Ações de tecnologia foram destaque em 2021 e seguem recomendadas

O termo FAANG é usado entre os investidores de ações para descrever o grupo das maiores empresas do setor de tecnologia: Facebook (agora Meta), Amazon, Apple, Netflix e Google.

Embora estejam de fora da sigla, talvez seja apropriado incorporar mais dois nomes neste conjunto: a Tesla e a Microsoft

Há alguns analistas que optam por chamar essas ações de “ações de uma única decisão”, ou seja, são ações que você deve comprar e nunca mais vendê-las.

Isso porque estas são talvez as companhias com maior potencial de inovação e adaptabilidade do mundo. 

A tecnologia é um dos principais fatores responsáveis pelo crescimento das empresas e das sociedades. 

É a partir das inovações tecnológicas que a humanidade se desenvolveu, criou novos produtos, novos empregos, diferentes formas de se relacionar e elevou seu nível de bem-estar.

E se há algum lugar que as próximas inovações deverão se desenvolver, é muito provável que as ações FAANGs contribuirão de alguma forma.

Entretanto, como é de praxe lembrar, todo potencial ganho é acompanhado de um grau de risco de mesmo tamanho. E isso não é diferente com as ações que citamos aqui.

Elas estão precificando um crescimento de lucro abismal para os próximos anos. Caso este crescimento não ocorra, é bem provável que suas cotações caiam fortemente.

Porém, se o crescimento for igual ou acima do esperado, é também igualmente esperado que os preços continuem subindo ininterruptamente.

Desempenho em 2021

Todas as ações citadas aqui possuem suas versões em BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que permitem aos investidores brasileiros investirem sem precisar enviar dinheiro para o exterior.

Estas podem ser acessadas a partir dos seguintes tickers:

  • Alphabet (dona da Google): GOGL34
  • Amazon: AMZO34
  • Apple: AAPL34
  • Facebook (atualmente chamada de Meta): FBOK34
  • Microsoft: MSFT34
  • Netflix: NFLX34
  • Tesla Motors: TSLA34

Ao contrário das ações brasileiras, as BDRs das gigantes da tecnologia se valorizaram fortemente neste ano de 2021. 

Uma pequena parte se deve ao dólar, que subiu cerca de 9% neste ano. Porém, a maior parcela dos ganhos se deve às perspectivas positivas para o futuro.

Em ordem de desempenho das BDRs do grupo de gigantes da tecnologia que mais subiram no ano, temos: Google (+81%), Microsoft (+67,7%), Tesla (+62%), Apple (+ 48,2%), Facebook (+37,6%), Netflix (+25%), Amazon (+13,6%).

Recomendações

Quem investiu nas ações de tecnologia em 2021 teve bons ganhos, ultrapassando o Ibovespa no ano. 

Apesar da Alphabet ter sido a maior alta do ano, se engana quem achar que a ação chegou ao topo e não tem muito ainda a entregar.

Para a UBS, a dona da Google ainda tem um bom caminho de subida pela frente e deve continuar apresentando um desempenho superior frente ao mercado.

De acordo com o relatório do banco, o preço-alvo das ações da Alphabet negociadas nos EUA é de US$ 3.925,00, o que nos dá um potencial de ganho de cerca de 32% em relação à cotação atual.

Outra companhia com boa recomendação é a Apple. As ações negociadas no mercado americano estão com recomendação de compra pelo banco Morgan Stanley, com preço alvo de US$ 200,00. 

Aqui o potencial de ganho é menor, de 17,6%, mas que pode aumentar a depender da mudança de expectativas na medida em que os projetos da companhia forem tendo sucesso.

É hora de comprar? Ações da Lojas Renner já caíram 54% desde a pandemia

Se tem um setor que foi fortemente penalizado com a crise da pandemia da Covid-19, com certeza foram as lojas varejistas de moda. 

Devido a política de distanciamento social, com restrições de circulação de pessoas e proibição de eventos, os consumidores foram menos vezes aos comércios e compraram menos roupas nos últimos dois anos.

Entre as vítimas da pandemia, temos a Lojas Renner (LREN3), cujo valor das ações já caiu 54% desde o pico histórico, em janeiro de 2020, quando custavam R$ 54,26. 

Atualmente, as ações da varejista estão custando R$ 24,60.

Pontos negativos da LREN3

No geral, as incertezas quanto a capacidade da gestão de recuperar as margens e o crescimento pré-pandemia seguem como principais justificativas para os preços baixos das ações da Renner.

Entre os fatores precificados nessa forte queda estão:

  • a queda de 48% do lucro líquido dos últimos 12 meses em relação ao ano de 2019;
  • o aumento de 100% da dívida bruta;
  • a queda do ROE (Retorno sobre o patrimônio), de 23,36% em 2019 para 5,98% nos últimos 12 meses;
  • o receio de novas restrições para as lojas devido às chances de uma nova onda de contaminação.

Pontos positivos da LREN3

Apesar dos fatores negativos, as Lojas Renner têm tido relativo sucesso na recuperação das receitas perdidas no ano de 2020.

Durante todo o ano passado, a Renner teve uma receita de R$ 7,5 bilhões, o que representou uma queda de -21,39% em relação a 2019. 

Já nos últimos 12 meses, a receita líquida da empresa aumentou em 29,63% e já ultrapassa os valores pré-pandêmicos em cerca de R$ 200 milhões.

