Combinação de fatores internos e externos pressionam o dólar nesta quarta

O mau humor se instalou entre os investidores do mercado nesta quarta-feira (17/11). Enquanto o Ibovespa caía 1,54%, chegando aos 102.735 pontos, o dólar avançava para R$ 5,53, com variação de 0,41%.

Os destaques do noticiário são as movimentações sobre o futuro das contas públicas brasileiras, o avanço da Covid-19 na Europa e as pressões de demanda sobre a inflação e os juros norte-americanos.

Cenário doméstico

O mercado não reagiu bem às declarações do presidente Jair Bolsonaro de que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios pelo Congresso irá abrir espaço para a concessão de reajuste aos servidores públicos federais.

Sua fala foi no sentido de justificar o eventual aumento como resposta a um congelamento dos salários e à inflação.

Os comentários endossam receios de investidores sobre uma política fiscal ainda mais expansionista por parte do governo e temores ainda maiores quanto às possibilidades de descontrole nas contas públicas

A pressão pelo Auxílio Brasil impôs derrota à agenda de austeridade fiscal do ministro da Economia, Paulo Guedes, e provocou forte deterioração nos ativos domésticos ao longo de outubro.

Mais cedo, o Ministério da Economia divulgou uma piora nas previsões para a inflação no Brasil, projetando agora uma alta de 9,7% no final do ano.

Cenário externo

As vendas no varejo dos EUA aumentaram mais do que o esperado em outubro, conforme dados mostrados em relatório do Departamento de Comércio, na terça-feira. 

Os dados reacendem a preocupação com os efeitos da demanda sobre a inflação e, consequentemente, nas expectativas de aperto monetário a ser implementado pelo Fed.

O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, disse ontem que o banco central deveria “seguir uma direção mais agressiva” nas próximas reuniões para se preparar caso a inflação não comece a diminuir.

Com isso, o mercado segue analisando as chances do Federal Reserve (Fed) aumentar as taxas de juros mais rápido do que o esperado. 

Já o Euro estagnou perto de sua baixa de 16 meses para o dólar, enquanto a Europa sofria de preocupações com o crescimento em meio a um novo aumento nos casos de COVID-19.

Na última semana do mês de outubro, a Europa e a Ásia Central foram responsáveis por 59% de todos os novos casos da doença e 48% dos óbitos. 

Em números, foram quase 1,8 milhão de novos casos e 24 mil novas mortes relatadas em decorrência do coronavírus.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), se a tendência de alta se manter, essas regiões poderão registrar mais meio milhão de óbitos por covid-19 até fevereiro de 2022.

Hoje, os casos graves da doença têm se concentrado entre grupos não vacinados, especialmente em países com baixa cobertura vacinal.

Bolsas caem na Ásia com receio de inflação e aperto monetário nos EUA

Nesta quarta-feira as ações caíram no Japão, Coreia do Sul e Austrália. 

O Nikkei teve queda de 0,43%%, aos 29,714.50 pontos. O KOSPI, índice coreano, caiu 0,10%, aos 2997.21 pontos. O ASX desabou 0,69%. Já o Shangai Composite teve leve alta de 0,44%.

Preocupações com a inflação e seu impacto no aumento dos juros seguem no radar dos investidores das principais bolsas mundiais.

Aumento salarial na Austrália

Os últimos dados do Bureau of Statistics (ABS) mostraram que os salários dos trabalhadores australianos aumentaram 0,6% no trimestre de setembro.

Em uma base anual, o trabalhador médio experimentou um aumento salarial de 2,2 %.

Os resultados vieram em linha com as expectativas do mercado.

Com isso, o governador do Reserve Bank (Banco Central Australiano), Philip Lowe, disse, na terça-feira, que espera que os salários aumentem “gradualmente” nos próximos anos, e recuou contra as especulações de que a taxa monetária poderia ter de aumentar em 2022 .

A moeda local também caiu devido ao dólar americano mais forte, que atingiu seu nível mais alto em 16 meses em relação a uma cesta das principais moedas.

Evergrande

O presidente do China Evergrande Group, Hui Ka Yan, supostamente injetou mais de 7 bilhões de yuans (US$ 1,1 bilhão) em dinheiro para aumentar a liquidez da empresa. 

O China Business News citou fontes não identificadas próximas a Evergrande, dizendo que Hui levantou os fundos com a alienação de bens pessoais e promessas de ações.

