Relatório Focus mostra mais inflação em 2021

Com mais pressão dos preços, outros indicadores sofreram correções. O dólar subiu dos R$ 5,20 para R$ 5,25 enquanto a Selic para 2022 registrou alta de 8,5% para 8,75% ao ano.

Os preços vêm subindo

A inflação medida pelo IPCA vem sofrendo bastante com a alta dos preços. Se por um lado o ferro registrou grande depreciação, do outro os combustíveis vêm influenciando bastante os preços.

Semana passada a Petrobras passou mais um aumento referente à gasolina e o gás de cozinha. Ambos os produtos sofreram com um aumento de 7,2% da Petrobras junto às refinarias.

Com isso toda a economia recebe o impacto e repassa à alta dos preços para aqueles que fazem parte da cadeia, como é o caso das empresas de transporte, restaurantes, autônomos, prestadores de serviços e demais.

O que fazer com os investimentos?

Com mais expectativas sobre a inflação e o juro, o negócio é ficar atento sobre a Selic. Investir em produtos atrelados ao CDI e a própria Selic são boas alternativas.

O Tesouro Selic e os CDBs com liquidez diária são boas opções de investimentos. Além da liquidez, a rentabilidade estará atraente.

Desse modo os recursos aplicados rendem bons ganhos e ainda estão prontos para serem utilizados em outras oportunidades.

Como há expectativa para um dólar maior, o USD/BRL também é interessante. Na segunda-feira o dólar registrou alta de 0,45% cotado a R$ 5,54.

Já o EUR/USD teve queda de 0,12%, cotado a 1,16 dólares, enquanto o USD/CNY marcou ligeira alta de 0,14% cotado a 6,45 Yuan.

Diferente do Euro ou do Yuan, o Real é uma moeda muito volátil. Questões políticas e até de contexto nacional, como nossa própria economia influenciam na sensibilidade maior do Real, além, do cenário de inflação no mundo.

Com a alta dos combustíveis e sinais relevantes de crise na China, por exemplo, o Real vem enfrentando bastante volatilidade.

Mas ainda sim, é importante pontuar que outras divisas da América do Sul também bem experimentando certa volatilidade e vem performando pior do que o Real, como é o caso do USD/ARS que vem se valorizando em mais de 17% em 2021 e o USD/CHI que vem ganhando quase 16% em 2021.

Comparado a moedas mais estáveis, o Real vem obtendo uma performance pior, mas comprado a pares regionais, o Real vem conseguindo se manter mais estável.

De qualquer forma, fundos cambiais em dólar podem ser uma boa solução para parcela menor do patrimônio, ainda mais quando há possibilidade de alta do juro nos Estados Unidos no médio a curto prazo.

A redução de liquidez norte-americana possivelmente vai impactar o mundo como um todo.

IPCA abaixo das expectativas.

Mesmo registrando uma inflação menor, o IPCA dos últimos 12 meses alcançou os 10,25%. A expectativa do BC é que em setembro, o IPCA tenha alcançado o seu pico. Será que isso realmente aconteceu?

Agora o IPCA vai cair?

Com mais inflação e mais juro, o consumo normalmente contrai. Isso acontece porque os preços estão subindo e o juro também.

Se uma empresa pensa em incrementar seus investimentos, captando recursos com bancos, por exemplo, o momento talvez não seja o mais oportuno.

Além dos empréstimos e financiamentos estarem mais caros, os produtos e serviços vêm sofrendo com a alta da inflação.

Tudo isso vem colaborando para um cenário perigoso para o Brasil. O cenário em questão é a estagflação.

Em uma situação de estagflação o país para de crescer e mesmo assim, ainda convive com a inflação alta.

Normalmente a inflação cresce porque o consumo cresce mais do que a oferta de produtos e isso vai gerar um aumento dos preços. Geralmente, quando há um aumento do consumo a tal nível, o desemprego cai e demais índices, como o próprio PIB, cresce.

O PIB vem crescendo em parte porque em 2020 houve uma queda relevante, devido aos impactos da pandemia. Portanto, o crescimento de 2021 vem sendo influenciado por números ruins de 2020.

Em 2022 as expectativas são para um crescimento próximo dos 1,5%, por exemplo.

O que fazer?

Sem uma certeza, se o IPCA vai continuar subindo ou não, o negócio é manter parte do patrimônio líquido e aplicado em investimentos que rendem o CDI, ou estão atrelados à Selic.

