Dólar fecha sessão perto da estabilidade contido por BC, mas acumula queda na semana

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar fechou perto da estabilidade nesta quinta-feira, contido por duas intervenções do Banco Central com venda de moeda após a cotação saltar acima de 5,70 reais e a divisa brasileira liderar as perdas no mundo.

Operadores relataram fluxos de saída de recursos, que num período de liquidez menor acabam fazendo mais preço nos negócios.

O dólar spot foi a 5,7202 reais na máxima do pregão, alta de 0,91%, às 11h55 (de Brasília) e se aproximou desse patamar por volta de 13h13, quando o BC anunciou o primeiro leilão de venda de dólar à vista do dia. A segunda operação ocorreu perto de 14h. Nos dois leilões, o Bacen colocou um total de 965 milhões de dólares.

A autoridade monetária, assim, retomou operações extraordinárias no mercado à vista, depois de realizá-las pela última vez na terça-feira. O Banco Central tem recorrido a esse instrumento em dezembro, período típico de redução de liquidez devido ao menor fluxo de negociações e também às remessas de lucros e dividendos.

O mercado analisou ainda ao longo do dia dados da prévia da inflação ao consumidor do Brasil (medida pelo IPCA-15), que em dezembro desacelerou a alta, mas ainda com composição que indicou contínua pressão sobre os preços, complicando a tarefa do BC na política monetária. No ano, o IPCA-15 disparou 10,42%.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos reportaram dados mais firmes de inflação, que endossaram apostas de juros mais altos por lá –condição que em tese prejudica mercados emergentes pelo risco de saída de recursos de países como o Brasil para os EUA.

No fechamento desta quinta-feira, dólar à vista mostrou variação negativa de 0,09%, a 5,6634 reais. Na semana, a moeda caiu 0,37%, reduzindo os ganhos em dezembro para 0,47%. Em 2021, a cotação salta 9,09%.

A volatilidade foi marcada nesta quinta. Na mínima do dia, o dólar caiu 0,74%, a 5,6267 reais, diferença de cerca de 10 centavos de real ante o pico da sessão. A volatilidade implícita das opções de dólar/real para três meses –uma medida da percepção de instabilidade para a taxa de câmbio– está em curva descendente, mas segue acima das de pares emergentes.

E a instabilidade que marcou 2021 pelos indicativos recentes deve seguir em 2022. Além da virada na política monetária global, o mercado vai ter de lidar ainda com os ânimos pré-eleição no Brasil.

“Desde o surgimento de Lula como um potencial candidato presidencial, a polarização aumentou. Catalisadores para um rali (dos mercados domésticos) estariam associados ao surgimento de uma terceira via ou a Lula voltando-se para uma retórica mais favorável ao mercado, bem como uma solução clara para as pressões de gastos”, disse o Bank of America em nota.

O BofA calcula que o dólar chegará a 5,80 reais ao fim de setembro, mês que antecede as eleições, antes de fechar o ano em 5,70 reais.

Dívida Pública aumentou 2,34% em Novembro.

Com o aumento da dívida e a queda das expectativas com relação ao PIB, o percentual da dívida vai aumentar.

Mais despesas com menos receitas não é bom para as contas públicas, isso influencia negativamente na confiança do investidor junto ao Brasil.

PIB menor e dívida maior em 2022

Mesmo com a reforma previdenciária, a dívida brasileira tende a crescer em 2022. Se o PIB aumentasse junto da dívida, ou com força superior às despesas, a relação dívida/PIB poderia ser mais favorável, mesmo em um ano onde o déficit fiscal é certo.

Porém, o mercado espera um PIB menor em 2022, fato que vai contribuir ainda mais para a deterioração da parte fiscal. Em outras palavras, 2022 será um ano complexo para as contas públicas.

Se o PIB subir menos de 1% e a dívida continuar aumentando, como vem crescendo em 2021, as coisas em 2022 e para os próximos anos serão difíceis.