Preocupação com custos elevados no Japão

As ações japonesas reverteram seus ganhos iniciais na quarta-feira, uma vez que as preocupações com o aumento dos custos e um iene mais fraco.

“A fraqueza do iene em relação ao dólar é boa para algumas empresas, mas também um fator negativo para outras. Agora, os investidores estão se concentrando no último, especialmente porque os custos dos materiais estão subindo ”, disse Yutaka Miura, analista técnico sênior da Mizuho Securities.

“Mas as quedas nas ações japonesas são limitadas graças ao sólido desempenho do mercado dos EUA.”

Inflação e política monetária dos EUA

As movimentações do mercado refletem alguns dados econômicos otimistas dos EUA, incluindo um relatório do Departamento de Comércio mostrando que as vendas no varejo aumentaram mais do que o esperado em outubro.

O Federal Reserve também divulgou um relatório mostrando que a produção industrial se recuperou muito mais do que o esperado em outubro.

Neste cenário, um apelo por uma política monetária mais hawkish do presidente do Federal Reserve Bank de St. Louis, James Bullard, sublinhou as preocupações de que a alta inflação poderia eventualmente se dissipar.

Como resultado, os rendimentos do Tesouro e o dólar, e geraram mais apelos por uma política monetária mais rígida.

Mercado asiático: bolsas fecham em sentido misto nesta terça

Nesta terça, várias bolsas da Ásia fecharam com variações diversas. 

O ASX caiu 0,67%, liderado pelas quedas das grandes mineradoras Rio Tinto (-1,45%) e BHP (-1,42%).

Já o Nikkei subiu 0,11%, alcançando os 29.808,12 pontos.

O Shanghai Composite teve queda de 0,33%, com o índice batendo os 3.521,79 pontos.

O Hang Seng de Hong Kong disparou 1,27%.

Juros longos sobem nos EUA

Os índices de Wall Street fecharam a sessão desta segunda-feira perto da estabilidade, com o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA afetando o apetite por ações

O rendimento do Tesouro dos EUA de 10 anos aumentou para 1,615% ao ano. Esses títulos são referência para determinar os preços da dívida global. 

Isso inclui as taxas de juros de empréstimos corporativos e hipotecários. Se o rendimento dos títulos aumentar, as empresas enfrentarão custos com dívidas mais elevadas. 

Os rendimentos dos títulos do governo dos EUA dispararam principalmente depois que os números de inflação ficaram acima do esperado. 

O receio do mercado é de que o Federal Reserve (Fed) aumente as taxas de juros mais rapidamente do que o esperado. 

Queda no PIB do Japão

A economia do Japão se contraiu muito mais rápido do que o esperado no terceiro trimestre, após os dois trimestres iniciais de crescimento deste ano.

De acordo com dados preliminares do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados ontem (segunda-feira, 15/11), a economia japonesa encolheu 0,8% no trimestre de julho a setembro em relação ao trimestre anterior.

As exportações, principal motor da economia japonesa, caíram 2,1% no terceiro trimestre, devido ao impacto contínuo na procura global da pandemia e dos problemas da cadeia de abastecimento.

Embora muitos analistas esperem que a terceira maior economia do mundo se recupere no trimestre atual, à medida que as contenções de vírus diminuem, o agravamento dos gargalos de produção global representa riscos crescentes para o Japão, dependente das exportações.

Encontro entre Joe Biden e Xi Jinping

Os mercados também estiveram de olho na videoconferência realizada entre o presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente chinês, Xi Jinping.

A relação China-EUA é crucial para ambos os lados e para o mundo em geral, com Pequim repetidamente pedindo à nova administração em Washington que melhore as relações que se deterioraram com o antecessor de Biden, Donald Trump.

No fim, a reunião foi marcada por um tom positivo.

Biden disse a Xi que seu objetivo deveria ser garantir que a competição “não entre em conflito”.

Xi disse que está pronto para “construir consenso” e disse que os dois lados precisam melhorar a comunicação.

A reunião dos dois líderes ocorreu em meio a várias disputas entre os dois países sobre diversos assuntos. 

Do lado da China, as insatisfações em relação aos EUA atentam à questões como as restrições de comércio e acusações de que o país asiático tem realizado ataques cibernéticos

Outra questão política é a insatisfação da China com o apoio dos EUA a Taiwan. 

Já os Estados Unidos têm se queixado dos abusos contra os direitos humanos na China contra os uigures em Xingjian e a repressão aos manifestantes pró-democracia em Hong Kong.