Já uma parte menor, precisa estar alocada em proteção, como é o caso do dólar. O USD/BRL em 2021 vem se valorizando em mais de 6%, com o dólar alcançado a cotação de R$ 5,51.

As expectativas para 2021 eram de queda da moeda norte-americana, uma vez que os Estados Unidos estão investindo pesado na economia e tentando se recuperar da pandemia.

Com isso, há uma grande quantidade de dólares no mercado, mas ainda sim, aqui no Brasil, o dólar não cedeu.

O EUR/USD, por exemplo, vem caindo em mais de 3,7%, cotado a 1,16 dólares. Não é só o real que vem perdendo valor.

Já o USD/CNY vem caindo 1,35% aproximadamente. O Yuan vem conseguindo se valorizar frente ao dólar, mesmo com todos os problemas referentes à Evergrande.

Como o dólar é uma moeda forte e amplamente conhecida por sua estabilidade, manter uma parcela do patrimônio alocado em fundos cambiais é uma ótima opção.

Banco Central e a inflação.

A relação entre a inflação e o juro é bem estreita. Normalmente, quando o juro sobe a inflação cai, quando o juro cai, a inflação tende a subir. Mas além da relação do juro e inflação, existe a parte fiscal.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, até o presente momento não vem se manifestando a favor de subir ainda mais o juro.

Em outros tempos, seria difícil enxergar a inflação chegando aos 10%, ou mais, sem que a taxa de juro estivesse no mesmo patamar ou superior.

Caso o percurso do juro se mantenha inalterado, chegando aos 8,25% em dezembro, é provável que o ano termine com um juro real negativo e com a inflação em alta.

Relação da parte fiscal com o juro

Quando o país possui a parte fiscal bem controlada, com a dívida regulada, normalmente a inflação não oferece riscos à nação. Mas quando há um descontrole na parte fiscal, as coisas podem desandar de forma rápida.

O Brasil, até o presente momento, convive com a redução da dívida. A relação dívida/PIB tem tudo para terminar 2021 próxima dos 80%. Vale destacar que ainda em fevereiro de 2021, a dívida/PIB alcançou patamar acima dos 90%.

Boa parte dessa redução vem ocorrendo devido a alta inflação. Ou seja, com a desvalorização do real, o governo vem conseguindo contornar a própria dívida.

O problema da inflação alta fica na conta da população que vê o dinheiro se desvalorizar, perdendo o poder de compra.

Outro problema está baseado no juro “baixo”. O governo brasileiro vem trabalhando com a ideia de incrementar alguns programas sociais e isso vai gerar mais custos e despesas.

Sendo que o Brasil já tomou várias medidas que aumentaram os gastos da nação. Observando que a parte fiscal vem sofrendo bastante e o juro ainda não está em um nível restritivo, é possível que o IPCA se mantenha elevado por mais tempo, inclusive em 2022.

Vale destacar que o juro maior, também serve de forma restritiva para o governo federal, uma vez que o juro da dívida aumenta junto da Selic.

De qualquer forma, o BC vem sinalizando que a inflação não está tão desregulada e que a alta da Selic, da forma que está, tem tudo para surtir o efeito necessário. Agora é aguardar e torcer para tudo dar certo.

Indicadores do dia

O Brasil ainda vem sofrendo com a volatilidade do dólar e hoje o USD/BRL terminou com valorização de 1,59%, cotado a R$ 5,46.

Já o EUR/USD teve alta de 0,11%, cotado a 1,16 dólares e por fim o USD/CNY cotado a 6,45 Yuan.

Inflação no mundo

A inflação vai afetar todos os países, mas aqueles que estão em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, podem sofrer um impacto ainda maior.

Inflação alta no Brasil

O Brasil já vem vivendo a alta da inflação de forma recorrente em 2021. Segundo dados do próprio IBGE, o IPCA nos últimos 12 meses está em 9,68%, número que já está acima da meta e da faixa superior.

A meta para a inflação em 2021 é de 3,75%, sendo que a banda é de 1,5% para cima ou para baixo. Portanto, quando o IPCA chegou em 5,25%, ele já estava superando até a banda.

Se a China realmente reduzir sua produção isso vai gerar ainda mais impactos em nossa economia e na inflação.

Sendo assim, os investimentos precisam ser melhor avaliados no curto prazo a fim de reduzir eventual volatilidade.

O Ibovespa em 2021 já vem performando abaixo de outros índices, como é o caso do S&P 500. Já o real vem se depreciando frente ao dólar.

