Bolsas sobem no mundo todo com sensação de risco sistêmico menor

Nesta terça-feira (07/12), as principais bolsas de valores dos quatro cantos do globo subiram fortemente, com os investidores precificando a visão de que a variante ômicron da COVID-19 não causará grandes danos econômicos.

Soma-se a isso, as perspectivas positivas vindas da China, com o governo se comprometendo a fornecer estímulos pontuais para fortalecer a recuperação econômica do gigante asiático. 

Até às 16h05 desta tarde, o S&P 500 subia 2,09%, aos 4.686,43 pontos. O Dow Jones somou 1,43% e a Nasdaq 3,13%. 

Na Europa, o CAC francês disparou 2,91% e o DAX 2,83%.

Aqui no Brasil, o Ibovespa seguia a alta de ontem e avançava 0,79%, superando os 107.700 pontos.

Impacto reduzido da Ômicron

Os investidores já se decidiram sobre a ômicron e acreditam que outro grande choque econômico será evitado, disse Fawad Razaqzada, analista de mercado da Think Markets.

“Após uma consideração cuidadosa, eles acham que provavelmente não é mais perigoso do que a variante Delta do coronavírus e que os bloqueios e restrições preventivos que vimos irão diminuir em breve”, disse Razaqzada em uma nota.

Nas últimas notícias sobre o coronavírus, as agências de saúde da União Européia recomendaram que as vacinas COVID-19 fossem misturadas e combinadas tanto para injeções iniciais quanto para doses de reforço, enquanto a região enfrenta casos crescentes antes do Natal.

A evolução da ômicron foi positiva para os preços do petróleo, que subiram cerca de US$ 3 na esperança de que a nova variante se mostre menos prejudicial e com a perspectiva de um aumento iminente na demanda da commodity energética. 

Agora à tarde, o Brent subia 3,38%, cotado a US$ 75,55 o barril, e o WTI 3,83%, cotado a US$ 72,16 o barril.

Atenção se volta para o Fed

As expectativas de que o Federal Reserve (Fed) acelerará a redução de seu programa de compra de títulos na próxima semana, em resposta a um aperto no mercado de trabalho, incentivou a corrida dos investidores globais para o dólar.

O Dollar Index, índice que avalia o dólar dos Estados Unidos em comparação com uma cesta com as principais moedas do mundo, subia 0,15%, mantendo-se acima dos 96 mil pontos.

As expectativas com a possível decisão do Fed de apertar sua política monetária também apareceram nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos, que aumentaram 1,4 pontos base, para 1,448%.

No geral, os agentes de mercado acreditam que o Fed fará mais do que foi estabelecido no seu plano inicial, e intensificará o combate à inflação.

Estímulos na China

Os ânimos dos mercados também melhoraram depois que o banco central da China injetou sua segunda rodada de estímulos desde julho, cortando a quantidade de dinheiro que os bancos devem manter em reserva.

No entanto, a incerteza sobre o setor imobiliário se mantém, à medida que Evergrande oscilava à beira do default novamente. 

Mas os dados que mostram um crescimento mais forte das importações foram “um sinal positivo sobre a força da demanda doméstica”, disse o analista do RBC, Adam Cole.

Análise do dólar: cotação se aproxima dos R$ 5,70 e mercado monitora eventos importantes

O dólar operou com leve alta nesta segunda-feira (06/12), com investidores reagindo a uma semana cheia de eventos importantes. 

A moeda norte-americana subia 0,71% até às 16h49, cotada a R$ 5,6925 e se aproximando da área de resistência, por volta dos R$ 5,70.

Um possível rompimento da resistência poderá indicar uma trajetória de alta até a próxima zona de resistência, localizada aos R$ 5,88.

Eventos importantes deverão impactar o ânimo dos investidores ao longo da semana e determinar se o patamar atual de preços será ou não rompido.

Agenda econômica da semana

Na quarta-feira (08/12) sairá a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM). A princípio, é esperado que o BC mantenha a decisão anterior de elevar a Selic em 150 pontos-base.