Esta é a terceira vez que os dois líderes se falam desde a posse de Biden, em janeiro. 

Mercados acionários da Ásia sofrem com lucro menor das empresas

O lucro por ação do terceiro trimestre dos membros do MSCI Asia Pacific Index (índice acionário composto por ações de empresas de 12 países da Ásia) cresceu 36%.

Esse desempenho é considerado fraco, visto que houve uma desaceleração em comparação com os ganhos de três dígitos do primeiro semestre, quando havia a expectativa de forte recuperação da pandemia. 

Enquanto isso, os pares globais, como EUA e Europa, viram os lucros corporativos crescerem mais no último trimestre, 42% e 91%, respectivamente.

Restrições de oferta e política sanitária na China

São vários os fatores que contribuem para a lentidão da recuperação das empresas asiáticas. Aumentos dos custos e dificuldades de fornecimento, como a escassez de semicondutores, estão entre as principais causas. 

Para Jessica Tea, especialista do BNP Paribas, a relativa lentidão da região na remoção das restrições à mobilidade, devido à política da China de Covid-zero é outro motivo que pesa sobre as empresas da região.

“A região asiática controlou a propagação da pandemia Covid-19 de forma mais eficaz do que outras partes do mundo, mas está ocorrendo ao custo de maiores restrições e uma recuperação mais modesta da atividade econômica”, disse a especialista em entrevista ao Bloomberg.

A China tem prejudicado os lucros da região devido à escassez de energia, ao bloqueio de cidades e à crise imobiliária em constante expansão. 

Entre os resultados das 1.000 maiores empresas da Ásia, os destaques negativos ficaram por conta da Top Glove (maior fabricante de luvas de borracha do mundo), Pegatron (fornecedor da Apple Inc.) e a Kakao (empresa sul-coreana de Internet). A Tencent Holdings anunciou seu crescimento de vendas mais lento desde 2004 depois que as regulamentações afetaram seu negócio de publicidade.

Resultados positivos

No geral, as expectativas do mercado são de que as dificuldades continuarão. O Morgan Stanley e o Goldman Sachs esperam mais quedas de ganhos com base nos dados macroeconômicos fracos.

Porém, há algumas exceções. Em relação à Índia e ao Sudeste Asiático são esperadas revisões para cima dos lucros das empresas nos próximos períodos. Isso se deve ao fato de que estas regiões têm feito maiores avanços em direção à reabertura de suas economias neste trimestre. 

O MSCI Asean Index (índice que captura as principais empresas da Indonésia, Malásia, Filipinas, Tailândia e Cingapura) subiu quase 5% desde o final de setembro, superando o indicador regional mais amplo em mais de três pontos percentuais.

Entretanto, segundo a visão de analistas, os casos positivos não devem mudar a tendência ruim dos resultados de lucros para toda a região asiática. 

As estimativas futuras de lucro para o índice regional permanecem abaixo da alta de setembro, em um momento em que as previsões para os EUA e a Europa continuaram subindo.

Ações asiáticas fecharam em alta nesta sexta-feira

As ações avançaram na maioria dos principais mercados no fechamento do pregão por lá.

Na China, uma importante reunião do Partido Comunista terminou com uma resolução preparando o cenário para que o presidente Xi Jinping permanecesse líder por toda a vida. A decisão era esperada.

Os líderes do partido elogiaram o papel do atual líder na ascensão do país como potência econômica e estratégica, aprovando uma história política que lhe dá status ao lado das figuras mais importantes do partido, como Mao Zedong.

Embora a economia chinesa esteja desacelerando depois de se recuperar de uma crise pandêmica, o recorde de US $ 139,1 bilhões gasto pelos compradores chineses durante a extravagância anual de compras do Dia dos Solteiros em 11 de novembro sugeriu potencial para uma demanda resiliente no varejo.

Preocupação com a inflação

As preocupações com a inflação têm abalado os investidores no mundo todo ao longo da semana. Dados recentes no Brasil, EUA e China pintam o quadro de uma economia aquecida e com pressões de preços generalizadas.

As empresas vêm alertando que estão sendo pressionadas pelos custos mais altos das matérias-primas e por problemas na cadeia de suprimentos. 

Os consumidores já estão enfrentando custos mais altos para itens essenciais como alimentos, aluguel, automóveis e óleo para aquecimento. 