Em 2021, o USD/BRL vem se valorizando em 3,35%. Já outras divisas, como é o caso do USD/CNY, vem registrando desvalorização de 1,3% e o EUR/USD está em queda de 1,95%.

Mesmo com a crise energética provocada pela Evergrande, a China vem conseguindo se valorizar frente ao dólar.

Querendo ou não, isso mostra certa resiliência da economia e dos indicadores chineses frente a todas as adversidades.

O que fazer para se proteger?

Com a crescente alta da taxa de juro, Selic, um dos investimentos mais interessantes no Brasil são os CDBs e a letra do tesouro Selic.

Além disso, ainda há os fundos DI. Existem alguns fundos que possuem isenção da taxa administrativa e conseguem entregar resultados melhores, mais atraentes aos seus cotistas.

O investimento em dólar pode ser uma boa também. Ainda mais quando colocamos nessa análise a expectativa política do país.

O Brasil terá eleições presidenciais ano que vem e isso pode gerar ainda mais oscilações no mercado. Provavelmente, 2022, não será um ano bom para a bolsa.

Por último ainda existe uma menção ao ouro. Até o momento o ouro não vem performando de forma interessante, mas é notório que o metal se torna refúgio dos investidores quando as coisas pioram.

Principalmente quando algo sistêmico ocorre. Se a crise energética e uma eventual quebra da Evergrande ocorrerem simultaneamente, um pouco em ouro pode ser algo substancial, na hora de suavizar a volatilidade dos mercados.

Desemprego e expectativa do PIB.

Segundo dados do IBGE, o desemprego, dentro do período de maio a julho de 2021, ficou em 13,7%. A expectativa era de 13,9%, portanto o indicador surpreendeu positivamente.

Já o Banco Central divulgou suas expectativas para o PIB, segundo o BC o Brasil deve terminar 2021 com PIB de 4,7% e em 2022 de 2,1%. O BC previa uma alta do PIB de 4,6% anteriormente, agora a expectativa já é maior.

Com a melhora do mercado de trabalho e com as expectativas do BC convergindo para um PIB de 5% em 2021, as coisas parecem estar melhorando.

Boas notícias, mas o contexto ainda é preocupante.

Com mais pessoas empregadas e a redução gradual do desemprego ocorrendo, o consumo interno vai aumentar e isso pode impulsionar os negócios dentro do Brasil.

Por outro lado, há muitos ruídos do lado de fora do país, além da instabilidade política. A crise da Evergrande ainda não foi encerrada e os problemas de energia na China vêm preocupando os mercados.

Com eventuais apagões na China, a produção da segunda maior economia do mundo vai ser afetada e pode puxar para baixo todos os mercados do globo.

Por isso, o momento é de muita atenção. Mesmo com as boas notícias vindo de nossa economia, o dólar terminou o dia em alta.

Só em Setembro, a moeda norte-americana registrou alta de 5,17%. O USD/BRL valorizou em 0,51% hoje, cotado a R$ 5,44.

Em comparação com outras divisas, como é o caso do Euro, o Real registrou bastante volatilidade.

O EUR/USD desvalorizou em Setembro, perdendo 1,74% do seu valor. O Euro terminou cotado a 1,16 dólares.

Por fim nós temos o Yuan. A divisa chinesa registrou em Setembro valorização de 0,17% frente ao dólar. O USD/CNY ficou em 6,45 Yuan.

Mesmo com toda crise provocada pela Evergrande e o receio que a construtora possa mesmo dar um calote em seus credores, o Yuan se manteve frente ao dólar.

O que esperar de Outubro?

Se Setembro já foi turbulento, Outubro pode ser ainda mais. A Evergrande vai continuar tendo vencimentos de juros referentes às suas dívidas.

Esses vencimentos terão que ser pagos pela construtora a fim de evitar um abalo sistêmico em toda a economia mundial. A crise energética na China pode ganhar novos capítulos dramáticos além da crise hídrica brasileira.

Com as reservas de água caindo mais e mais, o sistema energético brasileiro pode ser comprometido, gerando ainda mais transtornos à nossa economia.

A inflação é outro ponto preocupante. O IPCA de Setembro será divulgado em Outubro. Com um IPCA mais controlado, o plano de “voo” do BC será mantido, mas, havendo aumento além do esperado, é possível que o BC seja obrigado a corrigir o seu plano.

Para o mercado interno, todos esses pontos vão fazer a diferença nos investimentos para o mês de Outubro e nos meses seguintes.

O negócio é ficar atento e começar analisar investimentos que possam gerar mais segurança à carteira.