Também na quarta-feira (08/12), teremos o relatório de empregos Jolts dos Estados Unidos que trará novos dados sobre o panorama de emprego no país. 

Na quinta-feira (09/12), serão apresentados os pedidos de auxílio-desemprego. Na sexta-feira (10/12) será a vez dos dados de inflação ao consumidor (CPI, em inglês) e ao produtor (PPI) na sexta-feira.

Por fim, as novas informações sobre a variante ômicron também estão no radar do mercado. Qualquer indicativo sobre sua gravidade deve impactar fortemente os mercados, tanto para cima quanto para baixo.

Caso os eventos citados surpreendam os investidores, com decisões e dados diferentes das expectativas, poderemos ver forte oscilação na taxa de câmbio.

Relatório Focus revela projeções do mercado

Como já é de conhecimento do investidor, segunda-feira é dia de divulgação do relatório Focus pelo BC. O relatório mostra as expectativas dos analistas das instituições financeiras para os principais indicadores da economia, como inflação, juros, PIB e câmbio.

No relatório de hoje, as projeções mudaram em relação à semana anterior, porém em magnitude menor do que a dos relatórios passados, o que pode indicar uma estabilização das expectativas.

A projeção do mercado para a inflação de 2021 subiu de 10,15% para 10,18%. Para 2022, subiu de 5% para 5,02%. 

Para o crescimento do PIB a variação foi de baixa, que passou de 4,78% para 4,71%. Para 2022, o mercado reduziu a previsão de alta do PIB de 0,58% para 0,51%.

Para a Selic, a estimativa foi mantida em 9,25% ao ano a previsão para a Selic no fim de 2021. Para o fim de 2022, os economistas mantiveram a expectativa para a taxa Selic de 11,25% ao ano.

Já para o dólar, a projeção subiu de R$ 5,50 para R$ 5,56 para o fim de 2021 e de R$ 5,50 para R$ 5,55 para o fim de 2022.

Shiba Inu volta a crescer

Recuperação de gente grande

Cada vez mais, a Shiba Inu (SHIB) mostra que pode ser uma das poucas memecoins a ter chances de f se tornar um ativo sólido e de sucesso.

Após sua ascensão meteórica na reta final de outubro que a colocou no top 10 de market cap, acabou sofrendo com baixas duras para um cripto ainda em estabelecimento, mas uma a recompensa para o jovem projeto e sua Shib Army (nome dado aos investidores mais fiéis e ativos da SHIB) veio logo em seguida.

O anúncio feito via twitter da Kraken Exchange, plataforma que conta com mais de 10 anos de experiência em atuação como bolsa de criptomoedas, anunciou nessa terça-feira (30) que a SHIB seria adcionada à sua lista de opções de investimentos.

A novidade, somada da recuperação coletiva dos principais criptoativos disponíveis – como o Bitcoin (BTC) e o Ether (ETH) – propiciou alta de 30% em dois dias para a Shiba Inu, saindo dos US$ 0.00003560 registrados no domingo (28) para bater US$ 0.00005155 no fim da manhã da terça.

Além de ser crucial para retomar um caminho de valorização, a adesão do ativo na Kraken pode ser mais uma ferramenta importante para aumentar ainda mais o número de integrantes da Shib Army, que segue sendo a principal arma do cripto. A plataforma Google Trends, aliás, já apontou novos picos de pesquisas para termos como “Shiba Inu”, “Shiba Token” e “SHIB”.

Ponto de virada pode estar mais próximo do que se imagina

Em suma, trata-se de uma nova prova de força dada tanto pelo projeto em si, quanto pelos mais ativos investidores, que dedicam parte do seu tempo para divulgar e proteger a Shiba Inu na internet.

Eles já foram o combustível para a alta histórica vivida nos últimos meses e conseguiram se unir em movimentos de compra e venda para proteger SHIB das quedas agressivas vividas pelo mercado de criptos recentemente.