Os analistas temem que possam cortar gastos com itens discricionários para se concentrar nos essenciais, o que poderia prejudicar a recuperação econômica mais ampla.

Nos EUA, a inflação mais alta aumenta as expectativas de que o Federal Reserve (Fed) e outros bancos centrais aumentarão as taxas de juros de curto prazo implantadas durante a pandemia para estimular empréstimos e gastos. 

O Fed já começou a reduzir as compras de títulos que faz para manter baixas as taxas de longo prazo. Alguns analistas esperam que o banco central comece a aumentar as taxas de juros no final de 2022.

Índices

O índice Hang Seng de Hong Kong subiu 0,32%, para 25.327,97, enquanto o índice Shanghai Composite subiu 0,18%, para 3.539,10.

Em Tóquio, o Nikkei 225 saltou 1,13% para 29.609,97. Em Sydney, o ASX 200 também ganhou 0,83%, indo a 7.443,00.

Já no ocidente, o S&P 500 está a caminho de sua primeira perda semanal em seis semanas. Na quinta-feira, o índice ficou perto da estabilidade, subindo 0,1% para 4.629,27. 

O Dow Jones Industrial Average caiu 0,4% para 35.921,23.

O destaque negativo ficou por conta da Walt Disney, que caiu 7,1% após relatar ganhos mais lentos de assinantes em seu canal de streaming e fracos resultados financeiros fiscais do quarto trimestre.

As ações de tecnologia fizeram a maior parte do trabalho pesado para o benchmark S&P 500 e os fabricantes de chips foram particularmente fortes. 

A Nvidia subiu 3,2% e a Qualcomm subiu 2,9%. Os bancos também obtiveram ganhos sólidos.

Aqui no Brasil, o Ibovespa disparou 1,54%, com Vale respondendo pelo principal suporte após avanço dos preços do minério de ferro na China.

Na Ásia, bolsas sobem, apesar de dados de inflação ruim

Os mercados asiáticos corrigiram as quedas do dia anterior, apesar da piora dos últimos dados econômicos divulgados.

Nos EUA, os dados divulgados na quarta-feira (10/11) mostraram que o índice de preços ao consumidor (IPC) cresceu 6,2% no comparativo anual e 0,9% no comparativo mensal. 

O núcleo do IPC, índice levado em conta pelo Federal Reserve (Fed) na hora de avaliar a inflação, aumentou 4,6% no comparativo anual e 0,6% no comparativo mensal em outubro. 

Já o índice de preços ao produtor (PPI) cresceu 0,6% no comparativo mensal e 8,6% no comparativo anual. O núcleo do PPI cresceu 0,4% no comparativo mensal.

A alta inflação também continua sendo uma preocupação na China. De acordo com os dados divulgados, também na quarta-feira, mostraram que o IPC cresceu 0,7% no mês-a-mês e 1,5% no ano-a-ano em outubro. No acumulado de 12 meses, o PPI cresceu 13,5%.

Por fim, o mercado também precifica os dados de emprego australianos divulgados no início do dia, que revelaram um aumento na taxa de desemprego para 5,2%.

Preocupação com a política monetária

A inflação acima do esperado também trouxe expectativas de que os bancos centrais aumentariam as taxas de juros. 

Os dados da China e dos EUA vem servindo de base para o argumento de que as pressões inflacionárias são temporárias. 

No entanto, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, na terça-feira manteve sua visão de que a alta inflação não persistirá além de 2022 e que o Federal Reserve dos EUA trabalhará para evitar uma repetição do nível de inflação dos anos 1970.

Alguns investidores estão apostando que o Fed aumentará as taxas assim que concluir a redução dos ativos em meados de 2022.

“Este é o momento perfeito para gravitar em direção a jogos defensivos, obter lucro e estar nos setores estrategicamente posicionados em relação a este mercado volátil que apresenta muitos desafios”, disse a analista do Morgan Stanley, Katerina Simonetti, ao portal Bloomberg.

Os investidores também continuaram preocupados com o fato de a recuperação econômica da China a partir do COVID-19 estar mostrando sinais de desaceleração. 

Do lado positivo, temos a notícia de que o China Evergrande Group mais uma vez evitou a inadimplência após pagar os juros vencidos de três títulos em dólares americanos.

Por fim, a quinta-feira também é marcada pelo encerramento da reunião do Comitê Central do Partido Comunista Chinês e deve abrir o caminho para um terceiro mandato sem precedentes para o presidente Xi Jinping. 