O Brasil gerou mais de 370 mil empregos em Agosto.

No último mês, segundo dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o Brasil gerou 372.265 empregos com carteira assinada.

Em 2021, já foram criados mais de dois milhões de novos empregos. Mas, mesmo contando com a criação de novos empregos, o desemprego, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) referente ao segundo trimestre, ficou em 14,1%.

Economia em alta?

O aumento de empregos e consequente redução do desemprego vão de alguma forma, impulsionar a economia brasileira.

Mais pessoas tendo dinheiro na mão vão gerar impactos de curto, médio e longo prazo em nossa economia.

De certa forma, as empresas vão conseguir vender mais e lucrar mais. Ótima oportunidade para ver a bolsa de valores com outros olhos.

Por outro lado, os efeitos de mais procura podem provocar o encarecimento dos produtos e serviços, devido a pouca oferta.

Somado a isso, nós ainda temos a eventual crise de energia que vem assolando diferentes países, como a China e eventualmente o Brasil (caso não haja chuvas o suficiente para repor o sistema).

Mas de qualquer forma, os dados referentes à geração de novos empregos trazem boas notícias a todo o contexto. Quem sabe a previsão do PIB possa nos gerar uma boa surpresa logo mais.

Influência sobre os investimentos

O índice Ibovespa, hoje, fechou o dia marcando valorização de 0,89%. Já o S&P 500 registrou alta de 0,16%.

Na China, o Shanghai Composite registrou desvalorização de 1,83%. Vale destacar a boa notícia referente a construtora Evergrande. A empresa divulgou a intenção de vender uma determinada quantidade de ações referente ao banco Shengjing Bank.

O valor que será levantado com a venda da posição será de aproximadamente 1,5 bilhões de dólares.

Com tal montante, a Evergrande terá condições de arcar com suas obrigações já vencidas e com as próximas.

Lógico que a crise não estará encerrada e provavelmente terá novos capítulos logo mais. Além dos índices, o real registrou boa performance frente ao dólar.

USD/BRL registrou queda de 0,25%, cotado a R$ 5,42. Já o USD/CNY alcançou valorização de 0,16%, cotado a 6,47 dólares.

Por fim, o EUR/USD desvalorizou em 0,76%, ficando em 1,16 dólares. Mesmo com a notícia de mais empregos criados, o dólar ainda não perdeu força no Brasil.

Talvez, uma previsão mais forte do PIB, possa chamar atenção do mercado e atrair investidores. Fato que pode influenciar de forma positiva em nosso câmbio.

Vale mencionar que mesmo com as duas altas seguidas do Ibovespa, o índice ainda vem se desvalorizando em 0,90% nos últimos cinco dias.

Para aqueles que veem que o índice está “barato”, talvez  esse seja um bom momento para entrar.

Apagão na China e combustível em alta no Brasil

Ambos os dados têm em comum impacto na inflação. Com o mundo tentando voltar ao ritmo de crescimento de antes da pandemia, e já conseguindo fazer isso de certa forma, os apagões na China podem reduzir a produção do país.

Por outro lado, o combustível mais caro no Brasil, vai gerar ainda mais impactos nos preços. Esse impacto virá em forma de “efeito cascata”. Observando tudo isso, o IPCA pode ficar ainda maior em 2021.

Com uma inflação maior, será que haverá mais Selic?

Aparentemente a taxa Selic vai manter o ritmo de alta de 1% em outubro e mais 1% em dezembro.

Já quando olhamos as expectativas para a inflação, aparentemente o IPCA é para terminar o ano em 8,45%.

O indicador nesse nível, com uma queda para 4% em 2022, parece coerente com uma taxa de juro chegando a no máximo 8,5% em 2022.

Porém, a inflação pode ganhar mais força ultrapassando os 9% e de repente terminando o ano ainda em 10%. Manter uma taxa de juro em 8,25% em uma situação assim, não parece ser mais tão interessante.  Observando tudo isso, é prudente que a taxa de juro aumente ainda mais.

Dólar em alta

Com um cenário ficando mais crítico e perigoso, o dólar vem ganhando força. Hoje, o USD/BRL chegou a uma valorização de 0,68%, chegando a R$ 5,43.

Já o câmbio entre USD/CNY registrou valorização de 0,05% e EUR/USD ficou em 0,11% de desvalorização.

Observando o contexto desafiador que vem se instaurando no Brasil e no mundo, o Ibovespa registrou mais perdas, chegando a uma desvalorização de 3,05%.