Isso mostra a capacidade da varejista em se adaptar à nova realidade e reconquistar o mercado. 

Vale destacar que essa recuperação não foi um mero resultado da conjuntura econômica, pois o emprego e a renda do brasileiro continuam em baixa.

A empresa tem adotado várias ações para se destacar no mercado e aumentar suas vendas.

Entre as principais medidas foi a compra da loja Repassa, um brechó online com atuação em todo o Brasil.

As aquisições são uma forma importante para buscar o crescimento em outras áreas e também fortalecer a participação no comércio online.

Além da Repassa, outras aquisições devem ocorrer, visto que, em maio, a companhia reforçou seu caixa com uma oferta subsequente de ações que levantou R$ 4 bilhões.

Outro vetor de crescimento possível daqui pra frente são as inovações, com o planejamento de criação de lojas circulares e até mesmo o uso do metaverso para a realização de eventos.

Atualmente a Renner conta com 600 lojas em operação pelo País e vem apostando em conceitos de circularidade e omnicanalidade para seus estabelecimentos. 

A ideia principal da rede é oferecer experiências de compra mais sustentáveis e inovadoras, incorporando princípios da economia circular.

Com tudo isso em conta, várias casas de análises seguem recomendando fortemente a compra do ativo. Vejamos as principais avaliações.

Recomendação do BB Investimentos

O BB Investimentos tem recomendação de compra para as ações da Lojas Renner, com preço-alvo de R$ 43,00. Isso representa um ganho potencial de cerca de 75%.

Segundo os analistas da casa, as justificativas para o investimento se dão pela gradual recuperação do setor de vestuário, evolução do ecossistema de moda e estilo da companhia, e os múltiplos descontados.

“Nossa opção por Lojas Renner para compor a Seleção BB 2022 está calcada na captura de valor com a evolução do seu plano estratégico, continuidade da recuperação gradual do setor de vestuário, múltiplos bastante descontados frente à sua média histórica e capacidade superior da companhia em combinar crescimento com rentabilidade, em comparação aos seus pares de mercado”.

Opinião do banco Santander

Para o banco Santander as ações da LREN3 estão bem descontadas em relação ao preço-justo avaliado pelo time de analistas da casa, que é de R$ 44,00.

A opinião da instituição é que a companhia está à frente de outras varejistas de vestuário, o que fez com que a Lojas Renner seja a única do segmento com recomendação de compra pelos analistas do banco.

O banco vê a Renner seguindo uma execução consistente, com recuperação mais rápida do crescimento das vendas nas mesmas lojas e bom posicionamento em relação a sua estratégia digital.

Avaliação da Ativa Investimentos

Os analistas da Ativa Investimentos reduziram o preço-alvo das ações da LREN3, de R$ 56,30 para R$ 40,90, refletindo as atuais premissas para o cenário macroeconômico do país.

Apesar disso, ainda assim, a corretora enxerga no ativo uma boa oportunidade de investimento devido ao baixo valor que as ações alcançaram. 

A expectativa é que, com a volta ao normal, a empresa consiga rapidamente ter uma performance próxima ao período pré-pandêmico. 

Os resultados do terceiro trimestre corroboram para a crença de que a Lojas Renner consiga se recuperar rapidamente. 

Outro fator que contribui para as projeções otimistas é o fato da companhia estar bem capitalizada para enfrentar as turbulências do mercado.

“Em um momento de pressão no cenário macroeconômico, o fato da companhia estar capitalizada é um fator positivo, além de deixar a Renner em uma boa posição para aproveitar possíveis oportunidades de fusões e aquisições que complementem seu ecossistema”.

Já em relação aos vetores de crescimento, os analistas mencionam o plano de expansão de lojas, com uma orientação de abertura de mais de 100 unidades da marca principal até 2025.

“Também enxergamos a empresa em uma boa posição para capturar o aumento da penetração digital no varejo de moda brasileiro, com a aceleração de iniciativas omnichannel [vendas por múltiplos canais] bem executadas e que vêm ganhando tração, mesmo diante de uma forte base de comparação”, acrescenta.

Para onde irá o Ibovespa em 2022? Veja as principais estimativas

Como de costume para a maioria das pessoas, o fim de ano é época de fazer retrospectivas e desenhar projeções para os próximos 12 meses.

Isso não é diferente no mercado financeiro.

Sabemos que 2021 foi um ano de muita turbulência, com recorde de 130 mil pontos no Ibovespa e uma forte queda em seguida, que levou o índice para o patamar dos 100 mil pontos.

Para 2022 o cenário não deve ser diferente. As eleições prometem ser um fator de forte volatilidade para a bolsa e o câmbio.

Além disso, há a incerteza de até quando o Banco Central levará a Selic. Campos Neto tem sido implacável com a inflação, mas até que ponto desconsiderará os efeitos do aperto monetário na atividade econômica?

Ah, e não podemos deixar de fora a conjuntura externa, com as expectativas apontando para uma recuperação mais lenta da China e aumento de juros nos EUA. 

Dentro deste contexto, vejamos quais as estimativas das principais instituições financeiras para a bolsa de valores do Brasil.

BB Investimentos

Para o BB Investimentos o Ibovespa deve chegar aos 137 mil pontos até o fim de 2022. Caso se concretize essa projeção, teremos uma valorização de cerca de 30%, considerando o fechamento de ontem (21/12).

