Expectativa de queda na inflação abre margem para ganhos na bolsa

Após incontáveis altas nas expectativas de inflação, o relatório Focus desta segunda-feira (13/12) mostrou, pela primeira vez, o que parece ser uma luz no fim do túnel da trajetória de descontrole inflacionário brasileiro.

Para 2021, os agentes de mercado aguardam uma alta do nível geral de preços de 10,05%, enquanto que até a semana passada, as expectativas indicavam uma inflação de 10,18%.

A queda das expectativas veio na esteira da divulgação do dado de IPCA de novembro, que foi de 0,95% no mês, enquanto que o mercado esperava uma alta de 1,08%.

A diminuição das projeções de inflação ainda é baixa, porém tem um efeito simbólico considerável, pois é a primeira vez no ano que os agentes de mercado enxergam o arrefecimento do IPCA.

Vale destacar que o IPCA de novembro poderia ser bem melhor se não fosse o aumento do preço dos combustíveis, o qual respondeu por praticamente 75% da alta total do índice.

Ítens importantes, como alimentos e bebidas e gastos pessoais tiveram queda, de 0,05% e 0,57% respectivamente.

Política monetária

O arrefecimento da inflação é um indicador positivo para investidores do mercado financeiro que passam a ter a expectativa de uma pressão menor sobre a taxa de juros básica da economia.

Com isso, os agentes de mercado começam a esperar que o Banco Central terá menos trabalho para colocar a inflação no lugar.

Inclusive, a queda da inflação sugere que os efeitos dos aumentos recentes da Selic já estão fazendo efeito, e que, por isso, devemos ter aumentos menores dos preços nos próximos meses.

Soma-se a isso, os dados ruins do PIB do terceiro trimestre, que vieram mais fracos que o esperado, se tornando, assim, um fator adicional no alívio das pressões de demanda sobre os preços.

Seja como for, a expectativa de juros menores no futuro somente se manterá caso o IPCA mantenha o ritmo de desaceleração nos próximos períodos.

O menor sinal de que o descontrole dos preços seguirá em frente poderá colocar em xeque a credibilidade da política monetária e, consequentemente, derrubar o mercado de capitais.

Inflação menor ajuda Ibovespa

Até então, o receio com o descontrole dos preços estava penalizando fortemente a bolsa de valores.

O medo dos investidores era de que o Banco Central precisasse aumentar muito os juros para levar a inflação até a meta estabelecida pelo COPOM (Comitê de Política Monetária).

O caminho ainda é longo, visto que a meta é de 3,75% e que só deverá ser alcançada em 2023.

Porém, a ligeira melhora já é suficiente para derrubar as taxas dos títulos de renda fixa mais longos. O Tesouro Prefixado 2024, por exemplo, já está com rendimento anual de 10,58%. É uma queda considerável em comparação com as taxas pagas no final de novembro (12,18% em 22/11).

Isso é um incentivo importante para os investidores de renda variável, em especial aqueles que aplicam na bolsa de valores. 

Desde o primeiro pregão do mês de dezembro (01/12), o Ibovespa já acumula alta de cerca de 8%, mas ainda está bem descontado em relação ao pico de 130 mil pontos, patamar em que esteve em junho de 2021.

Nesta segunda-feira (13/12), o índice disparou 1,6% no início da sessão, destoando do desempenho dos principais mercados mundiais. Porém, os ganhos começaram a se reverter depois que as bolsas nos EUA estenderam a baixa.

Às 14h38 o Ibovespa seguia no zero a zero, cotado a 107.780 pontos.

Nubank (NUBR33): quais os riscos e oportunidades?

A entrada do Nubank na bolsa de valores de Nova York foi uma das principais notícias do mercado de capitais na semana passada.

A euforia inicial moveu as ações do banco brasileiro para uma valorização de 14,71% na bolsa americana, enquanto que as BDRs subiram 12,35% nos dois dias de pregão.

Como resultado, o Nubank se tornou o maior banco da América Latina em valor de mercado, valendo US$ 54,6 bilhões.

Segundo dados da Economatica, com o dólar cotado a R$ 5,53, o segundo banco brasileiro de maior valor é o Itaú, com US$ 37,7 bilhões, seguido do Bradesco, com US$ 33,3 bilhões.

Apesar dos ânimos dos investidores com a startup, muitas dúvidas ainda pairam no ar sobre o valor justo das ações.

Está o Nubank sobrevalorizado?

Analistas têm chamado a atenção para os fundamentos do Nubank em comparação com o seu valor de mercado. A preocupação é que o ativo esteja sendo negociado com preço bem acima do que seria justo.

Isso porque o  Nubank é um banco que ainda dá prejuízo e passou a valer mais do que bancos altamente lucrativos. 

Para se ter um parâmetro, o Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) geraram, cada um, um lucro de mais de R$ 18 bilhões somente nos três primeiros trimestres deste ano. Enquanto isso, o Nubank acumulou um prejuízo de R$ 551 milhões no mesmo período.