O S&P 500 registrou queda de 2,04% e o Shanghai Composite alcançou uma alta de 0,54%. Ao analisar as oportunidades de investimentos, é possível determinar que a bolsa vem se tornando cada vez mais interessante, principalmente quando olhamos o Ibovespa.

Outra classe de investimento que vem ganhando notoriedade são os fundos imobiliários. Há fundos que vem entregando bons rendimentos a um preço atraente.

Fundos como CTPS11 vem registrando um dividend yield de 1,02% ao mês. Lembrando que as distribuições dos FII são isentas de Imposto de renda.

Outro fundo de fundo que vem entregando boa rentabilidade é IRDM11. O FII vem registrando um yield de 1,02% ao mês também.

Para aqueles que procuram alternativas para construir renda, os fundos de fundos, como CTPS11 e IRDM11, podem ser boas soluções.

Expectativa para inflação piora

Outros indicadores como o PIB e a Selic permaneceram no mesmo patamar. Respectivamente em 5,04% e 8,25% ao ano.

Inflação restritiva por si só

A alta dos preços de diferentes produtos e serviços já vem se tornando restritiva por si só. O dinheiro vem perdendo o seu poder de compra e isso pode ganhar ainda mais força no ano que vem.

Mesmo com as estimativas que a inflação possa perder força e se manter dentro da meta, a inflação no momento ainda mostra resiliência.

A alta de 1% na taxa Selic pode não surtir o efeito desejado e aumentos ainda maiores podem ser necessários para reduzir a inflação.

O cenário de “estagflação” é algo plausível. Em um contexto assim, o Brasil estaria vendo o seu PIB definhar junto de uma inflação alta.

Tecnicamente, a inflação é provocada pelo aumento dos preços, sendo que esse é influenciado por várias coisas.

Dentre elas o descontrole das contas públicas. Mesmo observando uma redução da dívida/PIB, o Brasil não vem conseguindo fazer o seu dever de casa no âmbito fiscal. Sendo que uma das evidências disso, é a tentativa de conseguir postergar parte dos pagamentos dos precatórios, uma vez que o teto de gastos impede o aumento do auxílio Brasil.

Ao analisar toda a situação, o ano de 2022 pode ser desafiador. Ainda mais quando existem eleições para o mesmo ano.

O que fazer para aproveitar as oportunidades ou se defender?

Olhando o cenário com certo pessimismo, o negócio seria alocar parte dos recursos em dólares ou remanejar parte do portfólio para atender uma proteção maior da carteira.

Hoje, o dólar, USD/BRL, já encerrou o dia em alta, cotado a R$ 5,39 (aumento de 1%). O contexto externo também é turbulento, porém, outras moedas não sofreram com a volatilidade.

O USD/CNY registrou desvalorização de 0,1485% e o EUR/USD alcançou depreciação de 0,21%. Às vezes o ouro também pode ser cogitado como um investimento atraente para momentos de crise, mas, como o cenário se agravou no Brasil, o ouro aqui se valoriza devido ao dólar, mas não por motivos do aumento da procura do metal.

É claro que se o caso da Evergrande ganhar novidades piores, então o ouro pode sim fazer parte da proteção do investidor.

Para tentar captar oportunidades no momento, o investimento em renda fixa atrelada ao CDI, pode ser uma boa opção.

Outro investimento interessante é a bolsa. O S&P 500 vem se valorizando em 2021 em  20,06% enquanto o Ibovespa registra queda de 4,44%. Se o Ibovespa corrigir essa disparidade em algum momento, os ganhos serão ótimos.

Inflação em alta reduz a expectativa de consumo

Com a inflação ganhando força e passando para diferentes setores da economia, o consumo vem perdendo força.

O dinheiro recebido não consegue acompanhar a evolução dos preços e isso vai tirando o apetite do consumidor.

Selic não é o principal inimigo

Em momentos de inflação alta, normalmente o inimigo é a própria taxa de juro. A taxa de juro tem um caráter restritivo e pode reduzir o consumo de produtos de alto valor, como a compra de imóveis ou veículos.

Mas com a inflação mais “entranhada” em nossa economia, os preços que vem ganhando força são de produtos de consumo básico, como os alimentos e itens de higiene.

Isso tem influenciado no hábito de consumo de todas as famílias, sem exceção. Inclusive, observando o grau de aumento da inflação, é possível que a Selic chegue a um patamar ainda mais elevado até o final de 2021.