Também na quinta-feira acontece o festival anual de compras do Dia dos Solteiros da China. 

Bolsas na Ásia

O Nikkei 225 do Japão fechou com variação de 1 ,06%, aos 29,374.30 pontos.

Na Austrália, o ASX 200 se manteve estável, cotado aos 7,418.35 pontos. 

O índice Hang Seng de Hong Kong subiu 1,52%.

O Shanghai Composite da China ganhou 1,15%, com cotação chegando aos  3.532,79 pontos.

Bolsas asiáticas caem com inflação nos EUA e desaceleração chinesa no radar

As preocupações com os aumentos nos preços do petróleo e da produção na China e seus impactos na inflação nos EUA tem causado um certo pessimismo nos mercados.

Principalmente porque ainda existe a crença de que a aceleração inflacionária pode criar pressões adicionais sobre os membros do Fed na condução da política de juros. 

Os futuros do petróleo dos EUA seguem em alta, com o barril do Brent sendo cotado a US$ 85,81 e o do WTI a US$ 84,57. 

Já os preços ao produtor na China aumentaram 13,5% no comparativo anual até outubro. Os dados superaram as previsões e servem como alerta de que há uma pressão sobre as cadeias de suprimentos para os consumidores globais.

As bolsas asiáticas tiveram quedas na quarta-feira. Na China continental, o Shanghai composto perdeu 0,47%; no Japão, o Nikkei recuou 0,33%.

Inflação nos EUA no radar

Os dados de inflação nos EUA estão previstos para saírem às 10h30, no horário de Brasília.

A estimativa do mercado é que os dados devem mostrar um aumento nos preços ao consumidor. As previsões apontam para uma inflação de 5,8% em 12 meses.

Autoridades do Federal Reserve, Neel Kashkari e Mary Daly, admitiram que a inflação está persistindo por mais tempo do que esperavam.

Os títulos de prazo mais longo subiram na terça-feira, achatando a curva de rendimento do Tesouro. Isso indica que os investidores parecem estar apostando em aumentos no próximo ano, o que, consequentemente, contribuiria para reduzir o crescimento e a inflação nos anos seguintes.

Desaceleração econômica na China

A desaceleração econômica da China também está incomodando a mente dos investidores, especialmente porque uma crise de crédito parece estar se espalhando rapidamente pela gigantesca indústria imobiliária.

Os títulos do setor sofreram um novo golpe na terça-feira, com a liquidação arrastando até dívidas com alto grau de investimento.

“O mercado agora é movido mais pelo medo do que pela lógica”, disseram analistas do JP Morgan. “As avaliações levaram em consideração o pior cenário possível.”

Outras nuvens também estão se formando, com uma pesquisa no Japão mostrando que a confiança dos empresários do setor industrial caiu para o menor nível em sete meses.

O ouro e o bitcoin têm sido os principais beneficiários da turbulência do mercado.

O primeiro subiu 3,5% em uma semana, para US$ 1.829 a onça, enquanto que a criptomoeda tem pairado ao redor de US$ 67.267 após atingir um pico recorde de US$ 68.564 um dia atrás.

P/L do Ibovespa está em mínima histórica: é hora de comprar ações?

A bolsa de valores brasileira vem experimentando fortes quedas nos últimos tempos. Desde junho, a queda acumulada é de mais de 18%.

Quedas assim nem sempre indicam coisas ruins, como quebra de empresas ou piora dos resultados financeiros.

Muitas vezes a queda das cotações ocorre apenas por causa de questões relacionadas à conjuntura macroeconômica, como aumento da taxa básica de juros (Selic), inflação (IPCA), ou déficits públicos.

Chamamos isso de risco sistêmico. Quando isso acontece, as ações caem, mas os resultados das empresas continuam positivos. 

Podemos ter uma noção sobre esse tipo de movimentação através da relação entre lucros e preços, o chamado P/L. Esse indicador mostra quantas vezes o preço de um ativo vale em relação ao seu respectivo lucro.

Em tese, quanto menor o indicador P/L mais barato é uma empresa, pois mais lucro a ação estará carregando por um determinado preço. 

Com isso, se esse indicador caiu em um determinado período, é sinal que as ações baratearam, enquanto que o contrário ocorre quando o valor do P/L sobe.