Segundo a corretora do Banco do Brasil, a forte queda deste ano abriu espaço para investimento na bolsa. 

Apesar dos problemas políticos que deverão ocorrer em 2022, o cenário micro é favorável e deverá ser o principal vetor de crescimento. 

Para a instituição, as empresas deverão entregar bons resultados, mesmo diante da desaceleração do crescimento econômico. 

Porém, o BB Investimentos chama atenção para os potenciais riscos que podem fazer com que a projeção seja revista. 

“Como são muitas as incertezas acerca do crescimento para o ano que inicia, que ainda sofrerá com pressão inflacionária e juros no patamar de dois dígitos, essa pontuação tende a ser revista à medida que forem sendo divulgados os resultados das empresas, bem como pelo refinamento da nossa visão sobre as taxas de desconto”, argumenta.

Entre os possíveis problemas está a elevada probabilidade de piorar a liquidez global devido ao efeito da alta dos juros no mercado norte-americano. 

Caso o Fed mantenha sua política de aperto monetário, o efeito deverá ser uma fuga de recursos para fora, movimento que ocasionará uma pressão adicional em nossa Bolsa.

Bradesco

De acordo com o último relatório do Bradesco BBI, as ações brasileiras continuam a ser um caso de alto risco, dadas as incertezas, mas possuem uma assimetria para o lado positivo.

As projeções da instituição apontam para Ibovespa negociado aos 130 mil pontos ao fim de 2022.

Vale lembrar que essa estimativa está bem abaixo dos 150 mil que o próprio time de análise fez anteriormente.

Ainda assim, caso estejam certos, o potencial de valorização das ações brasileiras é de cerca de 23%.

O Bradesco BBI acredita que o principal fator catalisador da alta será uma convicção cada vez maior entre os investidores de que um ajuste fiscal mais rígido será feito após as eleições.

Os demais vetores de crescimento ficam por conta do maior apetite global ao risco, surpresas positivas no crescimento do lucro das empresas e riscos inflacionários se dissipando.

BTG Pactual

Para o BTG Pactual, o Ibovespa deverá encerrar o próximo ano por volta dos 132 mil pontos. Segundo o time de analistas, esse cenário “pode parecer otimista em relação à situação atual, mas viável se o Brasil voltar aos trilhos”.

Caso se concretize, isso significaria um potencial de valorização da ordem de 25% em relação ao patamar atual. 

Nessa projeção, o banco de investimentos levou em conta suas estimativas para o lucro das empresas em 2022. 

O cenário base leva em conta como premissas um múltiplo P/L (preço da ação dividido pelo lucro por ação) de 12,7x do Ibovespa em 12 meses (excluindo Petrobras e Vale). Esse valor estaria em linha com a média histórica do índice.

Já no cenário macro, o banco leva em conta uma inflação de 3,5% e taxas de juros reais de longo prazo de volta a 4%, patamar em que estavam há alguns meses. Também está na conta do banco um crescimento real do PIB de longo prazo de 2%.

XP Investimentos

Segundo a XP Investimentos, o Ibovespa deve alcançar os 123 mil pontos no ano que vem. Isso representa uma valorização de aproximadamente 16%.

Segundo o relatório assinado pelos estrategistas, o índice segue barato, mas as métricas deprimidas de valuation, por si só, não são garantias de valorização do Ibovespa em 2022. 

“O índice Ibovespa continua barato, com sua relação P/L (Preço/Lucro) de 12 meses atualmente sendo negociada em 7,6x, um desconto de quase 30% em relação à sua média de 15 anos de 11,2x. Ao retirar as duas maiores empresas de commodities do índice, Vale e Petrobras, vemos que a relação P/L continua abaixo de sua avaliação histórica, em 10,6x”, afirmam os analistas da XP.

Por outro lado, a corretora afirma que pode mudar sua projeção se os riscos nacionais e globais diminuírem. 

Morgan Stanley

Em relatório sobre perspectivas para a América Latina, o Morgan Stanley definiu uma pontuação-alvo de 120 mil pontos para o Ibovespa ao final de 2022. 

A perspectiva é mais pessimista em relação às demais instituições, e representa uma alta potencial de cerca de 13%.

Apesar disso, o banco afirma que seus indicadores sugerem que as ações brasileiras estão baratas em relação à média histórica dos últimos 18 anos. 

Por isso, o Morgan Stanley disse estar com uma exposição maior em ativos do Brasil para o próximo ano, com recomendação de “overweight” (acima da média do mercado). 

Contudo, o Morgan Stanley chama atenção para os riscos e diz estar cauteloso em sua alocação de ativos no Brasil, por acreditar em pressões negativas que jogam contra a valorização dos papéis.

Ações da Embraer (EMBR3) disparam com notícia sobre fusão

A Embraer acertou a fusão de sua subsidiária de aeronaves elétricas Eve com a SPAC norte-americana Zanite, que é focada no setor de aviação.

SPAC é a sigla em inglês para Empresa de Aquisição de Propósito Específico focada no setor de aviação. 

Também conhecida como “empresa de cheque em branco”, é uma sociedade anônima listada em bolsa de valores com o objetivo de adquirir uma empresa privada, tornando-a pública sem passar pelo processo tradicional de oferta pública inicial (IPO).