Como resultado, golpes que seriam duros para moedas mais maduras – e fatais para outras memecoins – foram suportados, indicando potencial de segurança e regularidade no projeto como um todo mesmo à longo prazo.

O rápido amadurecimento, como consequência, abre portas para que outros grupos e plataformas recebam SHIB de braços abertos, propiciando valorização prática de preço por meio da sua validação como ativo viável para negociação.

Em pouco tempo, a Shiba Inu já passou por testes que muitos outros ativos entregam os pontos e revelam suas falhas. Valendo ainda frações de centavos mesmo com market cap de respeito, tendo ainda uma base de apoio elétrica, jovem, mas cada vez mais experiente para se apoiar, o ativo vai – surpreendentemente – preenchendo os primeiros requisitos para estourar em breve.

Fala de Powell abre margem para manutenção de flexibilização monetária

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, disse hoje (29/11) que o surgimento de uma nova variante do COVID-19 pode desacelerar a economia e a recuperação das contratações, ao mesmo tempo que aumenta a incerteza sobre a inflação.

“O recente aumento nos casos de delta e o surgimento da variante ômicron representam riscos de baixa para o emprego e a atividade econômica e aumentam a incerteza para a inflação”, disse Powell na segunda-feira em declaração para o Comitê Bancário do Senado, que se reúne nesta terça-feira (29/11). 

Além das possibilidades de piora na demanda e oferta de empregos, a nova variante também pode intensificar as interrupções na cadeia de abastecimento, disse o presidente do banco central norte-americano.

Os comentários de Powell foram feitos depois que outras autoridades do Fed disseram nas últimas semanas que o banco central deveria considerar o encerramento de suas políticas de compras de ativos e taxas de juros zero mais rápido do que o planejado previamente.

Eles citaram preocupações com a inflação, que atingiu seu  pico de três décadas.

Powell prega cautela com política monetária

Apesar das falas dos membros do Fed e das expectativas de analistas do mercado, as observações de Powell sugerem que a incerteza adicional levantada pela variante ômicron pode complicar os próximos passos do Fed.

“Uma preocupação maior com o vírus poderia reduzir a disposição das pessoas para trabalhar presencialmente, o que desaceleraria o progresso no mercado de trabalho e intensificaria as interrupções na cadeia de suprimentos”, disse Powell.

Ainda se sabe pouco sobre os reais efeitos da variante ômicron na saúde das pessoas.  Entretanto, se a nova cepa do vírus fizer os americanos recuarem nos gastos e desacelerar a economia, por conseguinte, isso poderia aliviar as pressões inflacionárias nos próximos meses.

Como consequência, o Fed poderia ser levado a prorrogar a flexibilização monetária sem que a inflação seja afetada.

No entanto, se a nova variante causar outra onda de fechamentos de fábricas na China, Vietnã ou outros países asiáticos, este cenário poderia piorar os problemas da cadeia de suprimentos, especialmente se os americanos continuarem comprando mais móveis, eletrodomésticos e outros bens. 

Ou seja, isso pode elevar ainda mais os preços nos próximos meses.

Powell reconheceu que a inflação “impõe fardos significativos, especialmente para aqueles menos capazes de arcar com os custos mais elevados de itens essenciais como alimentação, moradia e transporte”.

Ele disse que a maioria dos economistas espera que a inflação diminua ao longo do tempo, à medida que as restrições de oferta diminuam, mas acrescentou que “os fatores que empurram a inflação para cima permanecerão no próximo ano”. 

Em entrevista coletiva no mês passado, Powell disse que a alta inflação pode persistir até o final do verão.

Expectativas para a última reunião do Fed em 2021

Em sua última reunião do ano, em 2 e 3 de novembro, os formuladores de políticas do Fed  concordaram em começar a reduzir os US$ 120 bilhões em compras mensais de títulos do banco central em US$ 15 bilhões por mês. Isso encerraria as compras em junho.

Essas compras de títulos, uma medida de emergência iniciada no ano passado, têm como objetivo manter as taxas de juros de longo prazo para encorajar mais empréstimos e gastos. 