Com esse parâmetro em mente, alguns analistas têm afirmado que não vale a pena investir na fintech, pois há ações com fundamentos melhores e que entregam maiores rendimentos.

Preço atual indica expectativa de forte crescimento futuro

Apesar dos resultados financeiros atuais não validarem o valor de mercado do Nubank, o investidor deve ter em mente que os preços dos ativos financeiros refletem as perspectivas futuras das empresas, e não a situação do presente.

Em relação aos lucros, é comum ver startups apresentarem resultados negativos em seus estágios iniciais de expansão. 

Nesta etapa, a tendência é que os recursos sejam gastos mais com investimentos em melhorias e aquisições do que na geração de lucro.

“Por mais que o Nubank, outros bancos digitais e também muitas empresas tech não estejam entregando lucro agora, isso não significa que elas não vão entregar lucro lá na frente”, afirma Leo Monteiro, analista da Ativa Investimentos. 

Entretanto, o investidor deve ter em mente o que os preços estão indicando. “Nesse preço, está embutido um crescimento muito grande lá na frente”, afirma Leo Monteiro

Nessa linha, a área BTG publicou um relatório em que afirma que o Nubank pode ser lucrativo, mas faz a ressalva de que “é difícil saber exatamente o quão lucrativo deve ser”.

Caso o crescimento não venha no nível esperado pelos agentes de mercado, poderemos ver uma forte correção nas cotações do ativo.

Foco na expansão

Quem investiu no IPO do Nubank, o fez com a expectativa de que o banco manterá o forte crescimento das suas atividades.

Um dos fatores que mais chamam atenção é o histórico de crescimento da base de clientes, que era de 1,6 milhões em 2017 e passou para 48,1 milhões no terceiro trimestre de 2021.

Inclusive, o plano do banco é usar os recursos do IPO para expandir ainda mais a sua participação de mercado, através de aquisições, como também reforçar seu capital de giro.

O objetivo é acelerar a expansão pela América Latina. Atualmente, 98% dos clientes estão no Brasil. Mas o Nubank já tem iniciado operações no México e na Colômbia.

Outro foco é em aumentar a oferta de produtos para tentar aumentar a rentabilidade de sua base de clientes. 

Embora os clientes do Nubank sejam, em sua maioria, pessoas de classe de renda mais baixa, com gastos mensais de R$ 400,00 em média, o fator é que 73% deles são classificados como ativos, ou seja, que geraram alguma receita nos últimos 30 dias.

Isso traz um potencial enorme para a fintech, que busca alcançar um mercado que até há pouco tempo atrás não era explorado pelos bancões.

Flipagem

Outro fator que pode ser usado para justificar a valorização do Nubank no mercado acionário é a prática de flipagem que os investidores fazem com as ações iniciantes.

A flipagem é uma manobra de curtíssimo prazo realizada por investidores que pretendem lucrar no dia de estreia das ações na bolsa. 

Dessa maneira, os agentes de mercado reservam ações na IPO e no primeiro dia de pregão se aproveitam da valorização para lucrarem.

Para realizar suas operações, o flipper fica de olho nas empresas que estão planejando abrir o capital e nos ânimos dos investidores com as ações.

No caso do Nubank, havia muita euforia com as negociações da empresa na bolsa, o que foi um importante indicativo de potencial de valorização.

Portanto, uma parte relevante do valor de mercado do Nubank atualmente pode ser atribuída à estratégia bem-sucedida antes do IPO.

Ao atrair gigantes globais como Berkshire Hathaway, de Warren Buffet, Tencent, Softbank e Sequoia Capital em rodadas de investimento, o Nubank ganhou chancela entre grandes players institucionais. 

Consequentemente, isso acabou atraindo outros investidores para o negócio.

Vale a pena investir no Nubank?

Se a confiança e os ânimos com a fintech brasileira se converterá em uma história de sucesso, somente o tempo dirá. 

O importante agora é que o investidor se atente aos riscos e oportunidades para definir se vale a pena investir no ativo e qual o tamanho de sua exposição.

Por estar precificando um crescimento futuro extremamente forte, as chances do Nubank frustrar o mercado com os próximos resultados pode ser elevado (vide o caso da Magazine Luíza – MGLU3).

Por outro lado, se o investidor procura uma empresa com grande potencial de crescimento e valorização, então o Nubank pode ser a escolha certa.

Seja como for, lembre-se sempre da principal regra no universo dos investimentos: grandes oportunidades trazem consigo grandes riscos.

4 ações para ganhar com dividendos em 2022

Quando se fala em pagamento de dividendos, é praticamente um consenso entre analistas que as melhores ações para o investidor escolher são as de empresas que operam nos setores bancários e de energia.

Primeiramente, estes são os setores menos voláteis da economia, o que indica receitas mais estáveis e previsíveis.

O segundo fator que contribui para os elevados pagamentos de dividendos é o fato das empresas destes setores já estarem bem consolidadas. 