Atualmente o Ibovespa está sendo negociado com a um preço de 6,2 vezes o lucro agregado das empresas que compõem o índice, enquanto que no início do ano o mesmo indicador era de cerca de 22 vezes. As informações são do site site Oceans14

Como o índice das ações brasileiras caiu cerca de 10% ao longo do ano, temos que os lucros, em termos agregados, subiram em cerca de 240% no período.

Vale lembrar que essa evolução tem como base um ano atípico, que foi 2020, por causa da crise da pandemia da Covid-19. 

Temos também que ter em mente que grande parte desse lucro veio de empresas que exploram commodities, como Petrobrás e Vale. Ou seja, são empresas cíclicas, que enfrentam períodos bons, seguidos de outros ruins.

Diante disso, podemos dizer que está mais barato investir na bolsa de valores? A resposta, como quase sempre, é: depende.

Cuidados com o P/L

A principal regra no mercado financeiro é que, para ganhar dinheiro, deve-se comprar barato e vender caro.

Na verdade, isso é mais simples na teoria do que na prática, pois o preço de um ativo financeiro reflete as expectativas dos investidores em relação ao futuro.

Por exemplo, uma ação que se desvaloriza hoje pode não necessariamente significar que ela ficou mais barata, mas sim que o mercado acredita que o que está acontecendo no presente, ou o que irá acontecer no futuro, poderá fazer com que seus resultados piorem ao longo do tempo.

Dessa forma, uma ação ou índice com P/L baixo indica que os ativos estão baratos, mas apenas em relação aos históricos passados. Em relação ao futuro é outra história.

Em outras palavras, o P/L mensura a relação dos preços atuais com os lucros dos trimestres anteriores. Se o lucro no futuro se mantiver no patamar atual, ou mesmo se subir, então podemos deduzir que as ações ficarão mais baratas caso suas cotações caiam. Logo, podemos dizer que vale a pena investir.

Por outro lado, se estimarmos que os próximos períodos serão ruins para as empresas, e que os lucros irão cair, então pode ocorrer do P/L subir com o tempo e revelar que tudo aquilo que acreditávamos estar barato hoje, na verdade, está caro.

Resumindo, o P/L é um indicador que não deve ser usado de forma mecânica. É preciso ter uma boa análise em relação ao futuro, visto que os investidores compram e vendem ativos olhando para o horizonte à frente, e não somente para o retrovisor.

É hora de investir na bolsa?

Como dito anteriormente, a resposta sobre se vale ou não a pena entrar na bolsa de valores neste momento depende da perspectiva em relação ao futuro.

Para analistas do mercado financeiro, as quedas recentes do Ibovespa já precificaram todo o cenário ruim da política econômica que vem sendo implementada pelo governo.

Segundo relatório recente publicado por analistas da XP Investimentos, Fernando Ferreira e Jennie Li, as estimativas em relação ao P/L de 12 meses adiante do Ibovespa estão em 8 vezes. Se isso se confirmar, teremos o menor nível deste indicador desde 2008.

A questão principal, portanto, é sobre o quanto as perspectivas com a economia ainda irão piorar. Ou seja, até onde irão os juros da renda fixa e por quanto tempo eles ficarão em alta. 

Enquanto os juros elevados trazem muitas oportunidades ao investidor obter altos retornos com riscos menores na renda fixa, eles também são deletérios para a economia e para as empresas, que são o motor de crescimento do país.

Como já mostrado aqui, o forte aperto monetário tende a deteriorar as condições econômicas, de modo que os agentes do mercado já esperam que uma queda dos juros não demore tanto assim.

Para muitos estrategistas, as ações já estão baratas o suficientes e que, talvez, o momento ideal para entrar seja agora.

Esse contexto tem, inclusive, atraído muitos investidores estrangeiros.

“Apesar de não ser impossível, o preço das ações brasileiras já recuou a níveis bastante atrativos. Provavelmente por isso que continuamos vendo um forte fluxo de entrada de investidores estrangeiros na Bolsa, apesar do macro mais turbulento. Só no mês de Outubro as entradas líquidas de estrangeiros na B3 já somam R$ 11,5 bilhões”, apontam Fernando Ferreira e Jennie Li.

Por outro lado, o investidor deve se manter cauteloso, pois o cenário político de forte polarização, principalmente no ano eleitoral que teremos pela frente, com certeza trará muita volatilidade ao mercado.

O indicado, como em toda situação, é se manter apegado ao próprio perfil de risco e não alocar em renda variável o montante maior do que se está disposto a perder.