O Fed fixou sua taxa de juros de curto prazo em quase zero desde março do ano passado, quando o COVID-19 surgiu pela primeira vez. Essa medida influencia outros custos de empréstimos, como hipotecas e cartões de crédito.

Na semana passada, o Fed  divulgou a ata da reunião de novembro que mostrou que alguns dos 17 formuladores de políticas do Fed apoiaram a redução das compras de títulos mais rapidamente, especialmente se a inflação piorar. 

Isso daria ao Fed a oportunidade de aumentar sua taxa de referência já no primeiro semestre do próximo ano.

Naquela época, os investidores esperavam três aumentos nas taxas no próximo ano, mas as chances de muitos aumentos caíram drasticamente desde o surgimento da nova variante do coronavírus.

A bolsa está barata, mas incertezas vão continuar derrubando as cotações

As notícias de hoje afundaram ainda mais a bolsa de valores brasileira. As ações seguem uma trajetória de queda que parece não ter fim. 

O indicador de P/L (Preço sobre o Lucro) do Ibovespa já está em um patamar próximo das mínimas históricas. Isso indica que as ações do índice estão mais baratas em relação ao lucro que elas entregam aos acionistas.

Porém, como já mostrei por aqui, o P/L baixo não é garantia de que se está comprando ativos realmente baratos. É possível que as quedas continuem mais fortes ainda nos próximos períodos.

A questão que fica é: até quando vai cair?

Infelizmente não há resposta definitiva, pois a economia é um sistema cheio de complexidades e incertezas.

Não temos certeza nem mesmo quanto ao presente, pois tudo que fazemos hoje é com base no que esperamos do futuro.

Se os investidores acreditam que o futuro é promissor, então a demanda por ativos sobe e a economia avança. 

Mas se as expectativas são ruins, as pessoas irão buscar segurança (dólar, ouro e títulos públicos de países desenvolvidos), o que causará um aumento na venda de ativos e estagnação da economia. 

Essa dinâmica é vista tanto no lado da produção quanto no financeiro, e gera uma complexidade tal que interliga o futuro e o presente em uma via constantemente cambiante.

Dessa forma, temos em economia uma relação causal circular entre futuro e presente, no qual o futuro é construído no agora, com base nas nossas visões atuais sobre o próprio futuro.

Feito essa divagação, vamos aplicá-la para o que nos interessa aqui, que é o mercado de capitais.

No momento, o que temos no presente são expectativas cada vez piores para a inflação e juros.

Isso pode ser visto no relatório Focus do Banco Central, divulgado toda segunda-feira. 

No caso da inflação, temos que o mercado estimava, há quatro semanas atrás, um IPCA de 8,96% para o final de 2021. Há duas semanas, as estimativas pioraram para 9,77%, e agora, no último relatório, as previsões apontam para um aumento médio dos preços de 10,12% até o fim do ano.

Como as expectativas de inflação sobem, o mercado espera que os juros irão subir para controlar a alta dos preços.

Ainda no relatório Focus, há quatro semanas atrás, as expectativas eram de uma Selic de 8,75% no fim de 2021. Essa estimativa era de 3% em janeiro, e agora é de 9,25%!

Como podemos ver, a cada semana que passa, as expectativas pioram mais ainda, ou seja, não há ainda uma clareza sobre até quando as coisas vão parar de piorar e começar a se estabilizar.

Com essa piora nas perspectivas, é comum o pessimismo se instalar na mente dos agentes econômicos. 

Mesmo que a bolsa caia e dê a impressão de que as ações estejam baratas, a verdade é que os investidores estão se sentindo inseguros com o futuro da economia e dos lucros das empresas.

Além disso, o efeito da inflação sobre os juros aumenta o custo de oportunidade do capital. Há títulos públicos do governo que estão pagando mais de 12% ao ano.

Para que a bolsa de valores se torne interessante, será necessário um ganho esperado bem maior que isso para atrair as pessoas.