Como consequência, elas precisarão fazer menos investimentos para se manterem firmes em seus negócios. Isso o que permite liberar partes maiores dos lucros para serem distribuídos na forma de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).

A seguir, temos quatro ações de empresas com um bom histórico de pagamentos de dividendos e que devem se manter assim no ano de 2022.

Taesa (TAEE11)

A companhia, um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil, tem um histórico de bons resultados nos últimos anos.

“Ela conseguiu manter uma estabilidade positiva em sua receita líquida – o que demonstra a resiliência de seu modelo operacional e do setor de transmissão de energia, mesmo em momentos mais difíceis da economia – e elevou sua margem líquida de 48% para 81%, com uma margem Ebitda estável próxima a 80% (maior Ebitda do setor de transmissão)”, afirma o BTG Pactual.

Outra virtude destacada pelo banco é a disciplina financeira da companhia. “Ela tem rígido controle de custos, a mais alta nota de crédito nas três agências de classificação de risco e uma alta diligência no processo de alocação de capital, buscando sempre bons projetos com alta rentabilidade.” 

Além disso, a eficiência operacional é outro fator que vem garantindo uma sólida geração de caixa e bons pagamentos de dividendos ao longo dos anos. 

Para a Genial Investimentos, o atual nível de preços da Taesa reflete a situação da empresa, e, por isso, colocou recomendação neutra para as ações da companhia. 

Porém, para o investidor que busca estabilidade e renda com dividendos, o ativo pode ser interessante para compor a carteira. Nos últimos 12 meses, a TAEE11 apresentou um dividend yield de 12,98%.

Banrisul (BRSR6)

O Banrisul é um banco estatal, com maioria das ações pertencentes ao governo do Rio Grande do Sul. 

A instituição possui grande relevância na região, com 47% de participação em depósitos a prazo, sendo o 6º maior banco brasileiro em agências, apenas atrás dos cinco grandes (BB, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander). 

Outro fator positivo é que a diretoria vem implementando um processo para equilibrar a carteira de crédito, o que tem contribuído para manter a inadimplência sob controle, com crescimento sólido da carteira e os segmentos de varejo sustentando as margens.

Para o time de analistas da XP Investimentos, a recomendação para o Banrisul é de compra, com preço alvo de R$ 19,00. Isso representa um ganho potencial de 90,76% em relação ao preço atual.

“Temos recomendação de Compra para o Banrisul com base no alto potencial de crescimento de lucro. Isso porque o banco normalizou a inadimplência e possui espaço para expandir a carteira e aproveitar as oportunidades de fidelização de clientes.”

Em relação aos dividendos, as ações do banco (BRSR6) apresentam um dividend yield de 10,15% nos últimos 12 meses. Valor este que deve se manter, dado o histórico constante de pagamentos, com payout médio de 40,39%.

ISA Cteep (TRPL4)

A ISA Cteep (TRPL4) é a maior empresa privada de transmissão de energia do setor elétrico brasileiro e faz parte do Sistema Interligado Nacional (“SIN”).

Isso significa que a empresa está presente em um sistema que engloba toda a rede elétrica brasileira, atendendo a aproximadamente 99% da carga total do sistema, tornando a empresa resiliente frente às variações regionais de demanda por energia.

Com suas atividades e de suas empresas controladas e coligadas, presentes em 17 estados do País, a CTEEP transmite aproximadamente 25% de toda a energia elétrica do Brasil.

No geral, a CTEEP é uma ótima opção para o investidor focado em obter dividendos. É uma empresa com sólida geração de caixa e estrutura de receita fixa do negócio, reajustada anualmente com índices de inflação. 

Além disso, a CTEEP recebe elevados fluxos de caixa como indenizações relacionadas a ativos não amortizados existentes até maio de 2000 (denominados RBSE).

Isso permite a companhia manter um fluxo contínuo e estável de pagamento de proventos.

Nos últimos 12 meses, as ações da TRPL4 apresentaram um dividend yield de 17,36%, o que torna a ação uma das maiores pagadoras de dividendos da bolsa brasileira.

Para o Banco Safra, o preço atual do ativo já contempla todos os eventos e, por isso, a recomendação é de neutra, com preço alvo de R$ 26,20.

Copel (CPLE3)

A Copel é uma empresa estatal de energia elétrica, controlada pelo Governo do estado do Paraná. 

Seus principais negócios são distribuição de energia (atendendo 4,6 milhões de consumidores no Paraná) e geração e transmissão (com capacidade total de 6,3GW e 6,6 mil km de linhas de transmissão). 

Além disso, a empresa também atua no segmento de telecomunicações e tem participação na Compagas, de distribuição de gás natural.

A principal justificativa para o investimento nesta ação, segundo analistas do Itaú e XP, é que as ações da Copel estão sendo negociadas com um grande desconto em relação aos seus pares.

Em relação aos dividendos, o Itaú afirma que “a política de dividendos da companhia depende do nível de alavancagem”, e que, dado a situação atual, há “espaço para um anúncio significativo de dividendos nos próximos meses”.