Aumento da arrecadação em novembro

Em paralelo às más notícias referentes à dívida pública há também boas notícias. A receita federal publicou dados nessa semana referente à arrecadação de novembro.

No mês de novembro a receita arrecada valor recorde para o mesmo (desde 1995, início da série histórica). O valor total arrecadado foi de mais de 157 bilhões de reais, havendo um aumento de 1,41% sobre o valor arrecadado referente ao mês anterior.

Esse percentual de aumento já compreende a correção pelo IPCA também, portanto estamos falando de ganhos reais.

Mas ainda sim, mesmo com um recorde de arrecadação, o governo federal gastou mais e conseguiu aumentar a dívida no mês de novembro.

Sem dúvidas, o momento é de análise e cuidado nos investimentos. Enquanto os dados são divulgados pelos órgãos competentes, os mercados vão andando, hoje o Ibovespa terminou o dia em queda de 0,24%, enquanto do S&P 500 registrou alta de 1,02%.

Mesmo com a queda do principal índice da bolsa brasileira, o dólar também caiu frente ao real. A cotação do dólar terminou o dia em R$ 5,65, queda de 1,6%.

A forte queda do dólar mostra como há muita volatilidade em nosso câmbio. Com tanta oscilação, inclusive na bolsa, o negócio no momento, é focar as atenções na renda fixa (a fim de conseguir bons ganhos no curto prazo) e capturar oportunidades na renda variável, visando o longo prazo.

Depois de forte queda, mercados reagem.

O Ibovespa subiu 0,46% enquanto o S&P 500 valorizou 1,78%. Além das bolsas, o dólar se manteve estável cotado a R$ 5,74.

Dólar se mantém forte em 2021

Por mais que a Covid-19, em números, esteja sendo bem controlada no Brasil, o dólar não recua. A cotação da moeda norte-americana chegou a ficar abaixo dos R$ 5,00 em um período curto de tempo e depois subiu até os patamares atuais.

Junto do dólar a bolsa se desvalorizou bastante. Havia boas expectativas com relação à bolsa e ao dólar, porém, essas expectativas não se cumpriram e hoje o mercado está mais difícil.

A inflação e o juro alto estão comprometendo o investimento e o crescimento. Observando isso, fica difícil enxergar bons resultados corporativos no curto prazo.

Sem bons resultados, as companhias vão cortar despesas e isso pode gerar mais desemprego no curto prazo.

Como os sinais no momento são de crescimento abaixo de 5%, mas sem aumento do desemprego, o período “nebuloso” pode ser menor, ou até não existir.

De qualquer forma, a bolsa não vem reagindo muito bem, fato que abre oportunidades de investimento.

No curto prazo, onde investir?

Como a bolsa de valores está volátil, investir em bolsa não é uma das alternativas mais interessantes para o curto prazo.

Por outro lado, a renda fixa vem entregando ótimos resultados. Tanto as letras do tesouro quanto o CDB, vem oferecendo rendimentos muito bons.

O Tesouro Selic possui rentabilidade indexada à Selic e, portanto, vem surfando na alta da taxa básica de juro. Vale lembrar que o BC já deixou claro que existe a possibilidade de mais um aumento de 1,5% em 2022.

Ou seja, ainda há possibilidade da Selic alcançar, ao menos, os 10,75%. Rendimento muito bom.

Outro produto que ficou muito atraente é o CDB. O CDB é um papel oferecido por bancos aos seus clientes. Praticamente todos os bancos oferecem CDB com liquidez diária e rentabilidade de 100% do CDI.

Assim, o investidor tem a comodidade de investir no banco onde tem conta, além de rentabilidade na média do mercado.

Outro ponto interessante do CDB é a proteção do FGC. O Fundo Garantidor de Crédito, garante até 250 mil reais por CPF e instituição financeira. Essa garantia funciona desde que a instituição emissária do CDB faça parte do FGC.

Como alguns ativos na bolsa ficam baratos, manter o foco restrito à renda fixa não é o ideal. Para aqueles que desejam alocar seus recursos em diferentes ativos, a renda variável é uma ótima opção, principalmente visando o longo prazo.