A notícia fez com que as ações da companhia subissem 15,97%, com a cotação de R$ 23,09.

A junção é sinal de que a Embraer está de olho em uma possível listagem na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em 2022.

A previsão é de que a operação de fusão entre a EVE e a Zanite seja concluída no segundo trimestre do ano que vem. 

A nova empresa nasce com valor patrimonial pró-forma de aproximadamente US$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 16,5 bilhões, na cotação de hoje).

Entenda a negociação

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Embraer afirmou que após a conclusão da transação, a Zanite mudará seu nome para Eve Holding, Inc.

Outra mudança prevista é a alteração do ticker da empresa listada na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), que passará a ser “EVEX” e “EVEXW”. 

A Embraer permanecerá como acionista majoritária, por meio de sua subsidiária Embraer Aircraft Holding, Inc. Após o fechamento do negócio, a participação acionária da companhia brasileira será de aproximadamente 82% na Eve Holding.

A fusão permitirá à Embraer levantar recursos para financiar as operações da Eve, além de investir no crescimento do negócio.

Os recursos serão financiados por uma combinação de aproximadamente US$ 237 milhões em dinheiro fiduciário da Zanite e um PIPE (Private Investment in Public Equity) de US$ 305 milhões de ações ordinárias.

O PIPE é um mecanismo usado por uma empresa para captar recursos mais rapidamente por meio do mercado de capitais. Ele ocorre quando um investidor institucional ou credenciado compra ações diretamente de uma empresa pública abaixo do preço de mercado.

Por terem requisitos regulamentares menos rigorosos do que as ofertas públicas (IPO), os PIPEs economizam tempo e dinheiro das empresas e arrecadam fundos mais rapidamente.

O ponto negativo é que o preço descontado das ações do PIPE significa menos capital para a empresa e sua emissão dilui efetivamente a participação dos atuais acionistas.

No plano da Eve Holding, Inc, os US$ 305 milhões em ações ordinárias serão vendidos a US$ 10,00 por ação. 

Deste valor, US$ 175 milhões serão da própria Embraer. Os demais valores serão aportados pela Zanite Sponsor (US$ 25 milhões) e por um consórcio de investidores financeiros e estratégicos (US$ 105 milhões), incluindo Azorra Aviation, BAE Systems, Bradesco BBI, Falko Regional Aircraft e Republic Airways.

Recomendação para EMBR3

A notícia de hoje sobre a fusão deve abrir novas oportunidades para a Embraer, visto que a subsidiária Eve atua em um setor de forte potencial de crescimento, com inovações que podem revolucionar o setor aéreo.

Antes deste evento, as ações da Embraer apresentavam perspectiva positiva pelos analistas de mercado.

Segundo a equipe de análise do BTG Pactual, a EMBR3 passa por um bom momento de curto prazo.

A companhia apresentou um bom desempenho no terceiro trimestre de 2021, com expectativa positiva para o seu fluxo de caixa no fechamento do ano.

Com as projeções apontando uma recuperação dos lucros, a recomendação do BTG é de compra para as ações da EMBR3, com preço-alvo de R$ 26,00.

Isso representa um potencial de ganho de cerca de 11,50%, mas que deve ser maior com a incorporação da fusão da Eve na análise.

Nubank (NUBR33) cai de valor, mas segue avaliada acima dos seus pares

Após pouco menos de completar três semanas desde a estreia na bolsa de Nova York, os papéis do Nubank (NU) estão sendo negociados em queda de cerca de 10% em relação ao preço de lançamento.

A última cotação foi de US$ 8,94, na segunda-feira (21/12), valor que também está abaixo do preço de seu IPO, de US$ 9.

Logo na estreia, as ações do Nubank tiveram alta de mais de 10% e atingiram os US$ 11,86 na mesma semana da oferta pública. 

O Nubank também lançou recibo de ações, os chamados BDRs (Brazilian Depositary Receipts), na B3, com o símbolo NUBR33, que também está sendo negociada com preço em queda.

Quando lançado, o BDR custava R$ 8,36, disparando 20% no dia da abertura, chegando a R$ 11,50. Desde então, os recibos só caíram e já se encontram na faixa dos R$ 8,60.

Mesmo com a queda do dia, o banco digital ainda é a instituição financeira mais valiosa da América Latina, valendo cerca de R$ 231 bilhões.

Isso é mais do que o Itaú , por exemplo, que até então era o banco de maior valor na América Latina (R$ 195 bilhões).

Ações ainda sobrevalorizadas

Para os analistas do BTG Pactual, o Nubank é uma marca adorada pelos brasileiros, possui clientes engajados e um fundador ambicioso. Tais características são excelentes para uma startup. 

Entretanto, para a instituição financeira, a compra do Nubank é uma “aposta arriscada”. Em seu relatório, o BTG estimou o preço-justo de US$ 10,00 até o fim de 2022 para os papéis do Nubank. 

Com a precificação atual e o cenário negativo no Brasil, o Nubank poderá ter que colocar o pé no freio, e isso não condiz com o valuation esticado.

O BTG Pactual iniciou a cobertura do Nubank fixando o preço-alvo para os papéis em US$ 10,00 ao fim de 2022, o que representa um potencial de ganho de 11,8% considerando a cotação atual.