Nos últimos 12 meses, a CPLE6 apresentou um dividend yield de 23,63%.

O Itaú indica recomendação de compra para CPLE6, com preço-alvo de R$ 7,40, o que indica 15% de potencial de ganho para o investidor, em relação ao preço de hoje (10/12). 

A XP também tem recomendação de compra para o ativo, com preço-alvo de R$ 8,00.

Taesa (TAEE11): boa pagadora de dividendos, mas endividamento preocupa

A Taesa (TAEE11) é um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil. Como toda empresa, ela tem seus pontos positivos e negativos. 

Do lado positivo, podemos destacar o bom histórico de resultados nos últimos anos e a constância no pagamento dos dividendos.

É praticamente um consenso entre analistas que as ações do setor elétrico são as mais estáveis da bolsa e também ótimas escolhas para quem procura ganhos com dividendos.

A primeira justificativa é que este é um dos setores menos voláteis da economia, o que indica receitas pagamentos de dividendos mais estáveis.

O segundo ponto é o fato das empresas destes setores já estarem bem consolidadas, o que implica que elas precisarão fazer menos investimentos para se manterem firmes em seus negócios. 

Como consequência, partes maiores dos lucros poderão ser liberadas para serem distribuídas na forma de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).

Porém, a parte negativa pode ser dividida em dois pontos: 1) o elevado endividamento, que deverá pressionar as margens futuras na medida em que o Banco Central executa sua política de aperto monetário para enfrentar a inflação; 2) a escassez de vetores de crescimento, visto que a empresa já está consolidada e apresenta poucos projetos para expansão.

Vejamos a seguir o comentário dos analistas sobre os pontos levantados e se vale ou não a pena investir nesta ação.

Vantagens da Taesa

Para o banco BTG Pactual uma das vantagens da Taesa é que a companhia conseguiu elevar suas margens dentro deste contexto de estabilidade e gerar ganho para os acionistas.

“Ela conseguiu manter uma estabilidade positiva em sua receita líquida – o que demonstra a resiliência de seu modelo operacional e do setor de transmissão de energia, mesmo em momentos mais difíceis da economia – e elevou sua margem líquida de 48% para 81%, com uma margem Ebitda estável próxima a 80% (maior Ebitda do setor de transmissão)”, afirma o BTG Pactual.

Outro ponto positivo para a Taesa, segundo o BTG Pactual, é a disciplina financeira da companhia e sua boa reputação frente ao mercado financeiro. 

“Ela tem rígido controle de custos, a mais alta nota de crédito nas três agências de classificação de risco e uma alta diligência no processo de alocação de capital, buscando sempre bons projetos com alta rentabilidade. Sua eficiência operacional garantiu uma sólida geração de caixa ao longo dos anos e permitiu a distribuição de uma boa parcela de seus lucros para os acionistas.”

Outra casa que tem boa perspectiva para a Taesa é a Ativa Investimentos.

Os analistas da casa destacam que “Ela promove ampla distribuição de proventos, com payouts que passam de 90% do lucro líquido, bem como dividend yields atrativos.”

Para a Ativa, os dividendos elevados somente são possíveis porque as 20 de suas 39 concessões são atualizadas anualmente pelo IGP-M. Isso permite a companhia compensar a queda de receita anual das concessões que entraram em seu 16º ano com os reajustes tarifários indexados à inflação e a entrada em operação de novos projetos. 

Fatores para ter atenção com a Taesa

Apesar do histórico da Taesa entregar segurança aos acionistas, é bom ter em mente que nem tudo são flores.

Para os analistas da Genial Investimentos, a remuneração consistente não é motivo suficiente para comprar a ação.

O principal problema é que o endividamento da Taesa deve começar a pesar agora, com o início do ciclo de alta de juros.

A Genial vê isso como um fator negativo para o resultado financeiro da companhia, uma vez que diminuirá o poder de fogo da mesma para a aquisição de novos projetos nos próximos leilões de transmissão.

O analista Vitor Sousa enfatizou a relação de 4,3 vezes a dívida líquida sobre Ebitda para 12 meses, contra as estimativas de 3,8 vezes em 2021.

“A companhia deve fechar o ano com um endividamento elevado, o que deve limitar o poder de fogo da empresa na aquisição de novos projetos e/ou aquisições relevantes”, comentou Souza.

A corretora manteve recomendação de venda para a elétrica, após participar do evento que a companhia realizou com investidores. 

Com preço-alvo de R$ 36 estipulado pela Genial, o papel tem baixo potencial de valorização (cotação atual de R$ 38,05) e já precifica boa parte dos projetos em desenvolvimento.

Porém, apesar dos pontos problemáticos, o time de analistas continuam acreditando que a Taesa deve seguir entregando bons dividendos aos acionistas nos próximos anos. 

Vale a pena investir em Taesa?

A Taesa é uma empresa com sólidos fundamentos e pertencente a um setor caracterizado pela forte estabilidade em termos de geração de receitas. Por isso, as ações da companhia podem ser uma boa escolha para aqueles que focam em obter ganhos com dividendos ao longo do tempo.