Boletim Focus traz IPCA menor em 2021.

A redução é pequena, mas já mostram que a Selic maior já está surtindo efeito. É claro que ainda falta ser divulgado o IPCA de dezembro e aí sim, teremos o veredito a respeito da inflação.

Se de um lado temos uma inflação um pouco mais controlada, do ouro existe um dólar que vem subindo. As expectativas são para um dólar a R$ 5,60 em 2021 e R$ 5,57 em 2022.

Portanto, se você pensa que a moeda norte-americana pode cair no curto ou médio prazo, a probabilidade é pequena. A menos que algo surpreendente ocorra.

Variante Ômicron volta a preocupar

A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou que a variante Ômicron tem um poder de contaminação maior do que a variante Delta e a mesma, pode infectar pessoas já vacinadas e que se recuperaram da COVID-19.

Ou seja, temos uma variante com um grande potencial de infecção, porém, não há mais dados concretos, ou conclusivos com relação à mortalidade ou poder de hospitalização da variante.

Como o poder de infecção é maior, o receio toma conta dos mercados, principalmente depois que alguns países apartaram suas políticas de restrições.

O receio tem sim o seu fundamento, porém, é preciso aguardar mais dados com relação a hospitalização e as mortes referentes a nova variante.

Além disso, existem as vacinas. É preciso aguardar pesquisas e novos dados com relação à interação das vacinas atuais e a variante Ômicron.

Mercados em queda

Hoje o Ibovespa registrou queda de 2,03%. Depois de um bom período de recuperação, o Ibovespa devolve boa parte de seus ganhos.

O S&P 500 registrou forte queda de 1,14%. O dólar por sua vez se valorizou frente ao real, terminando o dia cotado a R$ 5,74.

Por mais que as coisas aparentemente estejam voltando ao normal, o vírus ainda é uma realidade. Além da COVID-19, existe a crise imobiliária da China e a preocupação global com a inflação.

Observando todos esses eventos, é preciso avaliar bem a estrutura da carteira de investimentos.  Para aqueles que visam o curto prazo, a renda fixa pode ser a melhor solução.

Em um ano que havia fortes expectativas para uma queda do dólar, o mesmo vem se valorizando em mais de 10% em 2021. Enquanto isso, o Ibovespa vem amargando perdas de 11,64%.

Dólar tem alta ante real com busca global por segurança e de olho em fluxo

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar registrava alta ante o real na manhã desta sexta-feira, ficando a caminho de registrar ganho semanal, com investidores de todo o mundo reduzindo exposição a risco em meio a temores sobre a variante Ômicron do coronavírus e após uma série de reuniões de grandes bancos centrais.

No Brasil, estavam no radar fluxos sazonais de saída de recursos do país –à medida que empresas fazem pagamentos de juros e dividendos–, que poderiam fazer o Banco Central voltar a fornecer liquidez aos mercados com leilões extraordinários, com investidores atentos ainda ao noticiário fiscal.

Às 10:00 (horário de Brasília), o dólar à vista avançava 0,57%, a 5,7125 reais na venda, caminhando para alta semanal de 1,8%.

Na B3, às 10:00 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,38%, a 5,7265 reais.

Os últimos dias foram agitados na frente da política monetária, depois que o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) se tornou o primeiro banco central do G7 a elevar os juros desde o início da pandemia, enquanto o Federal Reserve (Fed, dos Estados Unidos), sinalizou três altas nos custos dos empréstimos para 2022.

O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, apenas restringiu ligeiramente o estímulo emergencial, prometendo manter apoio copioso à economia no ano que vem.

“A tendência geral de aperto da política monetária parece ser clara, embora os diferentes caminhos percorridos pelos bancos centrais sublinhem as profundas incertezas sobre como a variante Ômicron, de rápida disseminação, afetará as economias”, afirmou a XP em nota nesta sexta-feira.

