia 0,48%, a 36.476,78 pontos, enquanto o S&P 500 ganhava 0,15%, a 4.798,30 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq Composite recuava 0,05%, a 15.863,71 pontos.

(Por Medha Singh em Bengaluru)

Ecorodovias pode iniciar queda livre!

As ações da Ecorodovias realizaram um belo movimento de alta entre abril de 2019 e janeiro de 2020. Infelizmente com a pandemia a empresa perdeu mais de 50% do valor de mercado e depois da queda entrou em uma grande consolidação.

Conforme mostrado, a figura formada foi um triângulo simétrico. Geralmente essa é uma figura de reversão, mas a mesma foi rompida para baixo, o que deu impulso para uma nova queda.

As linhas tracejadas representam importantes suportes que o ativo criou em anos anteriores. Com a crise econômica gerada pela pandemia, as ações da Ecorodovias caíram até a região do suporte, que segurou o preço duas vezes. Com o movimento de queda após o rompimento do triângulo, o suporte foi testado novamente.

O suporte segurou o preço por várias semanas, mas em um forte movimento de baixa, o suporte foi rompido, abrindo caminho para a continuidade da queda.

Com a forte queda das últimas duas semanas, o ativo alcançou o primeiro alvo da consolidação formada sobre o suporte.

Observando o gráfico diário, é notado que o alvo vem se comportando como um suporte, segurando o preço por diversos dias. No entanto, a força vendedora continua pressionando o preço para baixo e hoje o suporte está sendo rompido.

Papel vai entra em queda livre?

Conforme mostrado no gráfico, o segundo alvo projetado pelo retângulo está justamente sobre o outro suporte que foi destacado pela linha tracejada.

Caso o suporte segure o preço, e um padrão de reversão seja formado, é provável que o ativo consiga fazer um movimento de alta para se afastar do fundo. Entretanto, se o suporte for perdido, o caminho estará livre para um novo movimento de queda.

Observando o gráfico mensal para verificar onde se encontra o próximo suporte, é visto que o fundo formado em janeiro de 2016 é a região de suporte mais evidente.

Caso o suporte da região dos R$6,70 seja perdido, o ativo terá caminho livre até a região dos R$2,90, que é onde se encontra o suporte de 2016.

No entanto, traçando os alvos do triângulo que foi rompido, é visto que o alvo de 100% está na região dos R$5,50. Normalmente o alvo de uma figura se comporta como um suporte para movimentos de queda. Assim, também é possível que o ativo caia até essa região de preços e consiga subir na sequência.

De qualquer forma, o cenário não está propício para a empresa. A menos que algo muito bom aconteça, como um ótimo resultado do quarto trimestre, por exemplo, é esperado que o preço das ações continue caindo.

Dólar avança ante real com receios fiscais domésticos ofuscando humor externo

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar devolveu completamente as perdas registradas no início da sessão e tinha alta contra o real nesta terça-feira, apesar do clima otimista nos mercados internacionais, conforme investidores locais avaliavam as perspectivas da saúde fiscal do Brasil.

Em semana de liquidez reduzida devido à aproximação do fim do ano, participantes do mercado não descartavam a possibilidade de oscilações na direção da divisa norte-americana ao longo do pregão.

Às 10:13 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,16%, a 5,6484 reais na venda. A moeda já oscilou entre 5,6210 reais na mínima do dia (-0,32% ) e 5,6629 reais na máxima (+0,41%).

Na B3, às 10:13 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,32%, a 5,6505 reais.

Receios fiscais seguiam sob os holofotes, com agentes locais monitorando a situação dos auditores da Receita Federal que entregaram seus cargos em ato contra cortes orçamentários.

Segundo nota de Victor Guglielmi, economista da Guide Investimentos, a greve dos funcionários da Receita, bem como as negociações em torno reajustes do funcionalismo público, deve “sustentar cautela no início de 2022”.

Temores sobre despesas adicionais no próximo ano vêm depois de o governo ter conseguido, por meio da PEC dos Precatórios, alterar a regra do teto de gastos para abrir o espaço fiscal necessário para financiar auxílio à população no valor de 400 reais por família.

Isso gerou entre parte dos mercados a percepção de que as regras fiscais do Brasil poderiam estar sujeitas a mais alterações no futuro de forma a comportar mais gastos, o que minaria a confiança de investidores estrangeiros no país.

“A pressão por reajustes salariais e mais gastos públicos segue intensa (e assim deve continuar), mantendo um pano de fundo de incerteza e fragilidade”, comentou em blog Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos.

Enquanto isso, no exterior, o índice do dólar contra uma cesta de seis rivais fortes tinha variação negativa de 0,05% nesta terça-feira, em meio à redução de temores sobre os efeitos econômicos da variante Ômicron do coronavírus.

Já as bolsas europeias e os futuros de Wall Street registravam ganhos nesta manhã, evidenciando o maior apetite por risco nos mercados internacionais. [.EUPT] [.NPT]

“Os ativos de risco estão dando continuidade aos movimentos positivos verificados desde o final da semana passada”, disse Kawa.

“A pandemia está sendo lida como mais uma ‘onda’ pontual disse ele, afirmando exergar “cenário de curto prazo mais construtivo, mas com riscos ainda elevados e crescentes de longo prazo”. Entre os pontos de cautela, ele citou a inflação global e a redução dos estímulos de grandes bancos centrais.

Com o desempenho deste pregão, o dólar fica a caminho de encerrar 2021 em alta de cerca de 9% contra o real.

O dólar fechou a última sessão a 5,6393 reais na venda.

(Edição de Isabel Versiani)