Devido ao risco elevado, a classificação para o papel é neutra. 

“No geral, não temos dúvidas de que a história é muito convincente. Tememos, no entanto, que a combinação entre múltiplos extremamente altos e o momento ruim das ações tornem o investimento uma aposta muito arriscada. O Nu ainda parece muito mais com um banco do que com um software”, diz o BTG.

Um abismo entre Nubank e seus pares

Se tem uma instituição que tem o potencial de revolucionar o mercado bancário brasileiro, com certeza é o Nubank. 

O banco digital tem sido constantemente elogiado por seus clientes por facilitar o acesso ao crédito e desburocratizar os processos inerentes ao sistema financeiro.

Além disso, o roxinho também tem avançado na tentativa de capturar investidores a partir da incorporação de uma corretora dentro do aplicativo do banco, além do oferecimento de vários serviços, como seguro de vida.

A “descomplicação” dos serviços oferecidos no aplicativo aumenta as chances de adesão dos clientes de média e baixa renda. 

Além disso, ser digital pode ser uma vantagem competitiva poderosa, já que o Nubank pode aumentar suas receitas sem incorrer em custos de abertura de agências e contratação de funcionários.

Porém, a dúvida do momento é se isso é o suficiente para superar a grande distância entre a fintech e os “bancões”.

Esse abismo aparenta ser insuperável quando analisamos alguns dados, como receita, lucro e carteira de crédito.

Vejamos estes dados na tabela abaixo, de acordo com informações fornecidas pela Bloomberg:

Agência Nubank Itaú Bradesco
Receita R$ 5,6 bi R$ 195 bi R$ 102 bi
Lucro – R$ 0,6 bi R$ 29,5 bi R$ 24,2 bi
Carteira de crédito R$ 28 bi R$ 212 bi R$ 195 bi
Clientes 48 mi 86 mi 73 mi

 

Como se percebe, embora o Nubank venha tendo sucesso na captação de clientes, a sua capacidade de extrair valor ainda é baixa.

Apesar de ter mais da metade do número de clientes do Itaú, a carteira de crédito é de pouco mais do que 10% do segundo maior banco brasileiro.

Será necessário muita inovação para elevar sua participação de mercado e lucratividade, a fim de fazer valer a pena o seu valor atual.

Nvidia (NVDC34): boa opção para quem quer apostar no metaverso

A Nvidia (NVDC34) é uma fabricante de peças de computador popularmente conhecida pelas suas placas de vídeo GeForce.

Fundada em 1993, na Califórnia, EUA, a empresa teve recentemente uma ascensão meteórica na bolsa e já se encontra negociada com valor de mercado rondando os US$ 700 bilhões.

Esse crescimento se deve, em parte, pelas expectativas dos agentes sobre as potencialidades em torno do metaverso.

O metaverso é um ambiente virtual, cujo objetivo é construir uma experiência digital onde várias pessoas possam interagir em um ambiente 3D.

Várias marcas e empresas já estão procurando criar ambientes envolventes onde as pessoas possam trabalhar e se divertir. 

Este é o caso do Roblox, Journee, Facebook, que atualmente mudou seu nome para Meta, em referência ao projeto de metaverso da companhia, além da própria Nvidia.

Uma das maneiras pelas quais as empresas estão planejando usar o metaverso é para contratação e gestão de pessoas. 

Omniverse Avatar

A Nvidia anunciou no dia 09 de novembro o lançamento da sua plataforma tecnológica para criação de avatares interativos baseados em inteligência artificial, chamado de “Omniverse Avatar”.

Essa tecnologia pretende entregar um ambiente totalmente virtual no qual as pessoas podem criar personagens altamente detalhados, com gráficos 3D e Ray Tracing. com os quais poderão interagir com os avatares de outras pessoas de várias formas distintas.

Diante disso, vários analistas têm recomendado o investimento em ações da Nvidia para quem pretende se expor às oportunidades que deverão ser abertas com o avanço do metaverso. 

Vale destacar que a companhia também se encontra bem posicionada para explorar os mercados de games e criptoativos.

No Brasil, é possível investir na Nvidia a partir do seu BDR (Brazilian Depositary Receipt), que é negociado com o ticker NVDC34.

Estimativas de mercado para Nvidia

O momento da Nvidia é bastante positivo quando observamos as opiniões dos analistas.

De acordo com as estimativas do consenso de mercado levantadas pela Bloomberg, o preço justo dos BDR’s estão na média de R$40,00, o que indica um potencial de ganho de cerca de 20% em relação ao preço atual (do dia 20/12).

Ainda conforme o consenso da Bloomberg, a companhia deverá faturar US$27 bilhões em 2022. Esse valor é um aumento de 62% sobre a receita esperada para 2021 e 168% em relação a 2019.

Essas estimativas podem, inclusive, melhorar bastante caso a companhia mostre resultados ainda mais promissores em seus lançamentos e inovações.

Tese de investimento para Nvidia

Os analistas do BTG Pactual acreditam que os próximos anos serão transformacionais na indústria de tecnologia, em especial para aquelas que trabalham com realidade virtual e realidade aumentada.

Entre todos os BDRs que a equipe de analistas do BTG tem acompanhado, o da Nvidia é o que está mais bem posicionado para este novo mundo.

Para o banco de investimentos, o Omniverse da Nvidia terá várias aplicações possíveis para o entretenimento, indústria e mercado de trabalho.