Lembrando que até o final do ano, ainda existem mais duas reuniões. Dependendo da alta do IPCA nos próximos meses, é possível que a taxa seja elevada em mais do que 1% por reunião.

Influência nos investimentos

Para a bolsa subir, o cenário político precisa dar sinais de calma e a economia precisa crescer. Outro indicador que influencia é o desemprego.

Um desemprego menor significa que há mais pessoas ocupadas e mais pessoas dispostas a consumir. O desemprego maior pode reduzir ainda mais a gama de pessoas consumidoras levando a mais aperto na economia.

Outro ponto é o dólar. Nos últimos cinco dias o dólar vem subindo em mais de 1,22%. Essa alta impacta combustíveis, preços de vários produtos e demais segmentos.

Querendo ou não, o dólar maior só vai municiar ainda mais a inflação. O USD/BRL no momento está em R$ 5,32. Enquanto isso, outros mercados convivem com uma taxa de câmbio muito mais estável.

Mesmo com toda a crise provocada pela construtora Evergrande, a paridade entre o dólar e Yuan continua bem equilibrada.

O USD/CNY nos últimos cinco dias vem marcando queda de 0,0046%, com a cotação em 6,47 Yuan.

Já o EUR/USD vem marcando desvalorização de 0,0014% com uma cotação em 1,17 dólares. Com a crise provocada pela Evergrande, índices chineses vêm sofrendo bastante e isso pode ser uma oportunidade de investimento.

Para aproveitar esse momento, no Brasil existem algumas alternativas, dentre elas o ETF XINA11. Para investir no mesmo basta ter pouco menos de R$ 10,00.

O ETF XINA11 vem registrando desvalorização de 17,5% em 2021. Vale destacar que ainda em 2021, antes de eclodir a crise da Evergrande, XINA11 tinha alcançado uma valorização de mais de 22%.

A Saga dos Precatórios.

Com a lei do teto de gastos, sancionada em 2016, o governo federal tem um limite de gastos, sendo que a peça orçamentária desenvolvida até o momento, não está fechando.

O que está por trás dos precatórios?

Sem um aumento de despesas ou investimentos, o governo federal não teria dificuldades para fechar o orçamento de 2022.

Porém, existe a intenção do governo federal em aplicar os programas sociais do governo. Isso vai gerar benefícios a milhões de pessoas que passam dificuldades.

Mas, devido ao custo do programa, o orçamento não fecha. Por isso, observando todos os empenhos que serão necessários fazer em 2022, o governo federal viu nos precatórios uma possibilidade de “ajustar” o orçamento e encaixar o aumento de despesas e investimentos.

Vale destacar que o total dos pagamentos em precatórios para 2022 está próximo dos 89 bilhões de reais e o governo federal está costurando um acordo com o congresso para reduzir o valor a 39.9 bilhões para 2022.

O restante do valor dos precatórios ficará para os anos seguintes. Assim, o governo federal consegue fechar o orçamento de 2022 sem ferir a lei de responsabilidade fiscal.

Precatórios influenciando o mercado

O Brasil, por ser um país considerado em desenvolvimento é por muitos, avaliado como um país de risco.

Portanto, questões políticas e fiscais são analisadas constantemente por grandes investidores, bancos e demais “players” do mercado.

Observando isso, no momento em que existe a possibilidade do orçamento estourar o teto ou de ocorrer algum ajuste no teto de gastos, a fim de encaixar as despesas e investimentos, os investidores ficam receosos. Será que isso não vai acontecer mais vezes?

Outro ponto que levanta dúvida no mercado está relacionado a uma espécie de “calote” que o governo está provocando com a postergação dos precatórios.

Como tais títulos tinham data para serem pagos em 2022, o fato de não cumprir com o pagamento, dá a entender que o governo federal está dando um pequeno calote nos credores dos precatórios.

As especulações sobre o tema vêm ganhando as notícias e o tema ainda não está encerrado. O ministério da economia ainda trata de uma solução para o impasse junto ao congresso nacional.

Enquanto isso, a quinta-feira foi boa para os mercados: USD/BRL registrou alta de 0,27%, USD/CNY desvalorizou em 0,05% e o EUR/USD obteve pequena valorização de 0,005%.

Com a taxa de juro maior, os títulos de renda fixa permanecem atraentes e vão continuar por um bom tempo.

Títulos prefixados não são uma boa alternativa agora, ainda mais que o juro pode subir e continuar subindo em 2022.

O Ibovespa registrou alta de 1,59%, já o S&P 500 obteve alta de 1,21% e o Shanghai Composite alta de 0,38%.