Perante o exposto, podemos inferir que a bolsa de valores só irá parar de cair a partir do momento em que a sensação de incerteza diminuir e os investidores conseguirem enxergar um futuro com mais clareza no horizonte.

Para deixar mais claro ainda, os investidores só irão parar de vender ativos quando a inflação esperada para o futuro cair e quando o Banco Central deixar claro o ponto máximo para o qual levará a Selic.

Criptomoedas e suas blockchains na inclusão social

O alcance das blockchains

Nos debates que permeiam as estruturas econômicas atuais e seu possível alcance social, um termo recém criado vêm ganhando cada vez mais espaço: bancarização.

Trata-se justamente da inclusão populacional nos sistemas financeiros de cada país, e é importante ao considerar que cidadãos “bancarizados” podem usufruir de ferramentas para que seus recursos sejam melhor geridos, promovendo gradativo desenvolvimento econômico.

Outro tópico que esquenta as conversas econômicas atuais são os criptoativos. Com diversas nações mundo à fora estabelecendo suas regras para lidar com a novidade, muitas questões ainda são levantadas sobre suas aplicabilidades reais, com o argumento servindo como base de descrédito dos ativos e corroborando para o discurso que “criptomoedas não possuem nenhum valor base”.

É verdade que tanto o promissor setor das DeFis (finanças descentralizadas) como os demais dApps que podem explorar os benefícios das blockchains ainda precisem amadurecer coletivamente, o meio de funcionamento dos criptos já tem eficiência comprovada como solução para os problemas de bancarização.

El Salvador como prova concreta de validação de aplicabilidade

Por mais que os maiores destaques positivos que tenham sido notados em El Salvador girem em torno do bom aproveitamento nas valorizações vividas recentemente pelo Bitcoin (BTC) – com parte dos lucros já sendo suficientes para financiar obras importantes de escolas e clínicas veterinárias no país – o primeiro sucesso obtido pelo BTC no país centro-americano vem do alcance das carteiras digitais.

Nas últimas décadas, os bancos tiveram pouco sucesso em inserir o povo salvadorenho nos seus sistemas, com somente 30% da população (1,8 milhões) possuindo contas bancárias.

O número por si só já é preocupante, mas seu peso aumento ao considerarmos o fato de que a maior parte do PIB de El Salvador em 2020 consiste dos US$ 31 bilhões (28% do total) recebidos de remessas vindas dos Estados Unidos. Indo além, a realização dessas transações exigiu cobrança de US$ 2 bi em impostos.

Entretanto, em apenas 1 mês de funcionamento, a Chivo – carteira digital governamental que dá o suporte aos Bitcoins no país – ultrapassou os 2,1 milhões de registros feitos com documentos salvadorenhos (que garante ao cidadão US$ 30 em BTC).

Isso significa que mais pessoas podem gerir de maneira mais segura e eficiente seus recursos com muito menos impostos, além de derrubar por terra teorias que pregam uma grande distância entre os criptoativos e sua aplicação no “mundo real”.

E a questão vai além do aspecto puramente financeiro. A integração com a tecnologia nas mais variadas situações e necessidades é, em um mundo cada vez mais globalizado e desenvolvido tecnologicamente, uma condição básica de cidadania e inclusão social.

As questões dos potenciais lucros absurdos que escapam dos poderes centralizados de bancos e afins (sendo esse o mesmo contexto que propiciaria a redução de impostos) realmente motiva muitas destas falas de atrito e ponderação quanto aos criptoativos.

Contudo, ignorar os possíveis benefícios dessa integração seria, além ignorância perante ao inevitável futuro, injustiça com aqueles que em pleno século XXI não tem sequer condições de proteger e movimentar seu dinheiro efetivamente.

 

Shiba Inu acusa golpe, mas segue de pé

Ascensão e maturidade

Principalmente entre outubro e o começo de novembro, o mercado de criptomoedas testemunhou, em meio ao crescimento coletivo, a memecoin Shiba Inu (SHIB) se transformar em uma das mais gratas surpresas de 2021 após sua disparada de 44.000% no começo do mês 11.