“Com ele, é possível replicar espaços físicos em alta resolução e compartilhar projetos, ideias, fazer simulações industriais, protótipos, e até criar avatares: versões digitais de pessoas em modelos pré-treinados por softwares de inteligência artificial, e que conseguem realizar conversas autônomas”, afirmou o BTG em nota.

Compra da Arm

Outro fator que contribuiu para a forte valorização das ações da Nvidia foi a expectativa de aquisição da fornecedora britânica de tecnologia de chips Arm Holdings, pelo valor de 80 bilhões de dólares.

Porém, isso provavelmente não irá acontecer. No início do mês (02/12), a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) entrou com uma ação para bloquear o negócio, que enfrenta um escrutínio regulatório global. 

Desde então as BDRs da Nvidia caíram cerca de 20%, visto que este era um dos vetores de crescimento de suma importância. 

O acordo daria à Nvidia o controle sobre a tecnologia de computação e os designs dos quais os concorrentes dependem para desenvolver seus chips.

Entretanto, analistas acreditam que a falha na compra da Arm não atrapalha as perspectivas positivas para a Nvidia, pois o dinheiro economizado na aquisição pode ser usado para investimento direto.

“Ter a Arm seria muito bom, mas se eles não conseguirem, eles economizarão o preço de compra. Acreditamos que a empresa ficará bem de qualquer maneira”, disse Stacy Rasgon, analista da Bernstein.

“Mesmo que a Nvidia não conclua sua aquisição da Arm, a demanda por Inteligência Artificial continua a acelerar”, disse Ivan Feinseth, da Tigress Financial Partners.

Ômicron continua criando instabilidade nos mercados

Tudo indicava para um efeito limitado da variante Ômicron no sistema econômico global.

A baixa mortalidade (em comparação com a variante Delta) e a relativa eficácia das vacinas davam a entender que uma nova onda de contaminação não causaria grandes problemas.

Entretanto, o avanço da doença tem se acelerado nos últimos dias e aumentado as preocupações com seu impacto na economia e sistemas de saúde dos países.

Avanço na Europa e EUA

A variante Ômicron está se espalhando em todo o mundo com a aproximação da temporada de férias de inverno. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cepa foi encontrada por meio de testes em 43 dos 50 estados dos EUA e em cerca de 90 países. Além disso, o número de casos está dobrando rapidamente, entre 1,5 a 3 dias.

Os EUA estão chegando ao fim do ano com mais de 156.000 casos relatados na sexta-feira da semana passada, de acordo com dados do CDC (Center for Disease Control and Prevention).

Na Europa, vários países têm adotado medidas mais rígidas para o controle da contaminação. Este é o caso do Reino Unido, Alemanha e França.

No fim de semana, a Holanda impôs um novo lockdown, com bloqueio total de todas as lojas não essenciais até 14 de janeiro.

Ômicron no Brasil

No Brasil, a variante ainda não avançou fortemente, com apenas 19 casos confirmados até sexta-feira passada. Porém, há o receio que seja questão de tempo até que os números comecem a disparar.

Na cidade de São Paulo, a prefeitura já considera que há transmissão comunitária da variante na capital. 

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), as últimas transmissões descobertas da variante foram encontradas em três pessoas que não realizaram viagens para fora do País e nem tiveram contato com algum viajante que tenha chegado do exterior.

Efeitos no mercado financeiro

Embora dê a impressão de ser menos grave, o cenário da Ômicron tem sido suficiente para gerar pessimismo nos mercados.

O temor dos investidores é de que a variante desacelere a recuperação econômica, ao mesmo tempo que mantenha a inflação alta.

Nesta segunda-feira (20/12) o índice futuro do Ibovespa caía 1,63%, seguindo o mesmo sentido que os demais índices do exterior. O Dow Jones caía 1,48% agora pela manhã e o S&P 500 perdia 1,03%.

Por outro lado, as ações da Moderna tiveram um aumento de 5% após afirmar que sua dose de reforço da vacina fornece proteção significativa contra o Ômicron.

Outro fator para o pessimismo dos investidores vem do lado da política monetária do Fed.

Na semana passada, o Banco Central dos EUA anunciou um plano mais agressivo para reduzir suas compras de ativos e disse que potencialmente aumentará as taxas de juros três vezes em 2022.

O receio de desaceleração econômica também tem afetado o rendimento do Tesouro dos EUA de 10 anos, o qual recuou para menos de 1,40%. 

Petróleo

Quem também perdia com o receio do avanço da Ômicron era o petróleo.

Os futuros do petróleo despencaram quando a iniciativa da Europa de restringir a mobilidade gerou temores de medidas mais amplas para eliminar a demanda de outros países. 

Outro risco que os traders da commodity estão monitorando é a política da China de tolerância zero da Covid-19. 

O governo chinês tem se mostrado implacável na sua política de controle de contaminação, de modo que novos bloqueios podem ser rapidamente implantados no menor sinal de perigo de novos surtos de contaminação.

Com isso, o preço do petróleo Brent caía 3,81%, a US$ 70,72 o barril, enquanto o WTI recuava 4,43%%, a US$ 67,72.