Em meio a essas dúvidas, investidores vendiam ativos arriscados –como ações e algumas moedas de países emergentes– nesta sexta-feira, enquanto o índice do dólar contra uma cesta de rivais tinha alta de 0,1%.

No cenário doméstico, “o mercado cambial deverá ser impactado pelos fluxos de entrada e saída de recursos”, escreveu Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, afirmando que o Banco Central deve seguir “vigilante aos movimentos no pronto (dólar à vista), como tem feito nos últimos dias”.

O BC realizou quatro leilões de moeda à vista nos últimos cinco pregões, injetando um total de 3,372 bilhões de dólares no mercado spot.

Na quinta-feira, o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, disse que foi observado um fluxo de saída de recursos do país recentemente, motivado, entre outros fatores, por remessas de dividendos de empresas, ressaltando que o BC faz intervenções ao observar tais pressões pontuais.

Enquanto isso, investidores reagiam à notícia de que o Ministério da Economia enviou ao Congresso na quinta-feira um ofício com a sugestão de que sejam remanejados quase 2,9 bilhões de reais no Orçamento de 2022 com a finalidade de reajustar salários de algumas carreiras de servidores públicos.

“Após a promulgação da PEC dos Precatórios, o ano se encerra com mais pressões para gastos”, disse a XP.

A PEC dos Precatórios –que abre espaço fiscal para o financiamento do Auxílio Brasil, programa de transferência de renda do governo– altera a regra do teto de gastos, visto como importante âncora fiscal do país.

A busca do Executivo por mais gastos –vista por alguns participantes do mercado como medida eleitoreira, já que o presidente Jair Bolsonaro deve tentar a reeleição em 2022– tem levantado temores de deterioração da saúde das contas públicas há meses.

A moeda norte-americana à vista fechou a quinta-feira em queda de 0,47%, a 5,6802 reais na venda.

(Edição de José de Castro)

Dólar cai com ajuda do BC

O dólar volátil provavelmente será uma realidade ainda no último mês de 2021 e no ano de 2022.

Com as eleições e os receios com relação à política fiscal do país, o dólar vai ter muita volatilidade.

Outros pontos também vão influenciar na cotação da moeda norte-americana, como é o caso do crescimento global, elevação dos juros nos países ricos e os preços das commodities. Tudo isso pode influenciar o dólar e trazer mais volatilidade.

Como se defender da volatilidade do dólar?

Uma forma efetiva de se defender das oscilações do dólar, é adquirindo dólares. Investir em fundos de investimento cambiais é uma forma bem interessante.

Existem diversas instituições que oferecem tal produto, inclusive, com valores acessíveis, abaixo dos R$ 1.000,00.

Por mais que uma posição em dólares não traga rendimentos por meio do juro, ou da inflação (de forma direta), a moeda norte-americana pode equilibrar a sua carteira, caso haja oscilações relevantes no mercado.

Uma crise interna ou externa, normalmente influencia bastante na cotação do dólar. Visto isso, é interessante manter uma parcela do patrimônio dolarizada.

Além do investimento em dólares por meio de fundos, o investidor também pode adquirir produtos que sofrem influência direta do dólar, como é o caso de alguns ETFs.

Um ótimo exemplo são os ETFs que seguem o índice S&P 500, como é o caso de IVVB11. O ETF, somente em 2021, vem se valorizando em mais de 37,74%.

Outro ETF que segue estratégia similar é o SPXI11, que vem alcançando rentabilidade de 37,01%. Para muitos investidores, os valores da cota de cada um desses ETFs podem ser meio elevados, ficando acima dos R$ 280,00 a cota.

Mas também existem outros ETFs que possuem valor de cota menor, como é o caso do SPXI11. O ETF também segue o S&P 500 e sofre com influência do dólar.

Por ser um ETF lançado em setembro de 2021, o rendimento do mesmo está abaixo dos demais ETFs citados, sendo que até o momento, SPXB11 vem rendendo pouco mais de 11%.

Outras formas de investir “dolarizado”.