Entretanto, o investidor não deve negligenciar os riscos. Se do lado das receitas as coisas vão bem, do lado do passivo a situação requer atenção. Isso porque as dívidas tendem a crescer com o aperto monetário do Banco Central, que vem elevando a Selic e, consequentemente, os juros das dívidas das empresas.

Neste caso, o investidor deve ter em mente um cenário de maiores dificuldades e com os juros pressionando os dividendos e a capacidade de crescimento, que ocorre via aquisição de novos projetos em leilões de transmissão.

Ações asiáticas sobem com manutenção do bom humor dos mercados

Os ativos de risco estão se recuperando bem nos últimos dias após um surto de turbulência desencadeado pelo surgimento da nova variante da Covid-19. 

O alívio veio após constatações de que os casos da ômicron não sobrecarregaram os hospitais e nem requereram medidas de restrições consideráveis. 

Com isso, o Nikkei 225 fechou com alta de 1,42% no Japão. Já o índice coreano Kospi subiu 0,34%. O australiano ASX 200 ganhou 1,25%. Na China, o Shanghai Composite variou 1,18%.

Vacina da Pfizer

A última boa notícia revelada foi que a vacina da Pfizer mostrou fornecer proteção parcial contra a variante ômicron em um estudo sul-africano.

Um laboratório do Instituto de Pesquisa em Saúde da África, na África do Sul, testou o sangue de 12 pessoas que haviam sido vacinadas com a vacina da Pfizer/BioNTech.

Os resultados mostraram uma queda muito alta na neutralização da variante ômicron em relação a uma cepa anterior da Covid.

Porém, os dados preliminares no manuscrito ainda não foram revisados por pares, o que requer cuidado na conclusão.

“Essa evidência anedótica parece ter acalmado os mercados financeiros, por enquanto, como evidenciado pela recuperação dos ativos de risco”, disse Carol Kong, estrategista do Commonwealth Bank of Australia, em uma nota. 

“Mas alertamos contra tirar conclusões desses primeiros relatórios.” A menos que a variante se mostre resistente às vacinas, “esperamos que a economia global continue em grande parte com seu caminho de recuperação pré-omicron”, disse a analista.

Fatores de risco no radar

Apesar da calmaria estar levando os mercados para cima nesta semana, os investidores podem não estar livres de novas turbulências.

Isso porque ainda persistem as preocupações sobre as respostas dos bancos centrais às elevadas pressões de preços, novas restrições para conter a disseminação do ômicron e aumento das tensões geopolíticas. 

Política monetária

Sobre a política monetária, Jeffrey Gundlach, sócio fundador da DoubleLine Capital LP, vê “águas turbulentas” à frente para os mercados financeiros, já que o Federal Reserve está prestes a acelerar o fim da flexibilização quantitativa e, em seguida, voltar-se para o aumento das taxas de juros. 

O Goldman Sachs Group Inc. está alertando os compradores de queda para proceder com cautela em meio à inclinação do Fed em intensificar suas ações em direção ao aperto monetário.

EUA e Rússia 

No cenário geopolítico, o destaque é para o acirramento do embate entre EUA e Rússia sobre as ações deste último na Ucrânia.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, mencionou na quarta-feira (01/12), durante reunião da OTAN, a existência de “evidências” de que a Rússia poderia estar planejando uma invasão à Ucrânia e ameaçou Moscou com sanções econômicas significativas em caso de ataque.

Ontem (07/12), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, tiveram uma conversa virtual de duas horas sobre a Ucrânia e outras disputas, em meio aos temores ocidentais de que a Rússia esteja prestes a invadir sua vizinha do sul.

O Kremlin disse esperar que os dois líderes consigam realizar uma cúpula presencial para debater o que descreve como o estado lamentável das relações EUA-Rússia, que estão em seu pior momento desde o fim da Guerra Fria. 

Em tom apaziguador, Dimitry Peskov, porta-voz do Kremlin, disse que os dois líderes procurarão encontrar uma solução conjunta para a questão, porém, manteve a guarda levantada ao afirmar que a Rússia buscará garantir seus interesses.

“Estamos buscando relações boas, previsíveis com os Estados Unidos. A Rússia nunca pretendeu atacar ninguém, mas temos nossas preocupações e temos nossas linhas vermelhas”, disse Peskov.

Antes da videoconferência, autoridades norte-americanas disseram que Biden diria a Putin que a Rússia e seus bancos poderiam ser atingidos pelas piores sanções econômicas até hoje se invadir a Ucrânia.

Bolsas sobem no mundo todo com sensação de risco sistêmico menor

Nesta terça-feira (07/12), as principais bolsas de valores dos quatro cantos do globo subiram fortemente, com os investidores precificando a visão de que a variante ômicron da COVID-19 não causará grandes danos econômicos.