Intermédica (GNDI3) e Hapvida (HAPV3): fusão abre espaço para ganhos

Apesar da estagnação econômica inibir os investimentos produtivos, várias companhias estão apostando nas fusões e aquisições (F&A) para alavancar os negócios e superar a crise da pandemia da Covid-19.

Esse foi o caso das operadoras de plano de saúde Hapvida (HAPV3) e Notre Dame Intermédica (GNDI3). 

O acordo para a fusão foi feito em março deste ano, quando foi decidido que a companhia combinada seria composta por 53,6% de ações da Hapvida e 46,4% da Intermédica. 

Entretanto, a junção somente seria válida após passar pela aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Após meses de espera e um aprofundamento na análise, a instituição aprovou ontem, terça-feira (15/12), a união entre duas das maiores empresas do setor de saúde brasileiro.

Com isso, a fusão gerou a maior operadora de planos de saúde do país, com cerca de 14 milhões de usuários de planos de saúde e dental. Juntas, a companhia combinada tem valor de cerca de R$ 83 bilhões, na atual cotação.

Agora, o mercado deverá ficar atento pois há um prazo de 15 dias para possíveis manifestações de membros do tribunal do Cade. O risco é que algum membro peça a revisão do laudo ou até mesmo proponha medidas restritivas com as empresas se julgarem necessário.

Para o Banco Safra, o resultado da decisão do CADE “é um pouco melhor do que o esperado, pois acreditamos que o mercado esperava a necessidade de vender ativos que representavam aproximadamente 2% a 3% dos membros combinados”.

Isso justifica a subida forte dos preços das ações de ambas as empresas nesta quinta-feira (16/12). No início do pregão, os ativos da Hapvida disparam 7,48%, enquanto os da Intermédica ganham 8,58%.

Recomendações

Segundo relatório dos analistas do banco Santander, enviado a clientes no início do mês, as ações da Intermédica e Hapvida têm forte potencial de alta.

Entre os vetores de crescimento que podem elevar as cotações, os analistas Caio Moscardini e Artur do Amaral Alves mencionam: 1) Melhora na dinâmica dos lucros; 2) Potencial aprovação da proposta de fusão das empresas e 3) Anúncios oficiais de novas sinergias.

“No caso de estes catalisadores se confirmarem, acreditamos que ambas as empresas podem vir a ser reclassificadas positivamente”, afirmaram em nota. 

Ainda segundo Moscardini e Alves, as sinergias de R$ 38 bilhões não estão precificadas nos preços atuais das ações e, por isso, o banco manteve a recomendação de compra para ambas empresas.

Os preços-alvos são de R$ 17,00 para a Hapvida e R$ 95,70 para a Intermédica, o que representa ganhos potenciais de 30% e 40%, respectivamente.

Movimentos de F&A como importante vetor de crescimento

A predileção pelo mecanismo de F&A, em vez de investimentos físicos, se deve pelo fato deste tipo de operação permitir tanto a expansão do poder de mercado das empresas quanto a eliminação de competidoras.

Com o aumento do poder de mercado, as empresas que tiveram facilidade no acesso ao mercado de capitais poderão expandir suas margens e criar barreiras à entrada.

Com isso, as F&A são bastante utilizadas pelas organizações com o intuito de elevarem seu poder econômico e, desta forma, aumentar seus ganhos.

Este mecanismo de F&A é colocado em prática principalmente em tempos de crise, como o atual. Esse período é quando algumas empresas perdem valor, enquanto outras conseguem aproveitar as oportunidades geradas pelo acesso privilegiado aos mercados financeiro e de capitais.

MRFG3, JBSS3 e BRFS3: Ações de frigoríficos sobem com fim do embargo chinês

O Ministério da Agricultura divulgou hoje pela manhã que recebeu a informação de que a China derrubou o embargo à carne bovina brasileira.

A assessoria de imprensa do Ministério informou na CNN que não tem detalhes da decisão do governo chinês, mas especificou que foi avisada de que as exportações ao país asiático voltaram ao normal, com a certificação e embarque da proteína animal.

A notícia foi suficiente para animar os investidores em relação às ações dos principais frigoríficos brasileiros.

Agora pela manhã, às 10h40, as ações da Marfrig (MRFG3), JBS (JBSS3) e BRF (BRFS3), subiam fortemente, em 1,23%, 3,49% e 2,96% respectivamente.

O fim do embargo chinês gera alívio no mercado, uma vez que o gigante asiático é o principal mercado da carne brasileira.

O embargo já se estendia há quatro meses e causou impactos no setor agropecuário. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o volume de exportações de carne bovina caiu 43% no mês de outubro quando comparado ao mesmo período de 2020.

Marfrig (MRFG3)

A Marfrig é uma das maiores produtoras de proteína do mundo, com foco em carne bovina e recente desenvolvimento de uma linha de proteína vegetal.

A empresa tem capacidade de abate de cerca de 30 mil cabeças por dia, divididos entre: 13 mil nos EUA; 12 mil no Brasil; 4 mil no Uruguai e mil na Argentina.

As ações da companhia têm recomendação de compra pelo Bank of America (BofA), com preço-alvo em R$ 34,00. Isso dá uma margem de ganho potencial de cerca de 43%.

A recomendação é justificada pelas boas margens das operações nos EUA, que estão bem acima dos patamares históricos, enquanto a normalização do ciclo da carne bovina deve ser gradual e permitir a sustentação dos ganhos por mais tempo.

Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar dá suporte para os próximos resultados da empresa, que tem boa parte das receitas na moeda estrangeira.

Por fim, o relatório afirma que uma potencial aquisição da BRF (BRFS3) pela Marfrig representa um risco menor para o balanço da empresa após a recente queda das ações da BRF.

JBS (JBSS3)

A JBS é atualmente a maior processadora de proteína e a segunda maior empresa de alimentos do mundo, com centenas de instalações de produção, estando presente em mais de 22 países nos cinco continentes.

Após atualização do relatório de análise, o BTG Pactual recomendou compra para as ações da empresa, com preço alvo de R$ 50,00. Em relação ao preço atual, o potencial de ganho é de cerca de 30%.

“A tão sonhada classificação de “Grau de Investimento” foi alcançada e a gestão de passivos deve continuar a evoluir no futuro”, justificou a BTG em relatório aos clientes.

“A diversificação da JBS também significa que, sob as margens normalizadas, os múltiplos continuam a parecer bastante razoáveis em relação ao histórico e aos pares, especialmente para uma empresa mais enxuta, com menos riscos e mais focada”, completou o banco em sua recomendação. 

BRF (BRFS3)

A BRF é outra gigante do setor frigorífico, entretanto, as perspectivas para a companhia são menos otimistas do que os dos seus pares.

O BTG Pactual e a XP Investimentos qualificaram a recomendação para as ações da BRF como “neutra”.

Para o BTG, o preço-alvo para o ativo é de R$ 25,00, o que significa um potencial de valorização de 20% em relação ao preço atual. 

“Ficamos positivamente surpresos com a resiliência da estratégia da empresa, principalmente de preços e volumes no Brasil ao longo do ano, o que nos levou a aumentar nossas estimativas de Ebitda para 2021 e 2022 em 12% e 7%”, afirmaram os analistas do BTG Pactual.

Porém, o que pesa na avaliação são os riscos associados ao elevado grau de alavancagem da BRF, que, além de prejudicar o valor patrimonial, também torna o preço mais sensível frente às oscilações do mercado. 

Já a XP elogiou a estratégia da BRF de continuar crescendo enquanto aumenta seus lucros. Porém, a manutenção da recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 30,00, se deve às incertezas e riscos na melhoria dos números da empresa.

Queda no setor de serviços impulsiona Ibovespa

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta terça-feira os dados do setor de serviços para o mês de outubro. Novamente, os números vieram ruins, com queda mensal de 1,2%. O mercado estimava uma baixa de apenas 0,1%.

É o segundo mês consecutivo que o setor de serviços cai na variação mensal. Em setembro, a queda foi de 0,7% em relação a agosto.

Em 12 meses, o setor cresceu 8,2%. Já no acumulado anual, o crescimento foi de 11%. Com isso, os serviços se encontram em patamar de 2,1% acima do pré-pandemia.

A queda do setor de serviços, um dos componentes de maior peso no PIB, é um forte indicativo de desaceleração econômica. 

A notícia animou os mercados, pois sugere uma pressão menor sobre o Banco Central e os juros no futuro.

Até às 11h o Ibovespa subia 1,55%, ultrapassando os 108 mil pontos. O desempenho do mercado de capitais brasileiro destoava das bolsas mundo afora, que caíam na expectativa da decisão do Fed em relação à política monetária norte-americana.

Já o dólar caía 0,72%, cotado a R$ 5,63.

PIB em baixa é estímulo para a bolsa

A reação dos mercados a cada resultado negativo sobre o PIB – que têm levado à subida do Ibovespa e à queda dos juros dos títulos longos do Tesouro Direto – tem sido um indicativo relevante de que o mercado espera um ajuste monetário mais brando pela frente.

Pode parecer contra intuitivo, mas, na maioria das vezes, a bolsa de valores costuma subir bastante quando a economia vai mal.

Isso porque os investidores estão sempre procurando a melhor alocação com base nos rendimentos pagos pelos diversos ativos. Com a atividade econômica indo de mal a pior, temos um alívio na pressão sobre a inflação e, consequentemente, na taxa de juros.

Sabemos que o Banco Central prioriza o combate à inflação na sua tomada de decisão sobre a política monetária. Porém, o aumento dos juros tem um custo, que é a desaceleração econômica.

Esse custo, por sua vez, pode ficar caro demais a partir de certa medida. E é justamente isso que está acontecendo no Brasil.

O aperto monetário tem gerado efeitos desproporcionais sobre a inflação e o PIB, ou seja, a desaceleração da atividade econômica tem sido bem maior do que a queda da inflação.

No segundo e terceiro trimestre, o PIB brasileiro caiu 0,4% e 0,1%, respectivamente.

Já a inflação tem apresentado uma ligeira melhora, o que poderia ser melhor se não fosse a disparada dos combustíveis. Em novembro, os preços de alimentos, bebidas e gastos pessoais caíram e contribuíram para um IPCA mais baixo do que o esperado.

Seja como for, o fato é que a desaceleração econômica começa a gerar incômodo no governo, com um custo político bastante elevado.

Com isso em mente, faz sentido esperar que em 2022 o Banco Central do Brasil possa optar por levar a Selic para um patamar menor do que o estimado atualmente pelo mercado, que é de 11,50%, de acordo com o último relatório Focus.