O próprio ouro e o Bitcoin também sofrem certa influência do dólar. Mesmo com a alta do Bitcoin, ou do ouro no mercado exterior, caso o real se valorize frente ao dólar, é possível que tanto o ouro quanto o Bitcoin registrem perdas no Brasil.

O contrário também pode acontecer. Mais recentemente foi lançado um novo ETF, ALUG11, fundo de índice que acompanha o índice: MSCI US IMI Real Estate 25/50 Index, dos Estados Unidos. Esse índice cobra o mercado de “Real Estate” que seria algo próximo aos nossos fundos imobiliários, mas dos Estados Unidos.

Para aqueles que procuram investimentos dolarizados e com exposição em mercados diferentes, como é o caso do imobiliário, ALUG11 é uma opção interessante.

Dólar recua ante real com melhora no apetite por risco global

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar caía frente ao real na manhã desta quinta-feira, acompanhando melhora global no apetite por risco, depois que a reunião de política monetária do banco central dos Estados Unidos ficou para trás.

Ao fim de seu encontro de dois dias, na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed) afirmou que encerrará suas compras de títulos da era da pandemia mais cedo do que o esperado, em março do ano que vem, pavimentando o caminho para três aumentos de 0,25 ponto percentual cada nos juros até o fim de 2022.

“De modo geral, os investidores parecem ter gostado da postura mais dura com relação ao combate à inflação, ao mesmo tempo que Jerome Powell (chair do Fed) sinalizou que este movimento será feito de forma calculada de modo a não sufocar a economia e os mercados no processo”, explicou em nota Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

Às 9:49 (horário de Brasília), o dólar à vista recuava 0,52%, a 5,6777 reais na venda, movimento alinhado à queda de 0,3% apresentada pelo índice da moeda norte-americana contra uma cesta de seis rivais nesta manhã.

Na B3, às 9:49 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,11%, a 5,6945 reais.

Rand sul-africano, peso mexicano, peso chileno e dólar australiano, divisas consideradas sensíveis a risco, apresentavam ganhos moderados contra a moeda dos Estados Unidos nesta manhã.

Nos mercados de ações, as bolsas europeias avançavam nesta quinta-feira, assim como os futuros de Wall Street. [.EUPT] [.NPT]

“Hoje (o mercado de câmbio doméstico) está em linha com tudo lá fora, teve uma acalmada no mercado”, disse à Reuters Vanei Nagem, responsável pela mesa de câmbio da Terra Investimentos.

Mesmo assim, investidores não descartavam a possibilidade de mudança no sinal da moeda norte-americana frente ao real ao longo da sessão, alertando para movimento de saída de recursos do país com a aproximação do fim do ano.

Segundo Nagem, essa pressão sazonal é um dos motivos que explicam a presença mais firme do Banco Central no mercado de câmbio nos últimos dias, quando a autarquia forneceu liquidez aos mercados com venda de moeda à vista e um leilão de venda conjugado com leilão de compra.

Além disso, afirmou, muitos operadores já estão de olho nas eleições presidenciais de 2022, que têm potencial de minar a atratividade da moeda brasileira com a expectativa de escalada nas tensões políticas.

O dólar negociado no mercado interbancário subiu 0,21% na última sessão, a 5,7072 reais na venda, novo pico desde 13 de abril deste ano (5,7175 reais).

O Banco Central fará neste pregão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1° de fevereiro de 2022.

(Edição de José de Castro)

FED vai reduzir ainda mais os incentivos.

Desde o início da pandemia da COVID-19, os Estados Unidos vem injetando 120 bilhões de dólares por meio de recompra de títulos.

Na última reunião, já tinha sido acertado uma redução de 15 bilhões por mês, sendo assim, a cada mês o valor injetado na economia fica 15 bilhões menor.

Agora o FED vai ampliar a redução para 30 bilhões. Desse modo, a injeção de capital logo terminará e o caminho ficará livre para iniciar o aumento do juro.