Soma-se a isso, as perspectivas positivas vindas da China, com o governo se comprometendo a fornecer estímulos pontuais para fortalecer a recuperação econômica do gigante asiático. 

Até às 16h05 desta tarde, o S&P 500 subia 2,09%, aos 4.686,43 pontos. O Dow Jones somou 1,43% e a Nasdaq 3,13%. 

Na Europa, o CAC francês disparou 2,91% e o DAX 2,83%.

Aqui no Brasil, o Ibovespa seguia a alta de ontem e avançava 0,79%, superando os 107.700 pontos.

Impacto reduzido da Ômicron

Os investidores já se decidiram sobre a ômicron e acreditam que outro grande choque econômico será evitado, disse Fawad Razaqzada, analista de mercado da Think Markets.

“Após uma consideração cuidadosa, eles acham que provavelmente não é mais perigoso do que a variante Delta do coronavírus e que os bloqueios e restrições preventivos que vimos irão diminuir em breve”, disse Razaqzada em uma nota.

Nas últimas notícias sobre o coronavírus, as agências de saúde da União Européia recomendaram que as vacinas COVID-19 fossem misturadas e combinadas tanto para injeções iniciais quanto para doses de reforço, enquanto a região enfrenta casos crescentes antes do Natal.

A evolução da ômicron foi positiva para os preços do petróleo, que subiram cerca de US$ 3 na esperança de que a nova variante se mostre menos prejudicial e com a perspectiva de um aumento iminente na demanda da commodity energética. 

Agora à tarde, o Brent subia 3,38%, cotado a US$ 75,55 o barril, e o WTI 3,83%, cotado a US$ 72,16 o barril.

Atenção se volta para o Fed

As expectativas de que o Federal Reserve (Fed) acelerará a redução de seu programa de compra de títulos na próxima semana, em resposta a um aperto no mercado de trabalho, incentivou a corrida dos investidores globais para o dólar.

O Dollar Index, índice que avalia o dólar dos Estados Unidos em comparação com uma cesta com as principais moedas do mundo, subia 0,15%, mantendo-se acima dos 96 mil pontos.

As expectativas com a possível decisão do Fed de apertar sua política monetária também apareceram nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos, que aumentaram 1,4 pontos base, para 1,448%.

No geral, os agentes de mercado acreditam que o Fed fará mais do que foi estabelecido no seu plano inicial, e intensificará o combate à inflação.

Estímulos na China

Os ânimos dos mercados também melhoraram depois que o banco central da China injetou sua segunda rodada de estímulos desde julho, cortando a quantidade de dinheiro que os bancos devem manter em reserva.

No entanto, a incerteza sobre o setor imobiliário se mantém, à medida que Evergrande oscilava à beira do default novamente. 

Mas os dados que mostram um crescimento mais forte das importações foram “um sinal positivo sobre a força da demanda doméstica”, disse o analista do RBC, Adam Cole.

Bolsas asiáticas sobem com apoio da China e alívio com a variante ômicron

Os mercados asiáticos seguiram o tom otimista nesta terça-feira (07/12), com os investidores precificando as informações sobre a variante ômicron do coronavírus e as medidas econômicas do governo chinês, que prometeu apoio à retomada da economia.

O Nikkei 225 fechou com alta de 1,89% no Japão. Já o índice coreano Kospi subiu 0,62%. O australiano ASX 200 ganhou 0,95%. Na China, o Shanghai Composite variou 0,16%.

Variante ômicron

O alívio das preocupações sobre a variante ômicron do coronavírus veio em meio a indicações de que a nova cepa causa sintomas mais leves.

O principal conselheiro médico do presidente Joe Biden, Dr. Anthony Fauci, disse à CNN que é muito cedo para fazer declarações definitivas, mas disse que os primeiros sinais sobre a gravidade do ômicron são encorajadores.

“Temos que ter cuidado antes de fazer qualquer determinação de que é menos grave ou realmente não causa nenhuma doença grave comparável à Delta. Mas até agora, os sinais são um pouco animadores em relação à gravidade.”, disse Fauci.

Porém, o sinal de alerta continua, visto que há ainda incertezas quanto ao resultado da interação entre a ômicron e outras variantes, como a Delta.

“A questão para nós aqui nos Estados Unidos, onde ela (ômicron) foi confirmada em pelo menos 15 estados e em cerca de 40 países, é: o que vai acontecer quando ela competir com uma variante muito dominante, como a Delta?”, completou o especialista.

Política econômica na China

Na segunda-feira (06/12), o governo chinês prometeu medidas para apoiar a desaceleração do crescimento econômico. 

A perspectiva é que uma desaceleração do mercado imobiliário ameaça impedir o crescimento do país. 

Com isso, a China sinalizou um afrouxamento das restrições imobiliárias e prometeu estabilizar a economia em 2022. 

O Banco Popular da China disse que reduzirá a taxa de exigência de reserva da maioria dos bancos, enquanto o premier Li Keqiang disse que há espaço para uma variedade de ferramentas de política monetária.  