E mesmo com a origem que exala displicência, tanto a Shib Army – nome dado ao seu fiel e enérgico grupo de apoiadores – quanto os responsáveis pelo ainda jovem projeto tomaram posicionamentos maduros frente aos primeiros momentos de pressão real oferecidos pelo mercado.

Isso porque logo no início de novembro a army encarou duas situações de risco em um curto espaço de tempo: uma queda brusca (comum no caso de memecoins em movimentos de venda que para outros ativos seriam simples) no dia 3, além do dispertar da “baleia adormecida”, com US$ 5,7 bilhões em SHIB, que fez suas primeiras movimentações em meses e ameaçou derrubar ainda mais os preços no caso de venda em grande escala.

No total, em seu primeiro momento sob os holofotes do mundo dos criptos, a queda instantânea foi de quase 11%. Mas mesmo com tudo isso, a Shib Army se mobilizou internet à fora para comprar na baixa e segurar as moedas virtuais a todo o custo, enquanto a equipe por trás da SHIB foi apresentando avanços modestos, mas constantes em aspectos de segurança e desempenho da rede.

Novo momento obriga SHIB a manter os pés no chão

Como resultado, a Shiba Inu caiu junto de todo o mercado, mas superou expectativas de suas similares ao passar “viva” por sua primeira grande prova. Mas se engana quem pensa que a Shiba Inu teria momentos de calmaria antes de entrar no segundo round de sua luta pela estabilização.

Apesar de seguir com desempenho mais seguro do que a enorme maioria das memecoins de origem, a moeda agora acumula 60% de baixa de seu ATH obtido no dia 28 de outubro. O principal motivo apontado para o momento difícil passa diretamente pelo receio/perda de interesse por parte dos novos investidores que descobriram o ativo no momento de alta.

De acordo com a plataforma Google Trends, as buscas pelo termo “Shiba Inu” e similares caiu dos 100% (máximo de buscas já feitas ocorrida no entre os dias 27 e 30 de outubro) para cerca de 20% de interesse justamente nesse momento de baixa.

Para piorar, o perfil oficial da Shiba Inu se pronunciou, via twitter, sobre um drástico aumento da ocorrência de golpes envolvendo a moeda. Inúmeras páginas fake e grupos de investimentos com segundas intenções se multiplicaram nas últimas semanas e chamaram a atenção de investidores ao usarem a SHIB como bandeira principal.

De promessas de pump and dump à simplesmente roubo de dados, o problema foi tão grande que o projeto em torno da Shiba Token prestou diversas explicações e instruções aos interessados em conhecer melhor o trabalho envolvido, mas até o momento sem muito mais sucesso na captação da confiança popular.

Restou o “teimoso” núcleo que nunca abandonou a Shiba Inu e, bem ou mal, podem ser os principais responsáveis pelo novo patamar que atingiu mesmo em meio ao momento ruim. A Shib Army segue firme na defesa e na propaganda do ativo que acreditam ter o potencial de mudar financeiramente a vida de muitas pessoas.

Fato é que, mesmo com o tom decepcionante atual, o desepenho da criptomoeda segue extremamente positivo no recorte anual, com o projeto aguentando ainda duras pancadas que seriam capazes de demolirem bases que não estivessem firmes. Resta saber agora se Shiba e sua armada terão fôlego para voltarem ao palco principal em novos momentos de alta do mercado de criptos.

Aumento dos juros longos nos EUA fortalece dólar, derruba ouro e estabiliza ações

Já faz um bom tempo que os investidores vêm olhando para o comportamento da política monetária dos EUA. As expectativas são de que os juros do Federal Reserve (Fed) aumentem antes do esperado.

No início da pandemia, a autoridade monetária norte-americana havia sinalizado que manteria os juros em zero ao menos até o fim de 2023, e não antes que a atividade econômica se recuperasse completamente.