As expectativas são para três aumentos ainda em 2022. Com menos dinheiro em circulação e juros maiores nos Estados Unidos, quais serão as influências sobre o Brasil?

O que acontece com o Brasil?

Diretamente, a política monetária e de incentivos norte-americana não traz impactos, porém, indiretamente sim.

Quando os Estados Unidos restringirem os incentivos e iniciarem o aumento do juro, o dinheiro vai ficar mais caro.

Em outras palavras, será mais difícil conseguir crédito por um preço atraente. A política de juros zero pode estar próxima do fim.

Desse modo, o dinheiro vai se tornar mais “escasso”. Além disso, os Estados Unidos vão aumentar o juro.

Com títulos do Tesouro valendo mais, por exemplo, os investidores vão achar mais interessantes investir em títulos públicos e papéis mais conservadores, visto que a remuneração começou a aumentar.

Aqueles investidores que enxergam no Brasil um bom lugar para investir capital de curto prazo, devido à Selic maior, provavelmente vão avaliar melhor quando o juro nos Estados Unidos subir.

Querendo ou não, é mais interessante ganhar pouco, mas ter elevada segurança, do que ganhar bem, mas ter riscos relativamente maiores.

Bolsa sobe e dólar estável.

Ao longo do dia o dólar chegou a alcançar a cotação de R$ 5,73, porém, no final do dia, a moeda norte-americana terminou em R$ 5,68.

Já a bolsa de valores registrou alta. O Ibovespa terminou o dia alcançando alta de 0,63%. O S&P 500 por sua vez terminou com alta de 1,63%.

Além dos índices que registram boa valorização no dia de hoje, fica uma menção ao Nubank. O banco digital que abriu capital na bolsa dos Estados Unidos e no primeiro dia registrou alta de mais de 14%, viu suas ações derreterem, perdendo mais de 9% no dia de hoje.

Por mais que o Nubank seja uma empresa inovadora e com grande potencial, é difícil considerar o banco no mesmo nível que outros, como o Itaú ou Bradesco.

Por mais que haja um forte potencial de crescimento para o Nubank, os demais grandes bancos, ainda detém grande fatia do mercado nacional, sendo que tais bancos, conseguem trabalhar muito bem suas margens, registrando lucros recorrentes a anos.

O Nubank é um banco inovador, mas ainda não nos mesmos níveis que Itaú, ou Bradesco, por exemplo.

Juro alto e dólar alto.

Mesmo com a taxa Selic em 9,25% e com a redução das expectativas para a inflação em 2021, o dólar terminou o dia cotado a R$ 5,69, alta de 0,17%.

Se os sinais monetários melhoraram, porque o dólar não recua? Porque ainda há tanta volatilidade?

Reunião do FED

O FED, o Banco Central dos Estados Unidos, deu início a sua reunião para definir qual será os próximos passos da política monetária.

Até o momento, os Estado Unidos vem trabalhando com juro “zero”. O mercado aguarda o aumento do juro somente a partir do segundo semestre de 2022.

Porém, como a inflação nos Estados Unidos vem aumentando e o desemprego vem alcançando níveis pré-pandemia, o FED pode reconhecer que não há mais necessidade de permanecer com o juro baixo, dando início a alta dos juros ainda no primeiro semestre de 2022.

Com uma movimentação assim, os mercados mundiais serão impactados, uma vez que os títulos norte-americanos vão começar a se tornar mais atraentes.

Com os títulos norte-americanos pagando mais juros, é natural que os investidores busquem maior proteção aliado a bons rendimentos nos Estados Unidos. Tocando seus investimentos de lugar.

Desse modo, os títulos de países em desenvolvimento, como é o Brasil, perdem o interesse. Na verdade, o interesse até pode existir, mas serão necessários prêmios maiores.

Portanto, mesmo com mais juro e uma inflação mais controlada, o dólar ainda pode ficar volátil, devido às mudanças no exterior.

Uma forma que o Brasil teria para conseguir melhorar o câmbio junto ao dólar é por meio da política fiscal.