A flexibilização das condições monetárias para sustentar o crescimento na segunda maior economia do mundo deve oferecer algum socorro aos mercados atingidos por crises de volatilidade. 

Na China, a crise da dívida imobiliária continua a ser monitorada de perto. 

O Grupo China Evergrande planeja incluir todos os seus títulos públicos offshore e obrigações de dívida privada em uma reestruturação. 

Tensões políticas

Algumas tensões geopolíticas aparecem no radar como fatores de risco que requerem atenção dos investidores e que podem azedar o humor dos mercados. 

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, mencionou na quarta-feira (01/12), durante reunião da OTAN, a existência de “evidências” de que a Rússia poderia estar planejando uma invasão à Ucrânia e ameaçou Moscou com sanções econômicas significativas em caso de ataque. 

Blinken acusou Moscou de concentrar “dezenas de milhares de forças de combate adicionais” perto da fronteira com a Ucrânia. 

“Não sabemos se o presidente [russo Vladimir] Putin tomou uma decisão sobre a invasão. Sabemos que ele está criando a capacidade de fazê-lo rapidamente, se o decidir”.

Outro conflito é entre os EUA e a China. O governo de Joe Biden não enviará nenhum representante diplomático às Olimpíadas de Inverno de 2022, em Pequim, como uma declaração contra os abusos dos direitos humanos da China em Xinjiang, anunciou a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, nesta segunda-feira.

Entretanto, a decisão não afeta a participação de atletas americanos, que seguem liberados para competir.

Mercados asiáticos: setor de serviços avança, mas receio com variante domina atenção de investidores

As bolsas asiáticas fecharam o dia em sentido de alta, com investidores analisando dados sobre a atividade econômica da região e também as novidades sobre a nova variante da Covid-19, chamada de ômicron.

Ainda se sabe pouco sobre a nova cepa do vírus, e o quão ameaçadora ela é. Por exemplo, não está claro se a ômicron se espalha mais facilmente (embora haja suspeitas de que sim), se causa casos mais graves da doença em comparação com outras variantes ou se a proteção contra vacinas será menor do que se pensava anteriormente.

O receio dos agentes de mercado é que a proliferação desta variante torne necessário a retomada das medidas de restrição nos países, justamente no momento em que surgem sinais de uma recuperação econômica, embora ainda lenta.

Hoje, o Nikkei 225 fechou com alta de 1,00% no Japão. Já o índice coreano Kospi ganhou 0,78%. O australiano ASX 200 variou positivamente em 0,22%. Na China, o Shanghai Composite subiu 0,94%.

Setor de serviços no Japão avança

A atividade do setor de serviços do Japão cresceu em novembro pelo ritmo mais rápido em mais de dois anos. 

O índice de gerentes de compras de serviços (PMI) do Japão subiu para 53,0 em relação aos 50,7 do mês anterior, o que marcou o ritmo de expansão mais rápido desde agosto de 2019.

Valores acima de 50 indicam crescimento dos negócios, enquanto que abaixo indica retração.

O salto no volume de novos negócios sinaliza uma confiança mais forte do consumidor à medida que a pandemia de coronavírus diminuía.

A terceira maior economia do mundo ficou atrás de outras nações avançadas em sua recuperação da pandemia, com o coronavírus inibindo a atividade durante partes do ano.

Gastos mais fortes em jantares, pernoites e outros serviços provavelmente apoiaram a economia do Japão, uma vez que a persistente escassez global de chips e o aumento dos preços das matérias-primas pressionam os fabricantes.

Serviços crescem menos na China

Enquanto isso, na China, a atividade no setor de serviços se expandiu em um ritmo mais lento em novembro em meio a crescentes pressões inflacionárias e a continuidade dos surtos de COVID-19 em pequena escala.

O Índice de Gestores de Compras (PMI) de serviços Caixin/Markit caiu para 52,1 em novembro, ante 53,8 em outubro. Por permanecer acima da taxa de 50, significa que houve crescimento no setor de serviços no gigante asiático no período. 

Apesar dos dados positivos, analistas chamam atenção para a possibilidade de mudanças rápidas caso o ômicron avance fortemente.

Isso porque, o setor de serviços, que tem demorado mais para se recuperar da pandemia do que a manufatura, é mais vulnerável a surtos esporádicos de COVID-19 e medidas anti vírus.

Neste caso, o cenário de incerteza sobre a pandemia obscurece a perspectiva de uma recuperação forte no consumo nos próximos meses.

Bolsa dispara com dados sobre queda do PIB

O Ibovespa dispara 2,75% no meio dia desta quinta-feira (02/12), destoando das bolsas mundiais que desabam com receios dos efeitos da variante ômicron.

Com a alta, o índice alcançou os 103.800 pontos. Já o dólar, vem caindo 1,03%, cotado a US$ 5,63.

A principal notícia econômica do dia foi a queda do PIB no terceiro trimestre de 2021. 

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção brasileira caiu 0,1%, enquanto que as expectativas eram de que o indicador subisse entre os meses de julho e setembro.