Porém, a inflação e os sinais de recuperação do comércio têm feito com que os investidores globais começassem a imaginar que os juros poderão aumentar já em julho de 2022.

Com esse cenário em mente, os juros de 10 anos dos EUA vêm subindo constantemente desde o início de agosto, quando esteve em sua mínima no ano de 1,128%. Atualmente o rendimento está em 1,656%.

Juros longos pressiona ativos e fortalece dólar

De um lado, esse aumento dos juros longos vem afetando o ouro e as ações das bolsas dos EUA nos últimos dias, enquanto que o dólar passou a ser mais procurado pelos investidores.

No caso da commodity metálica temos que as taxas de juros mais altas significam aumento no custo de oportunidade de manter ouro na carteira, principalmente porque este ativo não paga rendimentos.

Algo semelhante ocorre com as ações da bolsa de valores. O S&P 500, principal índice acionário norte-americano, que vinha subindo sem parar desde o fim de março de 2020, tem encontrado um ponto de estabilidade nas últimas semanas.

O índice parece enfrentar uma resistência por volta dos 4.720 pontos e suporte ao redor dos 4.630 pontos. Uma queda abaixo deste patamar pode indicar uma correção mais forte das ações.

Por fim, temos o dólar como outro ativo influenciado pelos juros. Nas últimas semanas, a moeda dos EUA vem tendo uma valorização mais intensa frente às principais moedas mundiais.

Como o dólar é uma moeda universal, ocorre que a subida dos juros longos faz com que investidores do mundo todo busquem investimentos nesta moeda como forma de proteção ou especulação em relação ao futuro da política monetária.

Até às 16h38 desta terça-feira (23/10), o ouro caia 0,96%, cotado a US$ 1.789,00 a onça. O S&P 500 caia 0,28%, aos 4.669,80 pontos. Já o índice dólar ficava no zero a zero.

Em relação ao real, o dólar subia 0,38% agora no fim do pregão, cotado a R$ 5,60, após ter alcançado R$ 5,65 no meio do dia.

O exemplo de El Salvador para o mundo com a “Bitcoin City”

Postura firme em meio à queda

O momento para as criptomoedas e para a principal representante da classe, o Bitcoin (BTC), não é dos melhores. As incertezas vindas dos Estados Unidos com os debates sobre as novas leis de fiscalização sobre os ativos no país tiraram todo o mercado do momento historicamente positivo pelo qual passava a quase dois meses.

E mesmo com um problema de escala mundial em mãos, muitos críticos se voltaram para El Salvador. Esse tipo de movimento tem sido comum nas baixas que ocorreram desde o dia em que os salvadorenhos adotaram o Bitcoin como moeda oficial do país – 7 de setembro – por marcar o início do primeiro grande desafio do BTC no “mundo real”.

Mas tanto a nação quanto a moeda virtual deram sinais de maturidade até aqui. Nas quedas que ocorreram logo após a confirmação da grande mudança econômica, o presidente Nayib Bukele encarou reclamações e protestos para seguir firme no apoio à criptomoeda e nas compras nas baixas.

Como resultado, a antes ignorada economia de El Salvador pôde aproveitar do excelente momento vivido pelo Bitcoin entre o final de setembro e o começo de novembro.

Nesse meio tempo, o mundo testemunhou, além do aumento de conhecimento popular sobre criptoativos no geral e da resposta à histórica baixa bancarização que assolava o país, lucros que, por si só, já encaminharam a construção de centros veterinários e escolas na capital El Salvador e comprovavam na prática os benefícios da adoção do BTC.

Mas após tanto servir como base para que o Bitcoin provasse seus valores e potenciais, pode ter se iniciado o primeiro grande passo que levará do modesto país a se tornar uma referência importante do futuro da economia.

A cidade do Bitcoin

O anúncio do projeto de construir a chamada “Bitcoin City”, ambicioso projeto que visa construir toda uma cidade que gire em torno da mineração de Bitcoins isenta de impostos tradicionais, foi feito pelo presidente Bukele à investidores, empresários e entusiastas das criptomoedas no último domingo (21), com o objetivo de levantar US$ 1 bilhão por meio de títulos de dívidas com prazo de 10 anos com cupons de 6,5%.