Politica fiscal

A política fiscal trata das contas públicas. Hoje o Brasil vem conseguindo reduzir a relação dívida bruta/PIB. Ainda em 2021, a dívida bruta alcançou os 90% do PIB. Agora está em 83% aproximadamente.

O governo federal estima que a dívida pode chegar aos 81% do PIB até o fim de 2021.

Se o governo conseguir reduzir a dívida bruta, o cenário fiscal pode melhorar, uma vez que o investidor vai estar mais seguro em investir em um país que consegue reduzir o seu endividamento.

Mas, o que acontece hoje não é bem assim. O governo vem trabalhando para sancionar a PEC dos Precatórios, e assim, conseguir recursos para financiar o seu novo programa social, o Auxilio Brasil.

Como o Brasil não conta com disponibilidades, houve necessidade de alterar o teto de gastos, para conseguir financiar o programa.

O fato de o governo trabalhar para aumentar as despesas causa receio ao mercado. Com a PEC dos Precatórios, não se tem certeza se não haverá mais outros programas, ou mais gastos.

Isso pode acabar prejudicando a parte fiscal e comprometendo a credibilidade do Brasil junto aos investidores. Por isso, mesmo com mais juro e uma inflação mais controlada, o dólar pode continuar subindo.

Inflação menor em 2021?

A inflação ainda vai alcançar os dois dígitos, porém, existe uma redução. Já faz meses que as expectativas apontavam para uma inflação cada vez maior. Essa é a primeira vez que existe uma redução na expectativa.

Inflação controlada?

Ainda é cedo para cantar vitória. A inflação continua elevada e para 2022, as expectativas apontam para o IPCA acima dos 5%, portanto, a inflação não está controlada.

Mas é possível dizer que a situação se encontra menos “pior”. Como o mercado aguarda um IPCA menor em 2021, comparado com as projeções da semana passada, há sinais de redução no aumento dos preços. Aparentemente, a Selic está colaborando para o controle dos preços.

Portanto, o aperto monetário tem tudo para permanecer por mais um tempo. De qualquer forma, a bolsa vem dando sinais de recuperação e o juro futuro vem caindo.

Ao analisar as letras negociadas no Tesouro Direto, aquelas que possuem rentabilidade prefixada vêm sofrendo valorização, devido à queda do juro futuro.

Isso é um sinal de que o mercado aguarda um cenário mais ameno para o juro no futuro e não tão conturbado. Mas ainda sim, o momento é de cautela.

Ibovespa cai e o dólar sobe

Mesmo com boas notícias vindas do boletim Focus, o Ibovespa caiu. O principal índice da bolsa brasileira registrou queda de 0,35%.

Ainda hoje, o Ibovespa chegou a subir 1,61%, mas depois caiu. O S&P 500 também caiu, alcançando desvalorização de 0,91%.

O dólar ganhou força frente ao real, terminando o dia em alta de 1,22%, alcançando a cotação de R$ 5,68.

O mercado permanece muito volátil no Brasil. O Ibovespa vem ensaiando uma recuperação, mas ainda vem perdendo muito em 2021. Até o momento, o Ibovespa registra desvalorização de 9,65% em 2021.

Sendo que uma das principais empresas da bolsa vem colaborando com tal performance. A empresa em questão é a Magazine Luiza (MGLU3).

Só em 2021, MGLU3 vem caindo 76%. Uma das causas para tal desempenho está ligada ao receio do investidor com o mercado de varejo.

Com a inflação maior e mais juros, a tendência é de redução no consumo e de queda nas vendas.  Outro ponto é o aumento dos custos e a variedade de concorrentes no setor de varejo.

A inflação elevada dificulta as vendas e também compromete os custos. Por isso, o momento é difícil para o varejo.

Não é só MGLU3 que vem sofrendo em 2021, LAME4 (Lojas Americanas) vem caindo mais de 79% e VIIA3 (Via Varejo) está registrando queda de quase 50%.