À primeira vista, a relação entre fatos parece ser contra intuitiva (queda do PIB e alta da bolsa de valores), mas tem uma razão econômica muito bem estabelecida.

Isso porque a queda do PIB significa menor pressão de demanda sobre a inflação.

Com a atividade econômica mais fraca, os agentes de mercado passam a incorporar em suas expectativas a possibilidade do Banco Central (BC) aumentar menos o juros (Selic) no futuro.

Um aumento forte dos juros poderia aprofundar mais ainda a atividade econômica do país, além de ser um excesso de munição para combater um componente que vem exercendo fraca influência sobre a inflação, que é a demanda.

Uma vez que os juros futuros caem, o custo de oportunidade do capital também cairá e as ações se tornarão mais atraentes para o investidor.

Queda do PIB

O IBGE divulgou hoje o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro do terceiro trimestre. Este é o indicador para a soma dos bens e serviços produzidos no país.

O resultado foi um recuo de 0,1% no 3º trimestre deste ano em comparação aos 3 meses anteriores.

O destaque positivo ficou por conta dos serviços, que cresceu 1,1% na comparação com o segundo trimestre.

Apesar da alta nos serviços, que respondem por mais de 70% do PIB, o que puxou a queda da economia foi a agropecuária, que encolheu 8% em relação ao segundo trimestre e 9% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

Os dados vieram em linha com o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) do Banco Central (BC), que mostrou uma queda de 0,14% no resultado do 3º trimestre contra o 2º.. Esse indicador é considerado uma prévia do PIB.

O IBGE revisou os dados do 2º trimestre para baixo: a economia brasileira caiu 0,4% de abril a junho contra o 1º trimestre. Quando foi divulgado, havia contabilizado uma retração de 0,1%.

Com estes dados, o país entra em recessão técnica, que ocorre quando há 2 trimestres consecutivos de queda na atividade. 

O resultado deste ano já coloca em risco o crescimento da economia brasileira também em 2022.

Bolsas asiáticas sobem com investidores atentos à ômicron e inflação na Europa

As bolsas da Ásia-Pacífico seguiram em recuperaram nas negociações desta quarta-feira (01/12) à medida que os investidores continuaram a avaliar o impacto da variante ômicron e os dados de inflação na Europa.

Ontem, as ações mundiais e os preços do petróleo caíram depois que a farmacêutica Moderna alertou que as vacinas atuais podem ser menos eficazes no combate à variante Omicron.

Também esteve no radar dados sobre a inflação da zona do euro, que atingiu um pico recorde nos últimos 24 anos.

Hoje, o Nikkei 225 fechou com alta de 0,41% no Japão. Já o índice coreano Kospi disparou 2,14%. O australiano ASX 200 perdeu 9,28%. Na China, o Shanghai Composite variou 0,36%.

Insegurança com nova variante segue no radar

O sentimento de risco entre os investidores de ações e commodities aumentou depois que o diretor executivo da farmacêutica Moderna lançou dúvidas sobre a eficácia das vacinas existentes para combater a variante ômicron.

O CEO da Moderna, Stephane Bancel, disse ao Financial Times que as vacinas Covid-19 provavelmente não serão tão eficazes contra a nova variante.

“Acho que não há mundo onde a eficácia esteja no mesmo nível que tivemos com a Delta. Acho que vai ter uma queda. Só não sei quanto, porque precisamos esperar pelos dados. Mas todos os cientistas com quem conversei estão tipo ‘isso não vai ser bom.’”

Embora não se saiba muito sobre a nova variante do coronavírus, os mercados estão nervosos devido ao medo de novos bloqueios e de estagnação da recuperação econômica.

Uma nova onda de contaminação e paralisação da produção afetaria mais ainda a inflação global, a qual continua penalizando as economias mundiais e pressionando os bancos centrais a realizar políticas monetárias contracionistas.

Inflação na zona do euro

Outra notícia que deixou os mercados pessimistas são os dados da inflação na zona do euro.

Os números oficiais mostram que os preços ao consumidor nos 19 países que usam a moeda euro estão subindo a uma taxa recorde. 

A Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia, disse na terça-feira (30/11) que a taxa de inflação anual da zona do euro deverá ser de 4,9% em novembro, em grande parte como resultado de um grande aumento nos custos de energia. 

Esse é o maior número desde o início dos registros em 1997, e aumentou de 4,1% no mês anterior. 

Ainda que a inflação esteja acima da meta de 2% do BCE (Banco Central Europeu), é pouco provável que o órgão realize qualquer ação política nos próximos meses. 

A justificativa do BCE é que o aumento da inflação é temporário e causado por uma série de fatores pontuais, os quais devem desaparecer com o tempo. 

Neste contexto, uma ação política seria contraproducente no momento, afirmaram funcionários da UE (União Europeia) à Reuters. 

“Iríamos causar desemprego e altos custos de ajuste e, mesmo assim, não teríamos contrabalanceado o atual nível de inflação”, disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.