Com ênfase no aproveitamento de energia geotérmica, a cidade ficará em La Unión, na base do vulcão Conchagua. A expectativa é de para que a estrutura completa seja disponibilizada, sejam necessários cerca de US$ 18 bilhões, que serão obtidos gradativamente com novos lotes de títulos. Dos valores do primeiro lote, metade irá para reforçar a infraestrutura de mineração, enquanto a outra seguirá para reforçar o comércio local e sua capacidade de atender os futuros trabalhadores.

De acordo com a Blockstream, empresa especializada parceira do governo salvadorenho na empreitada junto ao BTC, o objetivo prático de criar a estrutura necessária para acelerar a emissão de Bitcoins é de alimentar todo um novo sistema financeiro baseado em Bitcoins e que possa se manter com os recursos minerados em solo nacional.

Em suma, trata-se não somente do mais ambicioso projeto em torno de criptomoedas no planeta, como conta com apoio governamental e, de quebra, não agride o meio ambiente. O avanço e posterior concretização da Bitcoin City pode tirar El Salvador da dependência do Bitcoin para colocar como uma das principais referências do mundo no setor.

Ouro cai e dólar sobe com expectativas de aperto monetário do Fed

As expectativas de que o Federal Reserve dos EUA poderá acelerar o ritmo de redução dos estímulos para conter o aumento dos riscos inflacionários derrubaram hoje a cotação do ouro, enquanto o dólar saiu mais forte.

O contrato futuro do ouro caiu 2,28% nesta segunda-feira (22/11), para US$ 1.803,66 por onça. Já o dollar index (índice que mede o desempenho do dólar frente às principais moedas mundiais) subiu 0,55%.

A queda do metal é justificada pelo aumento da pressão em cima do Fed para controlar a inflação. Argumentos em prol da aceleração do aperto monetário tem aparecido cada vez mais nos noticiários.

Um aumento dos juros antes do esperado penalizaria fortemente as cotações do ouro, pois taxas mais altas geralmente se traduzem em um aumento no custo de oportunidade de manter o metal, que não paga juros.

Em outras palavras, a elevação dos juros significaria um aumento do custo de oportunidade, o que levaria investidores a venderem o metal e aplicar em títulos do tesouro.

Fed debate redução mais rápida de estímulos

Os legisladores do Federal Reserve estão debatendo publicamente se retirarão o apoio à economia dos EUA mais rapidamente para lidar com o aumento da inflação.

Na sexta-feira passada (19/11) uma das autoridades mais influentes do banco central sinalizou que a ideia estará na mesa na próxima reunião do Fed.

“Estarei examinando atentamente os dados que obteremos entre agora e a reunião de dezembro, e pode muito bem ser apropriado nessa reunião ter uma discussão sobre como aumentar o ritmo com que estamos reduzindo nosso balanço patrimonial”, disse o vice-presidente do Fed, Richard Clarida.

Ele afirmou ainda que muitos de seus colegas veem riscos mais elevados de uma inflação já alta. “Isso será algo a considerar na próxima reunião”.

Biden mantém Powell no comando do Fed

As apostas contra o ouro se intensificaram com a manutenção de Jerome Powell no comando do Fed.

Nesta segunda-feira, Biden indicou Powell para um segundo período de quatro anos, com Lael Brainard, integrante da diretoria do Federal Reserve e a outra candidata principal para o cargo, como vice-chair.

A renomeação do atual presidente do Fed é um sinal de estabilidade na política monetária e na manutenção da política em curso.

A instituição vem reduzindo as compras mensais de títulos em 120 bilhões de dólares, os quais vêm sendo injetados mensalmente em compras de ativos financeiros desde o início da pandemia. 

A expectativa é que, uma vez que os estímulos estejam zerados, os juros possam voltar a subir em meados do ano que vem.